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Nesta parte do trabalho trataremos sobre o impacto da introdução da tecnologia da informática, em especial a internet, no cenário mundial atual e como a legislação educacional do município de São Paulo e dos Parâmetros Curriculares Nacionais tratam a questão do ensino de Ciências e do ensino da tecnologia.
Inicialmente, o sociólogo espanhol Manuel Castells em sua obra A sociedade em rede inicia uma pontual discussão sobre a rede e o ser o que, para ele, significa colocar em conflito o global com o individual (a identidade). Observa-se que o primeiro contraponto delineado refere-se à mudança no panorama mundial, trazida com a introdução da tecnologia aliada à acentuação de um desenvolvimento desigual e consequente aumento de “buracos negros de miséria humana” (CASTELLS, 2001).
Em relação às alterações sociais, o autor menciona que o novo sistema de comunicação que consiste em uma linguagem universal digital “tanto está promovendo a integração global da produção e distribuição de palavras, sons e imagens de nossa cultura como as personalizando ao gosto das identidades e humores dos indivíduos” (CASTELLS, 2001), ou seja, a nova fase da comunicação consegue ser, ao mesmo tempo, global e individual. Contudo, existe uma crescente distância entre a rede e o ser (globalização e identidade), pois os sistemas de informação e a formação de redes, embora aumentem a capacidade humana de organização e integração, destróem o conceito de sujeito independente. Tal isolamento causa uma “busca por nova conectividade em identidade partilhada, reconstruída” (CASTELLS, 2001).
Castells (2001) admite que existe pouco espaço para os não iniciados em computadores, para os grupos que consomem menos produtos industrializados e serviços e para os territórios não atualizados com a comunicação. Deste modo, conclui que “quando a
rede desliga o ser, o ser, individual ou coletivo, constrói seu significado sem a referência instrumental global: o processo de desconexão torna-se recíproco após a recusa, pelos excluídos, da lógica unilateral de dominação estrutural e exclusão social” (CASTELLS, 2001). Portanto, o autor identifica um processo de exclusão digital e social para estes indivíduos.
O argumenta que quanto mais próxima for a relação dos locais onde ocorre a manifestação da inovação, mais rápida será a transformação das sociedades e maior será o retorno positivo das condições sociais sobre as condições gerais para favorecer futuras inovações. Uma retroalimentação constante que pode tornar-se perigosa, na medida que aprofunda o abismo de tais sociedades, ditas avançadas, com aquelas em que a revolução tecnológica ainda está longe de se realizar (CASTELLS, 2001).
Na legislação do município de São Paulo por meio da Secretaria de Educação em sNa obra Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o Ensino
Fundamental : Ciclo II - Ciências Naturais (2007), define-se as de expectativas de
aprendizagem por meio dos seguintes critérios:
• Relevância para a formação intelectual do aluno e potencialidade para a construção de habilidades comuns, como as de investigar, estabelecer relações, argumentar, justificar entre outras;
• Potencialidade de estabelecimento de conexões interdisciplinares e contextualizações, isso é uma importante contribuição a aprendizagens significativas;
• Acessibilidade e adequação [dos conteúdos e metodologias] aos interesses da faixa etária.
Na obra Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para
o Ensino Fundamental: Ciclo II - Ciências Naturais (2007), da Secretaria Municipal de
Educação do Município de São Paulo encontramos os seguintes objetivos gerais a serem alcançados pelos estudantes:
• compreender a Ciência como um processo de produção de conhecimento e uma atividade essencialmente humana;
• compreender a natureza como um todo dinâmico, sendo o ser humano parte integrante e agente de transformações do mundo em que vive;
• identificar relações entre conhecimento científico, produção de tecnologia e condições de vida no mundo de hoje e em sua evolução histórica;
• compreender a tecnologia como meio para suprir necessidades humanas, distinguindo benefícios e riscos à vida e ao ambiente;
• compreender a saúde como bem individual e comum que deve ser promovido pela ação coletiva;
• reconhecer e utilizar diferentes linguagens - verbal, escrita, corporal, artística - para descrever, representar, expressar e interpretar fenômenos e processos naturais ou tecnológicos;
• combinar leituras, observações, experimentações, registros, etc., para a coleta, a organização, a comunicação e a discussão de fatos e informações;
• saber utilizar conceitos científicos básicos, associados à energia, à matéria, à transformação, ao espaço, ao tempo, ao sistema, ao equilíbrio e à vida;
• formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais, a partir de elementos das Ciências Naturais, colocando em prática conceitos, procedimentos e atitudes de sentido cultural e social, desenvolvidos no aprendizado escolar;
• valorizar o trabalho em grupo, sendo capaz de ação crítica e cooperativa para a construção coletiva do conhecimento.
