• No results found

Atferdsanalytisk tilnærming

8 Diskusjon

8.1 Atferdsanalytisk tilnærming

Atualmente, existem mais usuários de computadores, tablets e smarthphones que trabalham nestes equipamentos por mais horas do que em tempos passados e esta condição predispõe para o desenvolvimento de várias alterações oculares, entre as quais o CVS. Embora isto seja uma realidade, o CVS pode ser evitável, sem deixar de usar estes dispositivos digitais. Desenvolver bons hábitos para o uso destes equipamentos é importante. Pesquisas na área têm vindo a sugerir várias estratégias preventivas (tabela 1). (8,12)

Quanto ao posicionamento do ecrã de computadores, sugere-se que as distâncias de 50 a 60 cm entre os olhos do usuário e o ecrã podem resultar em menor número de queixas e menos esforço visual. (12,49,50)

Assim, também o ecrã posicionado mais alto tem maior relação com o cansaço visual. (24) Devem-se ajustar os monitores de computador para um ângulo de visão de cerca de 15º abaixo da altura dos olhos. Este ângulo de visão irá, provavelmente, reduzir o desconforto visual (por exemplo, olhos secos) e desconforto músculo-esquelético (por exemplo, dor no pescoço e dor nas costas). (12,50)

Para minimizar os sintomas de CVS, o uso de lubrificantes, pomadas e medicamentos tópicos podem ajudar. Além disso, o treino para aumentar a taxa de pestanejo durante o uso do computador, bem como mudanças na humidade ambiental, hidratação (beber mais água) e redireccionamento do aquecimento e ar condicionado são fundamentais. No entanto, vários sujeitos

declararam que o aumento do pestanejo consciente interferia com a capacidade de realizar as tarefas de forma satisfatória, o que pode limitar a viabilidade deste conselho. (8)

É fundamental que existam intervalos frequentes para restaurar e relaxar o sistema de acomodação e evitar a fadiga ocular. Acredita-se que desviar o olhar para um objeto distante pelo menos duas vezes por hora durante o uso do computador seja suficiente para a prevenção da fadiga visual. (12,49) É também fundamental que os pacientes sejam aconselhados sobre os seus tempos de trabalho e a necessidade de pausas periódicas. A fixação em qualquer objeto próximo por um período de tempo excessivo pode levar a astenopia e, por sua vez, contribui para um aumento do número de erros cometidos na realização de uma dada tarefa ao computador. (8)

Recomenda-se seguir a regra 20/20/20, ou seja, depois de 20 minutos de uso do computador, deve-se olhar para algo a 20 pés de distância (aproximadamente, 6m), pelo menos durante 20 segundos. Pesquisas científicas demonstraram que pequenas quebras regulares relativas à distância de observação melhoram a eficiência do trabalho e compensam o tempo perdido nestes intervalos. (8)

Deve-se, ainda, verificar cuidadosamente a iluminação da sala e do ecrã, incluindo brilho, contraste, reflexões e possíveis poeiras sobre a superfície do ecrã. Por exemplo, sugere-se que qualquer fonte luminosa dentro do campo de visão do usuário do computador não deve exceder três vezes a luminância média do ecrã. (12)

O filtro antirreflexo pode não reduzir os sintomas de astenopia. No entanto, foi mostrado que reduz o brilho e melhora o contraste do ecrã, representando um meio eficaz para eliminar reflexos e, portanto, melhorar o conforto visual. (27)

Além disso, para aqueles que precisam de correção ótica, é importante ser seguido regularmente por um profissional de saúde ocular e ter bons óculos ou lentes de contato para corrigir problemas visuais. Por vezes, mesmo os mais pequenos problemas oculares não corrigidos causam fadiga ocular substancial, devido à natureza do trabalho de computador longo, intenso e exigente. (8,12)

Para os usuários de computadores ocupacionais que precisam usar computadores por mais de 3 horas por dia, a massagem quente da pálpebra todos os dias é importante. Usuários de computador podem colocar uma toalha quente sobre os olhos fechados e, em primeiro lugar, massajar suavemente a pálpebra superior contra o osso da testa por 10s e, em seguida, massajar suavemente a pálpebra inferior contra o osso inferior por outros 10s. Esta simples massagem irá estimular as glândulas lacrimais, aumentar a circulação sanguínea dentro dos olhos e diminuir o risco de desenvolver olhos secos. (12)

