Kapittel 5: Juridisk teori
5.2 Atle Sønsteli Johansen og Einar Stueland
Os experimentos psicolinguísticos expostos no Capítulo 2 demonstraram que a marca morfossintática de plural é determinante para a interpretação contável da expressão nominal. Como propomos, o plural denota um semi- reticulado superior que contém indivíduos como suas partes mínimas. Por se tratar de uma operação que individualiza a denotação da raiz lexical, é esperado que essa ela ocorra sempre que se busca uma interpretação cardinal da raiz lexical. Pela nossa proposta, representamos uma comparação cardinal por meio do operador cardinal |.|. Um exemplo disso seria:
(55) O João tem mais cadeiras do que a Maria.
Tem-se que: λx.CADEIRA(O João tem x) ∧ (|x| > 0) ∧
λx.CADEIRA(A Maria tem y) ∧ (|y| > 0)∧ (|x| > |y|)
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caso, seria pouco econômico uma operação de individualização quando não se busca parear indivíduos. De fato, os experimentos que expomos no Capítulo 2 demonstraram isso: o plural é determinante para interpretação cardinal. Especialmente, o experimento de Beviláqua (2015) sobre o plural nu – discutido no Capítulo 2 – pôde mostrar que, mesmo em contexto que forçam uma leitura massiva do plural nu, a marca morfossintática de plural continua a ser determinante para uma interpretação cardinal. Isso significa que, mesmo em uma sentença como (56), a preferência estatística continua sendo significante pela a comparação em dimensão cardinal:
(56) O João tem mais livros que a Maria para encher a sacola.
Dessa maneira, o evento de encher, que se dá em uma dimensão de volume, tende a ser preterido pela interpretação cardinal do plural nu. Contudo, o experimento demonstrou que ainda houve um número pequeno de escolhas por interpretação massiva ou ambígua, mesmo que estatisticamente independente do uso de um contexto massivo60. De fato, a escolha por “ambos”
mostrou um ligeiro aumento no teste do plural nu em contexto massivo com relação ao plural nu em contexto contável, o que mostra haver um grau de ambiguidade na escolha entre as duas interpretações. Se esse de fato é o caso, pensamos que o modelo interpretativo aqui apresentado é capaz de explicar essa ambiguidade do plural nu em contexto massivo.
Atestamos que o plural opera com a individualização da denotação da raiz lexical. Essa individualização só é necessária na medida em que se deseja operar sobre indivíduos; caso contrário, não é necessária uma alteração da denotação da raiz lexical, a exemplo do singular nu. Nesse sentido, o plural é especializado para operar sobre entidades discerníveis como indivíduos, o que leva à interpretação cardinal do plural nu. Porém, ocorre que um contexto massivo, como do evento de “encher” ou “pesar”, aceita uma interpretação de medida, em dimensão não-cardinal, como de volume ou pesagem. Assim,
60 Estatisticamente independente no sentido de indeterminante para uma escolha interpretativa,
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instaura-se a ambiguidade, por mais que a preferência ainda seja pela interpretação em dimensão cardinal. Contudo, um semi-reticulado superior individualizado, na medida que é um conjunto ordenado, continua sujeito à operação de medida extensional; ou seja, a existência de indivíduos em nada impede a operação de medir em dimensão não-cardinal. Logo, continua havendo a possibilidade de medição:
(57) [João e Maria estão enchendo cada qual o seu balde com pedras e alguém diz]:
O João tem mais pedras que a Maria.
a. Comparação por contagem de pedras: λx.IND(PEDRA(O João tem x)) ∧ (|x| > 0)∧ λx.IND(PEDRA(A Maria tem y)) ∧
(|y| > 0)∧ (|x| > |y|)
b. Comparação por volume de pedra: λx.IND(PEDRA(O João tem x)) ∧ λy.IND(PEDRA(A Maria tem y)) ∧ MEDIRVOLUME(x)>MEDIRVOLUME(y)
Porém, afirmamos anteriormente, no Capítulo 2, que essa interpretação de volume de um plural nu é redundante, pois não seria necessário a individualização da denotação da raiz lexical para que ela ocorresse. Em outras palavras, ela é pouco econômica, pois plural exige a operação de individualização da raiz lexical, mas essa se mostra desnecessária na medida que a operação de medida não a exige. Disso, conclui-se a preferência pela interpretação de contagem do plural nu atestada nos experimentos, mesmo em contexto massivo. Logo, (57b) é preferível a (57a) devido à especialização do plural. Por mais que (57a) tenha se mostrado possível a alguns falantes, o resultado do experimento de Beviláqua (2015) foi que tal escolha é estatisticamente insignificante, como já apresentado no Capítulo 2. Assim, nosso posicionamento é de que tal interpretação é preterida pela maioria dos falantes na medida em que possui mais informação do que é necessário para uma
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comparação por medida.
Anteriormente, em (42), apresentamos a interpretação da função de comparação dimensional. De acordo com ela, μ é uma função predicativa de comparação que é interpretada como uma série ordenada μ=<m1,m2,m3,..., mn>,
de maneira que a comparação mz é preferível a qualquer my se z<y. Podemos
dizer que, no caso das comparações entre plurais, devido ao fato de em PB o plural ser especializado para contagem, então m1 é uma comparação de
contagem em dimensão cardinal. Definimo-lo da seguinte maneira:
(58) O plural é determinativo para uma interpretação em dimensão cardinal, de maneira que a interpretação preferencial em comparações com o plural nu será a de contagem: μ(X, Y)=<m1, ...,
mn>, onde μ é uma função de comparação entre X e Y, e m1 é uma
comparação em dimensão cardinal de contagem de indivíduos. Na definição da função de comparação dimensional de (42), colocamos que a série é contextualmente ordenada. Logo, é possível que em alguns casos, como do evento de “encher” ou “pesar”, o contexto reordene a série de maneira que a comparação possa se dar em dimensões não-cardinais, por mais que essa não seja o comportamento esperado para uma forma morfossintática especializada para contagem.