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Imagem 16. Sede da Fazenda Macambira. Em frente à árvore, ao lado esquerdo da imagem, verifica-se

uma rampa que dá acesso aos animais vindos do campo aos cercados, neste caso, um chiqueiro.

Vimos, anteriormente, que a lida da Fazenda Macambira é composta pela mobilidade no campo e pela circulação de homens e animais em mangas, chiqueiros,

currais, enfim, nos cercados. Algo bastante comum nas propriedades que visitei. Porém, diferentemente delas, a extensão, a arquitetura e a distribuição das mangas de Luiz demonstram os diferentes exercícios, rendimentos e funções realizadas em cada uma de suas divisões (elementos que serão destacadas logo abaixo). Ao olhar a lógica de seus cercados, perceberemos os indícios de “Luiz ser uma exceção”. Mas também os indícios de sua propriedade e de sua lida serem uma excepcionalidade. Em síntese, veremos que o vaqueiro agrega valor à fazenda na medida em que o patrimônio fomenta o prestígio do

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proprietário. Pensemos a seguir como essas duas coisas, propriedade e proprietário, se relacionam.

Frequentemente, ainda hoje, costuma-se criar solto o pouco de gado ainda existente (porém, de maneira distinta do passado). O mesmo é válido para as criações de caprinos e ovinos. Tanto o bovino quanto os dois últimos passam horas dispersos no

campo. Mas parte deles é presa no final da tarde. Embora essa seja uma prática costumeira, a diferença entre a lida de Luiz e a de outros produtores rurais de Floresta não está exatamente no modo de criar os animais, mas na distribuição e na funcionalidade dos cercados e, claro, no modo como as circunscrições influenciam a sua forma de criar.

Os cercados são custosos. Há claramente um investimento considerável. Por exemplo, em sua fazenda, dentre as mangas que percorri, as maiores foram: duas que mediam, respectivamente, 600 metros por 2 km, e outra que media 305 metros por 1 km. Todavia, gasta-se de um lado, mas se reduz de outro. Quanto à mão-de-obra, Luiz Cordeiro foi a sua própria. Às vezes pagando a terceiros para ajudá-lo nos cercamentos. Mas por que tanto arame e cerca, tanto investimento? De um cercado a outro, isto é, em cada um dos espaços delimitados, funções e objetivos são cumpridos. A esse respeito, o vaqueiro concluiu que nas mangas, nos chiqueiros e nos currais é realizado o manejo.

Nas mangas, em específico, controlam-se a natalidade, o crescimento e a engorda. Vigiam-se o comportamento e o desenvolvimento físico do gado bovino nos currais. Nos

chiqueiros, por sua vez, realizam-se a castração e a amamentação de caprinos e ovinos, por exemplo. Ademais, é neles onde se cortam os sinais nas orelhas das criações. Na orelha esquerda, corta-se o sinal do criador. Na direita, o sinal da propriedade37. Por outro

lado, no campo, isto é, na caatinga afora (historicamente o lugar de labuta do vaqueiro heroico e mitológico), realiza-se outro tipo de manejo, adequado às práticas de campear e de descobrir bois e vacas, ovelhas e bodes, os animais dispersos e distantes.

37 Assim como nos chiqueiros, nos currais (área específica de atuação da lida com o gado) efetuam-se

também tais atividades, acrescentando-se a elas a prática de ferrar o lombo do animal. Para ilustrar algumas delas, segue abaixo três vídeos. Porém, neles constam o registro de outro vaqueiro – uma vez que com Luiz não tive a oportunidade de visualizá-las e registrá-las. 1) No chiqueiro, vê-se o vaqueiro Cláudio Correia castrando ou capando suas criações: https://www.youtube.com/watch?v=sOBmvOgw1Os; 2) No mesmo espaço, vê-se o mesmo vaqueiro assinando (recortando nas orelhas dos animais o sinal de sua pessoa, no lado direito, e o sinal de sua propriedade ou descendência familiar, no lado esquerdo, este chamado de

mourão): https://www.youtube.com/watch?v=uo4hb-Exvpo; 3) Por fim, no espaço do curral, verifica-se

Cláudio ferrando uma vaca: https://www.youtube.com/watch?v=JAfHyMi7t5g. Neste caso, no lado direito, queima-se o ferro que denomina sua pessoa, Cláudio Gomes Correia, contendo as iniciais de seu nome, CGC; e, no lado esquerdo, o ferro que constitui o carimbo de sua propriedade, a letra T, referente à Fazenda Tigre – algo que não se aplica, por sua vez, às criações de caprinos e ovinos, sendo a elas somente investido o ato de assinar.

