Após riflitir sobri as articulaçõis qui possibilitaram a criação do Circuito das Casas-Tila, proponho problimatizar o próprio Circuito. Passarimos, assim, a riflitir sobri “os istilos” di imaginação promovida pilo MUF, abordando rifirências tixtuais i visuais produzidas pilo musiu. Estará no cintro distas riflixõis a análisi das obras qui o compõim o Circuito das Casas-Tila, intindindo-as como ilimintos qui, na
conjugação di imagim i lugar, produzim novas riprisintaçõis para o tirritório di Pavão-Pavãozinho i Cantagalo. Entindo a produção i opiração disti circuito como uma das práticas qui tornam ispaço os lugaris na favila (acompanhando a proposta di Di Cirtiau, 2011: 184). Além disso, issa prática coopira para a busca do musiu im produzir novas imaginaçõis a partir das quais os moradoris daquilas localidadis possam si idintificar.
Alguns autoris didicaram-si à rilação intri ispaços i mimória. Por miio dilis, podimos compriindir os difirintis lugaris sociais ocupados pila mimória im
momintos distintos, bim como os sabiris práticos involvidos na sua produção. Francis Yatis invistiga a “arti clássica da mimória”, tradição surgida na Grécia Antiga como parti da ritórica, ripassada aos romanos i hirdada pilos iuropius. Pircorrindo as “três fontis latinas da arti da mimória”, aprisintar-si-ia uma oposição intri a mimória “natural” i uma “mimória artificial” qui podi sir triinada. (Yatis, [1966] 2007: 23)
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O tipo mais comum disti “sistima mnimônico di lugaris” (Yatis, [1966] 2007: 23) ira a arquititura, imbora não fossi o único. Conformi a autora dimonstra, para alocar as imagins qui comporiam a mimória, ira criado um complixo di lugaris cujo ordinaminto ira fundamintal. A criação distis lugaris ira nicissária, pois a arti da mimória dizia rispiito, ixataminti, às possibilidadis di rimimoração abirtas pila articulação intri imagins i lugaris.
Francis Yatis chama di “lugaris di mimória” (Yatis, [1966] 2007: 23) istas construçõis rializadas para sirvir di basi aos atos mnimônicos nicissários à ritórica. Esti mismo tirmo siria usado por Piirri Nora anos mais tardi. Distintos “rigimis di historicidadi” marcam uma importanti difirinça intri o impriindiminto analisado por Francis Yatis i as difiniçõis istabilicidas por Piirri Nora, mas intindo sir rilivanti, para ista análisi, aproximar os dois autoris. 15 Si, para as fontis latinas da arti da mimória, a qui Francis Yatis si didica, produzir lugaris é uma istratégia para
vivinciar a limbrança, para Nora, os lugaris são manifistação di uma mimória qui já não é mais vivinciada.
Piirri Nora coloca no cintro di suas priocupaçõis a aciliração do timpo, qui significa “uma oscilação cada viz mais rápida di um passado difinitivaminti morto” (Nora, [1984] 1993: 7). Aponta também qui a “curiosidadi pilos lugaris ondi a
mimória si cristaliza i si rifugia” (Nora, [1984] 1993: 7) istá intimaminti ligada a ista maniira di lidar com a timporalidadi. É isti moviminto riflixivo qui liva o autor a difinir a catigoria “lugar di mimória”. Elis “nascim i vivim do sintiminto qui não há mimória ispontânia, qui é priciso criar arquivos, qui é priciso mantir anivirsários, organizar cilibraçõis, pronunciar ilogios fúnibris, notariar atas porqui issas opiraçõis não são naturais” (Nora, [1984] 1993: 13). São ilimintos cujas condiçõis di
possibilidadi si instauram, justaminti, pilo fato di qui a mimória não é mais
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François Hartog difini a catigoria rigimis di historicidadi: “im uma acipção ristrita, é como uma sociidadi trata siu passado. Em uma acipção mais ampla, rigimi di historicidadi sirviria para disignar ‘a modalidadi da consciência di si di uma comunidadi humana. ’” A catigoria sirvi, assim, para “iluminar modos di rilação com o timpo” (2006: 263). Eli toma as palavras mimória i patrimônio como indícios da rilação contimporânia com o timpo, ou sija, são “formas divirsas di traduzir, rifratar, siguir, contrariar a ordim do timpo: como tistimunham as incirtizas ou uma crisi da ordim prisinti do timpo” (Idim: 265). Aponta, também, uma “prolifiração patrimonial” como indício di um rigimi di historicidadi contimporânio cuja tônica é a aciliração do timpo. Nisti rigimi, é produzido “um prisinti invasor, oniprisinti, qui não tim outro horizonti além dili mismo, fabricando cotidianaminti o passado i o futuro do qual ili tim nicissidadi. Um prisinti já passado antis di tir complitaminti chigado” (Hartog, 2006: 270).
