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Elliot, T. S.: O % H ; tradução e notas de Ivan Junqueira, 1ª edição especial, Rio de Janeiro; Nova fronteira; 2006, p. 207.

Tomando como base a conferência XXVII – “Transferência” (Freud, 1916017) podemos definir transferência como a atualização e a repetição de relações conflituosas passadas na relação paciente/analista. No mesmo texto é Freud quem diz: “...suspeitamos que toda a presteza com que esses sentimentos se manifestam deriva de algum outro lugar, que eles já estavam preparados no paciente e, com a oportunidade ensejada pelo tratamento analítico, são transferidos para a pessoa do médico...”149

Em seu artigo de 1955 intitulado N Q $ , , Winnicott aponta para o fato de que a teoria freudiana sobre os estágios primitivos do desenvolvimento emocional foi formulada em um momento em que a teoria psicanalítica era aplicada exclusivamente no tratamento de casos neuróticos. Ou seja, eram pacientes cujas necessidades básicas haviam sido atendidas: “Esta adaptação suficientemente boa à necessidade no início da vida havia possibilitado que o ego individual viesse a ser, com o resultado que os estágios primitivos do estabelecimento do ego poderiam ser tomados como garantidos pelo terapeuta”.150A contribuição de Winnicott se faz ao incluir um modo distinto de transferência, ao contemplar aqueles cuja adaptação às necessidades iniciais não foram atendidas: pacientes de tipo psicótico e :

Este trabalho amplia o conceito de transferência já que, no momento da análise destas fases, o ego do paciente não pode ser presumido como uma entidade estabelecida e não pode haver neurose de transferência para a qual, certamente, deve haver um ego e, sem dúvida, um ego intacto.151

Ao inserir a variável supracitada na questão da transferência, Winnicott inclui nela uma dimensão extremamente cara a ele: a do desenvolvimento. Ao presumir estágios que se sucedem no desenvolvimento e amadurecimento humano Winnicott coloca no centro de sua teoria a temática do tempo. Nas palavras de Safra:

149

Freud, S.: A , 0 , Volume XVI, Ed. imago, Rio de Janeiro p. 515. 150 Winnicott, D. W.: A %# # 7 # 7 1955, p. 295. 151 Winnicott, D. W.: , 1955, p. 296.

“A human being is a time0sample of human nature". É com esta frase que Winnicott inicia o primeiro capítulo de seu livro Human Nature (1988). Temos aqui um olhar que aborda o ser humano a partir da dimensão temporal. A singularização do homem é um fenômeno de temporalização. É no tempo e com o tempo que se dá o acontecer do homem. Enquanto nas teorias psicanalíticas anteriores a análise privilegiava o conteúdo de um psiquismo existente, na perspectiva winnicottiana o acontecer humano no tempo será o ponto de vista fundamental.152

Safra, em seu artigo + $ 5 enfatiza o aspecto temporal como o elemento central da clínica winnicottiana. Faz isto utilizando0se do jogo da espátula de Winnicott presente no artigo intitulado: %# ; H H (1941). Para Safra, este jogo utilizado nas consultas pediátricas com bebês, pode ser compreendido como o paradigma central da clinica Winnicottiana:

Os princípios da clínica winnicottiana, que encontraremos desenvolvidos, mais amplamente, ao longo de seus textos, de alguma forma, já estão presentes no artigo citado. Esta mesma matriz é reencontrada nas consultas terapêuticas, na psicanálise segundo a demanda, na maneira como Winnicott conduzia as sessões do processo analítico.153

A partir de observação de bebês e mães em situação estabelecida, Winnicott pôde observar um certo padrão de comportamento de bebês em relação à espátula que utilizava e sobre a temporalidade do sujeito. Num primeiro momento denominado “período de hesitação” o bebê apenas observava a espátula apesar de parecer interessado nela. No momento seguinte, se o bebê não tivesse sido invadido pela mãe ou pelo médico, a hesitação era superada. O bebê podia agora brincar ou realizar algum jogo com a espátula. Em seguida o bebê se desinteressava pela espátula e iniciava um jogo de se livrar dela: “A espera de Winnicott nessa observação, mostra0nos a importância da presença do analista intervindo com a sustentação da situação clínica no tempo, dando as condições para o aparecimento do gesto criativo do paciente.”154 Quando o bebê se livrava da espátula, Winnicott

sabia que poderia terminar a consulta, pois a criança estava pronta para ir embora:

152

Safra, G.: + $ 5 , Nat. hum. v.1 n.1 São Paulo jun. 1999.

