1. INTRODUCTION
1.1 Atlantic cod
Arcoverde Albuquerque Maranhão e Maria Cota, que deixaram o
cargo logo depois, respectivamente em fevereiro e abril do mesmo ano, e ainda Dagmar Rodrigues de Oliveira que permaneceu na entidade durante longos anos, até sua aposentadoria.
Yolanda Lindenberg Lima, contratada como instrutora da
Escola nessa mesma ocasião, no ano seguinte passou a professora designada apenas para lecionar Nutrição e Arte Culinária, em vir- tude de não dispor de muito tempo para dispensar à instituição — a função de instrutora exigia dedicação integral ao ensino das disciplinas de enfermagem, com a orientação do estágio corres- pondente no campo hospitalar ou de saúde pública, o que ela não poderia fazer.
Em virtude de ser obrigatório o internato para as alunas, mesmo para as residentes em São Paulo, desde logo tomou-se a iniciativa de contratar uma pessoa para se responsabilizar pela parte social da residência. A escolha recaiu em Maria Lúcia Sampaio Pinto, que iniciou suas atividades nos primeiros meses
de 1943. A programação das atividades extracurriculares e a mi- nistração das aulas de educação física constituíram sua função primordial. Na qualidade de Diretora Social auxiliou a Escola em seus contatos com a comunidade, especialmente no que dizia res- peito ao recrutamento de candidatos ao curso, levado a efeito na Capital e no Interior do Estado. Consta do primeiro relatório apresentado por Edith Fraenkel que a Diretora Social planejou e levou a cabo diversas excursões e sessões dançantes, " c o m o parte do programa da vida social das estudantes e indispensável à ma- nutenção do equilíbrio mental".
Iracema Isabel Niébler, enfermeira-chefe do Instituto de
Higiene, passou a auxiliar na preparação de programas e aulas com o especial consentimento do diretor do Instituto, enquanto aguardava sua nomeação. Não chegou a ser funcionária da Es- cola, mas com ela colaborou em 1943 e 1944, ministrando o curso de Higiene Individual, além de outras tarefas que lhe couberam.
Clarice Delia Torre Ferrarini, diplomada pela Escola Ana
Neri em fins de 1943, de volta a São Paulo foi contra- tada pelo Hospital que, não tendo entrado ainda em funciona- mento, colocou-a à disposição da Escola. O livro de ponto desta entidade contém sua assinatura até junho de 1944, o que significa que, mesmo atuando no HC após sua inauguração em abril desse ano, continuou a colaborar na supervisão das estudantes em está- gio nas clínicas em funcionamento.
Em julho a secretaria passou a contar c o m a colaboração da
Risoleta Riedél, professora do magistério primário posta à dispo-
sição da Escola pelo Governo do Estado e que funcionou como auxiliar de secretaria até 1947, quando deixou a instituição.
Do pessoal administrativo contratado no decorrer de 1943, merecem menção aqueles que dedicaram grande parte de suas vidas aos trabalhos da entidade, desenvolvendo as respectivas ativi- dades com exação, zelo e até carinho, muitas vezes em condições adversas relativamente a ambiente e salários. São elas, por ordem de contratação: Odysse Fonseca, que entrou como auxiliar de mordoma e posteriormente passou a responsável pelos serviços de copa e cozinha — aposentou-se na década de sessenta; Maria
Conceição Carneiro e Maria José de Camargo Moura, contratadas
em agosto como "auxiliares de escrita", trabalharam na Escola durante muitos anos (a segunda até sua aposentadoria), em fun- ções diversas que as levaram a cargos de chefia, respectivamente na secretaria e na contabilidade; ainda como "auxiliares de escri- ta", iniciaram em setembro Helena de Barros Silveira e Orlando
Lopreato; este último permaneceu na entidade até aposentar-se, no
Helena de Barros Silveira afastou-se para tratamento de saúde após 36 anos de invulgar dedicação à Escola, 27 dos quais no cargo de Secretária, responsável por toda a parte administrativa. O interesse e o amor que sempre demonstrou pelo trabalho e pela instituição fizeram-na credora da gratidão dos que por aqui passa- ram na qualidade de dirigentes, servidores ou de membros dos corpos docente e discente.
