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jundiaiense

Como visto anteriormente, no período entre 1940 e 1942, a Congregação Presbiteriana de Jundiaí continuou a pertencer ao Presbitério de São Paulo, contudo, sua direção estava confiada a um pastor do Presbitério de Sorocaba, Rev. Antonio Marques da Fonseca Jr.

O trabalho presbiteriano em Jundiaí na década de 40 do séc. XX, sob os cuidados do Rev. Marques e dentro da jurisdição do Presbitério de Sorocaba, ganhou maior força e desenvolveu-se significativamente. Curiosamente, o Rev. Marques não chegou a fixar residência em Jundiaí, morando sempre em Campinas, tendo em vista suas ocupações no Seminário Presbiteriano do Sul, instituição de ensino teológico que chegou a dirigir (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 50). Ademais, durante o período, o Rev. Marques ocupou-se também de outras Igrejas e Congregações Presbiteriais, além de ser o tutor eclesiástico de todos os candidatos do Presbitério de Sorocaba.116

Durante o período em que o Rev. Marques foi responsável pela Congregação Presbiteriana de Jundiaí, de 1939 até a organização da Igreja em 1951, o trabalho

116 Para o ano de 1940, o Rev. Marques foi designado para a Igreja de Indaiatuba, Itu e Congregações

Presbiteriais de Jundiaí e Elias Fausto. Seria auxiliado pelo Sem. Abimael Campos Vieira. Em Julho o Presbitério vai encarrega-lo também da Igreja de Votorantim (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 12).

Em 1941, Rev. Marques é designado para a Igreja de Indaiatuba e congregação presbiterial de Elias Fausto, “permitindo-lhe também pastorear a Congregação de Jundiaí, caso o Presbitério de São Paulo o solicite” (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 20).

Em 1942, o Rev. Marques foi designado pastor da Igreja de Bragança e da Congregação de Jundiaí (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 37).

Para o ano de 1943, o Rev. Marques foi designado pastor das Congregações de Jundiaí e Atibaia, além de ser eleito diretor do Seminário (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 50).

Entre 1944 e 1945, de forma atípica, o Rev. Marques foi designado pastor tão somente da Congregação de Jundiaí (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 67).

Em 1946, foi designado pastor da Congregações de Jundiaí e da Igreja de Jurupará (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 99).

No ano de 1947, Marques foi nomeado responsável pelas Congregações Presbiteriais de Jundiaí e Elias Fausto (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 117).

Para o ano de 1948 e 1949, as responsabilidades eclesiásticas do Rev. Marques eram as Congregações de Jundiaí e Atibaia, além do auxílio no pastorado da Igreja em Bragança (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 134).

Em 1950, a carga do Rev. Marques aumentou. Foi designado para o campo de Itu que compreende as Igrejas de Itu, Indaiatuba e as Congregações Presbiteriais de Salto, Elias Fausto e Jundiaí (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 180).

Em 1951, na reunião do Presbitério de Sorocaba que tratou da divisão de campos, o Rev. Marques foi designado pastor da Igreja Presbiteriana de Jundiaí. Encontra-se a expressão entre parênteses “a ser organizada”, tendo em vista que a reunião foi em janeiro e a organização deu-se em Julho de 1951 (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 2, p. 15).

presbiteriano foi mantido sob a mesma dinâmica: presença esporádica do pastor para celebração dos atos pastorais e os demais trabalhos aconteciam com a ajuda dos próprios membros e de candidatos do Presbitério de Sorocaba que estudavam no Seminário Presbiteriano do Sul em Campinas.

No período supracitado, alguns fatos devem ser destacados:

No ano de 1941, em cumprimento de determinação do Presbitério de Sorocaba, recebeu-se como membro da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, o Sr. Sebastião Tyllmann, seminarista e candidato do Presbitério de Sorocaba. O referido irmão ajudou nos trabalhos da Congregação na cidade. Posteriormente, no ano de 1943, o Sr. Tyllmann foi licenciado e cedido à West Brazil Mission (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 49).

No ano de 1944, o Rev. Marques foi auxiliado nos trabalhos da Congregação Presbiteriana de Jundiaí pelo seminarista Humberto César (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 2, p. 3).

No ano de 1946, foi recebido por jurisdição na Congregação Presbiteriana de Jundiaí, o Sr. Namam Fayao, procedente da Igreja Presbiteriana da Síria. No mesmo ano, outro sírio foi recebido como membro através de profissão de fé, depois de ter sido batizado na infância na Síria. Trata-se do Sr. Emílio Atique. Muitos parentes seus irão no futuro se filiar ao presbiterianismo em Jundiaí (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 2, p. 5).

Em 1947, o presbiterianismo jundiaiense perdeu sua primeira convertida: a Sr. Cherubina Franco. O registro do Rev. Marques a respeito é oportuno:

[Cherubina Franco] faleceu aos 85 anos de idade e após 71 anos de vida cristã. Foi uma fiel serva de Cristo que muito louvou o evangelho pela sua vida piedosa e sempre votada ao bem. Foi ela, possivelmente, a primeira crente em Jundiaí quando do trabalho ali realizado pelos missionários pioneiros da evangelização do interior do Estado (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 2, p. 6).

