que chama mais a atenção é o aluno querer conhecer as outras pesquisas, os outros grupos, o trabalho que eles desenvolveram (Diretor Escola Urbe).
Tudo indica que apesar dos pais não estarem presentes no espaço escolar, os mesmos acompanham - muitas vezes à distância, a vida escolar dos seus filhos.
Outro achado interessante apresentado na pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita (TORRES, TEIXEIRA e FRANÇA, 2013), que não poderia deixar de mencionado,
A partir da pesquisa realizada, foi possível identificar que grande parte dos jovens que cursam o Ensino Médio e integram simultaneamente o mercado de trabalho, não o fazem pela reivindicação ou desejo de suas famílias, parece que participar da vida produtiva é a expressão de um desejo dos próprios jovens:
Em suma, a generalizada opção pelo trabalho precoce é um fenômeno de grande magnitude. Os jovens entrevistados parecem compreender o trabalho antes de completar o Ensino Médio como algo desejável, independentemente do que pensam os pais, e grande parte deles procura ingressar ou já ter ingressado, de algum modo, no mercado de trabalho. Sem dúvida, esse é um aspecto importante a ser considerado no desenho de políticas educacionais para esse segmento, colocando, ao mesmo tempo, questões desafiadoras para o modelo da escola em horário integral (TORRES, TEIXEIRA e FRANÇA, 2013, p.86).
Este achado confronta muitas das opiniões e crenças sobre a importância da escola e do trabalho para o próprio jovem e como a família contribui ou não para esse processo.
No caso dessa pesquisa, o diretor de uma das escolas tem claro que é família a responsável pelo mau aproveitamento dos jovens do Ensino Médio e continuidade dos estudos em detrimento do trabalho.
É um negócio que estamos tentando mudar aqui, que é o ensino integral, porque o pensamento dos pais é o do “trabalho informal”, que é bom que eles trabalhem, estudem à noite para ter um trabalho “meia boca”, “ah, ele está ganhando o dinheirinho dele”. Até tivemos um menino, que está fazendo medicina na UNESP, foi aluno nosso, um jornal entrevistou ele perguntando como ele fez, ele falou que, pela mãe dele ele estaria trabalhando no shopping Dom Pedro até hoje, que estava bom. [...] Ele não quis, ele fez o cursinho intensivo e passou em 3 faculdades e está na UNESP [...]. Mas, assim, é um pensamento dele, ele quis mudar. Eu não sei [...], eles vêm com outra mentalidade, no noturno. Os pais, muitos deles, querem que eles concluam o Ensino Médio. Não importa como. [...] eu fico pensando: olha, o PROUNI, UNICAMP, que fica a 6 quilômetros daqui, PUC, não dá! Tem alunos com bolsa, [...], tem um que conseguiu 100% de bolsa de enfermagem na PUC, mas isso é mais individual, muito mais do aluno que dos pais (Diretor Escola Campestre).
O apoio ou não da família para a conclusão dos estudos, ainda é uma questão recente, que mereceria um maior aprofundamento para a chegada a conclusões mais definitivas. De qualquer forma, a discussão sobre as relações entre escola, trabalho e juventude são complexas e conforme Dayrell (2007, p. 1109), o trabalho também parece ser uma opção desejada pelo próprio jovem:
[...] para grande parcela de jovens, a condição juvenil só é vivenciada porque trabalham, garantindo o mínimo de recursos para o lazer, o namoro ou o consumo. Mas isso não significa, necessariamente, o
abandono da escola, apesar de influenciar no seu percurso escolar. As relações entre o trabalho e o estudo são variadas e complexas e não se esgotam na oposição entre os termos. Para os jovens, a escola e o trabalho são projetos que se superpõem ou poderão sofrer ênfases diversas, de acordo com o momento do ciclo de vida e as condições sociais que lhes permitam viver a condição juvenil.
Outro dado relevante sobre o perfil dos jovens que participaram e concluíram a edição de 2013 do NEPSO é a sua disponibilidade em participar de diversos projetos e atividades.
Essa característica foi identificada por alguns dos jovens entrevistados:
[...] todas as pesquisas que têm na minha escola eu participo, tudo, todo trabalho que tem em grupo, palestra, estas coisas, eu adoro participar (Jovem 2 Seminário).
[...] bom, primeiramente eu amo aprender coisas novas. Eu sempre estou procurando alguma coisa. Eu acho que na vida a gente tem várias oportunidades e basta a gente querer e eu aproveito todas (Jovem 1 Seminário).