Construção do edifício
O Serviço Especial de Saúde Pública ( S E S P ) , que funcionava junto ao Ministério de Educação e Saúde e era mantido no seu início, em 1 9 4 2 q u a s e que exclusivamente por verba norte- americana, decidiu construir o edifício para a instalação de uma das escolas de enfermagem recém-criadas ou cuja criação estivesse sendo planejada.
Vista da Escola
16 O SESP surgiu do um contrato firmado pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos em 17 de julho de 1942. Uma das cláusulas do contrato determinava constituir uma de suas finalidades «o preparo de profissionais para o trabalho de saúde pública, incluindo médicos, engenheiros sanitaristas, enfermeiros de saúde iníblica o outros técnicos . . . »
Por interferência do Dr. Bernard Mc. D . Krug, médico paulis- ta exercendo a superintendência do SESP, a Escola de Enfermagem de São Paulo foi a escolhida e em junho de 1943 era assinado um contrato entre aquele Serviço e o Governo do Estado de São Paulo. Esse contrato estabelecia as condições do empreendimento, deter- minava as responsabilidades do SESP e do Governo do Estado e previa a constituição de uma Comissão de cinco membros esco- lhidos pelos representantes do SESP e da Faculdade de Medicina, a fim de "elaborar os planos do edifício, aprovar contratos de construção e instalação e superintender a execução do projeto". A íntegra do Termo de Contrato acima encontra-se no Anexo II. Pelo contrato, o SESP deveria contribuir com a importância de US$ 200.000,00 (duzentos mil dólares), o que eqüivalia, na época, a cerca de quatro milhões de cruzeiros; o Governo do Esta- do deveria ceder uma área para a construção do edifício e contri- buir com a importância de aproximadamente US$ 100.000,00 (cem mil dólares), que correspondiam a dois milhões de cruzeiros.
De acordo com o Relatório do ano de 1944 (Anexo I ) , elabo- rado pela Diretora da Escola, a contribuição do Governo do Estado foi de dois milhões de cruzeiros para instalação e equipamento, além de milhão e meio para auxiliar na construção do prédio.
Os planos preliminares para o prédio foram apresentados por Peter Pfisterer, arquiteto-chefe do SESP. Para a supervisão da construção foi organizada a seguinte Comissão: Prof. Benedito Montenegro, representando a Secretaria da Educação e Saúde Pú- blica; Dr. Alfredo de Barros Amaral, representando a Secretaria de Viação; Dr. H. G. Baity, engenheiro-chefe do SESP; Sra. Edith de Magalhães Fraenkel, diretora da Escola e Dr. H. D . Chope, re- presentante da Fundação Rockefeller. Para representar o SESP na parte de enfermagem foi indicada enfermeira Gertrudes Hodgman, consultora junto àquela entidade.
Edith de Magalhães Fraenkel 1941-1955
Foi uma figura extraordinária de mulher, merecidamente escolhida para criar as bases sobre as quais seriam alicerçados a Escola de Enfermagem de São Paulo e o Serviço de Enfermagem do Hospital das Clínicas.
Nascida no Rio de Janeiro no dia 9 de maio de 1889, filha de Carlos Fraenkel e Aldina Botelho de Magalhães Fraenkel, pelo lado materno era neta do insigne brasileiro Benjamin Constant Botelho de Magalhães, um dos fundadores da República do Brasil.
Edith de Magalhães Fraenkel Organizadora e ./• Diretora da Escola
Em virtude dos cargos exercidos pelo pai, de consul brasileiro na Alemanha, Suécia e Uruguai, fez seus primeiros estudos nesses países; ao retornar ao Brasil dominava já os idiomas alemão, sueco e espanhol. Conjuntamente com os estudo? particulares que reali- zou no Rio e que a habilitaram ao exercício do magistério primário, aprendeu inglês, francês e italiano.
Sua primeira atividade foi de professora primária, função que exerceu no Rio de Janeiro por um período de seis anos.
Durante a primeira grande guerra, em 1918, fez o curso de samaritana na Cruz Vermelha Brasileira, entidade com a qual cola- borou na assistência aos doentes por ocasião da grande epidemia de gripe que grassou no Rio de Janeiro nesse mesmo ano. Rece- beu o título de Sócia Remida da Cruz Vermelha Brasileira pelos relevantes serviços prestados nessa ocasião.
