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1 INNLEDNING

1.4 Avgrensninger

Inseridos no contexto de financeirização temos a utilização, por parte das empresas, de estratégias viabilizadas pelo mercado de capitais através da utilização de instrumentos financeiros, especialmente derivativos, que são contratos que têm o seu valor derivado de um ativo base (ação, commodities, moeda, entre outros) que não o próprio contrato. Esses contratos podem ser utilizados em estratégias visando proteção, especulação, ou ainda, alteração do fluxo de caixa de forma a adquirir benefícios tributários (uma vez que na maior parte dos países as despesas de juros podem ser deduzidas da base de tributação).

Os derivativos, em especial, possuem três características que os diferem da maioria dos produtos financeiros conhecidos: alta alavancagem financeira, grande velocidade nas transações e complexidade da estrutura financeira dos produtos. Essas características são responsáveis por grande parte da dificuldade em planejar, acompanhar e transmitir informações às partes interessadas, tanto stakeholders (elementos essenciais ao planejamento estratégico do negócio, originalmente entendidos pela sua ligação aos setores produtivos) quanto shareholders (acionistas, compondo a parcela ligada às finanças nos indicadores de desempenho). Na linguagem financeira, a alavancagem financeira pode ser entendida como qualquer técnica aplicada para multiplicar a rentabilidade através de endividamento, dessa forma pode tanto multiplicar os ganhos quanto as perdas.

Alguns autores sugerem que os próprios gestores, e não as empresas, podem ter incentivo em fazer hedge para maximizar seus ganhos pessoais. Hedge pode ser definido como um instrumento que visa proteger operações financeiras contra o risco de grandes variações de preço de determinado ativo. Dessa forma, podemos identificar uma distorção entre o que é divulgado (hedge igual a proteção) e o que efetivamente está se realizando (especulação). Um caso recente que ilustra esse fato é o das perdas sofridas pela Aracruz e Perdigão com operações no mercado financeiros relacionadas à utilização de derivativos, como analisado por Barreto (2011), onde quando da crise de 2007/2018, essas empresas sofreram perdas significativas com a variação do preço do dólar (variação cambial). Essa ocorrência fez com que elas tivessem que recorrer a fusões, onde a mídia tratou como aquisição, da Sadia em relação à Perdigão (com financiamento do BNDES) e do Banco do Brasil em relação a Aracruz.

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Segundo Barreto (2011), ao levarem a julgamento junto à entidade fiscalizadora (CVM), não houve punição em relação aos responsáveis pelas operações realizadas no mercado de câmbio. No caso da Aracruz a diretoria reportou a não identificação da exposição à variação do valor do Dólar por parte do setor responsável e no caso da Sadia a diretoria financeira reportou informação constando dos relatórios, mas que não foi capaz de interpretá-los de forma a antecipar a possível perda.

Segundo Goldsmith (apud Salehi, 2008), intermediários financeiros envolvem bancos e outros investidores institucionais com o papel central de transformar poupança em investimento, assim facilitando liquidez, fluxo de informações, e suavização do consumo. Intermediários financeiros também servem como um mecanismo de comprometimento e proporcionam monitoramento delegado às organizações as quais proveem capital.

Para Salehi (2008) podemos apontar três razões principais pelas quais os intermediários financeiros existem: conflitos de interesses entre credores e devedores relacionados às diferenças entre suas necessidades; os custos de transação; e problemas decorrentes de assimetrias de informação. Nesse contexto, podemos dizer que os intermediários financeiros surgem para baixar os custos de pesquisas em potenciais investimentos, exercício do controle corporativo, gerenciamento de riscos e mobilização de poupança.

Se considerarmos a resource dependence view, bancos tem poder porque eles

controlam os recursos. Esta perspectiva também antecipa que as firmas buscarão cooptar as fontes dos recursos para reduzir as dependências, embora isso possa, na verdade, reduzir a independência porque as duas organizações passam a compartilhar interesses. Um meio de obter controle na estrutura organizacional seria através da ocupação de cargos de diretoria executiva e de alta gerencia na estrutura organizacional, o que significaria ter acesso a recursos e continuar delineando as estratégias da organização, além disso as estratégias tomadas na organização seriam fruto de como os dirigentes entendem suas empresas e o campo organizacional no qual ela participa (Fligstein, 1990).

Para Allen (1974) a dispersão de ações permite aos bancos controlar corporações, sendo que o dinheiro tem ambos, poder de compra e significado social. Mintz & Schwarz (1985) apontam que é difícil para as firmas manterem-se independentes dos bancos.

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Bancos interagem entre si tipicamente, sendo que empresas não podem interagir dessa mesma forma umas com as outras.

Fligstein e Brantley (1992) identificam como temas de debate relacionados aos intermediários financeiros: A perspectiva de desempenho a curto prazo relacionada às instituições financeiras, preocupações institucionais sobre o desempenho corporativo e se as pressões para a governança corporativa e performance são eficazes na melhoria do desempenho. Para eles, a maior dívida com os bancos pode levar a mais interlocking12, com os bancos querendo acompanhar o comportamento de gestão, em vez de as travas moldando a dívida, porém argumentam que o que é mais interessante que os interlocks com os bancos é o processo pelo qual as empresas constroem as escolhas estratégicas. O foco deve, portanto, ser sobre o que a empresa faz. Eles concluem que propriedade diferenciada e a presença de

interlocks com bancos não são determinantes importantes para os resultados estratégicos e

financeiros de grandes empresas. Mais plausível é que os atores que controlam as corporações usam o que surge nas suas organizações e campos organizacionais como pistas para guiar seu comportamento. Proprietários familiares, bancos, gerentes, e diretores de bancos comportam- se de acordo com o que é ditado pelo campo organizacional e onde a empresa está imersa (embedded), obedecendo a dinâmica interna de suas organizações.

Nesse ponto começamos a montar o cenário específico para o presente trabalho em que, entramos mais a fundo no mundo do dinheiro e seus significados e consequências para a gestão das empresas em seu ambiente organizacional, dando ênfase para o papel dos derivativos e sua complexidade assim como o dos grandes investidores, incluindo os bancos, no seu papel de transformar poupança em investimentos de longo prazo para as empresas. No caso dos bancos públicos, esses conceitos são importantes para entendermos o seu papel nessas transformações. Agora iremos montar o cenário financeiro brasileiro, começando pelas transformações na forma de gerir as organizações, difusão da governança corporativa e seu papel nos investimentos de longo prazo.

12 Interlocking ocorre quando do compartilhamento da mesa de decisões entre diretores de empresas diferentes.

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