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ASSESSMENT OF FINDINGS, AND A GROWING UNDERSTANDING OF KIVULU

In document KIVULU PROCESS AND PROJECT (sider 38-47)

A semântica de frames66 está relacionada ao significado linguístico e ao conhecimento enciclopédico. O linguísta Fillmore (1985) apresenta um frame como uma esquematização de nossa experiência. O conhecimento enciclopédico está estruturado de forma que os elementos linguísticos e semânticos estejam ligados a outros diversos elementos. Assim que um desses elementos é ativado, todos os demais são acionados. Evans (2007), no âmbito da Linguística Cognitiva, define frame como uma esquematização da experiência – uma estrutura de conhecimento – que continua na memória de longo prazo e que relaciona elementos e entidades associadas com uma cena entrelaçada culturalmente, situação ou eventos da experiência humana. Na mesma perspectiva, Cruz argumenta que

Os frames nos ajudam com a memória de longo prazo, pois, entre outras coisas, relacionam elementos e entidades associados a uma cena particular, culturalmente arraigada e advinda da experiência. Então, as palavras e construções linguísticas são sempre relativas a frames e os significados daquelas não podem ser entendidos independentemente dos

frames que são associados (CRUZ, 2010, p. 30).

Para Kathen e Alves (2008), a semântica de frames (1982) é uma abordagem com grande peso na pragmática, por considerar sobremaneira o conhecimento de mundo e as experiências para a compreensão e a descrição do léxico. Fillmore (1977) aborda o termo sob o ponto de vista das experiências e do conhecimento de mundo, que contribuem para a compreensão da descrição do léxico, tanto no aspecto objetivo quanto no subjetivo. Um exemplo clássico da contribuição da experiência humana na compreensão da informação e na transformação da informação em ação é o comparativo entre a execução de uma receita por uma pessoa experiente em cozinhar e por outra que esteja apenas se iniciando nessa atividade. Para o cozinheiro experiente basta que saiba que ingredientes e que quantidades usar para executar a tarefa de forma satisfatória. Ao passo que, para o iniciante, é necessário conhecer, além dos ingredientes e quantidades, todo o processo de execução, que requer diferentes procedimentos. Sem

66 Frame é uma palavra da Língua Inglesa. Tem diferentes significados, dentre eles

“fatos e ideias principais”. Isto é, alguma coisa está baseada ou vinculada à ideia principal. Por exemplo: a explicação clara do assunto tratado em aula propicia suporte (frame) por meio do qual pode se construir um profundo entendimento.

conhecimento prévio, sem a experiência – conhecimento enciclopédico – corre-se o risco de executar a tarefa de forma incorreta e o resultado ficar longe do esperado.

Fillmore (1982) entende que a semântica fundou-se com a noção de frames cognitivos ou conhecimento esquemático. A compreensão de um conceito requer que se tenha como referência, uma estrutura de contexto de experiência – é o pré-requisito para o entendimento de significado. Conceitualmente, para Fillmore, um frame semântico é

A coherent structure of related concepts that are related such that without knowledge of all of them, one does not have complete knowledge of the either, and are in that sense types of gestalt. Frames are based on recurring experiences67 (FILLMORE, 1982,

p.11).

Os significados propiciados por frames diferem de um contexto para o outro, como também de pessoa para pessoa, uma vez que os conhecimentos de mundo são singulares a cada indivíduo. O frame enfatiza conceitos particulares e especifica a perspectiva na qual é abordado. Observando a palavra “LOVE”, para alguns significa liberdade, leveza, serenidade, conforto, aconchego e proximidade; para outros, porém, pode representar conflito, algo que prende, aprisiona, traz dor e cerceamento. Tudo depende da experiência de cada um. Para Lakoff e Johnson (1999), a Semântica de Frame provê uma estrutura conceitual global. Os frames não são apenas intencionais e representacionais, mas também proposicionais. Os modelos proposicionais podem ser conceitos de nível básico como entidades, ações, estados e propriedades, ou conceitos caracterizados por modelos cognitivos de outros tipos. As propriedades desses elementos e as relações entre eles formam a estrutura dos modelos proposicionais.