A gente é mais ou menos um grupo popular. A gente participa do grêmio também, a gente fica aqui no período da tarde, então a gente já conhecia a maioria das pessoas (Jovem 2 Escola Urbe).
Além desses exemplos, mais alguns jovens se descreveram enquanto participativos nos programas e atividades extraescolares.
Quando questionado sobre o perfil dos jovens que participam do Programa, um dos diretores reforçou esse perfil dos jovens participantes:
O perfil dos que participam são os que são mais ativos mesmo a participar de outros projetos. Então quem faz mais Mais Educação faz o NEPSO. [...] Estão engajados, que gostam dessas atividades [...] (Diretor Escola Campestre).
Esse desejo, entusiasmo e vontade de participar, expressos pelos jovens, dialogam com os referenciais relacionados ao protagonismo juvenil que prevê o exercício da sua capacidade de escolha, autonomia e participação democrática dos jovens (COSTA, 2000).
A partir destes depoimentos e dados é possível aferir que os jovens que participaram e concluíram a edição de 2013 apresentavam, em sua maioria, as seguintes características: trajetória escolar mais linear, apoio da família para a realização de atividades extraescolares e reconhecem-se e são reconhecidos enquanto estudantes ativos e participativos.
Na próxima categoria de análise será abordada de forma mais aprofundada a participação juvenil e como o NEPSO contribuiu para esse processo.
4.2.3. Participação juvenile integração curricular
A questão da participação juvenil no currículo e/ou contextualização dos conteúdos escolares, assim como a integração das diferentes disciplinas, ou interdisciplinaridade, tem sido questões amplamente debatidas e explicitadas em pesquisas, diretrizes e programas voltados para o Ensino Médio.
Nesse sentido, essa categoria de análise tem como objetivo evidenciar quais os mecanismos de participação juvenil desenvolvidos no programa NEPSO e como esse processo contribui para a mobilização e adesão dos jovens às atividades propostas, contextualização dos conteúdos e para a o trabalho conjunto entre professores de diferentes disciplinas.
A ideia é que a partir desta análise possam ser verificados quais são os elementos curriculares que mobilizam os jovens a participarem do programa, assim como as dificuldades encontradas para assegurar a sua participação e dos demais professores das escolas, no sentido de garantir a integração curricular das diferentes disciplinas no Ensino Médio.
Para iniciar a análise dos elementos que mobilizaram os jovens a participar do programa, será apresentado um gráfico que categorizou a fala dos 17 jovens participantes quando os mesmos foram questionados sobre a razão de sua participação na pesquisa.
Gráfico 13 - Por que você quis participar da pesquisa?59
59 O gráfico foi composto a partir da categorização das respostas apresentadas pelos jovens e da incidência em cada uma das categorias. Muitos jovens apresentavam mais de uma razão para participação na pesquisa.
Ao analisar o gráfico com a resposta dos jovens, é possível identificar que o tema da pesquisa é algo extremamente mobilizador dos jovens para garantir a sua participação. Esse gráfico parece expressar de forma clara que os temas/ conteúdos abordados se apresentam enquanto um fator importante para a determinação da participação dos jovens nas atividades:
Bom eu quis participar porque me interessou o tema. Eu não sabia muito sobre cidadania, nem sobre os meus direitos. Com essa pesquisa agora tenho outra cabeça (...). Eu sei que eu tenho que buscar os meus direitos e cumprir os meus deveres (Jovem 3, Seminário).
[...] Eu comecei a me interessar também porque o tema é muito polêmico (Casamento Gay,) então essa situação toda me deu certa curiosidade. (Jovem 4, Seminário).
[...] porque foi um tema (Legalização da Maioridade Penal) que estava frequentemente nas redes sociais e na mídia, foi uma coisa assim que me interessou. Eu e meu grupo quisemos nos aprofundar mais no assunto. (Jovem 10, Seminário).
[...] a professora explicou mais ou menos como funcionava. No começo a gente ficou, mas não muito interessados. Ficamos no meio-termo. Só que então veio o tema dos meninos (Vícios Eletrônicos), “nossa, esse tema é legal, é interessante”, a gente começou a conversar e então surgiram essas ideias que estamos falando agora. (Jovem 2, Escola Urbe).
