• No results found

3. A model of the Norwegian Economy (MODAG) 14

4.2. Assumptions for the projections

Eu uso ele raramente né? Porque eu já não uso muito, igual eu estava falando, direto nas minhas aulas, então eu uso ele raramente. Muito raro usar, é, só quando eu planejo a aula pra usar os laptops ou o laboratório porque os alunos pedem e a coordenação também diz que temos que usar[...] mas eu prefiro usar o UCA, mais pra mim. (grifo nosso)

Suas afirmações levam-nos a ponderar que o fato de ela não ter participado de cursos de formação continuada para o uso das TIC ou do laptop contribuiu para que não se esforçasse em utilizar esses recursos em sua prática profissional em sala de aula. Faltaram-lhe conhecimentos teóricos e pedagógicos para que, com base nos objetivos da aula, usasse a tecnologia como ferramenta e não como objetivo. Essa postura da Professora se evidencia em seu discurso ao destacar que usa o laptop raramente, quando “planejo a aula para usar o laptop”. Com isso ela declara que não considera, no primeiro momento do seu planejamento, os objetivos da aula para verificar os recursos que poderiam contribuir para a execução das atividades mas, ao contrário: planeja uma aula cujo objetivo é usar as TIC (laboratório) ou o laptop por solicitação dos alunos ou indicação da Coordenação Pedagógica da Escola. Durante o período de observação das aulas, a Professora 2 da Escola 2 não se sentiu à vontade no desenvolvimento das atividades pedagógicas que propôs. Entendemos que a maneira como conduziu tais práticas confirma o que dissemos anteriormente: como não participou de nenhuma formação para o uso das TIC ou do laptop do UCA, a organização de suas atividades pedagógicas ficou comprometida, pois sua experiência como usuária de TIC não foi suficiente para que planejasse com segurança as atividades que proporia usando as tecnologias na sala de aula. Voltando nossas considerações, neste momento, para os postulados teóricos de Weinrich (1964) no que diz respeito ao uso dos tempos verbais no discurso como

149 marca de posicionamento diante do outro, podemos afirmar que as falas das Professoras e da Formadora entrevistadas se circunscrevem ao mundo comentado, por se tratar de uma modalidade de diálogo com esta pesquisadora. Entretanto em vários momentos as entrevistadas fazem uso do Tempo Zero e da metáfora temporal ao usar os tempos do mundo narrado no mundo comentado. O uso do Tempo Zero em suas falas denota uma pausa reflexiva, para avaliar seu grau de comprometimento no discurso. Reflexão essa ratificada pelo uso da metáfora temporal significando a necessidade de distanciamento do diálogo, uma forma de se comprometer menos com seu discurso.

A necessidade de distanciamento fica mais evidente nas atitudes tensas das entrevistadas quando tratam de assuntos relacionados ao laptop do UCA. A tensão pode ser verificada, além do recurso da metáfora temporal, nas diversas pausas e interrupções/ rupturas nas falas das entrevistadas durante a resposta, como a seguir:

PROFESSORA 1 – ESCOLA 1

É... o UCA.... o UCA... quando chegou aqui nessa Escola foi... né, uma... um avanço, porque tinha criança ainda que não tinha acesso.

Além das pausas já citadas, precisamos estar atentos para o fato de que, se a entrevistada utilizou o tempo zero (chegou/foi/tinha) do mundo narrado, no discurso do mundo comentado. Esses tempos reorganizados podem denotar menor comprometimento ou necessidade de distanciamento do assunto tratado, por parte da entrevistada.

Vejamos os tempos verbais utilizados pelas docentes, quando questionadas sobre o uso do laptop do UCA (Quadro 14):

150

Quadro 14 - Tempos verbais empregados pelas Professoras sobre o tópico uso do laptop educacional

TEMPO VERBAL TRECHOS DAS ENTREVISTAS

Mundo Narrado Pretérito Perfeito Simples

(Tempo Zero) Pretérito Imperfeito

(Tempo Zero)

Professora 1 – Escola 1:

É, o UCA, o UCA, quando chegou aqui nessa escola foi...né, uma, um avanço porque tinha criança ainda que não tinha acesso. [...] o que pegava, o que funcionava, nós montávamos assim de dupla, fazia grupo de três, pra pesquisa. (Grifos nossos)

Mundo Narrado Pretérito Perfeito Simples

(Tempo Zero) Mundo Comentado Pretérito Perfeito Composto

Presente (Tempo Zero)

Professora 1 – Escola 2:

Foi assim... quando os computadores da escola chegaram

[...] a diretora me chamou na sala dela [...] Chegaram os

laptops e [...] eu preciso que a senhora monte um projeto.

