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CHAPTER VI Cost­Benefit Analysis of Institutional Transformation

6.1. Assumed benefits of new institutions

5.1.1. Caracterização do bagaço de cana-de-açúcar

A composição química média, obtida por fluorescência de raios-X, e o ensaio de perda ao fogo (PF) do bagaço de cana-de-açúcar utilizado nas queimas estudadas são apresentados na Tabela 5.1

Tabela 5.1 - Composição química das amostras de bagaço de cana. Compostos (%)

Amostras

SiO2 Al2O3 Fe2O3 CaO MgO TiO2 P2O5 Na2O K2O MnO PF

Bagaço de

cana 4,36 <0,1 0,67 0,26 <0,1 0,02 0,047 <0,1 0,2 <0,01 94,34

De acordo com a literatura, o bagaço úmido tem em média 50% de umidade, cerca de 48% de fibras lignocelulósicas e de 2% a 3% de sólidos solúveis (CORTEZ et al.,

1992; FIESP/CIESP, 2001; KAWABATA, 2008). Sua composição é de

aproximadamente 50% de celulose (C5H10O5), 20% de hemicelulose (C5H8O4) e 30% de lignina (C7H10O3) (QUINTERO-RAMIREZ, 2010). De acordo com Cordeiro (2006), o bagaço também conteria sílica. Confrontando estas informações com os dados da tabela acima, pode-se afirmar que o bagaço estudado apresenta em torno de 94% de celulose, hemicelulose e lignina e 4% de sílica.

NaFigura 5.1 é apresentada a macroestrutura do bagaço de cana-de-açúcar obtida sem aumento. Observa-se que o bagaço é constituído por um conjunto de fibras delgadas de diferentes espessuras e comprimentos.

Figura 5.1 – Macroestrutura do bagaço de cana-de-açúcar .

As imagens do bagaço obtidas por MEV são apresentadas na Figura 5.2. Essas imagens indicam que o bagaço é constituído por fibras e apresenta superfície irregular porosa.

Figura 5.2 – Microestruturas do bagaço de cana-de-açúcar obtidas no MEV.

5.1.2. Determinação do ponto de combustão

No ensaio para determinação do ponto de fusão, detectou-se visualmente, durante o aquecimento do bagaço de cana-de-açúcar, uma mudança de coloração significativa do material (de amarelo para preto) na temperatura de 281,7°C. Isto sugeriria que nessa temperatura se inicia o processo de queima do bagaço de cana-de-açúcar.

5.1.3. Análise térmica por TGA e DTA

Na Figura 5.3 podem ser visualizadas as curvas obtidas da DTA e TGA da amostra de bagaço de cana-de-açúcar in natura e seca em estufa.

a) in natura b) seco em estufa

Figura 5.3 - Curvas resultantes das análises térmicas DTA e TGA do bagaço de cana-de- açúcar (BCA).

A magnitude dos efeitos registrados nos resultados acima não pode ser analisada comparativamente, uma vez que nos ensaios foram utilizadas massas diferentes (4mg de bagaço in natura e 2mg de bagaço seco), devido a limitações do equipamento. Analisando as curvas, percebe-se que inicialmente há absorção de energia e perda de massa. Isto é mais evidente na análise do bagaço in natura. Tais resultados provavelmente estão relacionados com a perda de umidade, significando que a secagem em estufa do bagaço in natura não foi suficiente para retirar toda a água. Observa-se que a perda de água ocorre até aproximadamente 100°C. De 100 a 250°C não se observa perda de massa. Em ambos os materiais analisados, em torno da temperatura de 400°C, a DTA permite identificar um pico endotérmico seguido de um pico exotérmico. No mesmo intervalo, percebe-se uma variação na taxa de perda de massa pela TG, provavelmente ocasionada pela perda de carbono. Esses dois dados sugerem que o pico endotérmico corresponde ao consumo de energia para a ignição do material mais volátil e o pico exotérmico seguinte representa a energia liberada durante a combustão do bagaço com liberação de carbono (PAULA, 2006). Cabe ressaltar que nesse caso, não ocorre combustão e sim pirólise e o valor encontrado no ensaio do ponto de fusão é menor, pois a atmosfera utilizada no TGA/DTA é de nitrogênio.