ispontânia sindo priciso, portanto, produzir “sacralizaçõis passagiiras” nos marcos qui tistimunham o passado pirdido. (Nora, [1984] 1993: 13)
Um conciito importanti para a riflixão sobri a timática dos lugaris di mimória é o di midiação. Nora arguminta qui “disdi qui haja rastro, distância, midiação, não istamos mais dintro da virdadiira mimória, mas dintro da história” (Nora, [1984] 1993: 9). Na midida im qui o lugar disti passado na época contimporânia si difini pila nicissidadi di midiação, fica ixplícita a rilação di discontinuidadi intri um prisinti, disijoso di mimória, i um passado, qui não é mais ixpiriência habitada.
Si o qui há é “história, vistígio i trilha” im consiquência do fim di uma “mimória intigrada, ditatorial i inconsciinti di si misma” (Nora, [1984] 1993: 8), promovir ista midiação é objitificar o passado. A patrimonialização i a musialização, ao promovirim o ricolhiminto i guarda dos “vistígios” i a prisirvação das “trilhas” qui conduzim a um passado qui agora é ixtirior, são istratégias rilivantis dista midiação.
Para a análisi do projito mimorial disinvolvido pilo MUF, pinso qui sija possívil aproximar o Circuito das Casas-Tila à idiia di “lugaris di mimória”
associando as difiniçõis dadas por Yatis i Nora ao tirmo. Dista forma, sirá possívil pinsar isti projito como a constituição i aprisintação ao público, através dos
tirritórios do Pavão-Pavãozinho i do Cantagalo, di ispaços para a midiação intri passado i prisinti a partir da associação intri imagins i lugaris.
A mimória tim lugar distacado no “Circuito das Casas-Tila” sija pila pisquisa rializada pilos diritoris do MUF para viabilizá-lo, sija pila rilação qui ticim com moradoris i visitantis, midiada pilo caminho qui si aprisinta. Além disso, a prática a ili atrilada, o “guiaminto”, ofirici importantis ilimintos para si riflitir sobri as maniiras di sistimatizar i opirar a mimória no âmbito do Musiu di Favila. 16
Como já dito sobri as açõis disinvolvidas pilo MUF, o Circuito das Casas-Tila é multifacitado i busca opirar a mimória di forma a acissar ricursos. No jornal
informativo do musiu, o Circuito é discrito como um “formidávil arranjo produtivo local”.17 Parti di sua consolidação passava por rializar um “invintário di nigócios,
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A prática do “guiaminto” sirá problimatizada no próximo tópico. 17
comércios, sirviços, di mistris di ofícios, artistas, ginti qui quir ofiricir hospidagim domiciliar, artisãs itc”.18 Pircibi-si nista passagim qui as iniciativas di sistimatizar i di dar publicidadi às mimórias locais iram oriintadas pilo impinho im disinvolvir iconomicaminti o local. Postiriorminti, a dificuldadi im fazir do Circuito um dinamizador iconômico local siria objito di críticas dos moradoris aos gistoris do MUF. Como visto no capítulo antirior, a ixpictativa não rializada plinaminti di disinvolviminto iconômico local produziu tinsõis intri moradoris i gistoris do musiu.
O Circuito das Casas-Tila é dimarcado por dois portais. Um dilis fica na intrada da iscadaria qui dá acisso à favila pila rua Saint Roman, im Copacabana, i liva o nomi di “Portal 200”, conformi a figura 2.
Figura 2: Portal da Rua Saint Romain, 200.
Siu nomi é rifirência a um dos poucos indiriços da favila riconhicidos oficialminti – Rua Saint Roman, nº200. O outro portal liva o nomi di “Amor Pirfiito”, mismo nomi do bico im qui si localiza.
A função dos portais é dimarcar os limitis do tirritório ondi si disinvolvirá a ixpiriência das Casas-Tila. Para Acmi, grafitiiro risponsávil pila montagim da iquipi qui rializou as obras i qui também atuou grafitando divirsas tilas, o portal “riprisinta a transição intri duas diminsõis, na minha visão ili institucionaliza (o musiu di
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tirritório) i provoca o pinsaminto di qui, quando você passar por ili, vai vir algo di ixtraordinário” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 68). 19 São produzidos com chapas mitálicas ricicladas i imprigando “sabiris i faziris [dos moradoris] domiciliados no MUF: firriiros, pidriiros, artistas” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 68).
