4. RESULTS
4.1 Exploratory factor analysis and reliability test
4.1.2 Attribute beliefs model for explaining attitude and PBC
Em relação à sistematização das bibliotecas escolares das Escolas Normais, a legislação previa que “As escolas normais terão bibliotecas convenientemente aparelhadas, que constituirão a sala de leitura”77, de maneira que “a organização das bibliotecas obedecerá os
planos apropriados aos diversos cursos da escola normal, para cada um dos quais haverá secção determinada, fixando-se a quantidade de exemplares proporcionalmente a matricula dos alunos”78
. Deste modo, para verificar a organização das bibliotecas, de acordo, com os ditames da legislação, as professoras passariam por provas para avaliar os projetos de organização das bibliotecas escolares, para que
o aluno adquirisse a técnica de organização das bibliotecas, a qual constituirá um dos pontos do exame de metodologia, deverão participar dos trabalhos relativos á classificação e disposição dos livros da Escola, em que terão em vista rigorosos princípios científicos”79
No tocante as prescrições da Revista do Ensino, em relação a organização do espaço da biblioteca, as indicações envolviam o lado estético para atrair o alunado ao ambiente. “A biblioteca deve ser organizada, de modo que os alunos e professores possam frequentá-la comodamente, reservando-lhe sala ampla e apropriada”80. A intenção era encantar os olhos para a importância do espaço e produzir sensibilidades. Por este motivo, o arranjo dos livros deveria condizer aos padrões estéticos, pois como dito antes, era imprescindível exercitar o gosto e criar um ambiente propicio para a leitura. De forma que o “lado estético deve ser tomado na devida consideração, no primeiro plano. Os volumes todos, arranjados por altura, preenchem ainda outro fim, qual o da economia de espaço”. 81
Em relação a organização dos livros prescrevia um artigo,
76 REVISTA DO ENSINO, 1935, n. 112, p. 228 77 Decreto n. 10.362 de 1932, art. 95
78
Idem, art. 96
79 REGULAMENTO DO ENSINO NORMAL, art. 61 80 REVISTA DO ENSINO, 1929, N. 29, p. 100 81
Quanto à organização, importa adaptá-la aos diversos anos da escola normal: cada um destes terá seus livros dispostos em seção especiais, seguindo uma ordem gradativa, do mais simples para o mais complexo, com um número restrito de obras, correspondente a vários exemplares de cada uma, para melhor servir aos alunos. O acervo da biblioteca deveria se organizar, conforme as disciplinas das alunas da escola normal. Para isso, os artigos prescreviam a organização do acervo, a partir de técnicas da catalogação “o essencial em uma biblioteca é a catalogação dos livros”82
.
Neste sentido, o artigo indica a “utilização de regras universalmente consagradas”83
. No entanto, adverte que de acordo com as necessidades é possível introduzir novas modificações, e disserta “todas as grandes bibliotecas procuram organizar-se como lhes convém, pois a imitação em trabalhos desta natureza não deve prevalecer, por não haver dogmas em assunto tão flexível”. 84
Em relação à classificação dos livros nas estantes, o artigo sugere que a “numeração pode variar com o gosto de cada um”85. O texto ainda explicita que “não há, entretanto,
superioridade deste processo sobre aquele. Todos são bons desde que o fim colimado seja atingido inteligentemente”86
. Isso sugere que o artigo esteja relatando o impasse nas bibliotecas brasileiras entre o Código de Classificação Universal e o Código de Classificação de Dewey. Conforme Ortega (2004, p. 2) relata
Sendo a CDU um sistema europeu,passou a ser rechaçado pela influência estadunidense que teve início por volta de 1930 na Biblioteconomia brasileira, sendo retomado pelos centros de documentação e bibliotecas especializadas a partir dos anos 50.
De todo modo a publicação apenas cita que nos Estados Unidos utiliza-se a “Decimal Classification”, de Melvie Dewey, não entrando em detalhes referente à utilização desta nas bibliotecas.
