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Para uma maior familiaridade e exploração dos aspectos amplos e desestruturados do conceito colaboração, buscou-se a abordagem qualitativa de exploração; para isto um subconjunto de sujeitos – obtidos na amostra inicial – foi convidado a participar de entrevistas individuais em profundidade.

População para a pesquisa qualitativa com Entrevistas em profundidade

Para o desenvolvimento da pesquisa por meio de entrevistas, a amostra, também de conveniência, teve como fator preponderante de escolha dos respondentes a soma – ainda que subjetiva – da expressão do perfil profissional do respondente com a proeminência da empresa na qual ele atua. A relação dos cinco sujeitos entrevistados – cujos nomes e empresas não foram revelados em função de acordo9 – pode ser apreciada na Quadro 5 a seguir:

Quadro 5 – Relação de Entrevistados

Entrevis

tado Atividade da empresa Cargo # empregados Classif. Fiesp

Fatura mento R$ BNDES MI Veículos de Transporte Ferroviário Dir. Financeiro ≥ 500 ≥ 60 mi

CG Blocos Cabeçotes etc. Gte. Comercial ≥ 500 ≥ 60 mi

ME Válvulas, Cilindros, Sistemas Gte. Marketing ≥ 500 ≥ 60 mi

TM Componentes críticos de redes de comunicação

Dir. Logística

AL ≥ 500 ≥ 60 mi

TG Materiais de Aço e ligas

especiais Suprimentos Supervisor ≥ 500 ≥ 60 mi Fonte: Dados da Pesquisa

De acordo com Boyd e Westfall (1987) quando uma investigação leva a indivíduos com idéias, deve haver um esforço na seleção daqueles que possuem grande conhecimento do assunto e que sabem exprimir suas idéias. Em função disto partiu-se para a obtenção de profissionais experientes com vivência nas situações de desequilíbrios de poder, e também habituados a tomar decisões que envolvam o relacionamento com outras empresas. Uma escolha crítica foi o porte das empresas: Arbitrou-se que as experiências mais representativas estariam ligadas às empresas de maior porte, o que introduz uma série de considerações limitantes quanto às extensões das generalizações a serem obtidas do conhecimento extraído da análise das entrevistas – isto em função da variação de portes de empresas nos segmentos estudados, que vai de pequenas empresas familiares a gigantes mundializadas. O pressuposto assumido foi de que estas empresas maiores estão mais próximas do estado da arte no que diz respeito ao assunto de colaboração estratégica entre empresas.

Continuando, Boyd e Westfall (1987) afirmam então que, quando da busca por notório saber, a representatividade estatística não é o foco, entretanto, alertam que os entrevistados devem retratar uma representação dos diferentes pontos de vista existentes. Para isto a amostra foi desenhada para ter cinco visões funcionais distintas, cujo mix de composição pode ser observado no Quadro 5. Quanto ao número de pessoas a serem entrevistadas os autores afirmam que esta é uma questão sem reposta, e sugerem que o pesquisador deva prosseguir até que comece a não receber respostas novas. Ao todo foram feitos oito convites para entrevistas, dos quais cinco foram aceitos e as entrevistas realizadas; estas – previamente agendadas – foram conduzidas e gravadas durante o mês de fevereiro de 2008, nos escritórios dos entrevistados.

A aplicação do método de entrevistas na pesquisa qualitativa

Segundo Bryman (1989), ao se usar entrevistas pode-se explorar assuntos que não podem ser diretamente observados ou que são de mensuração questionável, cumprindo assim o objetivo da pesquisa qualitativa que é o de alcançar uma compreensão qualitativa das razões e motivações subjacentes (MALHOTRA, 2004). A abordagem qualitativa leva em consideração uma amostra pequena de casos não-representativos, e a coleta de dados é caracterizada por ausência de estruturação e por não ser submetida a uma análise estatística. O resultado almejado é uma compreensão inicial (MALHOTRA, 2004).

O Instrumento de coleta da pesquisa qualitativa via entrevistas

Dada a semelhança desta etapa com a da condução de entrevistas dentro do método de estudo de casos, resolveu-se adotar um procedimento análogo para a condução desta etapa da pesquisa. As razões são colocadas por Godoy (2006), para quem os estudos de caso são especialmente úteis para a compreensão dos processos e interações sociais que se desenvolvem nas organizações. Como, nesta fase da pesquisa, as compreensões visadas dos aspectos da colaboração incluíam tanto os aspectos internos quanto os aspectos externos das interações sociais nas organizações, adotou-se esta linha de ação.