Ainda no ano de 1947, encontra-se nos livros de atas do Presbitério de Sorocaba registro do bom andamento do trabalho presbiteriano em Jundiaí na década de 40 e, concomitantemente, da aparente disputa entre o Presbitério de Sorocaba e o Presbitério de Campinas (criado em 1944) pela jurisdição da Congregação Presbiteriana de Jundiaí:

No que concerne à pendência entre este Presbitério e o de Campinas em referência à Congregação de Jundiaí está enviando ao Sínodo por meio deste Presbitério uma representação no sentido de sua permanência neste Concílio; considerando que aquele trabalho vem passando por uma fase de prosperidade nunca dantes verificada; considerando que a Congregação está, neste momento, projetando a construção do seu futuro templo; considerando que a atuação do Rev. Antonio Marques da Fonseca Jr. e excelentíssima esposa na Congregação de Jundiaí tem sido uma grande benção para o trabalho na cidade; considerando que já um precedente no caso de Tietê; considerando, finalmente, que não foi possível chegarem os dois presbitérios a um acordo sobre o assunto; que seja o caso referido novamente ao Sínodo Meridional para ser resolvido em definitivo, solicitando-se a esse Concílio, com ênfase, a permanência da Congregação de Jundiaí nos limites do Presbitério (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 113-114).

A Congregação Presbiteriana de Jundiaí continuou sob os cuidados do Presbitério de Sorocaba, não passando a figurar no quadro do Presbitério de Campinas. No ano de 1948, registrou-se a recepção do Major Sr. Júlio Conrobert Lopes da Costa como membro da Igreja, acompanhado de sua esposa. Futuramente, o Sr. Júlio, popularmente chamado de “General” tornar-se-ia um grande líder da Igreja Presbiteriana de Jundiaí.

No mesmo ano de 1948, a estatística da Congregação Presbiteriana de Jundiaí apresentou o número de 13 recepções por profissão de fé e confirmação.117 No entanto,

das 13 profissões e confirmações, todos os indivíduos, com exceção de um, não são jundiaienses (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 2, p. 8).

Em 1949, um antigo projeto foi realizado: a Congregação Presbiteriana de Jundiaí adquiriu um terreno para a construção do seu templo na Rua Bartolomeu Lourenço, 31, no centro da cidade. No ano seguinte, a pedra fundamental do futuro templo foi lançada e a construção do mesmo iniciada (LIVRO de Atas da Igreja Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 1, p. 2).

Ainda em 1950, são recebidos na membresia da Congregação outros membros da família Atique e também da família Rosa, outra família importante para a organização do presbiterianismo jundiaiense. Entre 1950 e 1951, por convite do Rev.

117 No sistema presbiteriano, um indivíduo pode ser aceito na membresia da Igreja através de profissão de

fé e batismo (para quem não foi batizado na infância), por profissão de fé (para quem já foi batizado na infância, na época, chamava-se esse expediente de “confirmação”) e por jurisdição a pedido, ex officio e etc., para quem procede de outra igreja presbiteriana ou outra igreja evangélica. A profissão de fé enseja a aceitação da mensagem protestante por um indivíduo da região e a jurisdição a mudança de um presbiteriano para uma outra região, ou seja, sua adesão religiosa ocorreu em outra localidade (MANUAL PRESBITERIANO, 2008, p. 25-26).

Marques, estiveram presentes na Congregação Presbiteriana de Jundiaí figuras importantes e destacadas da Igreja Presbiteriana do Brasil na época tais com o Rev. Américo Ribeiro e o Rev. José Borges dos Santos Júnior (LIVRO de Atas da Congregação Presbiteriana de Jundiaí, Vol. 2, p. 10-11).

Contando com 57 membros comungantes e 50 menores no início do ano de 1951, a Congregação Presbiteriana de Jundiaí entendeu que tinha condições de organizar-se em Igreja, isto é, dispunha de recursos financeiros para o sustento da obra e de recurso de pessoal contando com homens aptos para a ocupação dos cargos de liderança da Igreja (presbíteros e diáconos). Dessa forma, no dia 13 de Janeiro de 1951, reunido o Presbitério de Sorocaba no templo da Igreja Presbiteriana de Sorocaba, o Rev. Marques apresentou um documento assinado pelos membros da Congregação, pedindo ao Concílio a organização da Congregação. A matéria foi encaminhada e a decisão do Presbitério foi a seguinte:

Recebe-se o documento de número 67, ofício do Rev. Antonio Marques da Fonseca Jr, acompanhando um abaixo assinado da Congregação de Jundiaí pedindo sua organização em Igreja. Resolveu-se deferir o pedido e nomeia-se a seguinte Comissão para proceder ao ato de organização: Revs. Antonio Marques da Fonseca Jr, Matatias de Campos Fernandes, Henrique de Oliveira Camargo e os presbíteros Srs. Salvador Nunes, José de Paula Lima e Armando Wolff (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 1, p. 195- 196).

Depois de 84 anos desde a primeira pregação presbiteriana na cidade de Jundiaí, o presbiterianismo teve condições de organizar-se na região no ano de 1951. Tendo em vista que a Igreja Presbiteriana de Jundiaí foi organizada no interregno das reuniões do Presbitério de Sorocaba, na reunião de janeiro de 1952, encontra-se no livro de atas do respectivo concílio, a ocasião em que a Igreja “toma assento” no Presbitério:

A Comissão de Legislação e Justiça vem relatar que cumpriu o seu dever no que concerne ao doc. 13 e propõe a aprovação das atividades da Comissão Organizadora da Igreja Presbiteriana de Jundiaí, uma vez que a mesma seguiu os trâmites legais, observando-se, todavia, que no livro de Atas falta o histórico da Igreja. Propõe, outrossim, que se dê imediatamente assento ao seu representante [...] Dá-se assento ao representante da novel Igreja Presbiteriana de Jundiaí, presbítero Major Júlio Conrobert Lopes da Costa, orando em ação de graças o presbítero Armando Wolf (LIVRO de Atas do Presbitério de Sorocaba. Livro 2, p. 37).