153

Safra, G.: o ., 1999.

154

Ela já havia tido uma experiência completa. Segundo Winnicott, a experiência completa dava ao bebê o que ele denominou de lição de objeto. Desse modo, o fato de a criança querer, tomar e apropriar0se da espátula sem alterar o meio ambiente imediato situava0a de maneira distinta em seu sentido de self. Havia ocorrido uma experiência que a tinha transformado.155

Tendo em vista esta perspectiva que Safra nos aponta, em que coloca a questão da temporalidade como fundamental na clínica, como pensar a transferência? Se o ser humano é uma amostra temporal da natureza humana e considerando os dois modos distintos de transferência, como proposto por Winnicott, não teria o tipo de transferência alguma relação com o tempo? Ou no mínimo algo a dizer sobre ele? Considerando o acontecer no tempo, poderíamos pensar que o tipo de transferência que o paciente irá estabelecer com o analista diz algo sobre o seu próprio tempo. Sobre seu acontecer no tempo. Em suma, sobre sua temporalização. A temporalização do sujeito contém sua história, sua memória. A transferência é o deslocamento desta história para a figura do analista. Portanto, a transferência é temporal. O tipo de transferência estabelecido decorre de dois modos de temporalização distintos, mas que podem ser concomitantes.

Winnicott, ao introduzir o ambiente como elemento fundamental para a compreensão de patologias, nos abre dois caminhos. O primeiro diz respeito à importância do ambiente no desenvolvimento do ser humano, e o segundo se refere à possibilidade reparadora do ambiente em casos de fracasso ambiental anterior. Na transferência há memória das falhas assim como existe a dimensão do que o sujeito não viveu, revelando a falta de algo que era constitutivo. Deste modo, a transferência que o paciente tem em relação ao analista está centrada na promessa do analista ser um novo ambiente capaz de reparar as falhas anteriores. Está implicado na temporalidade do sujeito. O tipo de transferência fala da experiência que o paciente precisa viver. Se as falhas ocorreram num momento inicial da vida do sujeito algumas experiências constitutivas não foram integradas. Nas palavras de Winnicott: “uma das dificuldades da técnica psicanalítica é saber, a cada momento, a idade do paciente na relação transferencial.”156

155

Safra, G.: ., 1999.

156

Winnicott, D. W.: %# # 7 # + 7 . Basic Books; New York, 1975, p. 181. Tradução da autora.

O tipo de transferência estabelecida dirá ao analista se o paciente está num “tempo subjetivo” ou num “tempo objetivo”. O “tempo subjetivo” se refere ao tipo de relação objetal característica do início da vida. Uma relação objetal marcada pela subjetividade, em que o objeto é subjetivo e assim deve ser. É por isso que a mãe protege o bebê de descobrir, precocemente, sua alteridade, garantindo, portanto, a possibilidade do bebê ser no tempo. As falhas, vividas como rupturas pelo bebê, levariam neste “tempo subjetivo” aos quadros psicóticos, já que o não estaria suficientemente integrado e a continuidade não foi estabelecida. As falhas do “tempo objetivo” seriam referentes ao período em que o objeto deixa de ser subjetivo e passa a ser objetivamente percebido. Neste momento de processos secundários, as falhas levariam à quadros neuróticos variados, dependendo do momento em que ocorreram.157 Sabemos, com Winnicott, que nada é garantido no processo de desenvolvimento. As conquistas anteriores podem ser perdidas ao longo do processo de amadurecimento. Por isto, estas duas temporalidades (e transferências), referentes à períodos distintos, são uma possibilidade para qualquer sujeito, e de qualquer patologia, seja ela psicótica ou neurótica. O analista atento à dimensão temporal presente nos dois modos de transferência e consciente de que este modos não são incompatíveis poderá lidar melhor com as necessidades do paciente. Transferencialmente isto aparece como uma necessidade de viver com a figura do analista algo que não foi vivido no momento adequado e que impediu o bom desenvolvimento de fases seguintes: “ Ao cuidar de crianças, ou realizar um psicoterapia, é necessário estarmos sempre atentos à idade emocional do momento, de modo a podermos fornecer o ambiente emocional adequado.”158É aqui que se dá a regressão. O paciente precisa viver . Nas palavras de Winnicott:

enquanto na neurose de transferência o passado entra no consultório, neste trabalho (lidando com a transferência psicótica) é mais verdade dizer que o presente volta ao passado e é o passado.159

157

Mas, infelizmente, não temos tempo para aprofundar este tópico. Winnicott, D. W.: , 1990, p. 179.

159

Este é o sentido da regressão: um tempo regredido. Ou seja, um tempo vivido sob o modo de relação objetal característico do início da vida. É como se o paciente dissesse ao terapeuta: “preciso me relacionar com você de uma maneira muito primitiva ”. Geralmente esta “pergunta” é seguida de: “você aguenta?” – aqui o paciente testa a fidedignidade do terapeuta. Este temor à regressão revela a consciência dos riscos envolvidos. Durante este período, devido à fragilidade egoica do paciente, as interpretações devem ser mais cuidadosas e o manejo clínico se torna prevalecente. Quando a regressão é uma possibilidade para o paciente, o manejo por parte do terapeuta se torna fundamental. Na regressão ele não mais representa uma figura substitutiva ao paciente, ele é esta figura de fato. A dependência é máxima e há um risco grande envolvido já que o paciente se encontra absolutamente regredido e frágil. Mas nem sempre estas modalidades transferenciais são passíveis de serem discernidas por um simples diagnóstico. É comum compreenderem a contribuição de Winnicott como uma ampliação do conceito de transferência para o manejo transferencial em casos psicóticos, ficando assim o modelo interpretativo inalterado nos casos neuróticos. Mas isto não é verdade, já que muitas vezes o paciente oscila entre uma e outra forma de transferência, o que requer do analista uma sensibilidade para estes dois modos transferenciais. Entendemos que qualquer paciente, independentemente do diagnóstico, poderá estabelecer os dois modos transferenciais ao longo na análise.160 E, inclusive, ao mesmo tempo. Um tipo de transferência poderá prevalecer durante um certo período, mas a outra pode estar presente de maneira mais resguardada. “Por isso, em uma pessoa de qualquer idade, pode0se encontrar todos os tipos de necessidades, das mais primitivas às mais tardias. As pessoas não tem exatamente sua idade; em alguma medida, “elas têm todas as idades, ou nenhuma.”161

160

Naffah, A.: As funções da interpretação psicanalítica em diferentes modalidades de transferências contribuições de D.W. Winnicott, Jornal de psicanálise, São Paulo, v. 43 (78),1022, 2010.

161

CONSIDERAÇÕES FINAIS

*N

# U.LB

Na obra de Winnicott a criatividade individual recebe notável destaque, com este presente trabalho pretendemos destacar a importância da temporalidade ao longo do processo de amadurecimento humano e apontar para o aspecto temporal que está subjacente à vida criativa. Sabemos que a vida criativa, na acepção winnicottiana, é aquela que merece ser vivida, neste sentido, é também, aquela que carrega e confere sentido à própria existência. Toda expressão criativa humana encontra sua raiz nos primórdios da relação mãe0bebê, nesta especial relação o gesto espontâneo pode ser encontrado por uma mãe que espera por ele.

Ao longo do trabalho destacamos os aspectos temporais da função materna que possibilitam a temporalização do bebê. Entre eles destacamos: a capacidade da mãe esperar; a capacidade de deixar seu bebê demorar na experiência; a capacidade de ser uma presença viva e a previsibilidade dos cuidados maternos. Em todos estes aspectos a mãe respeita o ritmo inicial de seu bebê – só assim o tempo (para o bebê) poderá ser “vivo”, criativo e próprio.