Tabela 1 - Bons hábitos a adotar

Uma extensa pesquisa sobre prevenção nesta área tem sido feita quer em ergonomia visual desde a década de 1980, quer em optometria desde a década de 1990. Organizações profissionais como a American Optometric Association têm vindo a conduzir campanhas de sensibilização pública sobre CVS desde 1995. Contudo, uma questão que se pode fazer é: porque é que o CVS, que está identificado como sendo uma epidemia amplamente disseminada, continua a ser praticamente desconhecido para usuários de computadores profissionais e comuns? A resposta a esta questão permitirá ajudar milhões de usuários de computador a obter conhecimento sobre CVS e desenvolver comportamentos saudáveis para o uso de computadores. (12)

O objetivo deste trabalho é identificar os hábitos associados ao uso de novas tecnologias, ou seja, identificar quais os piores hábitos adotados e quais os sintomas mais frequentemente relatados numa população de adolescentes e jovens adultos. Pretende-se também averiguar se existem diferenças entre géneros, nos comportamentos adotados, face ao uso destas tecnologias e na sintomatologia relatada. Tenciona-se ainda relacionar sinais e sintomas visuais com os hábitos adotados durante o uso de tecnologias digitais e averiguar se existe associação entre hábitos adotados e alterações visuais.

É necessário ter

em atenção: Distância de trabalho

Ângulo de visão

Uso de lubrificantes oculares

Treino para aumentar a taxa de pestanejo Mudanças na humidade ambiental

Hidratação

Redireccionamento do aquecimento e ar condicionado Pausas periódicas

Iluminação adequada Revisões periódicas Massagens pálpebrais

Capítulo 3 – Metodologia

3.1 Desenho do estudo

Este estudo foi dirigido a estudantes do 2º e do 3º ciclo do Ensino Básico de uma escola da região e a estudantes do Ensino Superior. A metodologia do trabalho seguiu um protocolo de investigação aprovado em comissão de ética. O parecer positivo pode ser consultado nos anexos I e II.

O desenho prático deste trabalho teve por base ações de rastreio visual, nas quais se recolheram dados relativos a sinais e sintomas visuais, bem como relativos a hábitos adotados durante o uso de tecnologias digitais, em estudantes, adolescentes e jovens adultos. A ficha de registo de dados tal como o inquérito de sintomas e de hábitos encontram-se em anexo III. Todos os testes optométricos realizados foram efetuados em espaço aberto, recorrendo a equipamento portátil.

As ações de rastreio dinamizadas foram realizadas em ambiente escolar, dentro de uma sala de aula previamente preparada para o efeito, para se garantirem as condições necessárias em termos de distâncias e iluminação para os testes optométricos realizados.

Numa primeira fase, efetuou-se o rastreio na escola do ensino básico. Este rastreio, de foro optométrico, foi desenhado para sinalizar suspeitas das principais alterações oculares que se esperam encontrar entre os pré-adolescentes e adolescentes. O protocolo estabelecido foi concebido para ser um procedimento económico, pouco invasivo e rápido, para ser dinamizado em ambiente escolar. Aplicaram-se testes visuais em campo aberto, de modo a sinalizar potenciais erros refrativos mal compensados ou por compensar, bem como disfunções binoculares e acomodativas. Os dados foram recolhidos no mês de outubro de 2016.

Numa segunda fase, efetuou-se o mesmo rastreio, mas desta vez, com estudantes universitários. Esta ação decorreu durante os meses de fevereiro e março de 2017.

3.2 População

3.2.1 Recrutamento de voluntários

A recolha de dados relativos a adolescentes foi efetuada numa escola pública do ensino básico, do concelho da Covilhã. Todos os estudantes dos 6º e 7º anos dessa escola foram convidados a participar. Participaram os alunos que aceitaram fazê-lo e cujos encarregados de educação autorizaram, por escrito, a sua participação no estudo. O modelo de consentimento informado

utilizado e validado em comissão de ética, pode ser consultado no anexo IV. Participaram 95 alunos.