Em 1920 fez o curso de visitadora na Inspetoria de Tuber- culose do Departamento Nacional de Saúde Pública. N o ano se- guinte foi nomeada enfermeira-chefe do Serviço de Tuberculose desse Departamento. Foi nessa qualidade que teve conhecimento de que a Fundação Rockefeller estava oferecendo uma bolsa de estudo para quem se interessasse em fazer o curso de enfermagem nos Estados Unidos.
Edith Fraenkel candidatou-se, foi aceita e em 1922 matriculou- se na Escola de Enfermagem do "Philadelphia General Hospital", pela qual se diplomou em outubro de 1925, após completar sua formação, ainda sob os auspícios da Rockefeller, com cinco meses de instrução e experiência em administração de unidades de enfer- magem e ensino e supervisão de estudantes de enfermagem.
De volta ao Brasil, nesse mesmo ano passou a lecionar na Escola Ana Neri, onde permaneceu de 1925 a 1927, na qualidade de instrutora v coordenadora do ensino. Devido a essa situação pode influir decisivamente, em 1926, na criação da Associação Nacional de Enfermeiras Diplomadas Brasileiras, hoje Associação Brasileira de Enfermagem ( A B E n ) , da qual foi a primeira presi- dente eleita, após o término da gestão da diretoria provisória indi- cada naquele ano. Exerceu o cargo de Presidente de 1927 a 1938.
Em 1927 foi nomeada enfermeira-chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública e, no ano seguinte, diretora da Divisão de Enfermeiras de Saúde Pública desse mesmo Departamento. E m 1931 passou a Superintendente Geral do Serviço de Enfermeiras do Departamento.
Na qualidade de presidente da Associação de classe represen- tou o Brasil no Congresso do Conselho Internacional de Enfermei- ras ( I C N ) , realizado em 1929 nos Estados Unidos e Canadá, oca- sião em que o Brasil filiou-se a essa organização. Dessa viagem Edith Fraenkel trouxe os planos para a criação de um órgão de publicidade, tornado realidade pela publicação, em 1932, do primei-
ro número da Revista Anais de Enfermagem, hoje Revista Brasi- leira de Enfermagem. Foi editora da Revista de 1932 a 1938.
E m 1934 organizou, no Rio de Janeiro, o Serviço de Obras Sociais (SOS), destinado a completar o trabalho das enfermeiras de saúde pública junto à população pobre dos morros e favelas, com auxílio em forma de alimentação, medicamentos, hospitali- zação, escolas ou orfanatos para as crianças, abrigo provisório, trabalho para os desempregados ou egressos de prisões, entre outros.
Dois anos após, em 1936 fundou no Rio de Janeiro a primeira Escola de Serviço Social a funcionar no Brasil.
E m 1939 foi convidada pela Fundação Rockefeller para orga- nizar e dirigir a Escola de Enfermagem a ser criada em São Paulo. Aceito o convite, seguiu para os Estados Unidos e Canadá, como bolsista da Rockefeller, para observar e estudar a organização de escolas de enfermagem nesses dois países.
A par da grande cultura geral e do preparo específico na área de enfermagem, possuía uma personalidade marcante em que o dinamismo, a eficiência e o idealismo misturavam-se com a com- preensão, o altruismo e o espírito humanitário. Enérgica e auto- ritária na defesa dos interesses da Escola e da enfermagem brasileira sabia, entretanto, ser amiga de suas alunas às quais transmitiu o apreço pela profissão e pela associação de classe.
Sua sábia e eficiente direção levou a Escola de Enfermagem de São Paulo a atingir, em poucos anos, padrão de ensino compa- rável ao das melhores instituções congêneres dos Estados Unidos. Os treze anos que dedicou a esta instituição frutificaram através de suas alunas, discípulas que a recordam c o m respeito e carinho e que, espalhadas por todo território nacional perpetuam, por meio de sua atuação no campo da enfermagem, a verdade de ontem, de hoje e de sempre — o dever primeiro do profissional de enferma- gem consiste em, através de sua contribuição pessoal, melhorar " o bem-estar da coletividade o de seus membros, conjugando a função de educador sanitário com a de agente de cura".