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O vaqueiro esclarece então uma distinção entre duas territorialidades: o mais

longe e o mais perto. Na lógica do mais perto, segundo ele, configuram-se os espaços de detalhamento e de cuidado. Onde ocorre uma ação direta do criador sobre o criatório. Uma relação adjunta entre homem e rebanho que formula ali um processo de domesticação. Espaço em que Luiz laborava a pé, pois próximo aos animais. O campo, por sua vez, é a lógica do mais longe. É o lugar dos encontros possíveis, mas não certeiros, do criador e seu criatório. É o espaço onde o vaqueiro procura pelo rebanho, ainda imperceptível, ainda intocável.

Vê-se que na relativa autonomia da “criação na solta” (Vasques, 2016), articulam- se diversas técnicas e saberes, tanto para o longe quanto para o perto, tanto no distanciamento quanto na aproximação do humano com os animais. Portanto, tratam-se de dois espaços com racionalidades, saberes, práticas e habilidades distintas. Em que circulam animais de personalidade e de naturezas completamente diferentes entre si, assim como humanos de personalidades variadas, com cargos e responsabilidades particulares. Por exemplo, o criador está para o mais perto e para o mais preso, tal como o vaqueiro catingueiro está para o mais longe e para os animais soltos. O primeiro se responsabiliza pelo gado manso e pelas criações, pelas miunças, malocas. O segundo, pelos os animais bravios e selvagens. Porém, tratam-se de duas territorialidades que, para além do que as distinguem, se efetuam em conjunto, na correspondência entre o que há de semelhante em suas práticas: parte do que se entende por domesticação é praticado no

campo, assim como parte do que se entende por campear é praticado nos cercados. Portanto, cercados e campos, embora distintos, são também extensões uns dos outros e se interpenetram (Vasques, 2016: 34-35) Contudo, apesar de coextensivos, eles não deixam de ser particularmente diferentes entre si. Conforme as palavras de Luiz:

Eu faço a separação dos bichos em mangas. Os bichos ficam todos no campo e, quando aparece a primeira parição, por exemplo, vou colocando eles dentro dos cercados. Depois, solto alguns para colocar outros. E assim vai o manejo: entre o campo e os cercados.

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Imagem 17. Maloquinha de bode em uma das mangas da Fazenda Macambira.

Comparações entre duas territorialidades também presentes nas palavras célebres de Cascudo (1956):

Mangas são terrenos cercados para o gado de engorda e destinados à venda. A tradição era haver o gado de solta, engordando de acordo com os cardápios escolhidos por ele mesmo, caçando as bebidas, madorrando nas frescas malhadas sob os juazeiros e oiticicas acolhedoras (idem, 13)

Dessa perspectiva, verifica-se na lida de Luiz Cordeiro, como em muitas outras, que os humanos, os animais e os territórios onde circulam influenciam na estruturação dos cercados, na racionalização do espaço, no prontuário de certos encontros e na comunicação entre o mais longe e o mais perto, a depender das condições do criador, da natureza de seu rebanho e dos recursos materiais e financeiros disponíveis. No caso de

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Luiz, por exemplo, os açudes, os poços artesianos, os moinhos, os cercados, a vegetação, a presença de predadores (carcarás e urubus), entre outras coisas, fazem parte da lida da

fazenda. Por essa via, pode-se prever de saída que a lida não é o resultado do uso, exclusivamente material, de recursos. Ou de uma “razão instrumental”, como quer Sahlins (1976), que propiciaria às relações humanas o seu lugar na natureza depois de tê- la superado, de tê-la conquistado pelos aprimoramentos simbólicos coexistentes às práticas. Por outro lado, as possíveis soluções e os contornos à seca, trazidos por Luiz Cordeiro nesta seção, são fruto do “engajamento técnico” (Ingold, 2000a) entre humanos e não-humanos, e não da oposição, da sobreposição ou mesmo da justaposição dos humanos à natureza. Isso significa dizer que o vaqueiro se articula na natureza segundo a mutualidade entre conhecimento e experiência. Neste caso, exemplificadas por um

vaqueiro instruído, munido de criatividade e de domínios específicos. Em linhas gerais, a capacidade de contornar a seca é fruto de métodos e de táticas inventivas – como haveremos de observar nas linhas seguintes – que não provêm de uma estrutura simbólica, senão de agenciamentos coletivos (Deleuze e Guattari, 2007, 2008a) que compõe com os seres existentes no mundo realidades outras que doravante se atualizam e se diferenciam. De modo a não supor, é claro, uma racionalidade determinante, na verdade, o que pretendo, na extensão do necessário ao instruído, é contrapor-me, agora, ao que anteriormente, nesta etnografia, fora dito a respeito do vaqueiro de verdade, na posição de homem do campo que, segundo as circunstâncias da necessidade, labuta contra a natureza intempestiva e bravia de bichos e caatingas, como se o fizesse por mera sobrevivência. Desta vez, pretendo somar a essa perspectiva uma outra: a de que as

