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A proposta desta pesquisa visa, além de procurar aderência entre duas temáticas, Parques Tecnológicos e Governança Corporativa, propor um Modelo de Governança Corporativa para Parques Tecnológicos no Brasil, ambientado no contexto de uma sociedade em constante mutação, baseada no conhecimento e na inovação.

A Governança Corporativa está relacionada à estrutura de direi- tos e responsabilidades entre as partes de uma organização (AGUILE- RA et al., 2007, p. 2). Como anteriormente delineado, a efetividade da Governança Corporativa implica a implementação de mecanismos com

vistas a garantir que os agentes – executivos e gestores – atendam e es- tejam alinhados às intenções dos principais (shareholders e acionistas). Da mesma forma, e de acordo com o mesmo autor, estes mecanismos são estabelecidos para garantir que todas as partes atuem com responsabilida- de em respeito à proteção, à geração e à distribuição do investimento na organização, sendo que sua efetividade deve estar baseada em diferentes campos de análise da Governança Corporativa, tanto no monitoramento e no controle do gerenciamento, como na promoção de uma liderança empreendedora e inovadora.

Vedovello (2008, p. 6) indica a importância do desenvolvimento de novas metodologias que possam capturar a relevância e o impacto de um Parque Tecnológico no ambiente no qual ele está inserido, já indicando, à época, a importância do desenvolvimento de Modelos de Governança.

Com estes objetivos, esta pesquisa buscou aprofundar a aborda- gem sobre temas que pudessem criar um arcabouço teórico-científico para a proposição de Modelo de Governança Corporativa em Parques Tecnológicos no Brasil, objetivando seu foco em parques alinhados a ambientes universitários como apoio ao desenvolvimento em CT&I, sustentados pelo conhecimento no estado da arte nos temas interpostos e, principalmente, na avaliação de modelos similares em outros tipos de organizações.

A abordagem inicial, referente a aglomerações e ao contexto da inovação, objetivou acrescentar à pesquisa uma visão complementar para o enquadramento dos Parques Tecnológicos, quanto à sua origem e quan- to ao seu posicionamento. Ao invocar a atualidade da Sociedade do Co- nhecimento e a transposição de uma economia baseada em ativos tangí- veis para outra, baseada em conhecimento – ativo intangível por natureza – buscou-se associar uma nova visão ao pensar estratégico das organiza- ções atuais. No caminho para a caracterização de um Parque Tecnológico como um ‘ambiente inovador’, foram configuradas as dimensões deste sistema organizacional a partir de uma envoltória de conhecimento, ino- vação e gestão. Sistemas Nacionais, Sistemas Locais e aglomerações agu- dizaram a questão da espacialidade onde estas estão inseridas, as ações sinérgicas e os relacionamentos entre os diversos atores. A inovação per- passa estes contextos, tendo maior ou menor relevância face aos objetivos de cada aglomeração, sendo absolutamente indispensável ao contexto dos Parques Tecnológicos, considerado aqui como um tipo peculiar de arranjo organizacional, com conceito e ênfase próprios (ver Quadro 6).

A abrangência desta primeira análise visou robustecer o entorno dos PTs através de organizações supostamente similares, podendo con- ferir experiências a serem verificadas na continuidade deste estudo, quer no âmbito de sua estrutura organizacional – já conhecidas, quer na inves- tigação de seus modelos de governança, praticamente inexistentes dentro da definição abordada anteriormente (ver item 2.3). O ‘recorte’ sugerido nesta pesquisa para caracterizar um PT como uma APL (ou melhor, um “PCT” como uma APL) acabou agregando a conceituação de uma nova aglomeração, ainda mais próxima de um Parque Tecnológico, definido

por um Cluster Intensivo em Pesquisa (Research Intensive Cluster - RIC), cuja complementaridade e sinergia com um PT faz-se praticamente indis- pensável.

Na segunda etapa de análise, buscou-se consolidar e vertebrar o Parque Tecnológico dentro de sua lógica precípua e contemporânea de atuação: organização que apresenta organicidade, ação sinérgica entre seus atores, flexibilidade de adaptação a um entorno cada vez mais dinâ- mico, quer esteja geograficamente próxima ou não, focada na inovação e na agregação de vantagem competitiva aos seus atores. Desta abordagem, emerge a conceituação dos Parques, reconhecida mundialmente como não-consensual. Os fatores-chave de sucesso são apresentados como re- quisitos indispensáveis para viabilizar sua operação, assim como seus

stakeholders (atores) envolvidos. A evolução histórica dos PTs consta-

ta a crescente importância deste ambiente inovador no desenvolvimento econômico e social baseado em conhecimento e inovação e sua potencial sinergia com outras aglomerações. Como novo pressuposto a ser consi- derado para a elaboração de políticas públicas, é apresentada proposta de taxonomia para Parques no Brasil, a partir de estudo de Vedovello (2008), objetivando-se a classificação e a categorização dos termos que envolvem um Parque Tecnológico. São identificados eixos onde a taxonomia está baseada, principalmente segmentando-a em duas vertentes, PTs de Base Científica e Tecnológica (C&T) e PTs de Base Empresarial.

