A pesquisa foi realizada em um hospital público municipal, terciário, de urgência e emergência, referência em atendimento a vítimas de traumas, situado na região central da cidade de Fortaleza-Ceará-Brasil. Com abrangência estadual e regional, realiza em média 15.500 atendimentos por mês (IJF, 2011). É uma
instituição que possui estrutura física moderna, do tipo vertical, com oito andares e capacidade instalada de 425 leitos distribuídos nas mais diversificadas especialidades, dentre elas: cirurgia geral, torácico-vascular, traumatológica, buco- maxilo-facial, plástica, neurocirurgia e clínica médica, excetuando ginecologia e obstetrícia. Conta, ainda, com os serviços de apoio: Unidade de Terapia Intensiva, Centro de Tratamento de Queimados, Centro de Diagnóstico por Imagens, Laboratório de Análises Clínicas, Centro Assistência Toxicológica e serviço de ambulatório, que trabalha com atendimento aos egressos com consultas agendadas, e ambulatório da dor aberto à população.
O locus da pesquisa é a unidade de atendimento de urgência e emergência, que atende diariamente cerca de 450 pacientes. A área física é dividida de acordo com a gravidade do paciente: sala de reanimação, destinada ao atendimento imediato de pacientes com risco de morte, dotada de equipamentos e materiais para realização de procedimentos específicos; sala de Risco I, destinada à assistência de pacientes críticos ou semicríticos já estabilizados, porém que requerem cuidados especiais; sala de Risco II, destinada a pacientes não críticos, internados aguardando vaga na internação ou transferência para outras instituições de cuidado à saúde; área de observação, que atende pacientes não críticos que ainda necessitam de observação ou estão realizando exames, todavia não estão internados. Ainda existe área de atendimento pediátrico; área para administração de medicamentos, área de atendimento traumatológico; área de pequenas cirurgias e sala de RX.
O hospital cenário deste estudo está inserido no Programa de Humanização através do Acolhimento com Classificação de Risco e em vários outros programas com iniciativas humanizadoras, como o Projeto Educativo para Acompanhantes, o Projeto de Desenvolvimento e Capacitação de Recursos Humanos e o Projeto de Gestão de Pacientes Críticos. e no recentemente criado Programa SOS Emergências, que visa promover o enfrentamento das principais necessidades dos hospitais que atendem as situações de urgências e emergências, melhorar a gestão, qualificar e ampliar o acesso aos usuários, reduzir o tempo de espera, e garantir atendimento ágil, humanizado e com acolhimento (BRASIL, 2011).
4.3 População-Alvo e Amostra
A população-alvo deste estudo envolveu enfermeiros que desenvolvem atividades assistenciais na unidade de emergência. Para a seleção da amostra foram adotados critérios de inclusão e exclusão, assim definidos:
Inclusão: 1) ser servidor da instituição;
2) estar lotado da unidade de emergência;
3) participar do treinamento e responder a duas avaliações pré e pós treinamento.
Exclusão: 1) afastamento por motivo de gozo de férias, ou licença médica de qualquer natureza durante o treinamento;
2) ter respondido apenas ao questionário pré-teste .
3) participação no treinamento com freqüência inferior a 75%. Inicialmente a população era de 63 (100%) enfermeiros os quais foram convidados a participar do treinamento, onde foram apresentados os objetivos do estudo e seus aspectos éticos. Entretanto 6 (9,52%) afastaram-se por motivo de gozo de ferias e 02 (3,17%) por licença gestante, 55 (87,30%) responderam ao pré- teste e 23 (36,50%) não participaram efetivamente do treinamento. Deste modo, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão a amostra final foi constituída por apenas 30 (47,62%) enfermeiros.
