4. Avsluttende refleksjoner
4.4 Avslutning
“A comunicação verbal é toda a comunicação que utiliza palavras ou signos. É através da comunicação verbal que se realiza por palavras, palavras estas, faladas ou escritas, que o homem compreende e domina o mundo que o rodeia e entende, assim os outro”s (Santos, 2015, p.33).
Apesar de as primeiras manifestações comunicativas do homem em suas origens se relacionarem com os sentimentos, foi através da palavra que ele conseguiu extravasá- los, estabelecer de fato diálogo com as pessoas e o mundo à sua volta e integrar-se nele, onde se entende a expressão verbal, como um importante instrumento interativo, do qual fazemos uso para externar nossas “coisas” e conhecer as do outro, em um engajamento conjunto. Então, toda interação verbal pode ser concebida a partir de uma sequência de acontecimentos, eventos cujo conjunto constitui um “texto”, produzido coletivamente em determinados contextos (Kerbrat-Orecchioni, 2006).
No âmbito escolar, onde a interação verbal assume o corpo de círculo interativo, e a comunicabilidade emerge constantemente entre docentes e discentes, “a comunicação verbal exige um ajuste permanente entre locutor e ouvinte (...)” (Caron cit. in Charaudeau & Maingueneau, 2016), o que se justifica pelo fato de ambos se envolverem em uma relação de afetividade e proximidade mútua. Nesta sequência, Filho (2008) e Kerbrat-Orecchioni (2006), tratam o diálogo como um exercício de troca da fala, ou seja como uma situação comum de interações e acrescenta que essa comunicação verbal é a experiência linguística por excelência que acompanha os seres humanos desde o seu nascimento.
Outros autores como Mortimer e Scott (2002) e Gomes (2010), apontam que as interações discursivas em sala de aula, contribuem para um aprendizado de autoria dupla, porque a comunicação verbal do professor, enquanto relação dialógica possui um caráter interativo, o qual possibilita a contribuição do aluno, tornando-os autores da
construção do seu próprio conhecimento, destarte o discurso do professor não se restringe a falar e expor verbalmente um conteúdo de forma autoritária e fechada, é pois um processo aberto e por isso participativo e solidário.
Então, “as aprendizagens escolares pressupõem a comunicação e as interações verbais entre professores e alunos, já que ensinar para além de informar é também saber comunicar” (Gomes, 2010, p.22).
Nesta linha de interpretação também Belo (2005), demonstra que é notório que uma efetiva interação em sala de aula encaminha-se por inferências conversacionais, nas quais seus participantes produzem sugestões verbais e não-verbais que por sua vez incorporam a atividade da fala. Até porque não se pode desconsiderar o fato de que, “toda palavra tem duas facetas: ela é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém como pelo fato de que se dirige à alguém”, como bem nos aponta Silva e Mortimer (2005, p.3), diante do qual o professor não pode ignorar o trabalho cuidadoso que deve ter quanto ao uso de seu discurso verbal, cuidado esse que perpassa pela voz, integrante da comunicação verbal e fundamental na interação com os alunos.
A este respeito, autores como Behlau, Dragone e Nagano (2004), afirmam que a nossa voz guarda características de nossa personalidade, e nossas emoções, sendo que a forma como falamos pode provocar impactos positivo ou negativos, como mostra o quadro1, abaixo:
Quadro 1 – Interpretações da voz
Interpretações da voz
Voz do falante Interpretação do ouvinte • Voz rouca • Cansaço, estresse, esgotamento • Voz soprosa • Fraqueza, sensualidade
• Voz comprimida • Caráter rígido, tensão e emoções contidas • Voz monótona • Monotonia, repetição, desinteresse • Voz trêmula • Sensibilidade, fragilidade, indecisão ou
medo
• Voz infantilizada • Ingenuidade, ou falta de maturidade emocional
• Voz nasal (fanhosa) • Limitação intelectual e física, falta de energia, inabilidade social
• Voz grave (grossa) • Individuo enérgico, autoritário
• Voz aguda (fina) • Individuo submisso, dependente, infantil, frágil
Interpretações da voz
Voz do falante Interpretação do ouvinte • Conversa com tons graves • Clima triste e melancólico
• Pouca variação de tons na fala • Rigidez de caráter, controle das emoções • Rica variação de tons na fala • Alegria, satisfação, riqueza de sentimento • Intensidade elevada (falar alto) • Franqueza, energia ou falta de educação • Intensidade reduzida (falar baixo) • Pouca experiência nas relações pessoais,
timidez ou medo
• Articulação definida nos tons da fala • Clareza de ideias, desejo de ser compreendido
• Articulação imprecisa dos sons da fala • Dificuldade na organização mental ou desinteresse em comunicar-se • Articulação exagerada dos sons da fala • Sinal de narcisismo
• Velocidade lenta da fala • Falta de organização de ideias, lentidão de pensamentos e atos
• Velocidade elevada da fala • Ansiedade, pressa, tensão • Respiração calma e harmônica • Equilíbrio e calma • Respiração profunda e ritmada • Pessoas ativas e enérgicas • Ciclos respiratórios irregulares • Agitação e excitação Fonte: Behlau e Pontes (1999) adaptado de Behlau, Dragone e Nagano (2004).
Concomitantemente, cada alteração no comportamento vocal do professor diante de seus alunos, implicará modificações em todos os outros aspectos da comunicação e consequentemente na aprendizagem, pelo fato dos diferentes parâmetros da voz acarretarem impactos psicológicos nos alunos, isso porque a voz possui uma psicodinâmica, ou seja é passível de interpretações. Sendo assim, o aspecto afetivo de uma voz pode tanto conquistar um aluno para o aprendizado como distanciar seu interesse.
Monteiro, Santos e Teixeira (2007), apontam a expressão verbal, base do discurso docente, como um forte influenciador sobre o aluno e vice-versa, sendo que a relação entre ambos deve ocorrer de forma democrática e dialógica num viés de interações verbais mútuas. Nesse contexto o conhecimento se constrói com a participação do aluno e não imposta pelo professor, a partir do qual o mesmo insere-se na relação comunicativa.