A participação dos jovens na escolha dos temas a serem pesquisados, parece também ser um fator de mobilização reconhecido pelos professores envolvidos no programa:
São os temas que eles estão com vontade de pesquisar. Coisas que estão passando na idade: gravidez na adolescência, moda, sexo, são temas que têm muito a ver com eles [...]. Teve um tema que falava de Transporte, para mostrar a dificuldade que era a vida deles com relação ao transporte aqui de Campinas; como é que eles iam para escola quando chovia, como era o ônibus, tiraram foto do ônibus, [...] todos quebrados. [...] Esse foi um tema que mobilizou a comunidade e que falou sobre a questão deles. Mas, tirando isso, a maioria são questões bem da idade, bem da adolescência mesmo. [...] Uma das prerrogativas do NEPSO é fazer o que está com vontade. Se eu vou estabelecer o tema, não sei se vai ser tão legal para eles, porque talvez eles estejam com vontade pesquisar coisas que eles têm interesse. (Professora 1, Escola Campestre).
Conforme sinalizado por Dayrell (2009, p. 5), é importante que a escola esteja preparada para enfrentar as novas demandas colocas pelos jovens, estimulando assim a sua participação na construção de um Projeto Político Pedagógico que atenda a seus interesses:
[...] Acrescentamos a estes desafios a necessidade de estimular o envolvimento e a participação dos jovens no cotidiano das suas escolas e a importância de desvendar o sentido atribuído pelos jovens à educação, o
que poderia apontar importantes indícios para a construção de um projeto político pedagógico para as escolas de Ensino Médio que respondesse às demandas concretas da juventude.
É importante lembrar que o referencial que embasa o entendimento de currículo dessa tese tem como uma de suas indicações a importância de contemplar o universo e interesse dos alunos em sue escopo (FREIRE, 1996; SANTOMÉ, 2013).
A participação juvenil também é reconhecida enquanto um fator de extrema relevância nos referenciais teóricos utilizados para a formação dos professores dentro do Pacto pelo Fortalecimento do Ensino Médio (2013). No caderno II, intitulado “O jovem como Sujeito do Ensino Médio”, a questão da participação dos jovens é enfatizada enquanto um fator determinante para o sucesso das aprendizagens em âmbito escolar:
A experiência participativa representa uma das formas de os jovens vivenciarem processos de construção de pautas, projetos e ações coletivas. Além disso, a experiência participativa também é importante por permitir a vivência de valores, como os da solidariedade e da democracia, e o aprendizado da alteridade. O que significa, em última instância, aprender a respeitar, perceber e reconhecer o outro e suas diferenças. O exercício da participação pode ser, então, uma experiência decisiva para a vida dos jovens um efetivo contraponto – em uma sociedade que, ao se individualizar, enfraquece ideias, valores e práticas relacionadas à dimensão coletiva da vida social.
A dimensão educativa e formativa da participação pode propiciar aos jovens o desenvolvimento de habilidades discursivas, de convivência, de respeito às diferenças e liderança, dentre outras capacidades relacionadas com o convívio na esfera pública. [...] O engajamento participativo pode aumentar seu estímulo para novas aprendizagens, melhorar a escrita e provocar o desenvolvimento da capacidade de argumentação para a defesa de pontos de vista. Nesse sentido, a participação pode ser entendida enquanto um processo educativo que potencializa os processos de aprendizagem no interior da escola (BRASIL, 2013c, p. 46-47).
Assim como no Pacto para Fortalecimento do Ensino Médio, nos Protótipos Curriculares da UNESCO (2013), apresentados no início dessa tese, a participação dos jovens e o protagonismo dos estudantes são considerados metodologias fundamentais para o desenvolvimento do currículo:
Os projetos e as atividades de investigação, de intervenção ou de aprendizagem, com ampla participação ou protagonismo dos estudantes, são destacados como formas metodológicas fundamentais para atingir os objetivos curriculares previstos (REGATTIERI e CASTRO, 2013, p. 14).
Sob essa ótica, programa NEPSO amplia o sentido da participação juvenil, uma vez que não a utiliza apenas como uma metodologia para cumprir os objetivos curriculares
definidos a priori. A participação no NEPSO, ao abrir espaço para que os alunos coloquem temas de seu interesse para serem pesquisados dentro da escola, possibilita que os jovens colaborem de forma efetiva na construção do currículo escolar, favorecendo assim maior contextualização dos conteúdos e o real engajamento dos jovens aos projetos desenvolvidos.