[...] Então eu criei um projeto, apresentei na sala do

educador [...], e aí o projeto foi aceito. (Grifos nossos)

Fonte: Elaborado pela pesquisadora

Ao se referirem ao uso do laptop, elas utilizam prioritariamente o verbo no pretérito perfeito simples, tempo zero do discurso, ratificando que, no período de implantação do Projeto, houve certo interesse e o uso foi possível. O tempo zero denota uma postura de espera discursiva: momento em que as entrevistadas procuram responder aos questionamentos com cautela, para, dessa maneira, evitarem se expor demais com suas colocações discursivas.

Na primeira parte do trecho da Professora 1 da Escola 1, há o verbo no pretérito perfeito simples (chegou), que caracteriza o tempo zero do mundo narrado. Essa escolha pelo tempo zero se manteve: logo em seguida, ela utilizou os verbos no pretérito imperfeito (tinha, pegava, funcionava), permanecendo em sua fala o tempo zero do mundo narrado. Acreditamos que essa postura discursiva denota receio da Professora em relação ao que vai de fato expor, uma vez que o laptop do UCA já não tem a mesma produtividade do início do projeto. Assim, ela procura assumir uma postura neutra (tempo zero), na tentativa de avaliar tanto o contexto de produção discursiva quanto o seu interlocutor (pesquisadora), a fim de que o seu discurso não a comprometa em demasia com os resultados obtidos pela Escola no desenvolvimento das propostas pedagógicas com o projeto UCA até o momento. Já a Professora 1 da Escola 2 utilizou a metáfora temporal, com o uso simultâneo do tempo zero do mundo narrado (pretérito imperfeito) e do mundo comentado

151 (presente), ao valer-se de os tempos do mundo narrado (relato) em um discurso do mundo comentado (diálogo). Além desse recurso discursivo, ela emprega a retrospectiva temporal marcada pelo pretérito perfeito simples. Apesar de ela também ter feito uso do tempo zero, denotando, a nosso ver, certa insegurança com relação à situação que havia naquele momento (o laptop do UCA na Escola estava sem manutenção e vinha sendo paulatinamente substituído pelo uso dos computadores no laboratório de informática), ela de imediato se recuperou, produzindo uma fala enfática de destaque às ações que ela mesma executou para que o projeto tivesse sucesso. Assim, diferentemente da Professora 1 da Escola 1, a Professora 1 da Escola 2 sentiu-se segura, pois acreditava que havia feito o que era possível para que o laptop pudesse ser usado em atividades pedagógicas.

Vimos que Weinrich (1964) assim como Koch (2007) consideram que essa mudança do tempo verbal caracterizando a metáfora temporal no discurso pode denotar um distanciamento da realidade, uma irrealidade ou uma cortesia. Consideramos que a Professora 1 da Escola 2 utilizou o tempo verbal do mundo narrado no mundo comentado para ser cortês, já que estaria desviando a atenção focada no uso do laptop do UCA, o qual em verdade não estava ocorrendo naquele momento da forma como estava previsto que ocorresse. Acreditamos que isso tenha acontecido em razão de seu receio de comentar, na entrevista, a realidade que observou na Escola.

O jogo discursivo de aproveitamento de pausas e de uso estratégico dos tempos verbais dessa Professora demonstra seu temor de se expor diante de pessoas que não eram da Instituição e também de ser alvo de alguma forma de represália por parte da gestão. Assim, ao utilizar, prioritariamente, os verbos no pretérito perfeito simples (chegou, chamou, chegaram, criei, apresentei) e presente (preciso, monte), prioriza o tempo zero, oscilando entre o mundo comentado e o mundo narrado. Além do tempo zero, verificamos a utilização da retrospectiva temporal com o uso do verbo no pretérito perfeito composto (foi aceito), tempo do mundo comentado.

No que concerne à implantação do laptop do Projeto UCA na Escola, vejamos os trechos das entrevistas que selecionamos (Quadro 15):

152

Quadro 15 – Tempos verbais empregados pelas Professoras sobre o tópico Uso das TIC e do laptop do UCA

TEMPO VERBAL TRECHOS DAS EMTREVISTAS

Mundo Comentado: Presente (Tempo Zero)

Professora 1 – Escola 1:

Não...no laboratório tem Internet. Nós utilizamos [...] uma vez na semana nós trabalhamos,[...] lá não tem, lá não

tem dificuldades assim.... Lá, a aula... lá surte mais efeito.

