• No results found

Avslutning

In document 550.pdf (722.7Kb) (sider 38-44)

O presente trabalho teve o propósito de contribuir para o conhecimento da distribuição espacial da estrutura produtiva da Indústria de Transformação do Ceará, procurando atualizar dados e resultados já alcançados por estudos passados. O trabalho, em geral, chamou atenção para indicadores reveladores de aglomerações, ou seja, para localidades, estabelecimentos e trabalhadores.

Como já foi dito anteriormente, o trabalho não explora perfil, estrutura e dinâmica das aglomerações, o que exigiria pesquisas de campo, mas realiza revelações de indícios de aglomerações. Dessa maneira, este trabalho, ao invés de intencionar ações diretas de políticas públicas, ele pode provocar iniciativas de estudos e pesquisas mais aprofundados sobre tais revelações. Apenas um conhecimento detalhado do arranjo e do sistema produtivo de certa região possibilita a aplicação de políticas de desenvolvimento conscientes e adequadas, de forma a fomentar e extrair o melhor de cada aglomeração, ao invés de reprimi-las.

Dos resultados encontrados, constatou-se que o Ceará apresenta uma estrutura produtiva industrial setorialmente e territorialmente concentrada. Os subsetores da Indústria Têxtil, do vestuário e artigos de tecido, de Calçados e de Alimentos e bebidas acumularam 67,3% dos trabalhadores e 55,2% dos estabelecimentos da Indústria de Transformação estadual.

Em termos espaciais, a concentração territorial se evidenciou na apresentação do indicador de Densidade de Atividade, o qual exibiu os municípios da mesorregião Metropolitana como os primeiros classificados em número de estabelecimentos. A grande exceção foi a Indústria de Calçados, o subsetor que menos apresentou concentração na região Metropolitana, por sua instalação ter sido influenciada pela política estadual de incentivo fiscal, a qual privilegia o interior do estado. Neste caso, para a Região Metropolitana de Fortaleza, apenas Fortaleza (em segundo lugar) e Maranguape (nono lugar) obtiveram posições significativas na lista de Densidade da Atividade.

Entretanto, como esperado, a mesorregião Metropolitana não apresentou relevo no indicador de Quociente Locacional. Isso ocorre devido ao QL ser um indicador relativo que acaba não realçando municípios com grande diversificação econômica como os da região Metropolitana. Um exemplo foi o município de Fortaleza o qual possui elevada expressão na econômica estadual, porém apresentou QL maior

que 1 (um) apenas na Indústria de papel, papelão, editorial e gráfica em sétimo, na Indústria Têxtil em décimo sexto, na Indústria de Calçados em trigésimo e na Indústria de Alimentos e bebidas em vigésimo quinto.

Adicionalmente, observou-se a presença de Quocientes Locacionais em relação ao Brasil maiores que em relação ao Ceará. Essa tendência ocorreu nas Indústrias de Calçados, Têxtil, de vestuário e artigos de tecido e em menor proporção na indústria de Minerais não Metálicos. Isso é um indicativo da elevada participação desses subsetores na indústria nacional e reforça o potencial de desenvolvimento dessas aglomerações no Ceará.

Outro fato importante verificado foi a constante presença de municípios com elevada classificação no Quociente Locacional que não apresentavam Densidade de Atividade por deter reduzido número de estabelecimentos. Isso ocorreu, principalmente, em duas situações. A primeira no caso de pequenos municípios, nos quais grande parte dos trabalhadores se destinou a um subsetor. O segundo caso apareceu em municípios maiores, que acomodam empresas de grande porte, normalmente incentivadas, de maneira a concentrar uma grande participação no número de trabalhadores dos subsetores estadual.

Essas situações encontradas fortalece a opção do trabalho em adotar dois indicadores. O Quociente Locacional e a Densidade de Atividade possuem focos e limitações diferentes que acabam trazendo informações complementares e ajudam a tornar a análise espacial mais clara e completa.

REFERÊNCIAS

AMARAL FILHO, Jair et al. Sistemas e arranjos produtivos locais. Planejamento e políticas públicas, n. 36, p.171-212. 2011.

AMARAL FILHO, Jair do et al. Subsídios para identificação de Arranjos Produtivos Locais-APLs no Ceará. Fortaleza: Premius, 2006.

AMARAL FILHO, Jair do. A endogeneização no desenvolvimento econômico regional e local. Planejamento e Políticas Públicas, n. 23, p.261-286. 2001.

AMORIM, Mônica Alves. Clusters como estratégia de desenvolvimento industrial no Ceará. Fortaleza: Banco do Nordeste, 1998.