A taxonomia foi objeto de abordagem nesta pesquisa, não somente pela sua relevância na elaboração de políticas públicas, agregando con- ceitos de categorização e hierarquização dos PTs, como também pelo fato de permitir melhor interpretação dos modelos de PTs, dos seus diversos atores, suas atribuições, responsabilidades e competências. A apresen- tação de um Modelo Estrutural para um Parque Tecnológico no Brasil (ver Figura 7) contextualiza os fluxos de informações e relacionamen- tos, proporcionando melhor ambiente para a abordagem da Governança Corporativa, principalmente quando relacionada ao contexto brasileiro. Nestes aspectos, considerar as tendências de políticas públicas nacionais, algumas em curso e outras em fase propositiva, indicando seus objetivos e requisitos, passa a ser importante para a definição de foco de um Parque Tecnológico. Ter um objetivo ou múltiplos objetivos pode determinar o caminho para a formatação de seu Modelo de Governança, pois o alinha- mento de interesses entre principal e agentes (Agency Theory), ou mesmo entre todos os stakeholders, passa por esta precípua definição.

Vedovello, Maculan e Judice (2006, p. 115-116) ressaltam que os PTs devem cumprir as missões e os objetivos para os quais foram adequa- damente formatados e priorizados. Devido à multiplicidade de stakehol-

ders e de objetivos, a mesma fonte sugere carência na delimitação de

metas baseadas em prioridades, concluindo pela complexidade na mo- delagem da gestão para Parques Tecnológicos. É também citado, como requisito para a “equipe de gestão”, que esta tenha “grande flexibilidade e habilidade na manutenção dos apoios institucionais ou políticos”, com vistas a manter a “multiplicidade de parceiros unidos em torno do projeto

e ao mesmo tempo, garantir um delicado equilíbrio entre eles”. A referi- da fonte, ao analisar experiências concretas de Parques Tecnológicos no Brasil, registra a dificuldade de modelar a gestão dentro deste contexto, incluindo a não consideração da existência de “possíveis tensões entre os

stakeholders”. Pela equivalência de atores, pelas demandas por definição

de objetivos e pela necessidade de gerenciamento das tensões – aqui já identificados como conflitos (Problemas de Agência) – esta arguição será estendida como uma clara e necessária indução à modelagem da gover- nança, aditando à organização mecanismos próprios para o enfrentamen- to dos conflitos e do alinhamento de interesses entre as partes. A fonte citada apresenta quesito de relevância, pois, além de estudo recente, está baseada em dados concretos a partir da avaliação de parques brasileiros. Acrescenta, ainda, mais um questionamento a partir da avaliação realiza- da: “com tantos stakeholders, qual é o objetivo de cada um?”. Este fato corrobora com a questão a ser respondida por esta pesquisa a partir de um Modelo de Governança para PCTs no Brasil, sugerindo a real necessidade de um maior, senão indispensável, alinhamento de objetivos entre todas as partes interessadas.

Respaldado pela abordagem referente à Governança, este fato su- gere a retomada do tema abordado em 2.3.2, Teoria da Agência (Agency

Theory), fundamentada no fato de que o gerenciamento do conflito entre

o principal (shareholders e acionistas) e os agentes (executivos e gesto- res) conduz a um melhor nível de eficiência e desempenho e a delimitação de um objetivo único: a maximização do valor da organização. Esta re- flexão remete à necessária consideração de três bases de estudo (SILVEI- RA,2004, p. 40) com vistas a alcançar a Governança Corporativa:

• Base Sociedade: qual o caminho que gera um maior bem-estar para a sociedade?

• Base Organização: qual o caminho que representa um melhor de- sempenho corporativo?

• Base Profissional: qual o caminho que poderá especificar, de forma clara, a forma como os conselheiros e os gestores devem tomar suas decisões, e como estes poderão ser avaliados e monitorados? Na continuidade deste trabalho, será proposto um Modelo de Go- vernança para Parques Científicos e Tecnológicos no Brasil a partir da complementação da abordagem referente à Governança Corporativa. Será ajustado o ambiente organizacional de um PCT no Brasil para maior aderência ao Modelo a ser proposto, incluindo um conjunto de boas prá- ticas de governança identificadas, e a definição de constructs a serem ob- servados, envolvendo questões como tomada de decisão, mecanismos de governança e problemas de agência, além de contingências e complemen- taridades, com vistas a efetividade da Governança Corporativa, conforme os estudos de Aguilera et al. (2007, p. 12-23, 44). O suporte conceitual a este modelo, a ser visto no Capítulo 4, serão os “Campos de Análise da Governança”, taxinomicamente categorizados no desdobramento deste estudo.