No que respeita a dados relativos a adultos jovens, foram recrutados voluntários que frequentavam o ensino superior, na Universidade da Beira Interior. Todos os participantes deram o seu consentimento, por escrito, para a participação no estudo. O modelo de consentimento informado pode ser consultado no anexo V.

Foi estabelecido como critério de exclusão, neste estudo, alunos com necessidades educativas especiais (indicação fornecida pela direção da escola, ou verbalizada pelo estudante, no caso do ensino superior); alunos com má colaboração na ação de rastreio, onde não se obtiveram resultados fiáveis nos testes optométricos; alunos portadores de patologia com efeitos oculares, tais como a diabetes, ou história de doença ocular, como catarata, herpes de zoster, etc; alunos sem visão binocular, revelando reduzida esteriopsia (>200’’arco) ou presença de tropia constante ao perto, dado que muitos dos efeitos esperados podem ser semelhantes aos associados ao uso excessivo de novas tecnologias.

3.2.2 Caracterização da amostra

O número de participantes constituiu uma amostra total de 285 alunos. Esta amostra foi estratificada em dois grupos, a amostra do ensino básico (adolescentes), a amostra do ensino universitário (jovens adultos).

O tamanho da amostra que representa os adolescentes é de 95 estudantes, com uma média de idades de 11,83±0,82 anos. Participaram 58 alunos do 6º ano (61,1%) e 37 alunos do 7ºano (38,9%), sendo que 52 voluntários eram do género masculino (54,7%) e 43 do género feminino (45,3%).

O tamanho da amostra que representa os adultos jovens é de 190 estudantes, com uma média de idades de 22,02±3,35 anos. Participaram 101 alunos do curso de Optometria e Ciências da Visão (53,2%), 2 de Engenharia Eletromecânica (1,1%), 2 de Ciências da Cultura (1,1%), 4 de Biotecnologia (2,1%), 14 de Engenharia Informática (7,4%), 2 de Ciências Farmacêuticas (1,1%), 7 de Ciências da Comunicação (3,7%), 1 de Psicologia (0,5%), 2 de Design Industrial (1,1%), 24 de Engenharia Aeronáutica (12,6%), 2 de Estudos Portugueses e Espanhóis (1,1%), 8 de Cinema (4,2%), 6 de Ciências Biomédicas (3,2%), 1 de Gestão (0,5%), 4 de Ciências Políticas e Relações Internacionais (2,1%), 8 de Design de Multimédia (4,2%) e 2 de Ciências dos Desporto (1,1%). Dos voluntários, 63 eram do género masculino (33,2%) e 127 do género feminino (66,8%).

Tabela 2 - Tabela resumo da amostra estudada

Grupo Tamanho da

amostra (N)

Frequência (%) Idade (média

e desvio padrão) Feminino (%) Masculino (%) Total 285 100 18,67±5,54 anos 59,6 40,4 Adolescentes 95 33,33 11,83±0,82 anos 45,3 54,7 Jovens adultos 190 66,67 22,02±3,35 anos 66,8 33,2

3.3 Material e procedimentos

3.3.1. Material

Tanto nos rastreios realizados na Escola Básica como nos realizados na Universidade, foram utilizados equipamentos simples e portáteis que permitiram inferir sobre os principais parâmetros visuais, descritos na literatura, como os que mais são afetados pelo uso excessivo de novas tecnologias.

O material utilizado foi diversificado, de modo a permitir a realização dos testes necessários, permitindo uma avaliação do estado refrativo, do estado binocular e do estado acomodativo.

