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5. Avslutning

Se as fontes devem nos dizer sobre o passado, nós precisamos fazer perguntas sobre do que elas são feitas, quem as fez, por que, como foram usadas e o que significaram para as pessoas que as fizeram e as usaram. Poderá haver outras questões? Hillary Cooper (2006)

No estudo que desenvolvemos procuramos compreender como os professores de História do 3.º ciclo utilizam os recursos do manual escolar, centrando a atenção nas fontes aí presentes. Assim, consideramos necessário abordar o que entendemos por “fonte” e qual o conceito/acepção e tipologia que assumimos previamente para o registo dos recursos apresentados no (s) manual (ais) e seleccionados por cada um dos professores entrevistados, para o trabalho na sala de aula com os seus alunos.

Genericamente designam-se “fontes” os materiais de que o historiador se serve para exercer o seu ofício, sendo para alguns historiadores considerada a acepção de

documento

para designar

fontes,

embora outros considerem que só assumirá essa categoria o documento que tenha sido submetido

“a tratamentos destinados a transformar a sua função de mentira, em

confusão de verdade”

(Mendes:1989,p.87-88).

Alguns autores utilizam várias expressões para designar a mesma realidade, considerando na mesma designação:

vestígios

(arqueológicos, pré-históricos, e outros);

monumentos

(artísticos, arquitectónicos, industriais e comemorativos),

testemunhos

(geralmente apresentados como prova de algo),

documento,fontes

.

A discussão entre

fonte

e

documento

não é pacífica entre os historiadores, assumindo para alguns significados específicos. Consideraremos, como refere Mendes (1989:88), o conceito de

fonte

e

documento

usando os dois termos, indistintamente, na mesma acepção e em sentido lato, englobando as realidades expressas pelas outras designações referidas. Consideraremos, também

documentos

ou

fontes

, mesmo antes de sujeitos aos tratamentos – selecção e crítica – do historiador.

Do mesmo modo integramos a tipologia apresentada pelo mesmo autor que além das fontes

conscientes

/

inconscientes

,

figuradas

,

escritas

e

registadas

, acrescenta as

escritas

e

não

escritas

. Nesta última tipologia, ainda a consideração da distinção entre

primárias

ou

directas

e

A abordagem sobre “fontes históricas” não é consensual, depende do tema a abordar e da teoria à qual estamos vinculados.

O positivismo, com a influência que manteve por muitos anos, contribuiu para impor o princípio segundo o qual primeiro havia que averiguar os factos para depois deduzir as conclusões. A história convertia-se, assim, num corpo de factos verificados, aqueles que o historiador conseguia encontrar nos documentos e logo reunia para servir ao público devidamente “condimentados” (Carr, 1961: 9).

Bloch (s.d.) utiliza a palavra ‘testemunhos’ para designar o que chega do passado até ao presente do historiador. Defende a análise interna e externa dos testemunhos, a sua classificação em voluntários e involuntários e desta análise decorre que “...

desde que nos não

resignemos a registar pura e simplesmente o que dizem as nossas testemunhas, desde que

entendemos força-las a falar, mesmo contra vontade – impõe-se mais do que nunca um

questionário. E é esta, efectivamente, a primeira necessidade de qualquer investigação histórica

bem conduzida

” (Ibid., p.60).

De acordo com Collingwood (1978), há uma forma utilizada pelos estudiosos, até ao aparecimento da história ciência, que consistia em decidir primeiro o que se pretendia saber e depois procurar informações a tal respeito em testemunhos orais ou escritos. O que o “historiador” faz neste caso é recolher a informação, cortá-la, remodelá-la de acordo com os seus propósitos, e incorporá-la na sua construção de narrativa do passado. Este autor considera: “

a história construída com base na extracção e combinação dos testemunhos de diversas fontes

chamarei história de cola e tesoura

” (Ibid., p. 316). Refere de seguida que este é um tipo de história ainda muito praticado. Este método utilizado até ao século XVIII, em parte literário, porque se preocupava em apresentar de forma coerente a narrativa, e em parte retórico, porque pretendia na maior parte das vezes provar, ilustrar uma tese, foi posto em causa a partir do momento que se compreendeu que uma afirmação não pode ser aceite sem ser criticada, ou seja, “averiguada sistematicamente a credibilidade do autor” (Id. Ibid., p.317).

A partir deste momento desapareceu a palavra “autoridade” com que se referiam as afirmações consideradas à partida verdadeiras só por emanarem de uma determinada personalidade histórica.

“O documento até então chamado ‘fonte autorizada’ adquiriu uma feição nova, definida com propriedade pela designação de ‘fonte’ – palavra que indica simplesmente que contém a afirmação que interessa, sem quaisquer implicações quanto ao seu valor. Isto é, a fonte fica sub judice (submetida a juíz em nota de pé de página) sendo juiz o historiador” (Id.ibid., p. 318).

Segundo o autor, a fonte deve, portanto, ser analisada, criticada, esquadrinhada com perguntas do tipo que um bom detective faz, ou seja, não com perguntas do tipo retórico, cuja resposta se conhece de antemão, que partem da tal intenção do historiador, “

esta afirmação é

verdadeira ou falsa?”

ou “

incorporo-a ou não na minha história?

”.

Ao contrário, o historiador científico questiona “

que significa esta afirmação?”

, que não é a mesma coisa que perguntar “

o que pretendia dizer a pessoa que a fez?

”.

O historiador de cola e tesoura interessa-se pelo conteúdo das afirmações, pela informação que pode recolher (positivistas) nelas, e o científico interessa-se pelo facto de elas serem feitas.

Assim, de acordo com a ‘cola e tesoura’

fonte

é um

documento

em que o historiador encontra as afirmações pré-fabricadas previamente por ele estabelecidas (Id. Ibid., p.338). A fonte limita-se a confirmar e / ou ilustrar o que ele pretende à partida. Segundo Collingwood, esta definição de fonte tem uma utilidade prática, ou seja, a separar as que lhe podem ser úteis das que de nada lhe servem.

Este historiador evita reflectir sobre os seus métodos e sobre as implicações do que está a fazer. Se a história for científica então, segundo Collingwood, “

devemos falar de ‘provas’ e não

de ‘fontes’.

Este autor considera ser extremamente difícil definir ‘fontes’ porquanto só são fontes quando fornecem provas, evidências, quando são pretexto para discussões prévias que são pontos de partida de mais e nova investigação. Por outro lado, são fontes na medida em que podem oferecer pistas para provas que respondem às perguntas colocadas pelo historiador.

Actualmente, abordagens recentes da história das mentalidades centram-se principalmente em actividades de pesquisa em torno da ideologia e de acontecimentos da vida privada do passado.

Contudo, é comummente aceite que, salvo casos muito específicos, a abordagem construtivista das fontes deve ir para além da mera recolha de informação de uma interpretação linear. Actualmente há que cruzar fontes, comparar perspectivas e pontos de vista nelas inscritos, contextualizá-los para os tornar compreensíveis e depois optar pela “versão” mais credível, mais fundamentada em evidências criticamente analisadas do passado – ou seja há

que fazer uma interpretação aprofundada, construtivista e que tem subjacente o recurso a raciocínios históricos, inferências lógicas e “um certo trabalho de detective” de que fala Collingwood.