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4. DRØFTING AV FUNN

5.0 AVSLUTNING

Depois de várias temporadas na Europa, foi em 1927 que Fitzgerald fez a sua primeira viagem a Hollywood, quando um produtor da United Artists o contratou para escrever uma comédia sobre flappers31 para a actriz Constance Talmadge. O resultado foi Lipstick, a história de Dolly Caroll, uma flapper injustamente presa que, aquando da visita de uns estudantes de Princeton à prisão, se apaixona por um deles, Ben Manny, embora Manny se destaque por desprezar e insultar a heroína, o que a leva a jurar vingança e a fazer de tudo para subir na sociedade depois de sair da prisão. O título da história refere-se a um batom mágico que faz os homens quererem beijar Dolly. Com a ajuda deste batom, a protagonista acaba por conquistar Ben, tirando-o das mãos de uma sua pretendente da alta sociedade, numa rebuscada cena num baile de finalistas32.

31 Flapper foi o termo adoptado para caracterizar o novo tipo de mulher jovem liberal e hedonista dos anos 20.

Para além de uma revolução nos costumes, com uma atitude mais desprendida em relação ao sexo, por exemplo, as flappers protagonizaram também uma revolução na moda (saias e cabelos mais curtos, por exemplo) e cultura popular (o gosto pelo swing e pelo jazz, entre outros).

32 O tratamento para Lipstick foi consultado no rolo 32A em microfilme da Princeton University Library Special

Collection. As citações deste capítulo e seguintes não referenciadas com obra e página foram anotadas pelo autor da tese em consulta pessoal aos arquivos indicados.

A desmesurada confiança e o facilitismo com que Fitzgerald encarou este trabalho revela-se inclusivamente na transposição de algumas ideias que o autor tinha usado, com mais talento e mestria, em outros formatos, nomeadamente, no conto. Não será por coincidência que a protagonista de Lipstick se chama Dolly, um piscar de olhos a uma das personagens do conto “The Rich Boy”, publicado um ano antes, cujo protagonista, Anson Hunter, é arrogante e altivo, muito idêntico ao Ben Manny de Lipstick, e que, entre outras mulheres, se envolve com outra Dolly (Karger), uma “fast girl”, que se apaixona por Anson depois de este a desprezar. As semelhanças entre Anson Hunter e Ben Manny são evidentes; senão, vejamos as descrições de ambos:

Ben Manny:

What used to be known as a ‘superior person’ – that is he is sure of himself, he knows that his position in this world is based on solid rock of confidence and plenty and this has given him an air of ‘Who are you anyhow?’ toward those whose breeding he suspects...

Anson Hunter:

Anson’s first sense of superiority came to him when he realized the half-grudging American deference that was paid to him in the Connecticut village. He accepted this as the natural state of things, and a sort of impatience with all groups of which he was not the center–in money, in position, in authority–remained with him for the rest of his life. He disdained to struggle with other boys for precedence–he expected it to be given him freely. (Short Stories, 319)

Apesar das diferenças de formato e de qualidade destes dois exemplos, o tema subjacente é típico de Fitzgerald, no seu fascínio e desprezo pelos muito ricos, classe a que sempre almejou pertencer, mas onde nunca se conseguiu integrar ou manter. É em “The Rich Boy” que escreve uma das suas frases mais citadas de forma parafraseada (“The very rich are different from you and me”), ou não fosse a sua obra, em grande parte, uma variação deste estudo sobre as classes privilegiadas da América do pós-guerra e subsequente depressão:

Let me tell you about the very rich. They are different from you and me. They possess and enjoy early, and it does something to them, makes them soft where we are hard, cynical where we are trustful, in a way that, unless you were born rich, it is very difficult to understand. They think, deep in their hearts, that they are better than we are because we had to discover compensations and refuges of life for ourselves. Even when they enter deep into our world or sink below us, they still think that they are better than we are. They are different. (Short Stories, 318)

O projecto de filme Lipstick acabou por ser recusado pelo produtor, John Considine, e, depois de gastar mais do que ganhara, durante esta temporada, com Zelda, em Hollywood, Fitzgerald deixou Los Angeles, desiludido com o meio e com a sua própria capacidade para a escrita para cinema. Ainda assim, no entretanto, conheceu duas pessoas que lhe viriam a

servir de importante inspiração para a escrita: Constance Talmadge, que seria a modelo de Rosemary Hoyt em Tender is The Night, e Irving Thalberg, o produtor e director dos estúdios da MGM, que dali a quatro anos o chamaria para um novo projecto cinematográfico, mas que sobretudo iria inspirar a personagem de Monroe Stahr na derradeira obra inacabada: The Love

of the Last Tycoon.

Dez anos mais tarde, no comboio a caminho da sua terceira e última estada em Hollywood, Fitzgerald escreveria à filha sobre esta primeira experiência como guionista na cidade do cinema:

At that time I had been generally acknowledge for several years as the top American writer both seriously and, as far as prices went, popularly. I had been loafing for six months for the first time in my life and was confidant to the point of conceit. Hollywood made a big fuss over us and the ladies all looked very beautiful to a man of thirty. I honestly believed that with no effort on my part [o sublinhado é dele] I was a sort of magician with words–an odd delusion on my part when I had worked so desperately hard to develop a hard, colorful prose style.

Total result–a great time + no work. I was to be paid only a small amount unless they made my picture–they didn’t. (Life in Letters, 330)

Contudo, a consciência desta sua falta de trabalho e dedicação séria à função de argumentista iria servir de “lição”, embora não completamente aprendida na sua segunda ida a Hollywood, mas definitivamente assimilada à terceira.

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