A forma escolhida para as entrevistas foi a da entrevista aberta também chamada de entrevista em profundidade ou entrevista qualitativa; para Marconi e Lakatos (2002, p.92) “a entrevista é o encontro entre duas pessoas afim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional”. Na investigação social sua contribuição é destacada, pois muito desta investigação está baseada nas percepções das pessoas que constroem estas realidades. Os questionários estruturados e impessoais não substituem a experiência perceptiva que uma entrevista proporciona. Ressalvadas as condições de competência e experiência do entrevistador, “é muitas vezes superior a outros sistemas, de obtenção de dados” conforme Best (1972) apud Marconi e Lakatos (2002, p.93).

No caso foi escolhida a modalidade de entrevista conversacional em profundidade para a condução das mesmas, cuja característica maior está no aspecto de uma interação conversacional onde se deixa que a as perguntas surjam naturalmente, sem que haja uma previsão de formas e respostas (GODOI; MATTOS, 2006). “O termo entrevista em profundidade historicamente significa entrevistas individuais relativamente isentas de organização” (McDANIEL; GATES, 2003, p.143).

Para McDaniel e Gates (2003), a direção nestas entrevistas é dada pelas respostas do entrevistado, cujas perguntas que lhe são dirigidas buscam revelar suas motivações ocultas. Uma das vantagens desta abordagem está na eliminação da pressão do grupo – como no caso dos focus group – permitindo que o entrevistado aumente as chances de expressar suas sinceras sensações.

Outras vantagens incluem: o fato que o entrevistado percebe a situação como sendo o centro das atenções, com suas opiniões desejadas e valorizadas; um outro aspecto vantajoso é o relacionamento constante do entrevistado com o entrevistador o que promove um alto grau de conscientização por parte deste; também o tempo dedicado exclusivamente ao entrevistado encoraja a revelação de novas informações; e isto permite que o entrevistado seja examinado detalhadamente à medida que faz as revelações de suas motivações e sensações; tudo isto sem que haja um compromisso com o grupo, o que permite uma maior flexibilidade de roteiro; e ainda há a vantagem da proximidade do relacionamento, o que permite ao entrevistador tornar-se mais sensível ao feedback não-verbal; e, finalmente, uma outra vantagem da entrevista individual é permitir que pessoas que talvez não aceitassem uma exposição conjunta em grupo, o façam individualmente.

As desvantagens ficam por conta do custo em termos de tempo e outros dispêndios do pesquisador, o cansaço que o processo impõe a ambos, e a possível perda da força do grupo para incentivar reações que talvez não venham a ocorrer em uma sessão individual. A complexidade de interpretação em busca de resultados também cresce.

O roteiro das entrevistas

Para a condução das entrevistas foi adaptado o protocolo de Yin (2005) para entrevistas em estudos de caso. Segundo o autor “o protocolo é uma das táticas principais para aumentar a confiabilidade da pesquisa de estudo de caso e destina-se a orientar o pesquisador ao realizar a coleta de dados a partir de um estudo de caso único [...] mesmo que o caso único pertença a uma série de casos em um estudo de casos múltiplos” (YIN, 2005, p.92).

Na perspectiva de Yin (2005), o protocolo deve conter não apenas o questionário de levantamento, mas também os procedimentos e as regras gerais que devem ser seguidas. No caso estas regras referem-se: primeiro a uma visão geral do projeto, como a que consta da introdução deste trabalho; depois ao conjunto de procedimentos de campo que especificam aspectos de repetição e padronização do processo de visitas/entrevistas – ideal para quando existe mais que um entrevistador; e por último o autor aponta a importância da pré-existência das questões do estudo de forma a manter o foco mental do pesquisador ao coletar os dados.

No caso os entrevistados receberam e preencheram, anteriormente, o questionário empregado na coleta de dados para a pesquisa survey. Esta tática foi escolhida para permitir que os entrevistados tivessem um contato prévio com os atributos de colaboração presentes na discussão, de forma a terem um maior vocabulário para se expressarem sobre os muitos atributos da colaboração quando das entrevistas. Se por um lado isto anulou a espontaneidade, por outro estimulou a racionalidade do discurso.

Tratamento dos dados qualitativos obtidos nas entrevistas

O “áudio” das entrevistas foi registrado por meio de um aparelho digital portátil e depois foi transferido para um PC, quando então os arquivos foram convertidos para o formato de áudio wav. Posteriormente estes foram transcritos para o formato de texto digital no editor Word 2003, cuja totalidade encontra-se no Anexo E deste trabalho. Todos os procedimentos aqui descritos foram executados pelo autor da pesquisa.