Na tabela 3, encontra-se a função que foi estudada com o respetivo material utilizado. Tabela 3 - Função visual estudada e respetivo material utilizado

Função estudada Dado a registar Equipamento utilizado

Anamnese Sintomas

Hábitos

Questionário

Estado Refrativo Refração habitual Acuidade visual de longe

Frontofocometro digital (Huvitz) Carta ETDRS;

Oclusor; Furo estenopeico

Visão Binocular

Cover Teste (longe e perto); Ponto próximo de convergência

Flexibilidade de vergência

Barra de prismas Carta de perto

Ponto de fixação com letras 20/40 Régua RAF

Oclusor Flipper 3ΔBI / 12ΔBO

Estado Acomodativo

Ponto próximo de acomodação Flexibilidade acomodativa

binocular

Régua RAF Oclusor Flipper +2,00D / -2,00D Ponto de fixação com letras 20/40

3.3.2 Procedimentos

Foram organizadas várias estações de trabalho, de modo a ajudar na rapidez e eficiência do rastreio. O organograma desta montagem encontra-se esquematizado na figura 1.

Figura 1 – Organograma com as estações de trabalho do rastreio optométrico.

1ª estação

•Anamnese: inferida sob a forma de questionário. Tópicos: sintomas visuais e hábitos.

•Frontofocometro digital: Sempre que o voluntário se apresentou com óculos. •Observação externa: inferida por observação de sinais físicos. Tópicos: questões

posturais; questões oculares e questões comportamentais.

2ª estação

•Medição da Acuidade visual habitual de longe: Avaliou-se primeiro a AV do olho direito e, depois, a do olho esquerdo.

•Medição do desalinhamento ocular de longe e ao perto: Cover teste Unilateral; Cover Test Alternante

3ª estação

•Medição do ponto próximo de convergência (PPC): colocou-se o push-up com o estímulo acomodativo (ponto) à distância de 40cm. Aproximou-se lentamente o estímulo dos seus olhos até romper a visão binocular. Afastou-se lentamente o estímulo até voltar a ver apenas uma imagem.

•Medição da Flexibilidade Vergêncial:Flipper com 3ΔBI à frente do olho direito do estudante, com ambos os olhos abertos, ao atingir visão única, rodava-se para o prisma 12ΔBO. Repetir durante 1min.

4ª estação

•Verificação da acuidade visual de perto monocular: 0,2logMAr à distância de 40cm com o OD e com o OE

•Medição da amplitude de acomodação binocular: Com a régua RAF, solicitou-se que fixasse a linha de letras indicada. Aproximar até que a linha de letras desfoque.

•Medição da flexibilidade acomodativa binocular: carta de AV MNREAD com letras 0,3logMAR a uma distância de 40cm. Rodou-se o flipper com lentes de ±2.00D sempre que o estudante afirmava ver nítido, durante 1min.

Segundo os resultados do rastreio, os estudantes foram classificados quanto ao estado da função visual, segundo os critérios: os estudantes que falhavam no teste de acuidade visual com algum dos olhos (AV<90VAR) foram considerados como tendo problemas refrativos; os estudantes que falhavam em pelo menos 2 testes binoculares (CT, PPC ou FV) e estavam compensados em termos refrativos, foram considerados como tendo problemas binoculares; todos os estudantes que falharam nos testes acomodativos (AA binocular e FAB) e estavam compensados em termos refrativos, foram considerados como tento problemas acomodativos.

Para avaliar se os estudantes falhavam nos testes, foram estabelecidas normas conforme estudado na literatura já existente: para falharem no CT ao perto, este teria de ser maior que 2∆endoforia ou maior que 4∆exoforia; para falharem no PPC, este teria de ter um valor inferior a 10cm no ponto de rotura; para a FV estar fora dos parâmetros normais, teria de ser inferior a 8cpm; a AA binocular seria considerada como fora da norma se fosse menor que 10D; considerou-se falha no FAB quando este era menor ou igual a 4cpm.

3.4 Tratamento de dados

Para o tratamento de dados, foi criada uma folha em Excel com todos os dados retirados do rastreio e do questionário das duas populações e, posteriormente, foram passados os dados relevantes no nosso estudo para o programa SPSS, para análise estatística.

Capítulo 4 – Resultados

4.1 Sintomas

Tendo em conta a literatura, partiu-se do princípio que existe correlação entre os hábitos visuo-posturais dos estudantes e os seus sintomas visuais. Como tal, pediu-se a cada um dos voluntários que assinalasse quais os sintomas que já experimentou ao utilizar dispositivos digitais, qual o que incomoda mais e após quanto tempo de utilização de dispositivos digitais começa a sentir os sintomas referidos.