necessidades (da qual tanto falavam os vaqueiros) se efetuam no plano dos agenciamentos. Dos agenciamentos do vaqueiro com a terra, com os bichos, com a seca, com o sol, com os saberes e as técnicas. Enfim, com o que há de contemporâneo e com as ponderações e os instantes que o instiga a dar às coisas novos usos, novas investidas, novos saberes. Ora, veremos nas linhas seguintes que, para dar novos matizes ao laboro, à lida e ao manejo, Luiz Cordeiro interveio – e aqui inspiro-me em Roy Wagner – no que está “dado”, no que é convencional. Neste caso, Luiz só intervém na tradição e na natureza dos territórios e dos animais, ao somar às suas necessidades prévias os ajustes posteriores demandados pelos artifícios, pelas invenções e pelas atualizações agenciadas doravante na posição de vaqueiro instruído. Vejamos a seguir o que isso significa.

Por conta da seca, por exemplo, o professor elaborou esquemas peculiares de irrigação. Um deles é a construção, na parte inferior de um serrote, de um pequeno açude,

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cuja irrigação se faz permanente pela técnica de gotejo, sistema de circulação de água por gravidade. Através desse processo, água que é bombeada no poço artesiano, localizado a vários metros de distância, desce do extremo até a parte inferior do terreno, ou seja, o açude. Com isso, Luiz elaborou um reservatório dividido em três partes, cada uma delas pertencente a uma manga, a uma divisão específica. Dessa forma, em qualquer uma delas, os animais bebem da mesma fonte, mas em repartições distintas.

Imagem 18. Bebedouro adaptado – Invenção de Luiz Cordeiro.

Nos cantos laterais da imagem, vemos os cercados dividindo o serrote, tendo este uma central e duas laterais. Cabe notar que a engenharia foi montada no ambiente de uma seca em que o Rio Pajeú e o Riacho do Navio38 ficaram vazios.

A despeito disso, Luiz afirma que, com novas tecnologias e somando os seus

conhecimentos de professor aos de vaqueiro, “o Sertão hoje tá muito bom”. Distinta

percepção se comparada com a de muitos outros vaqueiros que conheci, para quem o tempo de antigamente foi, a qualquer custo e de qualquer modo, muito mais glorioso que o de hoje. Para meu amigo, no entanto, as dificuldades contemporâneas não deixaram de

38 Umas das fontes de água mais importantes do produtor rural florestano, sendo o Riacho do Navio um dos

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ser contornadas. Na medida do possível, ganha-se rumo a partir de novos investimentos, de novas ideias. No limite, basta o vaqueiro se organizar, munir-se de sua criatividade e, não menos, da paixão que o move na lida diária com o rebanho.

Mostrando as barragens e os reservatórios de água, Luiz deu margem a reflexões permeadas de glória. Mas não eram nostálgicos os seus pensamentos. Estes, na verdade, eram glorificações do presente. Para ele, ter os seus açudes perenes, cercas delimitando suas terras, mangas funcionalizando os afazeres, vegetação nativa intacta no período de

seca, entre outras coisas, eram motivos de orgulho. O vaqueiro orgulhava-se de sua notoriedade – aos olhos dos florestanos – como sujeito de prestígio. De sua notoriedade como alguém bem de vida. Mais do que isso, Luiz orgulhava-se de seu manejo autônomo. De rebanhar, diariamente e autonomamente, um rebanho com mais de setecentas cabeças de bode.

Para tanto, diz o vaqueiro, há de se estabelecer um movimento e mediá-lo por uma série de sinais. O silêncio e as vocalizações, por exemplo, são duas habilidades de quem “vive na lida”. Para encontrar o rebanho, métodos comunicativos (que serão melhor trabalhados no capítulo III, cf. 3.2.5) são agenciados. Métodos que, por si só, não são mera comunicação ou gesticulação entre humanos e animais. A caminho, existem outras intencionalidades. Assim, é preciso conhecer o território. Saber onde os animais circulam, onde comumente transitam, onde se alimentam, onde vivem no campo. Movimentar-se, nesse sentido, é decifrar e percorrer rastros e veredas. Não se trata apenas de investir tempo no rebanho. Mas saber fazê-lo nos melhores caminhos, saber passar de um lugar a outro. Mas como movimentar-se adequadamente?