4.7.2.1 Catalogação
No que concerne aos catálogos, o artigo indica como catalogo-base o onomástico e como auxiliares: o ideográfico e o didascálico, de forma que
82 REVISTA DO ENSINO, 1933, n. 85, p. 3 83 Idem 84 Idem 85 Idem p. 5 86 REVISTA DO ENSINO, 1933, n. 85, p. 5
O primeiro visa os assuntos, e o outro, os títulos das obras. Devemos ter em vista que muito consulente não conhece o autor de um livro que deseja. Sabe o título da obra. O bibliotecário vale-se então do catalogo didascálico para orientar-se. Verificado o autor, vai á ficha e identifica o livro. Acontece ainda que aparece um consulente e deseja um livro sobre geologia. O bibliotecário terá ajuda do catalogo Ideográfico que trata dos assuntos. Dá-lo-á ao consulente para que escolha o autor ou obra que mais lhe convenha (o que só se dá por palpite). Com os dados necessários irá ao fichário.
O artigo sugere que seja confeccionado um catalogo topográfico, que na verdade trata-se do inventário da biblioteca, neste sentido
Este catalogo será para uso particular do responsável pelos livros. Poderá ser feito até nos versos do onomástico. Será uma ficha com os menores dados do volume: autor – nome da obra – edição – editor – ano da impressão e mais quaisquer outros detalhes que sirvam para orientar o bibliotecário sobre o volume que faz parte da coleção, inclusive mesmo o processo de aquisição e preço.
Para organizar as informações dentro dos catálogos, o texto indica algumas regras de catalogação para facilitar a entrada de dados e a procura de livros nas estantes. Estipulava-se nas regras de catalogação, o seguinte
O verbete para a identificação da obra deve ser tirado – não invariavelmente como preconizara alguns – do último apelido. Exemplo: Joaquim Francisco de Assis Brasil; Brasil (Joaquim Francisco de Assis). José da Costa Freis Miranda Manso: Manso (José da Costa Reis Miranda)
Afirmei acima que a regra não deve ser geral. Explico-me: - suponhamos o sr. Vital Brasil. Seu nome todo é vital Brasil Mineiro da Campanha. O verbete campanha não traria esclarecimento para quase consulente algum. Com Alexandre Herculano de Carvalho Araújo dar-se-ia o mesmo. Diante disso os verbetes a escolher-se teriam de ser BRASIL e Herculano.
Com os pseudônimos procederemos da seguinte maneira: - RIBAS (Anselmo – Vide Coelho Netto). E em casos de pseudônimos mais conhecidos que os os nomes, o logico é considerar definitivamente o falso nome. Ex. João Luso – pseudônimo de Armando Erse – o verbete deve se Luso
Diante de iniciais, usa-se este processo: - J.J seabra: - seabra(J. – JOSÉ J. – Joaquim). Os títulos honoríficos ou dignidades terão verbetes remissivos – Taunay (visconde de)
Santos, papas, príncipes, etc. a palavra principal é o nome próprio: (Thomaz (s.) de Aquino. Para as obras de mais de um aturo, teremos de fazer verbetes para os diversos autores.
As designações Filho, Junior, Netto, Sobrinho não constituem ultimo nome. Devem, como apêndice, acompanhar o ultimo apelido.
Os nomes dos tradutores devem fazer parte do Catalogo Onomastico.
O catalogo ideográfico deve ser organizado com muito cuidado, porquanto nem sempre o título da obra condiz com o texto.
[...]na organização do catalogo Didascálico excluem-se os adjetivos articulares, as preposições e locuções prepositivas, quando elas não fazem parte integrante do título da obra. Palavras há como tratado, elementos, questões etc. que são iniciais para o catalogo didascálico e não são para o ideográfico.
Na catalogação das revistas, a rigor, nas de natureza literária e cientifica, segundo as regras universais, cada trabalho notável que se encontre em seu texto deve merecer um registro separado, com ficha própria, como se fora um trabalho avulso.
Observa-se que a criação dos catálogos e suas regras objetivavam mostrar os livros contidos em uma coleção especifica. De modo que, os documentos da biblioteca, incluindo o catalogo
serviam como processo de institucionalização necessário para a constituição de um grupo. (DENIPOTTI, 2007)
Além dos catálogos de localização dos livros nas estantes, existiam outros instrumentos de controle do acervo da biblioteca, entre eles o livro de registros de entrada e saída dos materiais, isto é, os empréstimos e as devoluções.