Os sintomas questionados foram os mais referenciados na literatura: dores de cabeça (S1), dor nos olhos (S2), ardor nos olhos (S3), olhos vermelhos (S4), lacrimejo excessivo (S5), comichão nos olhos (S6), pálpebras pesadas (S7), visão desfocada (S8), visão dupla (S9), areia nos olhos (S10) e intolerância à luz (S11).

Em relação à pergunta “Quando usas ou depois de usares dispositivos digitais, já experimentaste algum destes sintomas?”, os sintomas mais frequentemente reportados foram as dores de cabeça seguindo-se a dor nos olhos, visão desfocada, ardor e comicham nos olhos, tal como se pode verificar na figura 2.

Figura 2 - Frequência de sintomas visuais associados ao uso de dispositivos digitais, reportados pela população inquirida

No que respeita aos sintomas reportados pelos voluntários deste trabalho como sendo aquele que mais incomoda, verificou-se que foi a dor de cabeça, seguindo-se o ardor nos olhos e a visão desfocada. Outros sintomas também foram assinalados, mas em menor número de voluntários. A figura 3 permite visualizar os sintomas mais incómodos para a população inquirida.

Figura 3 - Sintoma mais incómodo referido pela população inquirida

Ainda no que concerne a sintomas, também se inquiriram os voluntários quanto ao tempo decorrido desde que se inicia a utilização do dispositivo digital até surgirem os sintomas. Verificou- se que cerca de 50% dos voluntários referem que os sintomas surgem após 3 horas de uso das tecnologias. Contudo, assinale-se que 12% dos inquiridos relatam ter sintomas em menos de meia hora. Os dados relativos a esta análise podem ser observados no gráfico da figura 4.

Figura 4 - Tempo que os estudantes demoram a ficar sintomáticos

4.1.1 Segundo a faixa etária

A frequência de sintomas visuais associados ao uso de computadores são as mesmas entre os dois grupos de estudantes (adolescentes e jovens adultos), embora a dor de cabeça, dor e ardor nos olhos, pálpebras pesas e visão desfocada, sejam mais sentidos nos jovens adultos do que nos adolescentes. Já os sintomas de olhos vermelhos, comichão nos olhos e intolerância à luz são menos sentidos nos jovens adultos e mais sentidos nos adolescentes. O gráfico da figura 5 permite visualizar a frequência dos sintomas nas duas populações estudadas.

Figura 5 - Frequência de sintomas visuais associados ao uso de dispositivos digitais, reportados pelas duas populações individualmente

No entanto, para comparação das frequências de cada sintoma entre jovens adultos e adolescentes e concluir se as diferenças visualizadas entre as duas populações são estatisticamente significativas, recorreu-se ao teste do Qui-quadrado de independência implementado no software de análise estatística SPSS. Os resultados encontram-se na tabela 4.

Tabela 4 - Frequência de cada sintoma entre as duas populações e analise comparativa segundo o teste do qui-quadrado. Sintoma Universidade (%) Ensino básico (%) Estatística do teste p-value S1 63,2 47,3 6,434 0,015* S2 37,9 24,7 4,852 0,032* S3 35,8 12,9 16,128 0,000** S4 20 23,6 0,500 0,536 S5 14,2 23,6 3,891 0,065 S6 25,3 32,2 1,530 0,257 S7 21 15 1,455 0,265 S8 33,7 25,8 1,808 0,219 S9 11,6 14,4 0,332 0,569 S10 6,8 5,4 0,225 0,797 S11 15,8 20,4 0,939 0,403 Sem sintomas 8,4 24,7 13,97 0,000**

*significativo para nível 0,05; **significativo para nível 0,01

Verifica-se que a proporção de sujeitos com queixas de dores de cabeça (S1), dores nos olhos (S2) e ardor nos olhos (S3) são estatisticamente diferentes entre as duas populações estudadas e que a frequência de ocorrência destes sintomas é superior entre os estudantes universitários. Para os restantes sintomas, as diferenças observadas não são estatisticamente significativas. Relativamente aos sujeitos sem sintomas, encontrou-se uma diferença significativa constatando-se que os jovens adultos são mais sintomáticos que os adolescentes.