4.4 Instrumentos
Para este estudo foi elaborado como instrumento de coleta de dados, um questionário auto aplicativo (APÊNDICE A),contendo quatro seções:
Seção A. Aspectos relacionados as característica sócio-demográficos e funcionais:
sexo, faixa etária, cor, situação conjugal,tempo de formação, tempo de trabalho no exercício profissional, tempo de trabalho na enfermagem, tempo de trabalho na instituição e em unidades de urgência e emergência, exercício profissional em outra instituição e carga horária semanal, turnos de trabalho e número de vínculos.
Seção B. Aspectos relacionados a Aperfeiçoamento técnico/qualificação: Participação em cursos nos últimos 12 meses; realização de cursos na instituição do estudo; participação em atividades de educação relacionadas à emergência e ao acolhimento; importância das atividades para a prática na unidade.
Seção C. Aspectos relacionados a pratica do acolhimento e classificação de risco, composta de 25 questões objetivas com quatro assertivas (a, b, c, d) sendo apenas uma correta, abordando aspectos teóricos ligados ao conhecimento geral para a realização do acolhimento com classificação de risco em unidade de urgência e emergência.
Seção D. Aspectos relacionados a realização da classificação de risco , composta de 15 questões objetivas com cinco assertivas(a,b,c,d,e,) sendo apenas uma considerada correta , abordando situações clinicas de urgência e emergência e sua classificação de risco. Para as questões das seções D e C não foi atribuída pontuação, uma vez que o objetivo foi avaliar a proporção de acertos e erros.
O instrumento foi elaborado considerando as variáveis do estudo; a experiência da pesquisadora no atendimento de urgências e emergências, nas diretrizes para realização do acolhimento com Classificação de Risco estabelecidas pelo Ministério da Saúde (BRASIL,2004); no Manual de Acolhimento e Classificação de Risco nos Serviços de Urgência (BRASIL,2009); nos Protocolo de Acolhimento e Classificação de Risco dos hospitais municipais de Fortaleza(PREFEITURA MUNICIPAL DE FORTALEZA, 2008) e do Hospital Instituto Dr. Jose Frota (ANEXO A); na PORTARIA GM Nº 2.048, de 5 de novembro de 2002 (BRASIL,2002b) além de ampla revisão de literatura sobre o assunto .
Este instrumento de coleta de dados foi avaliado por três juízes especialistas, enfermeiros com reconhecida experiência na área, aos quais foi solicitado que analisassem quanto a clareza, objetividade e organização. As
sugestões, correções foram acatadas e as alterações foram inseridas no instrumento.
Após avaliação do instrumento pelos dos juízes, foi realizado o estudo piloto, que de acordo com Polit & Hungler (2010) é um ensaio em pequena escala do estudo para obter informações visando a melhoria do projeto ou para investigar a sua viabilidade.Faz-se necessário quando um esboço de um instrumento esta pronto, devendo ser feito antes de iniciar o estudo principal, permitindo que os problemas sejam identificados e alterados .
Para tal foram convidados cinco enfermeiros assistenciais de unidades de urgência e emergência, que trabalhavam em outros hospitais ou unidades de pronto atendimento e não tinham vinculo empregatício com o local do estudo. Os mesmos foram orientados a responder as questões e assinalar as que eles não tiveram completo entendimento do enunciado, como também marcar o tempo gasto para respondê-las. Este teste visou avaliar o entendimento das questões por parte dos respondentes e possíveis readequações de questões não compreendidas. Nenhum dos enfermeiros relatou dificuldade para compreender o enunciado das questões e o tempo médio gasto foi de 40 minutos.
Sobre o uso de questionário, Chagas (2011) refere que é um conjunto de questões feitas para gerar os dados necessários para se atingir os objetivos do estudo. Essa forma de instrumento de coleta de dados é muito importante na pesquisa científica, especialmente nas ciências sociais. Afirma, ainda, o autor, que construir questionários não é uma tarefa fácil e que aplicar tempo e esforço adequados para a construção do questionário é uma necessidade, um fator de diferenciação favorável. Não existe uma metodologia padrão para o projeto de questionários, porém existem recomendações de diversos autores com relação a essa importante tarefa no processo de pesquisa científica.