4.2.1 Questionários, entrevistas, filmagem e diário de campo
Ao optarmos pela investigação etnográfica de abordagem qualitativa à semelhança do estudo de caso, cuja pesquisa permitiu uma melhor delimitação do campo de ação e uma maior compreensão e interpretação da realidade estudada, escolhemos como instrumento de investigação: a observação direta, cujos dados foram devidamente anotadas no diário de campo; os questionários aplicados junto aos alunos e profissionais envolvidos na coordenação e instrução, além de entrevistas semiestruturadas, as quais serão utilizadas em lócus específico de investigação que segue este capítulo.
Os questionários aplicados, tanto os cinco (5) aplicados junto aos formadores, os quais serão exemplificados no capítulo seguinte, como os aplicados junto aos trinta e quatro (34) alunos, constavam de dez perguntas (abertas e fechadas), cada um (Cf. Apêndice A); onde o total de informantes alcançados por esse instrumento foi de trinta e nove (39) participantes, quantitativo suficientemente representativo para uma pesquisa descritivo- exploratória de abordagem qualitativa.
Quanto às entrevistas (individuais e coletivas), optamos pelo tipo semiestruturada, seguindo a um roteiro previamente elaborado para a condução das conversas com os informantes. As entrevistas coletivas foram realizadas apenas com alguns integrantes da Orquestra, tendo sido devidamente gravadas em MP4, com duração de 1h, onde entrevistamos, além dos formadores, dois dos quatro alunos que receberam bolsas para estudar no exterior e escolhemos, aleatoriamente, cinco alunos para uma entrevista coletiva, o que consolidou um total de onze (11) entrevistas coletivas.
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Outro instrumento utilizado durante as observações realizadas foi a filmagem em câmara digital de alta resolução, além do uso de diário de campo, o qual se constituiu em uma ferramenta muito útil, que foi utilizada durante todo o processo de visitas itinerantes, sobretudo, nas entrevistas coletivas realizadas com alguns participantes da orquestra.
4.2.2 Descrição dos procedimentos da pesquisa: observações, questionários, entrevistas e categorias teóricas
Em nossas andanças pelo Projeto, nos primeiros momentos de nossa observação, à medida que nos familiarizávamos com o ambiente e por ocasião da elaboração do nosso projeto da dissertação, fomos adquirindo elementos que posteriormente foram compondo os questionários e o roteiro das entrevistas, bem como íamos registrando nossas impressões do local e das pessoas no diário de campo. Neste momento, é pertinente o registro de que, em todos os momentos que estivemos em campo sempre contamos com a boa vontade e disposição de todos para realização das entrevistas, de maneira que sempre fomos bem recebidos por todos os que direta ou indiretamente são responsáveis pelo projeto.
Com o fim de recebermos a autorização para realizarmos as observações itinerantes que pretendíamos fazer ao local em pesquisa de campo, conversamos inicialmente com o Presidente e idealizador da Associação Criança Cidadã, o Desembargador Dr. Nildo Nery dos Santos, onde expomos a finalidade de nossa pesquisa, asseguramos seu caráter de ético e explicamos os recursos metodológicos que seriam utilizados, o qual ouviu a nossa proposta com entusiasmo. Assim, após a análise da declaração de matrícula, cedida pela Universidade da Madeira, com o seu visto em cima do próprio documento, concedeu-nos autorização tácita para procedermos à investigação, solicitando ao subgerente para nos dar um kit contendo todo o material de divulgação do Projeto. Cabe registrar que posteriormente nos cedeu a autorização por escrito (cf. Anexo).
Algumas de nossas observações foram sequenciadas, outras tiveram intervalos maiores por conta dos eventos programados na agenda dos integrantes da Orquestra. O maior intervalo foi durante o período de férias, período que aproveitamos para aprofundarmos nossas leituras sobre a trajetória da Orquestra Criança Cidadã, pela mídia, bem como o Método por eles adotado: o Método Suzuki, que é um método japonês de aprendizagem, desenvolvido por Shinichi Suzuki, o qual utilizou a educação musical para enriquecer e
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melhorar a vida de seus estudantes. Direcionado às crianças, ele busca levar à criança a se divertir enquanto aprende, conforme registrado pela ABC musical (2012).
