. Seria isso realmente verdade? Em parte acreditamos que imagem e palavra caminham juntas e consequentemente tem praticamente o mesmo valor. Por outro lado, acreditamos que essa forte expressão do provérbio nos chama atenção para o fato das várias leituras que podemos fazer a partir de uma única imagem, ou seja, a partir de um desenho, uma charge ou uma fotografia, é possível escrevermos um texto, com muitas e muitas palavras.
É importante lembrarmos que, junto com as palavras ou sozinhas, as imagens têm
reconhecer que elas existem para além dos suportes técnicos em que se encontrem
grafadas e que também es S, 2013 p.258). As imagens
estão fixas por toda parte, livros, jornais, revistas, outdoors, ou estão também em movimento, na televisão, no cinema, no celular, etc. Contudo temos alguns questionamentos a serem feitos: nesse mundo imagético, como a imagem tem chegado às escolas? Qual seu nível de aceitação? Elas têm sido apropriadas no processo de ensino e de aprendizagem? Vejamos o que tem acontecido no ensino de geografia,
A imagem, no ensino de Geografia, geralmente é empregada como mera ilustração. Mesmo que os autores de um texto tenham integrado as figuras ao conteúdo, o que nem sempre ocorre, elas não são utilizadas no espaço escolar como complementação do texto ou recurso de onde é possível extrair informações e promover a articulação com o conteúdo da escrita. [...] Vivemos no mundo das imagens e pouco sabemos sobre elas. (PONTUSCHKA; PAGANELLI; CACETE, 2009 p. 278)
É evidente que não podemos generalizar, há professores de Geografia e de outras disciplinas, que trabalham com a imagem na sala de aula, mesmo porque, reconhecem a importância de explorar essa linguagem no processo de ensino e de aprendizagem. No caso do ensino de Geografia podemos dizer que a imagem exerce um relevante papel, uma vez que a mesma é capaz de representar diferentes paisagens que por sua vez constituem o espaço geográfico.
O ensino de Geografia por meio da imagem amplia a compreensão da produção e reprodução do espaço, favorecendo a leitura e interpretação dos processos responsáveis por sua configuração; desvelando as lacunas, rugosidades e sobreposições e coexistências relativas às ações, formas, funções e tempos que comporta; possibilitando conexões entre conceito e empiria. (MORAIS, 2013 p.259)
Morais (2013) é bem categórica ao afirmar que, o ensino de Geografia pode ser realizado por meio de estratégias metodológicas em que a imagem é um texto, constituído por um sistema de signos que lhe conferem uma linguagem própria. Todavia Morais prossegue nos mostrando que há aqui um desafio tanto para o professor quanto para o aluno, de decodificar esses signos e decifrar esta linguagem.
Ao falar em decifrar a linguagem imagética, não podemos nos esquecer também que, essa é uma das linguagens mais complexas, pois, é composta por vários elementos ou linguagens diferentes entre os quais: vídeos, filmes, desenhos, pinturas, charges e
fotografias. Assim como o nosso trabalho tem como foco a fotografia, enfatizamos essa linguagem no ensino de Geografia.
Steinke (2014) nos mostra que fotografia é o produto final de uma ação do fotógrafo que, diante do recurso tecnológico disponível e acessível em um dado momento cronológico e de um espaço geográfico, selecionou um tema e um enquadramento para ser registrado.
Segundo Steinke (2014) a primeira fotografia foi produzida em 1826 com Niépce na França. Todavia sua invenção não está restrita a apenas um inventor mas a um conjunto de descobertas independentes ao longo do tempo, como por exemplo as técnicas fotográficas de Arago em 1839, os trabalhos de Daguerre com fotos das avenidas de Paris e
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Antigamente, para se ter uma fotografia era preciso se submeter a alguns sacrifícios. Os equipamentos eram pesados, dificultando o deslocamento, além de outras dificuldades existentes. A fotografia era restrita a apenas uma elite, constituindo um artigo de luxo. Com o tempo, a fotografia foi se tornando cada vez mais acessível, porém alguns problemas ainda precisavam ser resolvidos. Como por exemplo, até a pouco tempo muitas pessoas tinham surpresas desagradáveis na hora de revelar o filme, pois era muito
Hoje com o avanço tecnológico, além da grande acessibilidade é possível ver a fotografia antes de revelar ou arquivar a mesma, alguns espertinhos fazem até correções, o famoso Photoshop.
que a fotografia pode fornecer, ainda são poucos estudos e revistas científicas geográficas STEINKE, 2014 p. 66).