(Grifos nossos) Mundo Comentado: Pretérito Perfeito Composto Presente (Tempo Zero) Professora 2 – Escola 1:

Então o uso do laboratório, laboratório de informática que

foi contínuo né? [...] Às vezes a dificuldade é que hoje

nós temos o problema de não ter a Internet ali... não

funciona em todos os computadores [...] (Grifo nosso)

Mundo Comentado: Presente (Tempo Zero) Mundo narrado: Pretérito Imperfeito (Tempo Zero) Pretérito Perfeito Simples (Tempo Zero)

Professora 1 – Escola 2:

[...] esses dias eu estava até conversando com a

professora coordenadora do UCA aqui na escola né, [...] eu perguntei: professora, quantos laptops de verdade

estão funcionando dos 427, [...] estão funcionando 42.

[...] Para o ano letivo de 2014 [...] eis que surge um

problema. (Grifo nosso)

Mundo Comentado: Presente (Tempo Zero)

Professora 2 – Escola 2:

[...] eu venho, eu uso o laboratório, aí eu planejo pelos

computadores do laboratório, aí eu levo, explico, passo na lousa e explico pra ele como, como que eu quero... o que é pra eles fazer no laptop deles. [...] (Grifo nosso)

Fonte: Elaborado pela pesquisadora

Ao verificarmos o uso dos tempos verbais pelas entrevistadas constatamos a predominância do tempo zero do mundo comentado, conforme destacado no Quadro anterior, evidenciando reflexão e avaliação da situação comunicativa mas, segurança e compromisso das entrevistadas com as respostas aceca do assunto tratado: uso das TIC e do laptop do UCA. Acreditamos que essa postura se explica pelo fato das entrevistadas declararem trabalhar com as TIC no laboratório e não se sentirem diretamente responsável pelos resultados do Projeto UCA uma vez que destacam desafios de ordem institucional (estrutura e funcionamento dos equipamentos) para justificar o pouco uso do laptop.

Constatamos, nas falas, que o uso do computador portátil em sala de aula não era algo que acontecesse cotidianamente e que o uso do laboratório, com o laptop ou com as máquinas de mesa, acontecia com mais frequência. Havia uma tendência de intensificar o uso do laboratório, uma vez que, de acordo com o que afirmaram as

153 Professoras, não havia nem estrutura física das salas de aula para trabalhar com os laptops do UCA nem manutenção sistemática do equipamento para que seu uso em sala de aula fosse normalizado e fosse utilizado mais frequentemente.

Observamos, todavia, que não se tratava de uma situação exclusiva das escolas de Mato Grosso; muito pelo contrário, configurava-se de forma recorrente nas escolas contempladas com o Projeto UCA, como podemos ver a seguir nos trechos extraídos do Relatório III - Gestão acerca da execução do Projeto UCA, organizado pela Gestão do Colégio Estadual Dom Alano Marine Du Noday, localizado em Palmas, no Tocantins:

Coordenador Pedagógico

Impotência para solucionar os problemas pertinentes à substituição de peças e baterias dos laptops (p. 7).

Direção

Impotência frente aos problemas técnicos que surgiram e que dificultaram os trabalhos dos professores em sala de aula como, por exemplo, o caso da falta de reposição das baterias (p. 7).

Suporte Técnico

Inexistência de uma política de reposição dos equipamentos na rede de ensino estadual dificulta a realização dos trabalhos da equipe (p.9).

Relator

Defeito nas baterias: com o tempo, grande parte das baterias perderam a capacidade de recarga, provocando a diminuição significativa do número de máquinas em uso (p.10).

Entre as principais fraquezas apontadas nos trechos apresentados, estava a ausência, em abril de 2010, de uma política de substituição dos laptops ou mesmo de sua manutenção, fato que constituía uma dificuldade para execução do Projeto UCA.

Também nas entrevistas feitas com as Professoras de ambas as Escolas de Mato Grosso, conforme podemos acompanhar nos trechos a seguir, apareceu esse mesmo ponto negativo, descrito no Relatório II:

PROFESSORA 1 – ESCOLA 1

É, o UCA, o UCA, quando chegou aqui nessa escola foi... né, uma...um avanço porque tinha criança que ainda não tinha acesso. [...] então o que pegava, o que funcionava, nós montávamos assim de dupla, fazia grupo de

154

três, pra pesquisar. Isso foi ano passado (2013). Este ano nós só usamos no laboratório.

