2.2 Conventional cryptography
2.2.5 Attacks on Hash Functions
A Figura 3 contém os quadrantes relativos à estrutura central e periférica das representações sociais do estímulo tratamento.
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Núcleo Central Sistema Periférico Próximo
F ≥ 7 OME < 2,5 F ≥ 7 OME ≥ 2,5
Evocações F OME Evocações F OME
Força de vontade 9 1,55 Bom Medicação Recuperação 7 7 10 2,71 3,28 2,60
Sistema Periférico Próximo Sistema Periférico Distante
F < 7 OME < 2,5 F < 7 OME ≥ 2,5
Evocações F OME Evocações F OME
Esperança 6 2,16 Mudança de vida 6 3,83
Figura 3. Quadrante das evocações acerca do estímulo tratamento. F= frequência. OME= ordem média das evocações.
A Figura 3 foi construída a partir da frequência média igual, maior ou menor do que sete participantes, numa ordem média de evocação em torno de 2,5. Observa-se, no quadrante superior esquerdo, a expressão Força de vontade. Esta evocação refere-se, provavelmente, ao núcleo central da representação social do tratamento dos participantes do presente estudo.
A expressão força de vontade deixa claro que o tratamento é algo que depende quase que exclusivamente do sujeito, da sua própria vontade e persistência. De acordo com Abric (2001b), o núcleo central de uma representação social é determinado pelo sistema de valores e normas sociais, que constituem o ambiente ideológico do momento e do grupo. Nesse sentido, observa-se a influência de valores individualistas na representação social do tratamento, enfatizados pelo discurso do sistema capitalista.
Conforme Martini e Furegato (2008), a sociedade atual dá ênfase ao discurso neoliberal, que vincula o fracasso ou sucesso de uma pessoa exclusivamente às suas decisões individuais; assim, o uso ou não de drogas seria responsabilidade de cada um. A pessoa que fica dependente não tem competência ou maturidade para lidar com o seu problema. Esta visão reducionista minimiza as causalidades históricas e sociais, e enfatiza o individualismo. Tal percepção não abre espaço para a inclusão de uma responsabilidade social frente aos problemas da sociedade. Com esta concepção, reforçam-se condições de exclusão social, como ocorrem com os usuários de drogas.
96 Além disso, também se verifica nessa representação a influência do modelo biomédico de saúde, o qual privilegia aspectos individuais e orgânicos, em detrimento dos aspectos sociais e culturais que estão ligados aos fenômenos que envolvem a saúde da população. Portanto, a expressão força de vontade no núcleo central da representação social do tratamento tem como pano de fundo a exclusiva culpabilização do sujeito pela sua condição de dependência.
Embora se concorde com a importância do papel protagonizador que o usuário precisa ter para o sucesso do seu tratamento, é preciso perceber que a ênfase neste discurso torna a dependência química um fenômeno situado apenas no âmbito individual. Entretanto, não se pode perder de vista que a dependência química é algo que não se remete apenas ao indivíduo de forma isolada, sendo um fenômeno de natureza multifacetada.
O uso de drogas é considerado como um fenômeno multicausal, resultante da combinação de vários elementos, desde os genéticos, passando pelos psicológicos, familiares, socioeconômicos, até chegar aos culturais. Desse modo, percebe-se que o uso e a dependência de drogas são questões de alta complexidade, que não se reduzem a uma ou outra de suas dimensões. Na visão de Martini e Furegato (2008), o uso abusivo de drogas é um problema social, com consequências para a saúde dos sujeitos.
No sistema periférico intermediário da representação social do tratamento, no espaço superior direito, foram evocadas as palavras bom, medicação e recuperação. No espaço inferior esquerdo, ainda no sistema periférico intermediário, foi evocada a palavra esperança. Em contraste com o núcleo central, no sistema periférico distante, representado no quadrante inferior direito, foi evocada a expressão mudança de vida.
Nota-se, assim, através dos termos bom, recuperação, esperança e mudança de vida, uma representação positiva do tratamento. Esta percepção também foi encontrada
97 no estudo realizado por Crauss e Abaid (2012), com usuários de drogas, em que o tratamento foi considerado como algo importante para a recuperação e mudança de vida dos usuários. A importância do tratamento advém do fato de que sinaliza com a possibilidade de recuperação do que se perdeu por causa do uso da droga.
No presente estudo, o termo medicação situa o tratamento do uso abusivo de drogas no corpo do indivíduo, no âmbito da doença física. Esse termo contextualiza o elemento força de vontade, pertencente ao núcleo central da representação social do tratamento, uma vez que ambos refletem uma concepção que situa o tratamento no âmbito individual. Conforme Abric (2001a), os elementos do sistema periférico atualizam e contextualizam as determinações normativas dos elementos centrais.
Ainda hoje, o tratamento dos usuários de drogas baseia-se majoritariamente na prescrição de medicamentos e no ingresso em hospitais psiquiátricos. De acordo com Maciel (1997, p. 36), o tratamento médico-psiquiátrico ministrado aos usuários de drogas tem suas raízes no século XIX, quando a sociedade buscou a psiquiatria como resposta, não tanto para tratar os drogados, mas para se opor e, de fato, se defender contra a presença de sujeitos que utilizavam drogas:
A prática psiquiátrica exerce uma função repressiva com o aval da sociedade, tanto com relação aos doentes mentais quanto aos usuários de drogas, utilizando o mesmo meio para ambos os tratamentos. Receitando uma parafernália de medicação e exercendo um regime de isolamento nos hospitais psiquiátricos, onde ainda predomina o sistema asilar. Tal atitude é empregada não somente para permitir ao drogado a desintoxicação, mas também para ‘puni-lo’ de maneira clara ou escamoteada, pelas transgressões às leis jurídicas e/ou morais impostas pela sociedade.
98 Dessa forma, percebe-se que o enfoque psiquiátrico classifica o dependente de drogas como doente, limitando o tratamento ao confinamento e à desintoxicação. Tal posição parece não resolver o problema, ampliando-o cada vez mais, pois discrimina e estigmatiza mais ainda o usuário.
4.3 Desvendando a representação social do crack, do usuário de drogas e do