Tendo em vista os capítulos anteriores em que discutimos a criação e o estabelecimento da continuidade do tempo subjetivo, transicional e objetivo, gostaríamos de concluir este trabalho evidenciando aspectos da clínica winnicottiana, nas palavras de Dias: “creio ser oportuno notar que estas questões muito básicas, relativas à constituição do tempo, servem para nortear o analista na sua tarefa terapêutica.”163 Este trecho é importante pois evidencia o fato de que as questões relativas à constituição do tempo auxiliam o analista em sua tarefa, já que revelam algo sobre experiências primitivas na vida do sujeito: “de modo a podermos fornecer cuidado concernente à necessidade específica que ele apresenta e que

162

1 = 5 4 U+ ; U # 4 UH 1 -

163

varia segundo a idade emocional em que se encontra.” 164 A idade emocional do paciente será mais reveladora ao analista, sobre seu processo de amadurecimento, do que a idade cronológica. Como vimos anteriormente, todos os pacientes tem todas as idades ou nenhuma. Todas as idades pois não há linearidade no processo de amadurecimento e nem do tempo.

A partir de nossas leituras percebemos que os comentadores de Winnicott mais utilizados neste trabalho, Safra e Dias, concordam sobre a importância do tempo na situação clínica. Para Dias o cuidado principal do analista deve se pautar pela necessidade do paciente e evitar acontecimentos abruptos, para garantir a previsibilidade dos acontecimentos:

Seja qual for a problemática que lidamos, não se pode terminar a sessão repentinamente, contando com o fato de o paciente ter um lado adulto, e de o horário ter sido combinado. Muitas vezes, em especial numa fase de regressão à dependência, a pessoa não está em contato com o tempo objetivo. [.. ]. É preciso ajudar o paciente, sinalizando com algum movimento, algum gesto, que a sessão está por terminar.165

Como vimos anteriormente Safra enfatiza o aspecto temporal como o elemento central da clínica winnicottiana. Utilizando o jogo da espátula como seu paradigma central, Safra destaca alguns elementos como fundamentais: o período de hesitação, o período de encontro propriamente dito com o uso da situação analítica e o período de finalização. A finalização deve estar submetida ao gesto do paciente e não ao tempo do relógio. A sessão deverá ter começo, meio e fim, sempre respeitando a temporalidade do paciente:

A sessão necessita de um começo, um meio e um fim, este é o ciclo da existência humana. Ele determina a condução das sessões e de todo o processo analítico. É por esta razão que a sessão analítica winnicottiana não tem uma duração convencional. Ela transcorrerá ao longo do tempo necessário, para que seja possível dar0se conta das questões com as quais se está trabalhando naquele período da análise. Assim como a espátula em um determinado momento da consulta é jogada fora, também será

Dias, E. O.: ., 2003, p. 103. Dias, E. O.: ., 2003, p. 202.

necessário que o paciente tenha caminhado o suficiente em sua sessão de análise para que possa se livrar do analista no final da hora.166

Percebemos que a poposta de Safra é de que o tempo da análise seja guiado pelo tempo subjetivo do paciente, enquanto que Dias aponta, também, para a importância do analista assumir o papel daquele que toma conta do tempo: “... a capacidade do analista encerrar a sessão dentro do combinado fornece segurança, [...], por encarregar0se de manter contato com a realidade externa, libera o paciente para ir constituindo seu mundo subjetivo.”167 Seja como for, acreditamos que ambos concordariam com a seguinte constatação: “É pelo manejo do tempo que será possível, para Winnicott, exercer a psicanálise.”168 Talvez por isto, para alguns, Winnicott é considerado o psicanalista do tempo.