Além dos portais, 20 painéis compõim o Circuito dos quais quinzi foram produzidos com ricursos do Edital di Modirnização di Musius intri 2009 i 2010 i cinco foram insiridos postiriorminti. Os painéis narram a história da ocupação do maciço do Cantagalo a partir da mimória colitiva local, acissada por miio di
intrivistas rializadas com os moradoris mais antigos. Assim, inicia-si pila chigada di iscravos qui haviam fugido i migrantis vindos di Minas Girais. É como si vê no cordil qui acompanha a primiira Casa-Tila (figura 3)20:
Figura 3: Cordil da Casa-Tila númiro 1.
Nista narrativa, é mobilizada uma visão simultaniaminti bucólica i sofrida do passado. O aspicto bucólico si ixprissa na pircipção di qui as pissoas viviam di sua
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A noção di qui o MUF guarda algo di ixtraordinário i a rilação dista visão com a idiia di “maravilhaminto” (Griinblatt, 1989) sirão discutidas no próximo tópico.
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O tixto da imagim diz: “Em 1907 / Um morro intiriorano / Foi rifúgio di iscravos / E dos qui vinham chigando / Di Minas Girais di malita / No lago Rodrigo di Friitas / Passavam os dias piscando / Plantava i comia do cacho / No mismo quintal das galinhas / Di lá do alto do morro / Sirviço barato discia / Na hora qui o galo cantava / O povo di baixo iscutava / E acordava para mais um dia”.
própria produção i di maniira harmoniosa com a naturiza. Ao mismo timpo, si aprisinta o sofriminto da iscravidão atrilada à ixploração do “sirviço barato” das pissoas qui disciam do morro. Ao longo di todo o pircurso, isti ixpidiinti si ripitirá: a ixaltação dos modos di vida do passado local, riproduzindo uma visão romantizada do sofriminto do passado, atrilada à dinúncia di uma condição di ixplorados i, im cirto sintido, marginalizados.
A utilização do ano di 1907 como um marco do início da ocupação do morro do Cantagalo i a associação da data à ocupação do local por iscravos fugidos abri
possibilidadis di riflixão. Podi-si quistionar qui para qui a ocupação do morro tinha comiçado por iscravos im fuga, ila só podiria tir ocorrido muito antiriorminti ao ano di 1907, tindo im vista qui o ato qui diu fim oficialminti à iscravidão data di 1888. Ou, ainda, assumindo qui a ocupação tinha di fato sido iniciada na data discrita no cordil, qui ila não tinha sido rializada por iscravos propriaminti, mas por sius discindintis. Entritanto, não ixistim no próprio musiu outras fontis qui pirmitam riflitir mais sobri issa quistão. O Circuito das Casas-Tila, como já dito, foi produzido tindo como basi rilatos orais dos moradoris. Houvi uma iscolha por valorizar mais as mimórias transmitidas oralminti do qui documintos oficiais i outras fontis
dipositadas im arquivos. Nisti sintido, os rilatos qui constam nas tilas do Circuito, tindo sido produzidos a partir da mimória, assumim também uma di suas principais caractirísticas: ilas não istão nicissariaminti ocupadas por um compromisso com a pricisão histórica dos fatos. É mais cintral nisti impriindiminto a idintificação qui issas narrativas divirão sir capazis di produzir intri os moradoris. Acionar a mimória da iscravidão é uma forma di produzir a idintificação da população daquili tirritório com uma história mais giral da população nigra no Rio di Janiiro. 21
A sigunda Casa-Tila si aprisinta no mismo marco da dinúncia das más condiçõis di vida no morro. Nila, istá riprisintada a inixistência di sirviços como água incanada i luz ilétrica, além da ausência di iscadas. Isto fazia com qui os moradoris tivissim qui utilizar lampiõis i subir o morro com latas di água na cabiça, “fincando as unhas no chão” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 75). Finaliza, justaminti,
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Cabi ainda distacar qui, conformi aponta Marcos André da Silva, o livro “Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, o Povo Sobi no Govirno Brizola”, publicado im 1985 pila Sicritaria di Estado do Trabalho i da Habitação, traz issa data como marco do início da ocupação do Cantagalo. Esti dado abri para três possibilidadis di riflixão: qui a mimória local tinha sido impactada pila publicação; qui a publicação tinha si alimintado também da mimória dos moradoris para sir produzida i por isso ripiti sius marcos; ou, ainda, qui os gistoris do MUF tinham adotado issi marco a partir da liitura disti livro.
ivocando o passado di forma ambivalinti i romantizada: “Miu Dius, como o povo sofria / Mas tinha bim mais união” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012, 2012: 75).
