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Por que Claudia Cozinha mudou totalmente seu projeto gráfico e editorial em meados de 2005?

Isso aconteceu porque a revista estava perdendo mercado, ela não se posicionava nem entre os tradicionais leitores que compram revistas pelas suas receitas e nem entre os amantes da alta gastronomia, que estavam preferindo títulos como Gula e Prazeres da

M esa. Nós est amos agora mais volt ados para essa alt a gast ronomia, t ant o que

mudamos nosso lema de “ Todas as receitas testadas e com fotos” para “ O prazer da gast ronomia em sua vida” . Queremos most rar que a alt a gast ronomia pode ser desfrutada pelo leitor da nossa revista, mas sempre lembrando que, sim, as receitas publicadas, todas, são testadas e publicadas com suas respectivas fotos.

Nós precisamos mudar para reagir ao mercado que estava caminhando para um super avanço do que chamamos de revist as “ t alebans” , que são aquelas f eit as com cust o baixíssimo, sem t est es e com f ot ograf ias compradas. Não se realiza o prat o para fotografá-lo como Claudia Cozinha faz. Isso gera uma revista de baixíssimo custo e, por isso, de baixo preço ao consumidor final, mas sem nenhuma qualidade.

Então a revista não quer mais ser vista como uma fonte de receitas apenas?

Sim, mas queremos que o leitor ainda nos veja como uma publicação que oferece bons pratos para o dia-a-dia e para ocasiões especiais. Um de nossos lemas continua sendo o “ receber bem” . Mas incorporamos alguns elementos mais sofisticados, como as dicas de vinhos que podem acompanhar as receitas, além das já tradicionais sugestões de decoração e apresentação dos pratos.

Claudia Cozinha é a pioneira na valorização da culinária no Brasil. Nossa revist a

prat icament e criou o mercado que hoje é t ão disput ado por diversos t ít ulos. Precisávamos honrar nossa tradição e continuar nos mantendo como uma revista de ponta na área.

Quais são as apostas do novo posicionamento da revista no mercado?

Queremos indicar para o leitor os meios para ele ter sempre muito prazer ao cozinhar. Assim most ramos ut ensílios, ingredient es, mét odos de preparo que levam à valorização do bom-gosto. Afinal de contas, essa é uma preocupação do público que cresceu muito na última década, com a abertura das importações e o acesso, no Brasil, a produtos sofisticados, além do surgimento de restaurantes de alta gastronomia.

E como foram direcionadas as mudanças gráficas da revista?

O desenho anterior da revista, muito clean, com brancos, fontes sem serifa, estava um pouco blasé. Precisávamos nos reaproximar do leitor tradicional da revista e mostrar ao novo público que busca ter acesso à gastronomia que a arte de comer bem não

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precisa ser a art e do pouco. É possível t er prazer com comidas coloridas, alegres, apet it osas. Por isso aument amos as cores, o número de f ot os, a exuberância das imagens da revista. Hoje os pratos de Claudia Cozinha despertam a vontade imediata de comer, o desejo da gula que precisa ser satisfeito rapidamente.

E qual foi o retorno dessas mudanças?

Foi bastante positivo. Crescemos cerca de 20% em assinaturas em relação ao previsto para 2005.

E por que a revista voltou a ser mudada?

Isso foi obrigatório, porque não adiantava mudar tudo e não termos visibilidade. Era preciso estar sempre à vista, para atrair anunciantes e leitores. O crescimento de receita publicitária foi outra necessidade, porque o retorno de uma publicação bimestral é menor e mais demorado.

E a culinária brasileira, como ela é tratada hoje por Claudia Cozinha?

A nossa comida mais típica sempre mereceu destaque na revista. Em 2006, faremos pequenas viagens cotidianas pelo Brasil para promover a nossa cozinha, destacando culinárias tradicionais (um exemplo dessa estratégia citada é a edição de fevereiro de

2006, que traz como capa e destaque principal a culinária baiana). Nós queremos tratar

a gastronomia brasileira como um dos maiores bens da nossa cultura, que deve ser valorizado e preservado. Nós sempre queremos promover os ingredientes brasileiros, inclusive as bebidas nacionais, como os espumant es do Brasil que t êm f eit o muit o sucesso no mercado internacional.

Você acredit a que os chef s de cozinha hoje valorizam m ais a culinária nacional?

Os profissionais da cozinha precisam pesquisar, conhecer melhor a nossa comida, mas há aqueles que são pioneiros, como Alex At ala e M ara Salles. O lema int erno de

Claudia Cozinha é entender e oferecer ao leitor o que ele quer. Em um país com as

dimensões do Brasil, certamente cada região vai querer um produto típico. Tentamos sempre atender a todos, mas dando um toquezinho de sofisticação na nossa revista. Afinal, queremos trazer, além dos leitores já fiéis, um público novo, jovem, disposto a experimentar. A aposta na alta gastronomia é fundamental para atingi-los.

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FFiigguurraa 110077:: Claudia Cozinha, abril de 2006, página 4

ANEXO III: Carta do editor e exemplos da mudança gráfica

ocorrida em Claudia Cozinha em abril de 2006

Veremos, a seguir, a capa (figura 106) e a carta do editor (figura 107) da edição de abril de 2006 de Claudia Cozinha, que anunciou novas mudanças na equipe e nos projetos gráfico e editorial da publicação. Na sequência teremos duas imagens (figuras

108 e 109), que servem como exemplo do novo projeto gráfico da revista.

FFiigguurraa 110066:: Claudia Cozinha, abril de 2006

Transcrição do editorial da revista:

“ Este número de Claudia Cozinha, você vai perceber, está um tanto diferente. As fotos mudaram um pouco, assim como os textos. Mas é a sua revista de sempre, com as receitas práticas, as novidades gastronômicas, as seções que você se habituou a ver todos os meses. Acabo de aportar aqui com a editora de arte Rosana Grimaldi, que desenha as páginas com o talento e a dedicação de um grande chef, e com a editora-assistente Luciana Jardim, a mais entusiasmada e antenada das jornalistas. Em fevereiro nós três nos unimos à equipe da revista que você conhece tão bem e com a qual agora temos o prazer de conviver. Mas preciso con- tar: há quase vinte anos, recém-formada, fui repórter de Claudia Cozinha, quando ela ainda era um suplemento da revista Claudia. Lá conheci Bettina Orrico e é curioso estar aqui, ao lado dela, tanto tempo depois. São aquelas surpresas que a vida nos reserva. E essa não pode- ria ter sido melhor.” Cristina Dantas

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FFiigguurraa 110088:: Claudia Cozinha, abril de 2006, páginas 22 e 23

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