• No results found

Nesta subseção encontra-se um resumo dos padrões de uso da TL pelos dois grupos de acordo com cada tarefa de elicitação de dados.

Conforme indicam os números da Tabela 24, verifica-se que a TL é a ECLM usada com mais frequência pelos dois grupos nas três tarefas de elicitação de dados. A sessão de produção de texto em que se registrou o

maior emprego da TL pelo Grupo A foi a Tarefa 2, com uma frequência de uso de 95,35%. Com o Grupo B, o maior percentual de uso da TL foi registrado na Tarefa 2 (81,82%).

Tabela 24: Frequência de uso da tradução literal em relação ao total de EC pelos Grupos A e B na execução das três tarefas

USO DA TRADUÇÃO LITERAL (%)

Grupo A Grupo B

TAREFA 1 63,77% 61,47%

TAREFA 2 95,35% 81,82%

TAREFA 3 86,27% 74,64%

Fonte: O autor

Estabelecendo uma média aritmética simples entre os dois grupos por tarefa, a maior frequência de uso da TL se deu na Tarefa 2 com uma média de 87,58%. A segunda maior frequência média ficou por conta da Tarefa 3, com uma média de 80,45%. A menor frequência média de uso da TL pelos dois grupos ocorreu na Tarefa 1, com um percentual médio de 62,62%.

Na realização das três tarefas, o Grupo A (mais proficiente) usa a TL com uma frequência maior que o Grupo B (menos proficiente). Em termos percentuais essa diferença é de 12,6%.

5.3.1.2 Uso do Empréstimo

Esta subseção apresenta os padrões de uso do EMP pelos dois grupos de acordo com cada tarefa de elicitação de dados.

Conforme indica a Tabela 25, a maior frequência de uso dessa estratégia nos dois grupos está na realização da Tarefa 1.

O uso do EMP na Tarefa 2 apresenta um diferença a menor em relação à Tarefa 1 bastante significativa para os dois grupos, sobretudo para o Grupo A, sem nenhuma ocorrência de EMP.

A Tarefa 3 também registra um índice muito baixo de ocorrência do EMP, com 1,96% para o Grupo A e 1,41% para o Grupo B.

Tabela 25: Frequência de uso do empréstimo em relação ao total de EC pelos Grupos A e B na execução das três tarefas

USO DO EMPRÉSTIMO (%) Grupo A Grupo B TAREFA 1 18,84% 14,02% TAREFA 2 0% 2,6% TAREFA 3 1,96% 1,41% Fonte: O autor

Com exceção da Tarefa 2, o Grupo A recorreu mais ao EMP o Grupo B, ao contrário do que se poderia presumir em função da diferença entre os dois grupos tanto quanto ao NPLI quanto ao PPCA.

Na realização das três tarefas, o Grupo A (mais proficiente) usa o EMP com uma frequência maior que o Grupo B (menos proficiente). Em termos percentuais essa diferença é de 15%.

5.3.1.3 Uso do ajuste morfológico

Os padrões de uso da estratégia de AM são apresentados nesta subseção de acordo com cada tarefa de elicitação de dados, com o desempenho de cada grupo, conforme ilustra a Tabela 26.

Tabela 26: Frequência de uso do AM em relação ao total de EC pelos Grupos A e B na execução das três tarefas

USO DO AJUSTE MORFOLÓGICO (%)

Grupo A Grupo B

TAREFA 1 10,14% 20,56%

TAREFA 2 2,32% 9,09%

TAREFA 3 3,92% 19,61%

Fonte: O autor

Na Tarefa 1, os participantes do Grupo B usam o AM numa frequência muito maior em relação ao Grupo A. O AM representa 20,56% do total de EC usadas pelo Grupo B, enquanto o percentual para o Grupo A é de 10,14%.

Na Tarefa 2, o AM representa 9,09% do total de EC usadas pelo Grupo B, enquanto o do Grupo A registra apenas uma ocorrência de AM, representando 2,32% do total de EC usadas pelo grupo. Resultado semelhante se vê na Tabela 26 em relação à Tarefa 3, na qual o Grupo A recorre ao AM

em apenas duas ocasiões (3,92%), enquanto o Grupo B usa essa estratégia em dez ocasiões, representando 19,61% do total de EC empregadas por este grupo.

Na realização das três tarefas, o Grupo B (menos proficiente) usa o AM com uma frequência maior que o Grupo A (menos proficiente). Em termos percentuais essa diferença é de 200,73%.

5.3.2 Uso das estratégias baseadas na IL

Nesta seção serão examinados os padrões de uso das ECIL pelos dois grupos na realização das três tarefas de elicitação de dados. A seção será dividida em três subseções, correspondendo aos três tipos de ECIL: generalização, paráfrase e cunhagem de palavra.

