4.3 Poemas de las madres: la mujer embarazada y la tierra fecunda
4.3.3 La ausencia de los hombres: lo personal es político
Esse domínio refere-se aos conteúdos específicos da matéria que o professor leciona. Inclui tanto as compreensões de fatos, conceitos, processos, etc. de uma área de conhecimento quanto aos procedimentos relativos à construção do conhecimento desse campo.
Pensar no domínio do professor para a Matemática atual requer olhar a história e levantar hipóteses a respeito de nossos ancestrais e dos caminhos que os conduziram à elaboração e à organização do que hoje chamamos de conhecimento matemático.
Ao longo desta história, reconhecem-se esforços de indivíduos e de todas as sociedades para encontrar explicações, formas de lidar e conviver com a realidade natural e sociocultural. Isso deu origem aos modos de comunicação e às línguas, às religiões e às artes, assim como às ciências e às matemáticas, enfim a tudo o que chamamos “conhecimento”, muitas vezes também chamado “saber”. (D’Ambrósio, 1996, p. 18).
É importante refletir sobre o fato de como essa Ciência se desenvolveu ao longo dos tempos, principalmente nos últimos dois séculos, e a influência desta na sociedade.
A Matemática, desde a antiguidade, é conhecida como a ciência dos números e dos cálculos. Desde os tempos mais remotos o homem utiliza a Matemática para facilitar sua vida e organizar a sociedade. Ela foi usada pelos egípcios na construção de pirâmides, diques, canais de irrigação e estudos de astronomia. Os gregos antigos também desenvolveram vários conceitos matemáticos.
Hoje, a matemática vem passando por uma grande transformação. Isso é absolutamente natural. Os meios de observação, de coleção de dados e de processamento desses dados, que são essenciais na criação matemática, mudaram profundamente. Não que se tenha relaxado o rigor, mas, sem dúvida, o rigor científico hoje é de outra natureza. (D’ Ambrósio, 2002, p.58)
Atualmente esta ciência está presente em várias áreas como: Informática, Engenharia Civil, Medicina, Química, etc, o que aponta sua influência.
Buscam-se então os princípios básicos no ensino de Matemática, para o século XXI, referenciados no National Council of Teachers of Mathematics:
• As definições devem ser o resultado das experiências com os conceitos; elas não devem ser o começo.
• Os estudantes devem sentir a necessidade de técnicas, modelos e fórmulas, chegando a elaborá-las.
• As aplicações devem ser usadas no começo, durante e no fim dos assuntos; • Jogos, desafios, quebra-cabeça e problemas devem estar sempre presentes. • Os estudantes precisam ouvir, falar, escrever e fazer matemática.
• Os estudantes precisam ao longo do tempo perguntar sempre, tirando suas dúvidas e criando autonomia.
• Ao final de cada tema, é necessário que os estudantes sejam capazes de fazer um resumo das idéias principais sobre o que aprenderam, colocando suas idéias. Petronzelli (2002) também destaca como elementos principais que compõem os conteúdos da proposta de ensino da Matemática:
• resolução de problemas.
• comunicação das idéias matemáticas. • aplicação da Matemática no dia-a-dia. • alerta para resultados impossíveis.
• senso numérico e verificação dos resultados. • estimativa.
• apropriação das técnicas de cálculos com números pequenos. • pensamento algébrico.
• medida (distância, massa, tempo, capacidade, temperatura, ângulos, perímetro, área e volume).
• geometria (paralelismo, perpendicularismo, congruência, semelhança e simetria); • estatística.
• probabilidade.
Desta forma aponta-se em nossa pesquisa que é importante que o professor não só aprenda os conceitos matemáticos, mas que os compreenda à luz do método investigativo e dos cânones de ciência assumidos por essa área de conhecimento.
3 CONSTRUINDO NOSSA METODOLOGIA
Devido ao desafio de acompanhar esquemas mentais para entender a construção de conceitos e de procurar fazer um paralelo entre as aulas de investigação e a construção desses conceitos, sentimos a necessidade de optarmos pela pesquisa participante.
Segundo Hall (apud Demo, 2004), a pesquisa participante é descrita de modo mais comum como atividade integrada que combina investigação social, trabalho educacional e ação, sendo seus princípios:
1) Todos os métodos de pesquisa estão impregnados de implicações ideológicas. 2) O processo de pesquisa não pode esgotar-se em produto acadêmico, mas
representar benefício direto à comunidade.
3) A comunidade ou população deve ser envolvida no processo inteiro; até a busca de soluções e à interpretação de achados, se a meta é mudança, deve haver envolvimento de todos os interessados na pesquisa.
4) O processo de pesquisa deve ser visto como uma experiência educacional total, que serve para estabelecer as necessidades da comunidade e aumentar a conscientização e o compromisso dentro da comunidade.
5) O processo de pesquisa deve ser visto como um processo dialético, diálogo através do tempo, e não como desenho estático a partir de ponto no tempo.
6) A meta é a liberação do potencial criativo e a mobilização no sentido de enfrentar e resolver os problemas.
Le Broterf (apud Demo, 2004), visualiza a pesquisa participante ligada a certo “processo experimental”, que é assim montado:
• 1ª fase: “exploração” geral da comunidade. • 2ª fase: identificação das necessidades básicas. • 3ª fase: elaboração de estratégia educativa.