A escolha do tema a ser desenvolvido nem sempre é um processo fácil de ser realizado junto ao grupo de alunos, conforme relato de alguns professores, porém, essa etapa parece ser uma das mais ricas a serem realizadas:
Ele (momento de escolha do tema) é o mais rico porque é o momento que você vai conhecer quais são as questões que mobilizam essa “molecada” [...], então é preciso que você aprenda a ouvir, mesmo que você não chegue a trabalhar com todos os temas, mas aquele levantamento dos temas de interesse dizem algo sobre aquele conjunto de alunos. [...] A partir dos temas você consegue imaginar qual é o universo deles, o que os mobiliza mais. [...] Há todo um processo porque a gente divide a turma em grupos e cada um escolhe um tema que vai defender - vai dizer qual é a relevância até pra ir amadurecendo um pouco [...], em seguida que é feita a escolha no grande grupo [...], tem turmas que você consegue a partir do levantamento de temas ir conciliando, ligando um tema com outro e aí você consegue contemplar a maioria dos temas, agora tem outras salas que isso não é possível (Professora 2, Escola Urbe).
A parte da qualificação do tema é a mais importante, porque eu vejo que eles começam a se interessar, a perceber que estudar, conhecer, não é só conhecer fórmula matemática, fatos históricos, é mais amplo do que isso e você pode se divertir com isso. Pode ser agradável, pode ser uma coisa que você goste. Então, leitura não é mais chata, se é tema de interesse facilita a leitura, por isso que acho que não devo obrigar a um tema (Professora 1, Escola Campestre).
O desenvolvimento desse processo exige que o professor tenha uma série de habilidades e cuidados:
[...] a primeira habilidade do professor é a da escuta. Ele tem que estar com disponibilidade pra ouvir, caso contrário, se ele não tiver essa disponibilidade, ele vai se deixar levar pelas suas preferências. A gente corre o risco de repente definir aquele tema é mais interessante pra minha disciplina, para aquilo que eu estou querendo trabalhar, mas eu, pelo menos, procuro não intervir nesse ponto. Acho que a intervenção minha é mais assim no debate pra provocá-los a refletir sobre o tema (Professora 2, Escola Urbe).
O tema relacionado à escuta do professor e transformações em sua prática e modo de relacionar-se com os alunos será apresentado de forma mais aprofundada na categoria Contribuições para o currículo das escolas participantes, porém é importante reforçar, que no momento da escolha dos temas, a disponibilidade para a escuta e valorização das falas
dos alunos é uma atitude fundamental para garantir o engajamento dos jovens nas atividades de pesquisa a serem desenvolvidas mais adiante.
Possibilitar a participação do jovem no Projeto Político Pedagógico e/ou no currículo escolar, na escolha de conteúdos/temas a serem trabalhados e contextualizá-los nas diversas disciplinas, favorecendo assim a interdisciplinaridade, também são princípios expressos explicitamente nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (2012) e nas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (2010):
A interdisciplinaridade é, assim, entendida como abordagem teórico- metodológica com ênfase no trabalho de integração das diferentes áreas do conhecimento. (...)
A transversalidade é entendida como forma de organizar o trabalho didático- pedagógico em que temas, eixos temáticos são integrados às disciplinas, às áreas ditas convencionais de forma a estarem presentes em todas elas.
A interdisciplinaridade é, portanto, uma abordagem que facilita o exercício da transversalidade, constituindo-se em caminhos facilitadores da integração do processo formativo dos estudantes, pois ainda permite a sua participação na escolha dos temas prioritários. A interdisciplinaridade e a transversalidade complementam-se, ambas rejeitando a concepção de conhecimento que toma a realidade como algo estável, pronto e acabado (BRASIL, 2012a, p. 44).
A interdisciplinaridade também é um elemento reconhecido pelos diversos profissionais entrevistados no desenvolvimento das pesquisas pelo NEPSO:
[...] vou dar um exemplo de energias renováveis. Eu sou da área de história, ao trabalhar o que são as energias renováveis, você pode discutir a revolução industrial. Agora, maiores conhecimentos técnicos eu não tenho. Então eu tive que estudar um pouco e pedir também para o professor de química que pudesse auxiliar nesse sentido (Professora 1, Escola Urbe).
Não são temas que estão no currículo, mas a gente sempre tenta colocar na qualificação, na pesquisa. [...] Se um tema que pesquisamos é sobre drogas, vamos tentar falar com a professora de ciências, [...] fazer essa costura. [...] O primeiro ano que surgiu, foi futebol. [...] Eles queriam muito pesquisar e conhecer a história dos times e entrou no meu currículo, porque eles estavam pesquisando a história do Brasil. [...] Foi muito bacana, muito legal. (Professora 1, Escola Campestre).