PROFESSORA 1 – ESCOLA 2

Professora, esses dias eu estava até conversando com a professora coordenadora do UCA aqui na escola né, [...] Ela estava lavando assim as capas dos laptops e eu perguntei, professora, quantos laptops de verdade estão funcionando dos 427. Ela falou, professora, pra eu não mentir, estão funcionando 42. [...] Pro ano letivo de 2014, como nós vamos fazer? [...] Ela falou, eis que surge um problema. Então há essa indagação.

A ausência de política gerou insatisfação e insegurança para as Professoras quanto ao trabalho com o laptop do UCA, mas também levou ao fortalecimento do uso do laboratório de informática, como pudemos verificar nos trechos das falas apresentados.

Percebemos, no decorrer desta pesquisa, que a insegurança das educadoras se manteve, mas havia também um esforço para sua superação. Isso pode apontar para duas situações, em nossa opinião:

 uma delas é o fato de as Professoras não se sentirem à vontade, tranquilas com os rumos que o projeto UCA tomou, já que não há manutenção dos laptops, consequentemente não há disponibilidade de um laptop para cada aluno pois conforme os equipamentos foram apresentando problemas foram sendo recolhidos, impossibilitando e realização da proposta inicial;

 a outra, é que há um esforço em efetivar o uso do computador nas aulas de Língua Portuguesa, que se concretiza no uso do laboratório e dos poucos laptops que ficaram lá.

Reiteramos que houve um desgaste do Projeto UCA nas duas instituições em termos de estrutura física e manutenção de equipamento. Ao relacionarem essa desestruturação e a organização do laboratório, as Professoras 1 de ambas as Escolas, que participaram de todo o processo, estabeleceram entre esses aspectos uma relação de causa e efeito ora implícita, ora explícita, conforme mostramos no Quadro 16:

155

Quadro 16 – Uso do laboratório

EFEITO CAUSA RELAÇÃO TIPO DE

Us

o d

o

lab

oratór

io Solicitação dos alunos Professora 1 – Escola 1

Às vezes assim... às vezes eu saio fora do planejamento porque assim... eu... eu não posso falar só o que eu quero nessa aula, eu tenho que também buscar o que que eles querem, né? [...], mas há dificuldade do acesso da Internet dentro da sala de aula [...] Não foi adequado, então o que pegava, o que funcionava, nós montávamos assim de dupla, fazia grupo de três, pra pesquisar. Isso foi ano passado. Este ano nós já usamos, só no laboratório.

Imp líc ita Us o d o lab oratór

io Cobrança da SEDUC Professora 1 – Escola 2

Comecei com uso profissional uma vez que a SEDUC nos obriga a deixar toda online a nossa vida profissional porque os diários são online né? Tem sistema SIGA EDUCA para registro... Tem o laboratório, o laboratório nos salva, nossa! Se você me perguntar, professora, a senhora trocaria o UCA pra equipar muito mais o laboratório? Eu gostaria de um outro laboratório muito mais equipado do que o laptop na escola, isso é com certeza.

E

xpl

íc

ita

Nessa relação de causa e efeito, a falta de manutenção do UCA foi a causa para o uso mais intenso do laboratório,

Segundo as docentes, não havia na Escola “porta de acesso” à Internet que suportasse tantos alunos ao mesmo tempo e também não havia manutenção dos laptops, como já foi dito: esses equipamentos eram substituídos pelos computadores do laboratório.

Vimos, pois, retratado nas falas das educadoras, que o uso do laboratório realmente se intensificou, mas os principais responsáveis pelo fato, segundo as professoras, foram os alunos, que solicitaram o uso em razão da expectativa gerada pelo projeto UCA e a SEDUC que exigia o uso dos computadores tanto fora (planejamento e registro de diários escolares) quanto dentro da sala de aula (recurso pedagógico). Entendemos que as relações que se estabelecem nas duas situações citadas anteriormente acontecem de forma diferente. No primeiro caso, solicitação dos alunos, há um jogo de interesses implícito, pois eles questionam, demonstram interesse no uso do laptop ou do laboratório de informática, mas não exigem que as professoras ministrem aulas nesses ambientes. No entanto, há uma cobrança velada, já que tanto os discentes quanto as educadoras entendem que o uso dessa

156 tecnologia é algo que deverá acontecer. Já no caso da SEDUC, existe uma cobrança explícita, já que os registros acadêmicos são todos online, portanto acompanhados por essa Secretaria, e as instituições formadoras (UFMT e CEFAPRO) vão à Escola para acompanhar o uso do laptop e do laboratório.