Uma observação comparativa entre as duas populações estudadas em relação ao sintoma mais incómodo mostra que a dor de cabeça é também o sintoma mais referido. Contudo, a sinalização dos restantes sintomas apresenta uma taxa ligeira ente diferente entre os dois grupos de estudante, tal como se pode observar nos gráficos da figura 6.

Figura 6 - Sintoma mais incómodo reportado pelas duas populações individualmente

Na questão relativa ao tempo decorrido desde que se inicia a utilização do dispositivo digital até surgirem os sintomas, as respostas dos adolescentes e dos jovens adultos mostraram resultados algo diferentes. A percentagem de adolescentes que sente sintomas durante a primeira meia hora de uso de novas tecnologias é mais do dobro da percentagem de adultos jovens que relatam o mesmo acontecimento. A maioria dos universitários relata o aparecimento de sintomas passadas 3 horas a usar dispositivos digitais, mas os adolescentes queixam-se mais cedo. A figura 7 apresenta a frequência de respostas, em cada um dos grupos estudados, quanto ao tempo decorrido entre o início da utilização de dispositivos digitais e o surgimento dos sintomas visuais.

Figura 7 - Tempo que os estudantes demoram a ficar sintomáticos, analisando as populações individualmente

4.1.2 Segundo o género

Segundo a figura 8, a grande maioria dos sintomas é assinalado mais frequentemente pelo género feminino que pelo género masculino, excluindo a dor nos olhos, os olhos vermelhos e o lacrimejo excessivo.

Figura 8 - Frequência de sintomas assinalados tendo em conta o género sexual, no total da população.

Para verificar se existe diferenças estatisticamente significativas entre os géneros e a presença de sintomas visuais, aplicou-se o teste de Qui-quadrado. Os resultados encontram-se na tabela 5.

Tabela 5 - Estudo das diferenças entre género sexual e sintomas visuais, utilizando o teste de qui- quadrado.

Total Ensino Básico Ensino Universitário

Estatística do teste Nível de significância (p-value) Estatística do teste Nível de significância (p-value) Estatística do teste Nível de significância (p-value) Sint om as S1 3,920 0,048* 4,582 0,032* 0,064 0,801 S2 0,035 0,851 1,592 0,207 2,652 0,103 S3 1,294 0,255 2,573 0,109 0,218 0,641 S4 2,052 0,152 3,723 0,054 0,024 0,878 S5 0,163 0,686 0,001 0,975 0,000 0,983 S6 0,013 0,909 1,194 0,274 0,148 0,701 S7 4,338 0,037* 10,944 0,001** 0,010 0,921 S8 8,986 0,003** 6,041 0,014* 2,898 0,089

S10 0,016 0,901 2,590 0,108 1,063 0,302

S11 1,434 0,231 5,216 0,022* 0,000 0,982

Score 13,255 0,210 15,698 0,109 11,861 0,221

*significativo para nível 0,05; **significativo para nível 0,01

No total da população, encontraram-se diferenças estatisticamente significativas entre os géneros, na frequência de ocorrência dos sintomas: dores de cabeça (p=0,048), pálpebras pesadas

(p=0,037) e visão desfocada (p=0,003). Estes três sintomas são mais referidos pelo género feminino

que pelo género masculino.

No ensino universitário não se verificaram diferenças entre o género e nenhum dos sintomas assinalados. Assim, concluímos que os vários sintomas questionados ocorrem com frequência idêntica entre rapazes e raparigas, na população de estudantes universitários.

No ensino básico, encontraram-se diferenças estatisticamente significativas entre géneros na frequência de ocorrência dos sintomas: dores de cabeça (p=0,032), pálpebras pesadas (p=0,001), visão desfocada (p=0,014) e fotofobia (p=0,022). Todos estes sintomas são mais referidos pelo género feminino que pelo género masculino.