Então o NEPSO pode caminhar nesse sentido como um enriquecimento curricular mesmo, no sentido de fortalecer, não uma disciplina específica, [...], mas, por exemplo, a leitura, que é base para tudo [...], se ele tiver que fazer um percentual, ele vai ter que trabalhar também alguns assuntos específicos de matemática (Diretor Escola Campestre).
A interdisciplinaridade e a relação dos temas das pesquisas desenvolvidas pelos jovens participantes podem ser identificadas no quadro abaixo:
Quadro 13 - Disciplinas dos professores e temáticas das pesquisas
Professores/ Orientadores Temáticas
História e Geografia Casamento gay
Artes e Física Cidadania
Espanhol e Coordenadora Pedagógica Violência nas escolas
Português Gravidez na adolescência
Legalização da maioridade penal História, Português e Geografia Acidente de trabalho
Escolha profissional
História Descriminação no trabalho
Matemática e História Vícios eletrônicos
História Moda na Adolescência.
FONTE: Dados Ação Educativa – Elaboração própria (2014).
Ao observar o quadro é possível identificar que as temáticas das pesquisas desenvolvidas refletem o universo dos jovens, conforme destacado por uma das alunas que participa anualmente do NEPSO:
[...] Eu acho que é a vivência do aluno. O que tem à volta dele. Então se é bullying é porque acontece muito aqui dentro da escola. Se é gravidez na adolescência, é porque tem muitas meninas que ficam grávidas jovens. Se é problema na família, que foi o que eu trabalhei no primeiro ano, é porque é decorrente da relação que a família tem com o aluno. Então eu acho que é o que está relacionado à vida do aluno (Jovem 1, Escola Urbe).
Outro fator que pode ser observado no quadro é a quantidade de professores que auxiliaram em cada pesquisa realizada e que muitas das delas contaram com a ajuda de mais de um professor para seu desenvolvimento.
Porém, ao analisar criticamente o quadro, diante das possibilidades oferecidas pelo NEPSO para o desenvolvimento de pesquisas interdisciplinares, percebemos que a maioria das pesquisas é realizada por um ou dois professores. Ou seja, a partir deste quadro é possível intuir que, mesmo com o NEPSO, o trabalho interdisciplinar ainda parece ser um desafio a ser enfrentado pelas escolas de Ensino Médio participantes:
Desde que eu comecei, eu tive muita dificuldade em ter parceiros na escola. Eu fiz 3 anos sozinha. Sozinha mesmo! - Todo ano eu apresento projeto em ATPC para os professores conhecerem e ver se consigo chamar alguém, e, assim, eles acabam acompanhando o processo,
porque a gente tira aluno de sala da aula e é falado na escola, mas a mobilização é muito pequena. Tem uma professora de matemática que não se envolve, não participa efetivamente do projeto, mas ela sempre ajuda [...] na tabulação e com os gráficos (Professora 1, Escola Campestre).
Eu no Ensino Médio tenho duas aulas semanais. Então eu vejo que com duas aulas semanais é muito complicado. Quando você tá sozinho, porque você não tem outros professores que estão trabalhando com você, até essa orientação ela fica concentrada em duas aulas ou em menos que duas, porque o NEPSO é um pedacinho do meu trabalho em cada turma (Professora 1, Escola Campestre).
Conforme destacado nos depoimentos, e anteriormente nessa tese, existe certa resistência da participação dos professores de Ensino Médio ao programa e com isso uma dificuldade no desenvolvimento de trabalhos interdisciplinares, ou mais integrados. O ator institucional entrevistado reconhece e atribui à forma de organização curricular do Ensino Médio, a dificuldade de desenvolvimento de trabalhos interdisciplinares:
A maioria é um professor que participa e ele pede ajuda para outros, por exemplo, do de matemática para a tabulação. [...] Tem algumas escolas que conseguem juntar professores de diferentes áreas. Tem alguns professores que, mesmo sendo de uma área, conseguem trazer aportes de outras, mas é minoria os trabalhos que são com diversos professores, que são interdisciplinares. [...] isso eu acho que é uma coisa que o NEPSO tensiona as estruturas curriculares. Então muitas vezes ele não é fácil de ser executado, os professores acabam desistindo, porque tem