Tabela 27: Número total de estratégias baseadas na IL empregadas pelos Grupos A e B na execução das três tarefas

USO DAS ESTRATÉGIAS BASEADAS NA IL

Generalização Paráfrase Cunhagem de palavra Total

TAREFA 1 Grupo A 04 (5,8%) 0 (0%) 01 (1,45%) 05 (7,25%) Grupo B 02 (1,87%) 0 (0%) 01 (0,93%) 03 (2,8%) TAREFA 2 Grupo A 01 (2,32%) 0 (0%) 0 (0%) 01 (2,32%) Grupo B 05 (6,49%) 0 (0%) 0 (0%) 03 (6,49%) TAREFA 3 Grupo A 4 (7,84%) 0 (0%) 0 (0%) 4 (7,84%) Grupo B 6 (8,45%) 1 (1,41%) 0 (0%) 7 (9,86%) Fonte: O autor

Conforme demonstrado pela Tabela 27, o maior percentual de uso das ECIL pelo Grupo A está na realização da Tarefa 3 (7,84%). No Grupo B o maior percentual de uso das ECIL pelo Grupo B foi identificado na Tarefa 3 (9,86%). Por outro lado, a menor quantidade de ECIL usadas pelo Grupo A ocorre na Tarefa 2 (2,32%), enquanto a menor quantidade de uso das ECIL por parte do Grupo B foi identificada na Tarefa 1 (2,8%).

Considerando a média de uso entre os dois grupos, verifica-se que as ECIL são usadas com maior frequência na Tarefa 3, representando, em termos médios, 8,85 do total de EC usadas pelos dois grupos. Na Tarefa 1, a frequência média de uso é de 5,02%. Na Tarefa 2 registra-se o menor percentual de uso das ECIL: 4,4%. Conforme observamos acima, essa variação de frequência parece ocorrer de forma aleatória. Tendo em vista que não levamos em consideração o tipo de tarefa como fator determinante do uso das EC, preferimos não emitir nenhum parecer a respeito desse aspecto.

5.3.2.1 Uso da generalização

Nesta subseção encontra-se um resumo dos padrões de uso da generalização pelos dois grupos de acordo com cada tarefa de elicitação de dados, resumidos na Tabela 28.

Tabela 28: Frequência de uso da generalização em relação ao total de EC pelos Grupos A e B na execução das três tarefas

USO DA GENERALIZAÇÃO NAS TRÊS TAREFAS (%)

Grupo A Grupo B

TAREFA 1 5,8% 1,87%

TAREFA 2 2,32% 6,49%

TAREFA 3 7,84% 8,45%

Fonte: O autor

A generalização é a ECIL mais empregada por ambos os grupos em todas as tarefas de elicitação de dados. Independentemente da tarefa, a generalização é a ECIL preferida por todos os participantes. Tanto o Grupo A quanto o Grupo B atinge o índice mais alto de utilização da generalização na Tarefa 3. No Grupo A, a generalização representa 7,84% do total de EC, enquanto no Grupo B o uso dessa estratégia representa 8,45% de todas as EC usadas. Os menores índices de uso da generalização por ambos os grupos também foram identificados em tarefas diferentes. Na Tarefa 2, foi identificado o menor percentual de uso da generalização pelo Grupo A: 2,32% do total de EC, enquanto o Grupo B registrou seu menor percentual de uso da generalização na Tarefa 1, representando 1,87% de todas as categorias de EC usadas.

Na realização das três tarefas, o Grupo B (menos proficiente) usa a generalização com uma frequência maior que o Grupo A (mais proficiente). Em termos percentuais essa diferença é de 5,26%.

5.3.2.2 Uso da paráfrase

Nesta subseção são apresentados de forma resumida os padrões de uso da paráfrase pelos dois grupos, distribuídos por tarefa de elicitação de dados. O percentual de uso da paráfrase em relação ao total de EC pode ser visto na Tabela 29.

Tabela 29: Frequência de uso da paráfrase em relação ao total de EC pelos Grupos A e B na execução das três tarefas

USO DA PARÁFRASE NAS TRÊS TAREFAS (%)

Grupo A Grupo B

TAREFA 1 0% 0%

TAREFA 2 0% 0%

TAREFA 3 0% 1,41%

Fonte: O autor

Dentre as ECIL, a paráfrase registra o menor percentual de uso pelos dois grupos. O Grupo A, considerado o grupo mais proficiente não usa a paráfrase em nenhuma das três tarefas.

Apesar de ser considerado o grupo menos proficiente, o Grupo B faz uso da paráfrase apenas na realização da Tarefa 3 representando 1,41% do total de EC empregadas. Curiosamente, em nenhuma das tarefas, o grupo mais proficiente recorre, como seria de se esperar, aos seus conhecimentos da LAL para contornar seus problemas comunicativos por meio da reformulação de sua mensagem de forma alternativa e aceitável na LAL. Esse resultado não está em consonância com a hipótese de que os aprendizes mais proficientes são mais propensos a recorrer ao seu conhecimento da LAL do que os aprendizes menos proficientes62.

62 Cf. Bialystok e Frölich, 1980, Bialystok, 1983; Paribakht, 1985; Liskin-Gasparro, 1996; Fernandes Dobao, 2002.

RELATERTE DOKUMENTER