Demo (2004) afirma que a pesquisa participante não é somente possível, mas necessária para repormos a inter-relação dinâmica entre a teoria e a prática, não fugindo de sempre retornar à teoria para refazer a prática, recuperando o espírito crítico, evitando afogar- se no ativismo.
Optamos por esse tipo de pesquisa devido ao conhecimento da dificuldade da tarefa, já que nosso objeto de estudo era conhecer indícios da construção de conceitos algébricos em aulas de investigação, tentando mediar os sujeitos em ação de diferentes formas. Esse tipo de
pesquisa nos proporcionou acompanhar a construção desse conhecimento, utilizando como instrumentos de coleta de dados, diário de campo, gravação de produção dos alunos e protocolos de resoluções dos mesmos, o que nos proporcionou planejar e replanejar ações ao longo do delineamento do estudo, retornando aos aportes teóricos sempre que necessário.
A cada aula registramos uma análise de dados, como resultado de uma ampla observação e comparação das informações obtidas, emitindo uma conclusão sobre essas observações, que serviram de base para os próximos encontros, realizados semanalmente. Para esses encontros estabelecemos o seguinte:
• trabalhar com o professor na preparação das aulas, que serão embasadas na análise das resoluções anteriores. Esta preparação consiste fundamentalmente na elaboração da proposição de situação-matemática adequada ao desenvolvimento da “investigação matemática”.
• propor a resolução de situações-problema para as quais os alunos não possuam esquemas prontos para resolver, o que requer um conhecimento prévio do repertório cognitivo dos alunos.
• registrar o histórico de produção dos alunos por meio de gravação em áudio e protocolo de resolução manuscrito.
• analisar com o professor os protocolos (tentativas de resolução das situações- problema apresentadas).
• discutir com os alunos em entrevistas individuais e coletivas os protocolos, (serão gravadas e anotadas num diário de campo) focando a importância da construção do conhecimento matemático, ou seja, a criação de esquemas mentais que a cada situação poderá ser validado, aprimorado ou mesmo abandonado devido ao surgimento de esquema mais eficaz.
A preparação das aulas de investigação propriamente ditas se constituiu numa fase importante. Procura-se selecionar, adaptar ou até mesmo construir a tarefa, às quais leva-se em conta vários aspectos. Por um lado, essa tarefa deveria realmente desencadear uma investigação por parte dos alunos, era preciso escolher situações potencialmente ricas e formular questões suficientemente abertas e interessantes, de forma a estimularem o pensamento matemático dos alunos. Para isso, o professor pesquisador, com o apoio do colaborador, fez uma pesquisa em torno de vários materiais: manuais escolares, livros com propostas de problemas e investigações e o mundo da Internet. Mais do que esta pesquisa, precisamos recorrer à nossa criatividade para dar forma à tarefa, adaptando as situações e
reconstruindo as questões de maneira que melhor servisse aos nossos objetivos, visando à devolução da situação. Por outro lado, esta escolha está também levou em conta o nível etário dos alunos, o seu desenvolvimento matemático, a familiaridade que têm com o trabalho investigativo, os seus interesses, etc.
Além de preparar a tarefa fez-se necessário pensar na estrutura das aulas, por exemplo, no modo de trabalho dos alunos. Decidiu-se então que para esse tipo de atividade era melhor organizar os alunos em pequenos grupos. Além da organização dos alunos, foi considerada também a realização de diferentes momentos durante as aulas, bem como a respectiva gestão do tempo. A realização das aulas de investigação comportava três fases distintas: a introdução da tarefa, a sua realização pelos alunos e a discussão/reflexão e validação conjunta. No entanto, mesmo a adoção desta perspectiva requeriu muitas outras decisões. Às vezes a introdução era breve, mencionando apenas aspectos de gestão do trabalho da turma, outras continham uma exploração inicial, que levava os alunos à descoberta de alguns conceitos em conjunto e assim a cada planejamento pensávamos em cada um desses detalhes.
Durante a discussão dos protocolos com os alunos tentamos promover a participação de vários deles, pois percebemos que esse momento era muito rico. Nessa etapa também ocorriam as validações ou refutações dos conceitos construídos em ação.
Pode-se então ressaltar a importância do professor no processo da descoberta em que os alunos são chamados a falar, a expressar e a validar suas conclusões iniciais.
Uma outra fase importante da nossa pesquisa foi a discussão dos protocolos entre pesquisador e professor, pois foi por meio dessas que preparávamos as aulas posteriores e que buscamos indícios da contribuição dessa “investigação” para construção de conceitos.
Estas foram algumas das fases por que passamos para iniciar esse processo de investigação em sala de aula. Contudo, foi preciso não esquecer que esta era apenas uma base do trabalho e que o professor deveria estar preparado para alterar seu planejamento dependendo do rumo dos acontecimentos, sendo que a capacidade de reflexão na ação é aqui particularmente importante.
GRÁFICO 4 - Percurso Metodológico
Encontros de estudos, planejamento e avaliação, entre professor e pesquisador
Situação-problema Planejamento das aulas Investigação Matemática Registro da produção dos alunos Análise e discussão dos protocolos com
os alunos Discussão dos protocolos
com o professor
Registro em áudio Análise
GRÁFICO 5 - Coleta de informações para análise