• No results found

ASSESSMENT OF SUSTAINABILITY

In document EXECUTIVE SUMMARY (sider 29-36)

As quinze semanas do estágio foram vividas intensamente, tanto do ponto de vista pedagógico, como na vertente afetiva, suscitando uma avaliação final do percurso. A avaliação é um processo de reflexão tendo por base a compreensão dos resultados, o reconhecimento dos erros e avanços de maneira a retificar no futuro as escolhas realizadas na atuação pedagógica. A necessidade de avaliação do ambiente educativo torna-se fundamental, na medida em que adequar o processo educativo às necessidades dos alunos é um aspeto central para a promoção das aprendizagens. Neste processo avaliativo consideram-se a organização do espaço, dos materiais e dos recursos, bem como a diversidade e a qualidade dos materiais e recursos educativos, aspetos imprescindíveis a ter em conta para o sucesso das aprendizagens. Não podemos ignorar que formar escritores, desenvolvendo competências e criando hábitos de escrita, é um desafio complexo, exigindo tempo e uma intervenção focalizada, continuada e persistente.

No processo de intervenção e de pesquisa foi possível compreender o quanto foi importante a recolha e a análise dos dados, pois o processo avaliativo permite-nos planear as atividades de forma mais ajustada à realidade observada. Como refere Cardona e Guimarães (2012: 240), “Cabe ao adulto professor identificar o potencial desenvolvimental educacional inerente às atividades, pensar e disponibilizar situações estimulantes”. Também é fulcral mencionar que a avaliação apresentada das atividades realizadas não se carateriza por exaustiva e rigorosa, pois os dados recolhidos não permitem um modelo de avaliação desse nível. Por isto, tornou-se primordial que as intervenções realizadas proporcionassem a criação de alicerces dando continuidade a estas práticas pedagógicas.

Creio que este trabalho contribuiu para que as perspetivas e as atitudes dos alunos perante a escrita tenham mudado, pois inicialmente mostravam algum receio que os bloqueava para o desenvolvimento de capacidades de escrita e inibia a sua criatividade e imaginação. O trabalho realizado favoreceu também a aquisição de estratégias que levaram os alunos a refletir sobre os processos inerentes às tarefas de escrita. Assim, no que diz respeito ao uso das estratégias nos vários momentos da produção escrita,

94

verificou-se uma crescente motivação e responsabilização por parte dos alunos, denotando-se uma maior predisposição para a utilização de estratégias no processo de escrita, já que numa fase inicial não tinham consciência da existência de um processo de escrita que antecede o produto final, o texto. Na sequência da fase de avaliação final e através da análise dos dados do questionário, concluo que as atividades propostas e os materiais didáticos utilizados foram motivadores para a turma, promovendo a aprendizagem e a mudança comportamental dos alunos no âmbito da escrita, nomeadamente a postura interessada na utilização frequente e autónoma do cantinho da escrita criativa para realizar cartas, postais ou recados a diversos destinatários.

Globalmente, o trabalho realizado teve um impacto positivo junto das crianças, na medida em que identificaram e utilizaram estratégias relacionadas com o processo de escrita, que é uma vertente importante do currículo deste nível e ano de escolaridade. Salienta-se que a principal estratégia de mediação escrita utilizada (o Cantinho da Escrita Criativa) foi essencial para despertar o interesse das crianças pela escrita pessoal e paralelamente a criação de hábitos de escrita incitando a partilha das produções textuais. Efetivamente a criação deste cantinho possibilitou aos alunos a criação de um propósito comunicacional, tendo estes a oportunidade de vivenciaram a escrita autêntica e funcional. Para além disso, proporcionou a utilização de diversos recursos que serviram de auxílio no ato da escrita, como por exemplo a utilização das cartas intituladas “A Arca dos Contos” de Maria Teresa Meireles, com imagens ou palavras fazendo alusão às várias componentes do género textual, narrativa. Paralelamente tiveram acesso ao uso de vários materiais de escrita de acordo com os formatos pré-estabelecidos culturalmente pelo género textual em questão. Durante a aplicação deste trabalho observou-se a evolução dos alunos no uso de estratégias, como também verificou-se a mudança na conceção inicial de que a escrita abraçava apenas o subprocesso de textualização.

Deste modo, face ao tema abordado e à necessidade de um maior desenvolvimento de competências de escrita, ao longo de toda a escolaridade, seria fundamental continuar a desenvolver o treino estratégico com os alunos, tendo em conta os processos implicados. Ainda que este trabalho tenha despertado os alunos para as vantagens na utilização de estratégias no processo de escrita, bem como possibilitou o estímulo necessário para início da autonomia na escrita. Uma vez que os alunos foram aplicando, nas aulas, algumas estratégias de planificação, nomeadamente o registo prévio de palavras-chave decorrentes do diálogo organizado de ideias com os colegas, proporcionando assim a ativação de estratégias cognitivas facilitadoras na preparação da atividade de escrita, a

95

textualização. Além disso foi possível observar e compreender a consciencialização de que a escrita não termina quando pensam já ter dito tudo, como julgavam inicialmente, mas sim quando avançam para o processo de revisão. Processo esse que prevê a releitura individual e coletiva cujo objetivo prende-se na análise do texto de acordo com o género textual, procedendo a correções e reformulações.

Sem dúvida que a revisão coletiva se tornou fulcral devido à possibilidade do aluno- autor ler o texto à turma para que seja comentado, como também devido à necessidade inicial dos alunos procederem a transformações textuais amparados por outrem, designada por “reescrita acompanhada”. Para além de os comentários viabilizarem uma apreciação global, também resultam sugestões de reformulação resultantes de eventuais aspetos a melhorar quer ao nível da forma como de conteúdo surgindo a necessidade de refletir sobre o domínio do processo e sobre aquilo que foi escrito. Eventualmente compreendem a ilegibilidade da sua própria letra no momento de apresentação do texto à turma ou porventura dão-se conta de problemas ao nível da construção frásica.

Posto isto, considero que este trabalho se reveste de aspetos primordiais para a aprendizagem dos alunos quanto aos subprocessos implicados na escrita, quer quanto às estratégias abordadas que ser-lhes-ão úteis no futuro próximo, pois tal como o nome indica, um processo deverá ser continuado e desenvolvido. De acordo com os factos supramencionados, com este tipo de atividades integradoras comprovou-se que através da consciencialização dos subprocessos de escrita (estratégias de planificação, textualização e revisão) acompanhadas pelo caráter lúdico-recreativo e assente na criatividade, experiências e vivências pessoais foi possível impulsionar nos alunos alterações nos hábitos e comportamentos perante a linguagem escrita. Da mesma forma, a criação e apresentação do livro ”Já somos escritores” com as produções textuais realizadas possibilitaram a emergência de atitudes responsáveis e ativas nos alunos, bem como uma postura autoconfiante, depreendendo que as suas produções são relevantes para a comunidade escolar e família.

In document EXECUTIVE SUMMARY (sider 29-36)