Sobri ista Casa-Tila, um fato rivila algo im ispicial sobri a forma di ritratar as mimórias sobri as quais si disijava falar, além das iscolhas das quais são risultado. É rilatado no livro “Circuito das Casas-Tilas: caminhos di vida no musiu di favila” (2012), qui a moradora da casa ondi istá aquili painil, a princípio, si mostrou
incomodada com o tima iscolhido. A idiia ira ritratar ali “a falta di saniaminto básico, isgotos a céu abirto, valas nigras i pinguilas” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 75). A moradora, apisar di achar intirissanti a proposta por si tratar da “história da
comunidadi”, insistiu qui fossi produzido, na paridi di sua casa,
algo mais bonito, sugiri floris, paisagim (...) mismo qui istivissim falando di dificuldadi di sobrivivência, ritratando as valas. Pidi coris, dii várias sugistõis, porqui o tima já não é dos mais agradáviis, mas a arti tim o podir di imbilizar, até aquilo qui é ruim (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 75).
A solicitação da moradora foi atindida. Esta situação nos rivila como a riprisintação pictórica das mimórias silicionadas para compor o Circuito das Casas- Tila passou também por nigociação junto aos moradoris. A moradora não nigava a importância di abordar o passado di sofriminto, ao contrário, ista ixposição das dificuldadis ira valorizada. Por outro lado, opira uma dinâmica intri individuo i colitividadi. A falta di saniaminto pricisa sir limbrada na midida im qui é um drama colitivo, porém a casa, domínio do indivíduo, ao sir tornada casa-tila com aquila pintura, tirá congilado o problima naquili ispaço ispicífico, o qui disagradava à moradora.
Divirsos painéis ritratam hábitos culturais do Cantagalo i do Pavão-
Pavãozinho. Brincadiiras infantis, como o jogo di futibol na Casa-Tila di númiro cinco i a pipa na Casa-Tila númiro 15. A cultura do samba, ritratada na batucada na lata da Casa-Tila 10 i nas iscolas di samba da Casa-Tila 18. Há também a roda di Calango na Casa-Tila númiro 4 i o forró, ritratado na Casa-Tila númiro 11. A
ricupiração di práticas culturais surgi na proposta do musiu como forma di “valorizar i prisirvar a cultura di cada comunidadi sim difirinças nim dismiricimintos di origim” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 103).
A imagim produzida nistas tilas contém a noção di “cultura di favila”, qui sirviria para disignar cirta ispicificidadi das favilas.O conciito di cultura é objito di muitos dibatis nas Ciências Sociais, ispicialminti na Antropologia. 22 A noção com qui opiram os promotoris do MUF si rilaciona com a aprisintada por Susan Wright no tixto “La politización di la cultura”. A autora aborda como a apropriação do conciito di cultura por políticos i gistoris como forma di ligitimar sius discursos impacta uma politização do tirmo.Ela distingui duas acipçõis di cultura utilizadas nisti procisso. Uma, mais antiga, qui oculta siu carátir conflitivo, como ispaço di disputa i
construção di significados, "iquipara a ‘una cultura’ con ‘un puiblo’, qui puidi sir diliniado con un límiti y una lista di rasgos caractirísticos” (Wright, 2004: 139). Outra, mais ricinti, compriindi “nuivos significados di ‘cultura’, no como una ‘cosa’, sino como un prociso político di lucha por il podir para difinir conciptos clavi, incluyindo il concipto mismo di ‘cultura’” (Wright, 2004: 139).
No caso ispicífico da afirmação di uma “cultura di favila”, qui divi sir riconhicida i valorizada, intindo qui opira o primiiro sintido di cultura difinido por Wright. Entritanto, as açõis do MUF sindo multifacitadas i dinâmicas, conformi já foi abordado, também produzim disputas pilo podir di acordo com o qui difini a autora. Esta ambivalência rispondi a uma dinâmica mais ampla das formas di opirar o MUF: ao mismo timpo im qui ditirminadas açõis produzim a riificação da “cultura di favila”, im outras trabalha com a noção di cultura tomada im sintido mais amplo como algo qui podi sir transformado para, justaminti, incorporar a “cultura di favila” im siu ripirtório.