A compreensão do significado de uma palavra ou de uma expressão linguística em geral, depende do acesso ao conhecimento enciclopédico a ela relacionado; isto é, o significado na linguagem natural não se dissocia de outras formas de conhecimento. Para o autor, não se justifica a manutenção de concepções que separam o conhecimento de mundo do conhecimento do significado linguístico.

67 Uma estrutura coerente de conceitos relacionados estão intereconectados de tal

forma que, sem o conhecimento de todos eles, não se tem conhecimento completo e, nesse sentido, são um tipo de gestalt. Os frames são baseados em experiências recorrentes (tradução nossa).

Por meio do frame, portanto, pode-se contemplar a dinamicidade e a flexibilidade da linguagem, assim como o sistema conceitual próprio de cada um, pois não são estruturas estanques. Os diferentes tipos de experiências e as associações de conceituações juntam-se à Linguística, assim como às experiências de natureza sensoriomotora e às de natureza física e espacial. Consequentemente, para Fillmore, os frames não são apenas uma forma complementar de constituir conceitos, mas, essencialmente, como um repensar das finalidades da semântica linguística. Por esta razão, a Semântica de Frame é arquitetada como um arquétipo de semântica da compreensão, diversamente da semântica das condições de verdade. Com efeito, é precisamente o entendimento que deve ser perseguido quando da análise do significado linguístico. No modelo de Fillmore, assegura-se a pressuposição de que as palavras e as construções linguísticas evocam frames que podem ser dirigidos da memória de longo prazo para a memória operacional.

Nos estudos de Kathen e Alves (2008), os frames podem ser evocados por qualquer categoria lexical superior: substantivos, verbos, adjetivos e preposições. Um frame verbal chama por ações ou estados. Normalmente são executados por um sujeito/agente com o propósito de realização da ação. Fillmore (1985) argumenta que, gramaticalmente, os elementos não nucleares de um frame não podem ser argumentos nucleares de uma predicação (sujeito ou objeto). Frequentemente, são orações adverbiais ou preposicionais. Um frame verbal pode acoplar outros frames como localização, participação, tempo e ocorrência. Por exemplo, o frame verbal {GO} (verbo ir) requer atributos para preencher os “slots” de “lugar” {I go to the church}, “participação” {I go with you} e “tempo” {I go to school today}. São slots compatíveis com os papéis semânticos do frame.

Lakoff e Johnson (1999) enfatizam que os frames conceituais enraizados no inconsciente cognitivo colaboram semanticamente para a edificação dos significados das palavras e das sentenças. Nesse sentido, Maturana e Varella (2010, p. 10) explicam que a nossa experiência está indissoluvelmente atrelada à nossa estrutura: “[...] estamos num mundo e quando examinamos mais de perto como chegamos a conhecer esse mundo descobriremos, sempre, que não podemos separar nossa história das ações – biológicas e sociais – a partir das quais ele aparece para nós”.

A ideia de frame de Fillmore está basicamente conectada à estrutura proposicional da Linguística e da Semântica Cognitiva. É compreendido como uma estrutura de conceitos de formato proposicional. Porém, de forma a ampliar a compreensão de “frame” Lakoff; Johnson (1999) apresentam a proposta de Modelo Cognitivo Idealizado (MCI) – Idealised

Cognitive Model (ICM) – o qual engloba tanto a estrutura proposicional e o esquema de imagem, como também mapas metafóricos e metonímicos.

Assim, o MCI de Lakoff pode ser entendido como um frame maior e mais abstrato do que na proposta de Fillmore. Os autores dialogam na estruturação de seus modelos. A diferença ocorre pela ampliação do MCI, com o acréscimo de novos elementos que permitem uma expansão do conceito, sem denegrir as ideias básicas de frame. Para Felts (1992), o conceito de frame de Fillmore conserva semelhanças contíguas com a de MCI de Lakoff (1987), no sentido de que um frame seria uma estrutura conceitual de formato proposicional, culturalmente definido e atuaria na organização de inúmeros segmentos da realidade. Para esse estudo, são modelos que se completam e contribuem para a proposição concreta do trabalho.

In document KIVULU PROCESS AND PROJECT (sider 38-47)