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De forma a perceber que tipo de formação é prestada ao nível da saúde, foram analisados os planos de estudo das três Universidades Públicas e com estatuto Semipúblico estudadas. Como é apresentado no anexo B ao nível do 1º ciclo somente no ISCTE – IUL é facultado aos alunos de forma optativa uma unidade curricular relacionada com a saúde, nomeadamente “Metodologias do Serviço Social na Saúde”, que tem por objetivo “promover conhecimentos específicos teórico-práticos da intervenção do Serviço Social nas Organizações de Saúde, perceber qual a articulação com as redes sociais e com as políticas de saúde e de qualidade e desenvolver o pensamento crítico e proactivo com relação a novas realidades das pessoas doentes e suas redes de suporte social, familiar e comunitárias”.27 No que diz respeito ao 2º ciclo, no ISCTE – IUL – mestrado em Serviço Social - é prestada aos alunos uma unidade curricular no âmbito da saúde de forma optativa, “Seminário Avançado em Serviço Social na

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Saúde” que permite “desenvolver o conhecimento em Serviço Social na Saúde através da incorporação de teorias, metodologias e métodos de pesquisa que promovam uma intervenção qualificada neste domínio do conhecimento e campo de atuação profissional.”28. Relativamente à Universidade Católica de Lisboa, o mestrado em Serviço Social encontra-se dividido em duas áreas de especialização: Serviço Social e Empreendedorismo e Inovação na Economia Social, estando disponível na primeira área de especialização uma unidade curricular de “Seminário de Intervenção Especializada em Serviço Social” que apresenta uma lista de unidades curriculares optativas que prestam formação em Serviço Social na saúde, nomeadamente “Intervenção em Serviço Social na Saúde”, “Intervenção em Serviço Social na Saúde – Campos e Problemáticas Específicas” e “Intervenção em Serviço Social em Gerontologia e Cuidados Continuados”29. Ao nível do 3º ciclo não são prestadas em nenhuma das Universidades estudadas unidades curriculares no âmbito da saúde, havendo por sua vez abertura em qualquer uma delas para desenvolver um trabalho de investigação na área da saúde.

Perante a análise é visível que efetivamente existem unidades curriculares que promovem formação de Serviço Social na saúde ao nível do 1º e 2º ciclo, porém, apesar de existirem alunos que idealizam a saúde como área para trabalhar futuramente “(…) nada garante que o perfil

construído seja o perfil onde se vá conseguir trabalhar. Hoje em dia (…) depende muito das ofertas (…)” (E1).

Achou-se pertinente analisar também os mesmos planos de estudo tendo em conta atividades complementares, isto é, unidades curriculares de ética e seminários/colóquios de Serviço Social na saúde. Foi nítido que a unidade curricular de “Ética e Deontologia do Serviço Social” na Universidade Católica de Lisboa e na Universidade de Coimbra e “Laboratório de Ética e Profissão em Serviço Social” no ISCTE – IUL está presente nas três Universidades, pois surge como “(…) outra área importante ao nível da produção de conhecimento (…)” (E2). Ao nível do 2º ciclo é lecionado também no ISCTE – IUL a unidade curricular de “Ética e Serviço Social” que pretende “desenvolver e estimular a capacidade analítica sobre a Ética enquanto campo de conhecimento e de reflexão sobre os valores que orientam a conduta humana e sobre a sua influência nas políticas públicas, na organização da sociedade e no exercício profissional dos assistentes sociais”30, uma vez que a ética surge como uma componente fundamental na formação pois orienta o profissional na forma de agir e intervir, nomeadamente nos valores

28 Disponível em: https://www.iscte-iul.pt/curso/50/mestrado-servico-social/planoestudos 29 Disponível em: https://fch.lisboa.ucp.pt/pt-pt/disciplinas-optativas-mestrado-em-servico-social 30 Disponível em: https://www.iscte-iul.pt/curso/50/mestrado-servico-social/planoestudos

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Figura IV. 3. - Unidades Curriculares no âmbito da saúde

básicos dos direitos humanos, da justiça social e da integridade profissional (Código de Ética para o Serviço Social – Declaração de princípios, p. 8 apud Santo, 2015: 85). No ISCTE – IUL foi desenvolvido no ano de 2018 um Ciclo de Debates e Reflexão de Serviço Social na Saúde que contou com a colaboração de inúmeros profissionais de prestam a profissão de Serviço Social no campo da saúde.

No que concerne a esta questão e de entre as entidades académicas em cima enumeradas pelos inquiridos, a maioria refere que enquanto estudou não teve nenhuma unidade curricular no âmbito da saúde, como é visível na figura IV. 3., enquanto que com uma percentagem menor referem que tiveram, nomeadamente unidades curriculares como Grupo de Estudos Práticos, Unidade de Saúde Familiar, Psicopatologias, Psicopatologias e Estágios – Seminário em meio hospitalar e Psicopatologias – Teorias e Práticas de Intervenção Social.

Fonte: produzido pela investigadora a partir dos dados recolhidos

Aos inquiridos, quando questionados relativamente aos planos de estudo apresentados, se se tornavam adequados tendo em conta a intervenção que desempenham no que diz respeito ao campo da saúde, a maioria respondeu que não (figura IV. 4.), e a justificação dada por alguns dos inquiridos foi que “o plano de estudo do 1º ciclo é demasiado generalista não incidindo

especificamente sobre as diversas áreas onde o Serviço Social está inserido.” (I6), “é necessário acrescentar cadeiras e temáticas relacionadas com a saúde.” (I13), “houve

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Figura IV. 4. – Planos de Estudo adequados face à intervenção que desempenha atualmente no campo da saúde

Figura IV. 4. - Planos de Estudo adequados face à intervenção que desempenha atualmente no campo da saúde

necessidade de pesquisa permanente da intervenção social na área da saúde, para complemento da mesma.” (I15).

Fonte: produzido pela investigadora a partir dos dados recolhidos

Segundo Cohen (2003) muitos dos programas de Serviço Social estão a repensar os planos de estudo por se tornarem inadequados na preparação dos alunos numa nova era de empregos, efetivamente por a formação de Serviço Social se assumir como generalista e serem exigidas habilidades práticas complexas na intervenção profissional nomeadamente ao nível da saúde, mas efetivamente esses ensinamentos devem centrar-se numa gama geral de habilidades, pois o assistente social deve assumir a sua prática como um profissional multifacetado direcionando a sua área para inúmeras vertentes (Cohen, 2003: Lavitt, 2009).

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