Semelhantemente ao método Suzuki, observamos que os integrantes do projeto também aprendem em momento de descontração, uma vez que este método ensina motivando os alunos, o que é de grande importância, pois,
Além de prazerosas, as aulas e apresentações são oportunidade para que as crianças troquem ideias e aprendam umas com as outras, por meio da observação, audição e, é claro, imitação, porém de forma não competitiva (ILARI, 2011, p. 202).
Assim, ficou claro em nossas observações um clima de descontração e harmonia entre os alunos, onde cada um escolhe um lugar para a prática de seu instrumento musical e o estudo das partituras, enchendo todos os ambientes das mais diversas melodias. Havia alunos espalhados por todo o espaço físico, onde se encontra atualmente a escola, no corredor, em baixo das árvores, próximos ao banheiro, na própria sala do estúdio, na sala de reunião pedagógica, enfim, em vários ambientes escolhidos por eles mesmos. E, ao indagarmos se eles não se confundem uns com o som emitido pelo instrumento do outro, fomos informados pela coordenadora pedagógica, Janaína, em conversa após a entrevista e devidamente anotada em nosso diário de campo, que eles são treinados para se concentrarem no som do seu próprio instrumento, assim eles não se importam com os demais sons emitidos por outros instrumentos.
Quanto aos questionários e às entrevistas, estes nos forneceram um denso material para análise, conforme apresentaremos no capítulo que segue, diante do qual ficou clara a importância destes instrumentos de coleta de dados, pois eles nos possibilitaram um maior conhecimento acerca do trabalho desenvolvido pelo projeto Criança Cidadã Meninos do Coque e das transformações ocorridas nas vidas dos jovens e crianças participantes.
Assim, nas entrevistas com os formadores buscamos obter dados sobre como se deu o início do projeto, de como é feita a seleção dos alunos e qual a idade mínima para se adentrar na Orquestra, de como são organizadas as turmas, da experiência e do trabalho deles junto à Orquestra, das mudanças ocorridas no comportamento dos alunos, entre outros. Já nas entrevistas com alunos participantes da orquestra, as perguntas permearam acerca de como eles entraram no projeto; do sentimento de saírem do país para estudar música no exterior e das dificuldades encontradas (para aqueles que foram estudar fora); das realizações e sonhos;
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do sentimento de fazerem parte da orquestra, dentre outras.
Os questionários aplicados, conforme informado anteriormente, foram divididos em dois grupos:
um que foi aplicado junto aos formadores que trabalham no projeto, o qual continha questões relativas à: características pessoais (dados como: idade, sexo, formação acadêmica) e sobre a atuação no projeto (tempo de trabalho, atividade exercida, razões que os levarão a trabalhar no projeto, atividade junto às crianças e jovens, as mudanças observadas por eles, o método utilizado e a importância da construção da cidadania dos alunos).
E outro junto aos alunos da Orquestra, que também foi dividido em duas partes, a primeira relacionada com dados pessoais destes (sexo, idade, ano escolar) e a segunda sobre o projeto em si (quanto ao tempo, as atividades, aos motivos que os levaram para o projeto, aos instrumentos, as dificuldades, as mudanças ocorridas, os tipos de música que gostam, o sentimento que trazem por fazer parte da Orquestra).
Neste ponto queremos ressaltar que todo o nosso trabalho de pesquisa e observação foram norteados pelos princípios da ética, do respeito ao próximo, da solidariedade e do compromisso com a verdade.
Por fim, quanto às categorias teóricas apresentadas em nosso referencial elas permearam a prática pedagógica e a inovação pedagógica, bem como os movimentos sociais, a construção da cidadania e o ensino da música sob o foco da inovação pedagógica.