4 Food and feed safety assessment
4.4 Toxicological assessment of soybean A5547-127
4.4.3.3 Assessment of allergenicity of proteins derived from the GM plant
Do enfermeiro exige-se o cuidar, o que implica a tomada de decisão de forma autónoma ou interdependente. Segundo Benner (2001, p.31) faltam “ as observações sistemáticas daquilo que aprendem as enfermeiras clínicas na sua prática quotidiana”, pelo que, o uso consciencioso e judicioso de resultados de investigação e de informação baseada em teorias para tomar decisões sobre os cuidados a prestar à pessoa e família, é apontado como diretriz (Macnee, 2004).
Visando assim a compreensão da prestação de cuidados de enfermagem à família da pessoa com doença oncológica a nível de enfermeira especialista, adotei como referencial teórico a teoria de Betty Neuman e o seu modelo de sistemas. A teórica defende o cuidar em enfermagem à totalidade da pessoa, nas suas variáveis fisiológica (estrutura e função corporal), psicológica (processos de pensamento e reflexão), sociocultural (funções sociais e culturais), de desenvolvimento (tarefas de cada etapa do ciclo vital) e espiritual (influências exercidas pela crença espiritual). Enquanto sistema aberto, “o cliente pode ser definido como pessoa, família, grupo, comunidade ou assunto” em constante interação com o ambiente, que é entendido como as forças internas e externas que rodeiam a pessoa. Essas forças são denominadas de fatores de stress1 e que podem perturbar o estado de bem-estar
(Lawson, 2014, p.284).
O ambiente interno existe no interior do sistema do cliente e é constituído por forças e influências que interagem e estão unicamente dentro dos limites desse sistema. O ambiente externo existe fora do sistema do cliente e é formado por todas as forças e influências que estão fora dos limites desse sistema. Identifica-se um terceiro ambiente denominado de ambiente criado cujo objetivo é proporcionar um estímulo positivo em direção ao bem-estar do cliente. Sendo a pessoa um sistema aberto mantem vários níveis de harmonia e equilíbrio entre o ambiente interno e externo, pelo que Neuman não define saúde, mas considera que existe um processo de interação
1 Os fatores de stress podem ser intrapessoais : forças que ocorrem na pessoa, como as respostas condicionadas
(ex. raiva); interpessoais: forças que ocorrem entre uma ou mais pessoas, como as expectativas de função (ex. relação entre familiares) e extrapessoais: forças que ocorrem fora do individuo, como as circunstâncias financeira (ex. desemprego) (Tomey & Alligood, 2002).
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e adaptação contínuo determinado pelas variáveis fisiológicas, psicológicas, socioculturais e espirituais. Ou seja, se todas as necessidades da pessoa estão satisfeitas, esta encontra-se num estado de bem-estar ótimo, por seu lado, se existirem necessidades insatisfeitas, o estado de bem-estar pode estar reduzido (Lawson, 2014).
O sistema cliente é representado por uma série de círculos concêntricos que cercam a estrutural básica. A estrutura básica é constituída por fatores básicos de sobrevivência, inerentes a todo o ser humano. Os primeiros círculos que rodeiam a estrutura básica são as linhas de resistência, representam o conjunto de fatores internos de resistência contra os fatores de stress e cuja função é ajudar a pessoa a manter o equilíbrio e a harmonia entre os fatores internos e externos do seu ambiente, ou seja, retornar a um estado de bem-estar. As linhas de resistência são ativadas quando a linha normal de defesa é quebrada por um fator de stress (Lawson, 2014). A linha de defesa normal rodeia as linhas de resistência e representa aquilo que cada pessoa desenvolveu ao longo da vida, ou seja, um conjunto de respostas ao ambiente, nomeadamente a capacidade de resolução de problemas e a capacidade de os enfrentar. Esta linha representa o estado normal de bem-estar e quando é quebrada, o sistema cliente reage, traduzindo-se em sintoma de instabilidade ou doença, diminuindo a capacidade para se proteger contra os fatores de stress (Lawson, 2014). Por último, o sistema cliente possui a linha de defesa flexível que é considerada como uma proteção da linha de defesa normal, impedindo que os fatores de stress atravessem o normal estado de bem-estar. Quando a linha de defesa flexível não é capaz de proteger a pessoa contra os fatores de stress quebra a linha normal de defesa, resultando em instabilidade do sistema (Lawson, 2014).
