Os entrevistados da ALGAR informam que não ocorreram mudanças na estrutura organizacional decorrente da implementação do CSC. Contudo, a estrutura organizacional que está sendo entendida para tais posicionamentos é aquele conjunto de cargos, hierarquias, espaços físicos, leiautes, do próprio órgão ou empresas que fazem parte do grupo. Nessa visão, o que ocorreu foi uma diminuição do número de empregados que trabalhavam em cada empresa, os quais migraram para o CSC, não sendo alterado o organograma das empresas do grupo e nem as atividades de cada área, as quais, entretanto, ficaram especializadas mais na questão da gestão e foco nos negócios, visto que as atividades de back office foram centralizadas no CSC.
Entretanto, enxergando no âmbito abrangente envolvendo as empresas do grupo e o CSC, efetivamente a estrutura foi afetada, seja pela redefinição dos níveis de responsabilidades de cada empresa, seja pela não necessidade de espaço para abrigar a quantidade de empregados existente outrora, seja pela forma como cada empresa administra as atividades em função do relacionamento e da existência do CSC externo à empresa:
Então, você não tem uma mudança na sua estrutura, você tem uma redução na quantidade de pessoas que estão naquela área, é isso que acontece. Mas a gestão daquela área continuou. A gestão estratégica da área financeira continuou; as atribuições do diretor financeiro continuaram e o que o gerente financeiro deixou agora de fazer foi fazer a gestão daquela quantidade de pessoas, daquela quantidade de processos, mas a estrutura não mudou, ela reduziu o tamanho, mas não mudou. (Informação verbal, EX ALGAR).
O que teve em termos de mudanças aqui foi o crescimento da organização, então foi demandando mais mão de obra. Mas, estrutura, praticamente é a mesma coisa [...]. (Informação verbal, AC-02 ALGAR).
Quanto à mão de obra, aos bens e aos equipamentos, considerados insertos no conceito de estrutura para efeito deste estudo, tem-se a ocorrência de uma situação muito peculiar, que foi a transferência de todos os recursos necessários e possíveis da ALGAR para a empresa terceirizada, no sentido de viabilizar a implantação inicial do CSC conforme necessidade do grupo.
Foi levantando que tais transferências de recursos fizeram parte das negociações que culminaram na assinatura do contrato, destacando que:
− no que tange à absorção da mão de obra, esta ocorreu por meio de contratação dos empregados egressos da ALGAR pela empresa terceirizada, até mesmo por interesse da mesma no que tange a continuidade da operacionalização das atividades, dentro da remuneração e benefícios definidos pela própria empresa contratante;
− as máquinas e equipamentos, uma significativa parte da área de informática, transferidos foram descontados no custo do contrato. Tais necessidades de transferência decorreram também da necessidade de disponibilizar os instrumentos de trabalho para os empregados que foram absorvidos da ALGAR;
− e, embora o prédio onde funciona o CSC tenha sido construído com recursos próprios da empresa terceirizada, a aquisição do respectivo terreno foi facilitada pela própria ALGAR, então proprietária do imóvel, o qual se localiza bem próximo das instalações das empresas do grupo.
[...] porque eles fazem a gestão dos processos lá. Vamos supor na área de controladoria e finanças tinham um gerente e 35 pessoas: ficou um gerente e cinco; trinta vieram para cá. (Informação verbal, GE 01 ALGAR)
A máquina e os equipamentos foram descontados no custo do contrato e o baseline foi estabelecido de acordo com o custo de pessoal e o custo da tecnologia [...] (Informação verbal, EX ALGAR)
Porque em outro lugar não ia ter um terreno igual aqui, aqui a gente deu o terreno. O terreno entrou no meio do negócio, no business do negócio. (Informação verbal, AC-03 ALGAR)
O prédio foi todo construído pela empresa que operava o CSC na época. Equipamentos de informática vieram transferidos alguns servidores, alguns
desktops, alguns computadores, foram comprados alguns, mas a maioria veio
transferida. Nós aproveitamos uma boa parte da estrutura de equipamentos de informática. (Informação verbal, GE 01 ALGAR)
A definição da localização do CSC da ALGAR coube inteiramente à empresa terceirizada que optou por ser em Uberlândia não somente pela cidade apresentar uma boa infraestrutura (telecomunicações, universidades, custo de mão de obra, etc.) e por possuir uma localização privilegiada em relação aos mais importantes centros urbanos, mas também, e principalmente, pelo interesse que o contrato de prestação de serviços com a ALGAR fosse mantido, sendo que sua operacionalização em outra cidade dificultaria em muito a prestação adequada dos
serviços, principalmente se considerar que estavam na fase inicial de implementação e o serviços, á época, eram para atendimento exclusivo à ALGAR.
Durante o projeto tinha uma equipe quando foi feito o business case que trabalhou a questão do site location. Tinha uma equipe que trabalhou essa questão: onde seria melhor o site para criar esse centro de serviço aqui e na época, dada à questão da infra-estrutura da cidade de Uberlândia e se queria realmente esse contrato com a ALGAR, então Uberlândia foi aprovada, mas tinha outras localidades. Estudaram Ribeirão Preto, mas chegaram à conclusão que para fazer a mudança que ia fazer, era melhor começar em Uberlândia e depois poderia expandir para outros lugares no Brasil. Foi entendido que a localização ia fazer esse centro de serviço e expandir ele porque Uberlândia tem uma boa infra-estrutura na área de telecomunicações, universidades... Já tinha naquela época. Quando se definiu isso, estava-se olhando também a questão de custo operacional. Uberlândia consegue-se mão de obra bem mais barata do que SP para se prestar um serviço, então já pensava nisso tudo: olhou uma série de quesitos, o custo como um todo, porém mais baixo de operação. Ela está muito próxima: SP, uma hora de vôo; Brasília, 40min; BH é bem próxima e a localização de Uberlândia é muito atrativa para esse tipo de coisa. (Informação verbal, GE 01- ALGAR)
Eu não sei te dar essa informação se a exigência fosse aqui em Uberlândia não. Mas não instalar esse centro aqui, ia praticamente inviabilizar a operação porque apesar de estarmos presentes em vários estados do Brasil, a administração das empresas é toda feita aqui, a matriz das empresas é toda feita aqui. (Informação verbal, EX ALGAR)
Pelas características do CSC da ALGAR, o mesmo se enquadraria, em termos de modelos de governança, como um modelo baseado em holding (corporativo). Neste modelo, Magalhães (2009) destaca como aspectos positivos: o foco no controle do negócio, a baixa resistência dos gestores, o foco em serviços de gestão de desempenho e relatórios corporativos; e como aspectos negativos: pouco foco em desenvolver áreas que geram valor ao negócio, tendência a desenvolver-se como controladoria.