BARRETO, Flávio Atalaia F. D.; MENEZES, Adriano Sarquis B. Desenvolvimento Econômico do Ceará: evidências recentes e reflexões. IPECE. Fortaleza. 2014. CAGED. Base de dados empregos e estabelecimentos. Acesso em:

<bi.mte.gov.br/bgcaged/caged_perfil_municipio/index.php>. Acesso em: abril 2016. CAVALCANTE, A. L. Dinâmico do Emprego Celetista em 2015. IPECE. Informe n˚ 93. Fortaleza. mar/2016.

CAVALCANTE, L. R. M. T. Produção teórica em economia regional: uma proposta de sistematização. Revista brasileira de estudos regionais e urbanos, v. 2, n. 1, p. 9-32, 2008.

CNI. Base de dados de indicadores industriais. Disponível em: <www.portaldaindustria.com.br/cni/>. Acesso em: junho 2016.

COSTA, O. M. E. (Org.); PAIVA, W. L.; CAVALCANTE, A. L. Comportamento dos Empregos e Salários na Indústria de Transformação Cearense nos anos recentes. IPECE. Informe n˚ 63. Fortaleza. ago/2013.

COSTA, Achyles Barcelos. Instituições e competitividade no arranjo calçadista do Vale do Sinos. Análise Econômica, v. 27, n. 52, 2007.

CROCCO, Marco Aurélio et al. Metodologia de identificação de aglomerações produtivas locais. Nova Economia, v. 16, n. 2, p. 211-241, 2006.

CARIO, S. A. F.; MEDEIROS, F. F. Arranjos Produtivos Locais: considerações sobre as formas de governança e políticas de desenvolvimento. In: DE MIRANDA

BREITBACH, Áurea Corrêa et al. Os Desavios do Desenvolvimento Local. Porto Alegre: FEE, 2012.

DINIZ, Clélio Campolina et al. Economia regional e urbana: contribuições teóricas recentes. Livros editados pelo Cedeplar-UFMG. 2006.

FIANI, Ronaldo. Cooperação e conflito: instituições e desenvolvimento. 2011. GARCIA, Renato. Economias externas e vantagens competitivas dos produtores em sistemas locais de produção: as visões de Marshall, Krugman e Porter. Ensaios FEE, v. 27, n. 2, p. 301-324. 2006.

HADDAD, Paulo Roberto. Medidas de localização e de especialização. Economia Regional: Teorias e Métodos de Análise. BNB-ETENE, Fortaleza, 1989.

HIRSCHMAN, A. O. Estratégia do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961. Edição original de 1958.

IBGE. Base de dados de indicadores Industriais. Disponível em: <www.ibge.com.br>. Acesso em: junho 2016.

KELLER, Paulo Fernandes. Clusters, distritos industriais e cooperação interfirmas: uma revisão da literatura. Revista Economia & Gestão, v. 8, n. 16, p. 30-47. 2008.

LASTRES, Helena MM et al. Glossário de arranjos e sistemas produtivos e inovativos locais. Rio de Janeiro: IE, 2003.

MARSHALL, A. Princípios de Economia. São Paulo: Abril Cultural, [1890]1982. MARSHALL, Alfred et al. Principles of economics: an introductory volume. 1920. PERROUX, Francois. A note on the notion of growth pole. Applied economy, v. 1, n. 2, p. 307-320, 1955.

PORTER, Michael E. Cluster and the new economics of competition. 1998. PUGA, Fernando Pimentel. Alternativas de apoio a MPMES localizadas em arranjos produtivos locais. BNDES, 2003.

MYRDAL, G. Teoria econômica e regiões subdesenvolvidas. Belo Horizonte: Biblioteca Universitária – UFMG, 1960. Edição original de 1957.

pensamento econômico regional. In: CRUZ, Bruno de Oliveira et al. Economia Regional e Urbana. 2011.

SCHEFFER, Janaina; CARIO, Silvio; ENDERLE, Rogério Antônio. Tratamento teórico-analítico sobre empresas de pequeno porte organizadas na forma de

aglomeração produtiva localizada. Textos de Economia, v. 9, n. 2, p. 49-77. 2008. SCHMITZ, Hubert. Collective efficiency and increasing returns. Cambridge journal of economics, v. 23, n. 4, p. 465-483, 1999.

SCHMITZ, Hubert; NADVI, Khalid. Clustering and industrialization: introduction. World development, v. 27, n. 9, p. 1503-1514, 1999.

SUZIGAN, Wilson et al. Coeficientes de Gini locacionais–GL: aplicação à indústria de calçados do Estado de São Paulo. Nova Economia, v. 13, n. 2, 2009.

In document 550.pdf (722.7Kb) (sider 38-44)