Neuman define enfermeira como uma “participante ativa com o cliente e como estando relacionada com todas as variáveis que afetam a resposta do individuo” aos agentes de stress (Tomey & Alligood, 2002, p.342). Assim, a enfermagem preocupa-se com todas as variáveis inerentes ao stress2 provocado na pessoa como um todo, ou seja,
2 Neuman utilizou a definição de stress de Selye, que é a resposta não especifica do corpo a qualquer pedido
que lhe é feito. O stress aumenta a necessidade de reajustamento e requer a adaptação ao problema, seja qual for a sua natureza (Tomey & Alligood, 2002)
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como um cliente individual, inserido na família e na sociedade, realizando intervenções de forma a obter e manter um nível máximo de bem-estar.
O modelo de sistemas de Neuman promove o cuidar centrado na unidade familiar, considerando-a como cliente, na medida em que a define como “um grupo de duas ou mais pessoas que criam e mantém uma cultura comum, e cujo objetivo central é a continuidade” (Martell, 2005, p.241). O sistema familiar é um todo organizado e os indivíduos na família são interdependentes e interativos e cada sistema possui caraterísticas para assegurar a sua estabilidade, contudo considera-se que estão sempre a mudar, em resposta ao stress e às tensões vindas do ambiente externo “bastando que ocorra uma alteração numa só parte do sistema, para que todo o restante seja afetado” (Martell, 2005, p.46; Neuman & Fawcett, 2011).
O sistema familiar é então ameaçado quando exposto a forças internas e externas que afetam a sua estabilidade e bem-estar, tais como a presença de doença oncológica num dos seus membros. As mudanças e os eventos críticos experienciados pela pessoa com o diagnóstico de doença oncológica originam inevitavelmente mudanças nos membros da família e na estrutura inter-relacional do sistema. A presença da doença aumenta a necessidade de reajuste da família por meio da mobilização de recursos de coping para lidar com os problemas atuais e/ou potenciais, ou seja, implica sempre uma adaptação ao problema, seja qual for a sua natureza, de forma, a cumprir as suas funções de um modo mais saudável, entendendo a adaptação como um processo “dinâmico e continuo” (Lawson, 2014). Como teoria “interativa e holística”, promove o cuidar em enfermagem à pessoa enquanto membro ativo de um sistema familiar, pelo que uma praxis suportada nestes pressupostos permite uma avaliação e intervenção a toda a família e sua dinâmica, ou seja, cuidar da unidade familiar enquanto cliente (Tomey & Alligood, 2002; Martell, 2005; Lawson, 2014).
Em suma, “o curso da vida é marcado por períodos de estabilidade, instabilidade e retoma da estabilidade” (Murphy, 1990, p. 2), pelo que, o sistema familiar vai evoluindo no processo de adaptação às mudanças e através do qual o individuo satisfaz as suas necessidades, sendo o bem-estar alcançado quando todas as partes do sistema estão em harmonia (Tomey & Alligood, 2002).
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3. METODOLOGIA DE TRABALHO
A metodologia que suportou o meu percurso consistiu no trabalho de projeto, que entende-se por “um conjunto de técnicas e procedimentos utilizados para estudar qualquer aspeto da realidade social, que permite prever, orientar e preparar o caminho que os intervenientes irão fazer” (Gonçalves, Leite, Fernandes, Andrade, Guerreiro, Salvador, et al., 2010, p4). Neste âmbito, realizei três momentos de estágio, o primeiro numa unidade de cuidados paliativos do Hospital A, seguido do estágio num serviço de transplantes de medula óssea e seu respetivo hospital de dia do Hospital B, culminando com o estágio no meu contexto de trabalho, um serviço de medicina do Hospital C, num período temporal de 5 meses. De acordo com Alarcão e Rua (2005), os estágios são momentos de observação e intervenção com o objetivos de desenvolver capacidades, atitudes e competências.