Na obra Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para
o Ensino Fundamental: Ciclo II - Ciências Naturais (2007), da Secretaria Municipal de
Educação do Município de São Paulo, encontramos os seguintes comentários sobre o foco do ensino e aprendizagem:
Assim, os critérios que orientam a seleção e organização de conteúdos e, portanto, de expectativas de aprendizagem deixam de ter como referência única ou primeira “o que ensinar”, passando a focalizar o “para que ensinar”, de modo que se atribua ao conhecimento um sentido no próprio momento do aprendizado, e não a mera transmissão de conteúdos voltada à preparação do estudante para etapas futuras da escolarização. Ao se centrar no “para que” ensinar, passa-se a orientar o ensino na preparação do jovem para a vida, para que seja capaz de lidar e intervir no mundo real. É, pois, importante que na definição de critérios de seleção de conteúdos ou expectativas de aprendizagem se tenham como referência questões como: quais temas, abordagens e conexões são fundamentais para a apropriação de conhecimentos, procedimentos, atitudes e valores que promovam a inserção dos jovens na sociedade e na cultura? Que favoreçam sua formação intelectual? Que permitam estabelecer relações com outros conhecimentos? Que levem em consideração suas vivências, interesses e potencialidades?
Por meio desta perspectiva e em conssonância com os Parâmetros Curriculares Nacionais, as expectativas de aprendizagem propostas pressupõem uma organização curricular em eixos temáticos. Estes facilitam a interdisciplinaridade, permitem maior flexibilidade na organização dos conteúdos, representando uma ruptura com a lógica formal e linear conforme os currículos e programas disciplinares são estruturados atualmente (mas, ainda em prática nas escolas). Dentre estes eixos temáticos (Vida e Ambiente, Corpo Humano
e Saúde, Terra e Universo, Tecnologia e Sociedade) estãos valorizados os conteúdos
necessários para que os estudantes ampliem seus conhecimentos a serem desenvolvidos ao longo das quatro séries finais do ensino fundamental. Neste trabalho, enfatizaremos o eixo temático Corpo Humano e Saúde. Na obra Orientações curriculares e proposição de
expectativas de aprendizagem para o Ensino Fundamental: Ciclo II - Ciências Naturais
(2007), da Secretaria Municipal de Educação do Município de São Paulo, o aluno deverá desenvolver a:
Compreensão do corpo humano como um todo, relações entre suas funções vitais essenciais para manutenção do corpo, integrado por dimensões biológicas, afetivas e socioculturais e relacionado à promoção de saúde individual e coletiva. Saúde relacionada às condições de vida e ao ambiente, e a sexualidade relacionada aos métodos anticoncepcionais, às formas de prevenção de DST/AIDS e ao desenvolvimento pessoal positivo.
Desenvolvido por meio dos seguintes conteúdos centrais:
sobre o corpo humano, enquanto um todo integrado e dinâmico, sobre as condições necessárias para a saúde individual e coletiva e, particularmente sobre questões relacionadas à sexualidade. E, aqui também devem ser integrados conhecimentos biológicos, físicos e químicos tanto quanto as relações do ser humano com sua cultura e com a sociedade.
É importante ressaltar que em qualquer desses temas e conteúdos (eixos temáticos, é importante estabelecer relações com os aspectos tecnológicos a eles associados, buscando não apenas a compreensão do “funcionamento” de aparelhos, máquinas e equipamentos presentes no cotidiano, como também de seus meios de produção e usos sociais, os impactos positivos ou negativos dos avanços tecnológicos sobre a sociedade e os ambientes e das relações entre ciência, tecnologia e sociedade em diferentes épocas, no Brasil e no mundo.
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio encontramos a importância e a normatização do uso de recursos tecnológicos. Como por exemplo, no PCN (1998) de Linguagens e suas tecnologias:
A nova sociedade, decorrente da revolução tecnológica e seus desdobramentos na produção e na área da informação, apresenta características possíveis de assegurar à educação uma autonomia ainda não alcançada. Isto ocorre na medida em que o desenvolvimento das competências cognitivas e culturais exigidas para o pleno desenvolvimento humano passa a coincidir com o que se espera na esfera da produção.
Ou no PCN (1998) de Matemática e suas tecnologias:
A Informática como recurso que pode contribuir para reorganizar e estabelecer novas relações entre conceitos científicos e estes como elementos explicativos dos princípios da Informática ou uso da informática como meio de informação, comunicação e resolução de problemas, a ser utilizada no conjunto das atividades profissionais, lúdicas, de aprendizagem e de gestão pessoal.
No Ensino Fundamental ciclo I, embora encontremos nos PCN orientações de uso dos recursos tecnológicos, observa-se poucas iniciativas de uso efetivo dos mesmos nas escolas (e em especial o uso de computadores), a não ser em algumas iniciativas isoladas de professores ou algumas redes escolares ou como, por exemplo, na Secretaria Municipal de Educação do
município de São Paulo aonde possui um professor específico para usar computadores com alunos na escola e desenvolve um trabalho com orientações específicas para isso26.