Próximo da temperatura de 600°C ocorre um pico. De acordo com a literatura os picos endotérmicos podem ser associados às reações de fusão como também às reações de decomposição ou dissociação, enquanto picos exotérmicos são associados a mudanças da cristalinidade da fase (ARAÚJO, 1998). Lembrando que a temperatura de 573° C corresponde à mudança de quartzo α para o quartzo β(DEER et al., 1992), os resultados poderiam indicar que próximo a 600°C, a sílica não cristalina se torna cristalina (quartzo α ) e em seguida se transforma em quartzo β. Próximo da temperatura de 800°C ocorre outro pico que pode ser a transformação do quartzo β na tridimita β e em cristobalita. De acordo com a literatura, deveria ocorrer apenas a tridimita β (DEER et al., 1992), mas pela difração de raios-X detectou-se a presença de cristobalita a 800°C.

Os resultados obtidos na analise térmica e os dados relatados na literatura (COOK, 1986; SUGITA et al., 1994; MOAYAD et al., 1984; JAMES, 1986 citados por GANESAN et al., 2007; PAYÁ et al., 2002; NEDHI et al., 2003; PAULA, 2006; CORDEIRO, 2006; FRÍAS et al., 2007;) indicam que a queima em torno de 600°C seria a mais adequada para a obtenção de sílica amorfa, apesar da indústria utilizar temperaturas que variam de 400 a 800°C.

5.1.4. Perda de massa no processo de queima do bagaço

A eficiência dos diferentes processos de queima a 600°C em laboratório, descrita em termos de perda de massa, é apresentada na Figura 5.4. Constata-se que o tempo de queima, o tipo de resfriamento e a circulação de ar influenciam pouco na massa resultante do processo de queima. Os dados indicam, de modo geral, que as queimas realizadas foram eficientes quanto à perda de material volátil. Observa-se uma perda de massa menor nas queimas realizadas sem circulação de ar nos tempos de 120 e 180 minutos e com resfriamento rápido.

96 98 87 98 97 98 92 98 98 98 95 98 80 82 84 86 88 90 92 94 96 98 100

Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Lento Rápido Lento Rápido Lento Rápido

120 180 240 600 P er d a d e m as sa ( % )

Figura 5.4 - Perda de massa durante a queima do bagaço de cana-de-açúcar à temperatura de 600°C.

Em termos de eliminação de matéria volátil, a queima a 600°C por 120 minutos na presença de ar seria a mais eficiente, tanto no resfriamento rápido como no lento. Em função desses dados e visando o estudo de temperaturas e tempos de resfriamento mais próximos aos reais, foram realizadas as queimas a 400 e 800°C, com e sem circulação de ar, resfriamento rápido e tempo de 120 minutos, cujos resultados são apresentados juntamente com os obtidos a 600°C na Figura 5.5.

85 91 87 98 91 98 75 80 85 90 95 100

Não Sim Não Sim Não Sim

Rápido Rápido Rápido

120 120 120 400 600 800 P er d a d e m as sa ( % )

Figura 5.5 - Perda de massa durante a queima do bagaço de cana-de-açúcar nas temperaturas de 400, 600 e 800°C. Tempo (min) Resfriamento Circulação de Ar Temperatura (ºC) Circulação de Ar Resfriamento Tempo (min) Temperatura (ºC)

Os resultados indicam que, em termos de eliminação de matéria volátil, as queimas a 600 e 800°C, no tempo de 120 minutos, resfriamento rápido e com presença de ar, são mais eficiente.