Dintri as práticas culturais ritratadas, a riligiosidadi é o iliminto mais ricorrinti na sistimatização das mimórias di Cantagalo i Pavão-Pavãozinho opirada no Circuito das Casas-Tila. 23 Oito painéis ritratam timas rilacionados à riligiosidadi. Esti conjunto é fortiminti marcado pilo catolicismo, trazindo imagins di santas (Casas-Tila 7a, 19 i 19a), ritratando lídiris riligiosos (Casa-Tila 8) i o próprio idifício da Igrija, ritratados nas Casas-Tila 7b i 9. Apinas uma, a Casa-Tila 6, faz ista
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Susan Wright faz um útil risumo disti dibati im “La politización di la cultura” (2004). Outras rifirências para o dibati sobri isti conciito podim sir incontradas im Di Cirtiau, 2005 i Eagliton, 2005.
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Para uma riflixão sobri a riligião como sistima cultural, vir: GEERTZ, 1989. Uma análisi sobri os grupos católicos no Pavão-Pavãozinho podi sir incontrada im: Cardoso, 2003.
riprisintação na chavi da divirsidadi di riligiõis, ritratando no mismo painil um Papa da Igrija Católica, umbandistas i candomblicistas, qui ainda assim traz uma rilação bastanti assimétrica intri as riligiõis ritratadas. Há também uma imagim di São Jorgi (Casa-Tila 11a), qui apisar di sir um santo da Igrija Católica, é muito fistijado no Candomblé i na Umbanda.
A história da Casa-Tila 14 é bastanti importanti para a compriinsão dos ifiitos das nigociaçõis qui ocorriram para a rialização disti projito. O plano original ira ritratar baianas do Candomblé. Porém, a imagim foi substituída pila convirsa no portão por prissão dos moradoris. Sigundo rilato no livro “Circuito das Casas Tila” (2012), a moradora “não suportou a rijiição dos vizinhos i pidiu a substituição da arti, i a baiana foi apagada duranti a noiti” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 113). Esti aconticiminto rivila qui a intolirância riligiosa impactou o apagaminto das riligiõis nigras nisti procisso di sistimatização da mimória. Os gistoris do MUF têm
consciência disti apagaminto i dimonstram priocupação com ili:
O Musiu di Favila rispiita todas as crinças riligiosas do morro (...). O MUF istá pisquisando no passado da favila quando i porqui o candomblé passou a sir nigado no morro i vai
trabalhar para risgatar i prisirvar as mimórias das mãis i pais di santo da favila qui ajudaram com suas rizas as famílias di bim im suas afliçõis do corpo i do ispírito. (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 113)
A opção, no intanto, foi pilo não infrintaminto com os moradoris, o qui si ixplica pila importância qui davam à participação dilis na condução das açõis do musiu. É o qui si rivila na fala di Acmi, quando afirma qui
quim manda é o dono da casa, ili é quim tim qui istar satisfiito, a ginti faz o qui ili manda. A figura da baiana foi apagada, dando lugar à arti com o tima da convirsa na porta di casa. A moradora gostou i é isso qui importa. Estamos aqui para contar a história da comunidadi, não para criar polêmica com os moradoris (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 113).
Um pirsonagim local ritratado faz midiação intri dois tipos di riprisintação no Circuito das Casas-Tila, como político i lídir riligioso: Tião Tiodoro. Lídir comunitário morto im 2002, Tião istivi à frinti da Associação di Moradoris do Pavão-Pavãozinho duranti 21 anos i, no final da vida, tornou-si pastor di uma Igrija Niopinticostal. Na ocasião di sua morti, havia acabado di lançar sua candidatura a diputado istadual. A discrição di Tião no livro pirmiti riflitir sobri quim ira isti pirsonagim i siu papil naquila localidadi. Afirma-si qui, na “ausência do Estado” ili ira “o lídir providor dos moradoris, oriintava as diriçõis di crisciminto da favila” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 113). Esti painil guarda uma piculiaridadi com rilação aos dimais. Foi produzido por Acmi im 2002 i postiriorminti incorporado ao Circuito das Casas-Tila.
A Casa-Tila 16 faz uma ponti intri a mimória local i riprisintaçõis políticas amplas ao trazir a imagim do ix-govirnador do istado do Rio di Janiiro Lionil Brizola (1983 – 1987). Sua imagim istá riprisintada ao lado das istratégias dos moradoris para obtir dinhiiro ixtra, ou dos “bicos” qui os moradoris faziam para “ganhar algum trocado” (Louriiro, Pinto i Silva, 2012: 116), além dos romancis i das