Tendo em conta que, com a realização do presente trabalho, pretendia alcançar o desenvolvimento de competências de enfermeira especialista, adotei como estratégias a observação e a reflexão sobre a prática de peritos no cuidar a pessoa com doença oncológica e sua família nos referidos campos de estágio, nomeadamente dos enfermeiros orientadores, que segundo Benner (1995) representam uma fonte de novos dados e de novos saberes sobre os cuidados de enfermagem. Considerei igualmente pertinente prestar cuidados à pessoa e família com doença oncológica, inserida em equipas de saúde de excelência, na medida em que, permitiu-me refletir na ação (reflection-in-action), ou seja, analisar os meus cuidados no momento da sua prestação e modificá-los de acordo com o desenrolar de cada ação, contrariando o agir automático e rotineiro e, simultaneamente, transformando a minha prática (Rua, n.d.; Waldow, 2009). Tal como refere o autor Waldow (2009), o profissional ao refletir sobre o que se faz permite atualizar-se, renovar-se, simplificar-se e tornar-se melhor e mais eficiente.
Também segundo afirma Menoita (2005) é equacionando na confrontação consigo, com os outros e com o mundo e da transformação das suas perspetivas que o sujeito se forma, pelo que outra das estratégias utilizadas consistiu na reflexão sobre a
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reflexão na ação (reflection-on-reflection-in-action), ou seja, refleti de forma regular e sistemática sobre a minha prática com os enfermeiros orientadores; identifiquei necessidades da família da pessoa com doença oncológica e analisei os registos de enfermagem acerca dos cuidados prestados à família da pessoa com doença oncológica (Rua, n.d.; Waldow, 2009). Considerando que o “ato de escrita é, por natureza um ato reflexivo” (Alarcão & Rua, 2005, p. 381), elaborei reflexões escritas sobre momentos experienciados nos estágios e considerados significativos de aprendizagem, utilizando o ciclo de Gibbs (Jasper, 2003).
O meu percurso foi suportado numa pesquisa bibliográfica, realizada em bases de dados nacionais (Repositório Científico de Acesso Aberto em Portugal; DGS; INE; Biblioteca Virtual em Saúde e Scielo Portugal) e internacionais (CINAHL; MEDLINE; Academic Search Complete; Cochrane Database of Systematic Reviews; Scielo Brasil; EONS e World Health Organization) e cujos descritores utilizados foram: Enfermagem (nursing); Pessoa com Doença Oncológica (Person with Oncological Diseases OR Person with Cancer); Família (Family); Hospitalização (Hospitalization). Estima-se que em 2020, 90% das decisões em saúde serão baseadas em evidência (The IOM Roundtable on EBP, 2010) 3. Assim, o uso consciencioso e judicioso de
resultados de investigação e de informação baseada em teorias, para tomar decisões sobre os cuidados a prestar à pessoa foi fundamental para o desenvolvimento de um conjunto de atividades estruturadas para a gestão da problemática (Macnee, 2004).
No meu contexto de trabalho, para além das estratégias acima enumeradas, realizei sessões de informação à equipa de enfermagem sobre a prática de cuidados centrados na família, elaborei documentos expositivos de sensibilização para a temática bem como de apoio aos registos de enfermagem, reuni uma lista de opiniões e sugestões sobre o projeto e promovi momentos de análise de casos com a equipa de enfermagem e de situações de cuidados com a enfermeira orientadora.
O meu percurso culminou na realização do presente relatório de estágio, que “concretiza todo o processo de desenvolvimento” (Assenhas, Miranda, Silva, Xavier & Pereira, 2010, p.32). Sendo neste olhar sobre mim e sobre a profissão que tomo consciência das competências pessoais e profissionais alcançadas. (Rua, n.d.).
3Unidade Curricular de Investigação em Enfermagem. Suporte teórico da Aula. Professora Maria
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4. PERCURSO DESENVOLVIDO
O presente capítulo visa espelhar a trajetória desenvolvida no estágio realizado durante dezoito semanas e em três locais distintos: unidade de cuidados paliativos do Hospital A; serviço de transplantes de medula óssea e respetivo hospital de Dia do Hospital B e no meu contexto de trabalho, um serviço de medicina interna do Hospital C. De seguida apresento os objetivos delineados para cada local de estágio, analisando as estratégias efetuadas e os seus resultados, assim como, as competências de enfermeira especialista desenvolvidas.