Assim, apesar de saberem que essa tecnologia pode ser uma grande aliada no processo de ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa, as Professoras sentem- se, inicialmente, acuadas e desencadeiam o processo, segundo Nóvoa (2007), de Adesão, passando, em seguida, para o nível de Ação, para, finalmente, atingirem o estágio de Autoconsciência.

Constatamos diferenças nas ações das docentes, uma vez que as duas Professoras 2 estão na fase da Adesão, com pequenas atitudes que podem evidenciar um início de atividade na fase de Ação. As duas Professoras 1 já estão entre os níveis de Ação e Autoconsciência, o que – acreditamos – deve-se ao procedimento de formação continuada vivenciado por cada uma delas, como já mostramos.

Em suma, os desafios formativos, pedagógicos e institucionais encontrados pelos professores de Língua Portuguesa na utilização das TIC e do laptop do Projeto UCA no processo de ensino e aprendizagem e sistematizados no Quadro 12 (Capítulo 4 desta Tese) constituem-se em limitações que precisam ser superados para que a tecnologia possa ser totalmente incorporada às práticas de Língua Portuguesa. 4.2.2. Pergunta de Pesquisa 2: as possibilidades

 Quais são as possibilidades de trabalho pedagógico com a tecnologia disponibilizada pelo Projeto UCA nas aulas de Língua Portuguesa?

Durante o desenvolvimento desta pesquisa, dois fatos nos chamaram a atenção: as duas Professoras 1 possuem um perfil semelhante, assim como ambas as Professoras 237. As Professoras 1 são concursadas, efetivas, estão na Escola desde

37

157 a implantação do UCA e participaram de todas as formações para a efetivação do projeto que foram oferecidas.

As Professoras 2, por sua vez, são temporárias, interinas, não participaram da implantação do UCA, pois quando chegaram à Escola o projeto já estava em andamento. Além disso, elas estão há menos tempo na Instituição do que as duas Professoras 1. A Professora 2 da Escola 1 participou de formações para o uso da TIC, mas a outra Professora 2 não participou de nenhum. Ambas não estiveram presentes nas formações do UCA.

Podemos supor, então, que esses dados interferiram na implementação do UCA e das TIC nas aulas de Língua Portuguesa ministradas por elas. De fato, as Professoras 1 que participaram das formações revelaram em suas respostas e nas aulas desenvolvidas uma atitude mais confiante quanto ao uso do laptop do que as Professoras 2.

Apesar disso, tanto nas salas de aula quanto no laboratório de informática, diferentes possibilidades de utilização dos laptops foram observadas. Essas possibilidades englobavam tarefas simples, como acessar a Web, digitar e salvar textos, e também atividades mais complexas, como filmar, fotografar, editar imagens e textos.

As professoras ao desenvolveram com os alunos as atividades de pesquisa na Internet abordando diferentes temáticas, registro e socialização, puderam contar com o laptop e com os computadores do laboratório como mais um recurso pedagógico. Entre as propostas, destacamos as atividades realizadas em 2012, uma vez que, nesse ano, os alunos já haviam passado pela fase de instrumentalização para uso do laptop.

Em ambas as Escolas, observamos propostas desenvolvidas com a parceria entre as Professoras: na Escola 1 com as 2 Professoras de Língua Portuguesa e na Escola 2 entre a Professora de Língua Portuguesa e a educadora de Artes. Essas parcerias possibilitaram discussões e um planejamento coletivo, contribuindo para a

158 troca de experiências entre as docentes e ampliando as possibilidades de atividades pedagógicas.

Dentre essas possibilidades, as educadoras selecionaram aquelas que, naquele momento, atenderiam as necessidades de ensino e aprendizagem dos alunos. Na Escola 1, destacamos o trabalho das Professoras com a webquest disponibilizada na página oficial da webquest no Brasil, como já apresentado no Capítulo 4 desta Tese. Nessa página há várias propostas já prontas para execução, além da possibilidade do educador planejar sua própria webquest e disponibilizar na página. Esse é um excelente recurso para trabalhar online na rede de forma bastante sistematizada. Já na Escola 2, a Professora 1, num primeiro momento, desenvolveu a produção de texto de forma off-line usando o Hagaquê e todos os recursos disponíveis nesse software baixado da rede e salvo nos computadores da Escola: desenhar, copiar,