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Conceituado como “ferramenta multimídia para apoio do planejamento técnico e financeiro de reabilitação de edifícios de habitação” (ÉCOLE POLYTECHNIQUE FÉDÉRAL DE LAUSANNE, 2004), o método EPIQR foi desenvolvido como parte do programa europeu Joule8. Concebido pela Comissão Européia9, este programa tem como principais objetivos a otimização e a redução no consumo de energia, incentivando pesquisas nesse sentido. Portanto, o foco central desse método é o consumo eficiente de energia na edificação reabilitada (LANZINHA, FREITAS e GOMES, 2001).

O EPIQR foi criado a partir de outra ferramenta de diagnóstico sumário para reabilitação, denominada Méthode d’Evaluation Rapide des Immeubles (MERIP), por meio da qual e com base em visitas sistemáticas ao edifício analisado, obtém-se uma avaliação do estado de degradação do imóvel e uma estimativa de custos de reabilitação. Esta ferramenta vem sendo utilizada desde 1992 e tornou-se uma referência para ações de reabilitação na Suíça (ÉCOLE POLYTECHNIQUE FÉDÉRAL DE LAUSANNE, 1993).

Várias foram as instituições que participaram na elaboração do EPIQR, notadamente a suíça École Polytechnique Fédéral de Lausanne (EPFL), assim como o British Research Establishment (BRE) do Reino Unido, o Centre Scentifique et

Techinique du Bâtiment (CSTB) da França, o Danish Building Research Institut (SBI)

da Dinamarca, o Nederlandse Organisatie voor Toegepast (TNO Bouw) da Holanda, o Institut für Bauphysik (IBP) da Alemanha e o National Observatory of Athens (NOA) da Grécia. Também algumas empresas da indústria da construção foram consultadas, como o Bureau d’architectes G.A. Meylan e o GS Architeckten AG.

Mesmo que esteja centrado em questões ligadas à redução de consumo de energia pelos edifícios de apartamentos antigos, com base nas análises das condições de ganhos e perdas de calor pelas vedações externas, o EPIQR também fornece um diagnóstico das condições físicas gerais da edificação. Segundo Lanzinha, Freitas e Gomes (2001, sem página):

8 Programa promovido pela Comissão Européia para desenvolvimento de energias não nucleares e com baixa emissão de CO² (www.ec.europa.eu acessado em 19/11/2011).

9 Instituição independente que representa e defende os interesses da União Européia, propondo Leis e normas e gerenciando políticas administrativas (www.ec.europa.eu acessado em 22/06/2011).

“Este método (EPIQR) fornece ao utilizador as seguintes informações: Dossiê completo descrevendo o estado geral do imóvel a renovar; diagnóstico relativo ao estado físico e funcional do edifício; informação detalhada da natureza dos trabalhos a realizar; e a estimativa provável dos custos de renovação / reabilitação.”

A aplicação do método é baseada em vistorias periódicas ao edifício para verificação de suas condições físicas. Estas visitas são embasadas em indicadores de desempenho pré-estabelecidos e na verificação do atendimento dos indicadores pelo edifício. Nas vistorias, realizam-se inspeções visuais e procedimentos simples que dispensam a consulta aos especialistas. Nesse primeiro estágio, a edificação é dividida em 50 partes, como piso, vedações e outras, sendo proposta uma classificação do estágio de degradação para cada parte composta de quatro níveis, chamados de códigos, a saber:

Código A – bom estado, com poucas intervenções a serem feitas;

Código B – degradação ligeira, quando começam a aparecer problemas relativos ao tempo de uso; pequenos reparos e modernizações são úteis;

Código C – degradação média; o funcionamento do elemento ainda é garantido, porém são observadas más condições neste funcionamento; partes do elemento devem ser substituídas e os reparos são mais difíceis e onerosos.

Código D – fim da vida útil, quando o elemento deve ser substituído na sua integridade, pois não apresenta mais um funcionamento adequado.

Igualmente são apresentados códigos auxiliares, para os quais são utilizadas as letras s, t, u e v. Estes códigos são usados em partes isoladas e podem ser propostas

melhorias, independentemente da

qualidade de funcionamento da parte. Há a recomendação para que as inspeções sejam acompanhadas de acervo de fotografias para fundamentação da escolha pelo código.

Existe uma ordenação no percurso a ser feito nas visitas. Primeiramente, devem ser vistoriados os espaços exteriores e as fachadas, seguidos de visitas ao(s) Foto 9 – Exemplo do elemento revestimento de fachada

subsolo(s), áreas comuns, cobertura e três apartamentos, sendo um nos primeiros pavimentos, um em pavimento intermediário e um nos pavimentos mais altos.

O EPIQR oferece uma planilha para preenchimento nas vistorias; esses dados devem ser transpostos para um formulário eletrônico no software. Os resultados das inspeções são confrontados com um banco de dados relativo aos custos de execução de mais de oitocentos trabalhos de restauro e reforma. Em geral, é possível adaptar o banco de dados para uma determinada operação a partir de um coeficiente chamado de coeficiente de complexidade, resultado da combinação de três fatores: volume de serviços a ser executado; dificuldades impostas aos executores no decorrer dos serviços e condições de acesso ao local de trabalho. Também há uma atualização em banco de dados de valores cobrados pelos serviços.

Por fim, são cruzados os dados de códigos definidos para cada elemento com o banco de dados, resultando em estimativa de custos de serviços de reabilitação para o edifício analisado. Na Figura 2, é mostrado um exemplo de resultado:

Figura 2 – Exemplo de gráfico dos níveis de degradação e custo estimado de reabilitação do EPIQR – Fonte EPFL (2004, p. 16)10.

10 Tradução de termos utilizados no gráfico (feita pelo autor da tese): locaux humides (áreas úmidas); locaux secs (áreas secas); abords extériieurs/façades (envoltórias/fachadas); logement (apartamento); sous-sols (subsolo); toiture/combles (beirais); circulations (área de circulação); Scénario (cenário); options (opções); redessiner (redesign); fermer (fechar); coût total (custo total); degré d’intervension (grau de intervenção).

Também faz parte da aplicação do método, porém de maneira complementar, a utilização de questionários voltados aos usuários/moradores do edifício avaliado. O questionário busca obter as opiniões dos usuários sobre o edifício, como por exemplo, conforto térmico e acústico e funcionamento dos equipamentos como elevadores, sistemas de calefação, entre outros. Os dados obtidos na tabulação dos questionários servem para avalizar, ou não, o diagnóstico obtido nas vistorias.