Os rastros, as pedras, os serrotes, uma quixabeira ou um imbuzeiro, somados a tantos outros pontos de referência, localizam o vaqueiro o quão perto ou longe está do rebanho e das fronteiras. Isto é, muitas referências guiam o vaqueiro pelas bordas, nos limites, nos limiares. Seja para atrair as criações e cercá-las, seja para deixá-las no campo,

na solta. Seja para segui-las por mais algumas horas, seja para esperá-las retornarem no final da tarde.

Luiz, ao encontro de alguns coletivos, sempre os rebanhava de uma manga à outra, rumo às repartições que servem às necessidades de cada membro. Se, conectar os cercados entre si tem por finalidade autonomizar o manejo, para tanto, é necessário que os recortes fluem como canais, para que os animais se disponham em grupos, a fim de atender aos objetivos do criador. Conectar uma manga à outra permite que, recortados os espaços, os animais hajam habilmente e contribuam, de forma prática, menos custosa,

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sejam zelados, laborados e rebanhados, de modo a colaborar com a autonomia do vaqueiro. Portanto, do território, dos cercados e dos animais, Luiz extrai muitas leituras, ferramentas, saberes e aplicações técnicas. Das condições de seca e de estiagem, ele encontra os seus contornos, as soluções, os desvios. Ao fazê-lo, ele também extrai para si mesmo maiores parcelas de prestígio, de autonomia, de orgulho, de paixão. No limite, com a propriedade atinge-se a subjetividade do proprietário.

Muitas foram as vezes que Luiz indicou a singularidade do manejo e reiterou as vantagens de o autonomizar para ser vaqueiro e patrão de si mesmo. Então, junto à configuração dos cercados, atingir essa posição o possibilitava avançar ainda mais em eficiência e em liberdade. Ora, não precisar de funcionário e nem de cavalo fazia do

conhecimento o que o diferenciava de muitos criadores de Floresta. Se ter funcionários impunham gastos, ele decidiu se tornar patrão de si mesmo, construindo mangas que substituíssem a mão-de-obra humana. Se o cavalo é sinônimo de tempo perdido, ele passou então a campear de moto.

Todavia, para muitos vaqueiros e para o saber oficial, os cercados sempre foram, em excesso ou não, um problema. Eles sempre foram, junto às estiagens, o elemento codificador e transformador da natureza do gado bovino, de sua modificação de brabo a

manso. Para Luiz, por outro lado, os cercados são elementos favoráveis à economia, à ecologia e à mobilidade. O uso de cercas, arames e mourões na complexificação de uma já tradicional disposição arquitetônica, doravante expandida e intensificada, não só divide as propriedades e não só codifica a natureza dos animais. Eles autonomizam e agregam artifícios que a seca desabilita e enfraquece. Então, mais do que um problema, os cercados são a solução. Mais do que limitar, encerrar e circunscrever, hoje, cercar – como o faz Luiz Cordeiro – desencadeia em liberdade.

Meu amigo sabe exatamente em que ponto e quando se conectar com o seu rebanho, se distante ou perto. Os cercados, junto com as árvores e os serrotes, são referências primordiais da mobilidade. Para a lida no ambiente singular da caatinga os entrecortes e as cercas – tal como Luiz as elaborou – agenciam homens, territorialidades e espécies animais que, em conjunto, formam mobilidades e cruzamentos: de uma manga à outra, das mangas ao campo, dos campos aos cercados, do gado brabo ao manso, do cavalo à moto. De um lado, nas mangas dá-se a mobilidade de vaquejar a pé. De outro, nos campos, eis as possibilidades de campear a cavalo, a pé ou motorizado.

Mas como toda essa elaboração descritiva importa à categoria ser vaqueiro já desde o início desta etnografia definida e caracterizada pela perspectiva da inventividade?

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Como entender as mobilidades, os usos e as criatividades sem que haja uma predisposição analítica a determinismos culturais, uma vez que tradição e cultura aparecem constantemente na fala nativa como meios explicativos das diferenças e das semelhanças entre sujeitos e contextos? Além do mais, como se desviar da perspectiva de que os movimentos e as invenções são o efeito de comportamentos ou modelos que operaram sob a lógica da externalidade de uma Natureza e que serve de base para a formulação de códigos culturais sobrepostos ou antecedentes às ações e práticas? Para pensar tais questões, trarei doravante outro acontecimento. Um breve deslocamento. Uma vereda.

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