Mesmo assim podemos dizer que a fotografia tem sido utilizada por geógrafos humanas. Vários geógrafos vão a campo fotografar seu objeto de estudo para posteriormente utilizar as fotografias em suas pesquisas por meio da análise e da interpretação das mesmas.
Professores também têm levado a fotografia para sala de aula7, ou seja, eles têm incentivado os alunos a utilizarem a fotografia como registro da realidade a ser estudada.
7Vimos isto na exposição dos alunos apresentada no IV Colóquio Internacional A Educação pelas
imagens e suas Geografias na Escola de Educação Básica (ESEBA) da Universidade Federal de Uberlândia que ocorreu de 02/12/2015 a 05/12/2015.
Azevedo, Steinke e Leite (2014), afirmam que a fotografia pode ser utilizada no sentido de evidenciar sua posição como elemento de mediação pedagógica, orientado ao processo de construção de um conhecimento que se pretende aplicado à leitura crítica do mundo.
Pensando assim acreditamos que não basta apenas incentivar os alunos a fotografarem a realidade, ou levar fotografias e apresentá-las na sala de aula. É preciso
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Um fator que também merece atenção, é quanto às fotografias prontas presentes em livros didáticos, revistas, jornais, etc., o professor deve orientar aos alunos quanto a função das mesmas, ou seja, com qual intencionalidade foram tiradas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais fazem a seguinte recomendação.
Na escola, assim, fotos comuns, fotos aéreas, filmes, gravuras e vídeos também podem ser utilizados como fontes de informação e de leitura do espaço e da paisagem. É preciso que o professor analise as imagens na sua totalidade e procure contextualizá-las em seu processo de produção: por quem foram feitas, quando, com que finalidade, etc., e tomar esses dados como referência na leitura de informações mais particularizadas, ensinando aos alunos que as imagens são produtos do trabalho humano, localizáveis no tempo e no espaço, cujas intencionalidades podem ser encontradas de forma explícita ou implícita. (BRASIL, 1997 p.78)
Enfim podemos afirmar que são várias as linguagens possíveis de serem utilizadas no processo de ensino e de aprendizagem, inclusive, no ensino de Geografia. As diferentes linguagens, música, textos escritos, literaturas, imagens, etc. são complementares, e podem contribuir para se ter um ensino de Geografia mais interessante e principalmente mais significativo para o educando, de modo que, como bem afirma Oliveira (2014), o educando possa desenvolver uma postura crítica diante da realidade, comprometida com o homem e com a sociedade; não com o homem abstrato, mas com o homem concreto, com a sociedade tal e qual ela se apresenta, dividida em classes com conflitos e contradições, e assim contribuir para sua transformação.
No próximo capítulo abordamos o livro didático destacando sua trajetória na educação brasileira, bem como a relação do mesmo com o processo de ensino e de aprendizagem; a fotografia; a educação do campo e a ideologia da classe dominante. Enfatizamos também as duas edições do PNLD Campo.
2. O LIVRO DA DISCÓRDIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O LIVRO DIDÁTICO NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
No mundo contemporâneo o letramento se tornou uma exigência, e um dos recursos mais utilizados nesse processo é o livro didático. De forma breve podemos dizer que o livro didático é um material impresso ou digital, com finalidade didática, ou seja, de auxiliar o professor no processo de ensino e de aprendizagem. Enquanto política pública esse material é distribuído nas escolas públicas brasileiras, compreendendo todos os níveis da educação básica, exceto a educação infantil.
Todavia, não podemos nos esquecer que o livro didático provoca confusão não apenas entre crianças, como a que vimos na introdução deste trabalho, ou seja, principalmente no meio acadêmico, existem acirrados debates sobre esse recurso, enquanto uns concordam com a utilização desse material, afirmando que em muitos casos o livro didático é o único livro que a criança tem acesso, ou ainda, que esse recurso é um auxiliar do professor; outros já o censuram, e em casos mais extremos acreditam até que o mesmo deveria ser banido da escola.
Essa não aceitação do livro didático está relacionada a uma série de fatores entre os quais a presença de erros conceituais, e ideologias presentes no livro didático, bem como a mercantilização e a má utilização do mesmo nas salas de aulas.
Assim neste capítulo abordamos a trajetória do livro didático, e a relação do mesmo com o processo de ensino e de aprendizagem; com a educação do campo; com a fotografia e com a ideologia dominante. Abordamos também o PNLD Campo em suas duas edições.