Ao final deste trabalho percebemos que não conseguimos, como propusemos inicialmente, definir a psicopatologia winnicottiana tendo como parâmetro a noção de temporalização. De todo modo, esperamos ter sido bem sucedidos na tarefa de investigar a temporalidade a partir de Winnicott e seus comentadores, demonstrando a importância da constituição do tempo subjetivo, transicional e objetivo, bem como a fragilidade deste processo na fase de dependência absoluta. Como demonstramos ao longo do trabalho, entendemos este tempo inicial como o tempo da experiência, um tempo em que o bebê precisa se relacionar com objetos subjetivamente percebidos. E aqui, o papel da mãe é crucial, pois é ela que cuida para que a previsibilidade seja mantida e o bebê possa iniciar sua datação no tempo prevendo acontecimentos futuros baseado nos cuidados recebidos no passado – a temporalização inicial garante a continuidade de ser.

Este processo continua ao longo dos fenômenos transicionais, mas aqui, o bebê já pode manter viva a memória da presença da mãe por um tempo. Durante o tempo que puder “guardar a lembrança” da mãe ele poderá se interessar por objetos e, eventualmente, atribuirá a um objeto escolhido um significado especial, “transformando0o”, por conseguinte, em objeto transicional. É importante lembrar que

Safra, G.: . 1999.

Dias, E. O.: ., 2003, p. 203. Safra, G.: ., 1999.

o objeto transicional não tem valor por si só, ele precisa da presença viva da mãe “de tempos em tempos”, para que a memória dos cuidados não se esmaeça. Nomeamos este tempo de tempo transicional.

O tempo objetivo poderá adquirir diferentes significados para o sujeito dependendo do seu modo de temporalização nos tempos anteriores. Se os tempos subjetivo e transicional puderam ser constituídos sem interrupções ou traumas, o sujeito poderá compartilhar do tempo cronológico sem perder contato com o tempo subjetivo. O sujeito vive no mundo e compartilha um sentido comum de tempo – o tempo cronológico – ao mesmo tempo que carrega um tempo próprio, fruto de suas primeiras experiências.

Alguns pacientes que não puderam constituir um tempo próprio, subjetivo, têm a temporalidade do relógio como o único tempo. São pacientes que sofrem tremendamente, pois sentem que não podem “contar com o tempo” ou “não tem tempo”. Aqui não há tempo para a duração, para a continuidade de uma experiência ao longo do tempo, mas, antes, uma incapacidade de se distanciar das solicitações externas ou do tempo cronológico. Por outro lado, existem pacientes que sentem o tempo compartilhado como uma afronta, uma submissão intolerável. São pessoas incapazes de cumprirem prazos ou chegarem no horário dos compromissos. Estes são modos distintos de viver o tempo objetivo baseado nas experiências constitutivas nos estágios anteriores.

Esperamos ter conseguido demonstrar que o tempo, para Winnicott, deve ser “vivo” e próprio. Para não correr o risco de nos tornarmos repetitivos, recolocaríamos da seguinte forma a questão do início do trabalho: ao invés de pensarmos algo como as “patologias do tempo”, nos propomos a lançar um olhar sobre o que seria o “tempo das patologias”. Dito de outra maneira, num próximo trabalho, poderíamos explorar a relação do tempo com cada patologia. Existiria uma diferença entre o modo como um paciente de tipo falso patológico experimenta o tempo e o paciente esquizóide? Quais as implicações destas diferenças para a clínica no tocante às questões ligadas ao tempo e à temporalidade? São estas as perguntas que gostaríamos de nos guiassem na elaboração de um futuro trabalho.

Esperamos, deste modo, ter aberto um pouco o campo para futuras discussões, e, inclusive, para uma próxima pesquisa, tendo em vista que este trabalho foi uma tentativa de trazer um pouco de luz à nebulosa discussão sobre o tempo. Nebulosa pois acreditamos ser difícil discordar da seguinte frase: “Todos nós sabemos o que é tempo – desde que, é claro, ninguém nos faça esta pergunta.”169

169

Gondar, J.: 2 , Revinter; Rio de Janeiro, 1995, introdução. É evidente a alusão feita por Gondar ao célebre excerto de Agostinho contido nas A Q : “O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se quiser explicá0lo a quem me fizer a pergunta, já não sei”. Santo Agostinho: A Q . Editora Universitária São Francisco; Bragança Paulista, 2004; p. 278.

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