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Assessing the technological readiness of scenarios

In document MASTER THESIS (sider 50-59)

4. Development scenarios and technology selection

4.1. Description, initial assessment and ranking of development scenarios

4.1.5. Assessing the technological readiness of scenarios

Nesta relação parental, os progenitores são surdos, (não escutam ou muito pouco) dependente do tipo de apoio auditivo que possam usar, podendo tal situação, refletir-se na construção da comunicação, no desenvolvimento e na formação da personalidade dos seus filhos ouvintes. Nesta tipologia, a criança pode acabar por desenvolver desde cedo a LG, integrando-se na comunidade surda, e simultaneamente a aprender a comunicar oralmente com os seus pares e outras famílias ouvintes. Desta forma, podem tornar-se Bilingues ou CODA - Children Of Deaf Adults, uma vez que crescem em duas línguas: a língua gestual e a língua oral, podendo da mesma forma, viver num ambiente bilingue e bicultural.

Segundo Streiechen et al. (2017, p. 5466), “ pelo fato de conviverem com seus pais surdos, adquirem, naturalmente, a língua gestual (…)e internalizam a cultura surda”. Estas crianças, embora ouvintes podem, no entanto, apresentar dificuldades que embora não sejam tão percetíveis, são significativas para encaminhamento especializado. Assim,

tendo em conta a dinâmica familiar e social, onde a comunicação oral é mais limitada e em que pode existir pouco desenvolvimento linguístico, Bezerra & Mateus (2017, p. 453) salientam a necessidade de reflexão “sobre o desenvolvimento linguístico cognitivo, inserção cultural e escolarização” deste grupo de crianças, podendo tal influenciar no processo de aprendizagem, onde podem surgir problemas na escrita devido à familiarização com a língua gestual, pois estes podem interiorizar “a estrutura sintática da língua de sinais muito mais do que a da língua oral” (Streiechen et al., 2017, p. 5475). Na perspetiva de alguns autores, Souza, 2014; Melo, 2015; Pereira, 2013, (cit. in, Streiechen et all, 2017, p. 5470) “isso poderá gerar conflitos na hora de escrever, pois precisam utilizar a estrutura da língua portuguesa que difere completamente da língua gestual, isto é, a criança ao escrever pode apresentar erros, originados da interferência de uma língua sobre a outra. Para Sousa e Quadros (2012, cit.in Streiechen et al., 2017, p. 5472) as “estruturas e itens lexicais de uma língua podem ser transferidos para a outra em situações de bilinguismo –, trazendo, portanto, implicações para sua escolarização”.

Na diversidade cultural e linguística em que vive, a criança pode manifestar confusão, sentir-se dividida, isto porque em seu âmbito escolar, existe a exigência de se comunicar fluentemente na oralidade, enquanto, que em ambiente familiar é diferente. Desta forma, segundo Clark (2003,p.2) podem muitas vezes, isolar-se e rejeitar os pares por não se sentirem confortáveis ou não quererem estar associados a familiares surdos, criand-se assim uma situação, da qual, não podem dialogar abertamente com os pais, acerca das suas emoções e sentimentos de rejeição, por medo de ferir seus sentimentos.

Bezerra & Mateus (2017, p.466) afirmam que:

“A criança não vê a necessidade de praticar a oralidade, pois seus pais não se comunicam por meio de sons, o que pode tornar difícil sua adequação a contextos diferentes, com demandas linguísticas diversas”.

Essa maneira de ser e de estar, que é aquela que a criança melhor conhece a nível de comunicação pode originar obstáculos linguísticos e educativos, ficando esta duplamente prejudicada, caso exista paralelamente também afastamento dos pais pela escola derivados de falhas comunicativas. Uma das preocupações comuns neste grupo é exatamente a forma de comunicação dos professores com os pais em reuniões ou outros eventos. No que diz respeito à participação dos pais no percurso educativo, Coelho (cit. in Barbosa, 2017, p.69) dá o seu exemplo, pois foi percebendo que os pais “não faltavam porque queriam, mas sim porque não conseguiam efetivar em pleno o papel de

encarregados de educação devido à barreira da comunicação e foram-se conformando ao longo dos anos”.

Por outro lado, estas crianças podem deparar-se com a situação de assumirem a responsabilidade de se tornar intérpretes e o principal meio de comunicação para os pais. Neste sentido, uma das preocupações a salientar é o facto de poder estar exposta a temas de comunicação (exemplo, consultas médicas), que não são adequados ao seu nível de desenvolvimento, “colocando-os em situações confusas ou vulneráveis e criando uma pressão adicional de que são jovens demais para se desfazer”(Connor, 2004,p.4). Outra questão pertinente é o facto da criança sentir a necessidade de se tornar “ em alerta” na proteção dos seus pais. Neste sentido, Coelho (cit. in Barbosa, 2017, p. 65) relata numa aula ter de “preencher uma ficha com os dados pessoais e começar a chorar” isto porque nesse dia o pai tinha uma junta médica “e eu sentia a obrigação de o acompanhar, porque achava que ninguém o iria perceber …achava perfeitamente anormal o meu pai, que é surdo (…) fazer aquilo sem mim!”, sendo esta uma questão importante a ser refletida e debatida no desenvolvimento destas crianças. Coelho (cit. in Barbosa, 2017, p. 61) refere também que quando precisava da atenção dos seus pais, tocava-os, por exemplo, “queria uma bolacha puxa-lhes um dedo e levava-os até à porta ou até ao armário de bolachas e apontava”. Assim, devido ao contacto com os pais surdos, a sua aquisição da língua gestual foi natural.

Outra questão a salientar é o modo como estas pessoas são ainda vistas pela sociedade, podendo ainda permanecer o rótulo de “deficiente”, ou algum preconceito, o que na perspetiva de Gofmann (1988, cit.in Streiechen et al., 2017, p. 5469), “faz com que os filhos ouvintes de pais surdos não se sintam confortáveis em conversar com seus pais surdos em público”, pois ao estar a “gestuar” com os pais podem ouvir observações e comentários desagradáveis. Neste sentido, Coelho (cit. in Barbosa, 2017, p. 60) refere que quando nasceu “a obstetra da minha mãe queria que ficasse mais tempo (…) com receio que os pais não soubessem tomar conta de mim, não pela falta de experiência mas por serem surdos”. Já Santiago (Barbosa, 2017, p.103) refere que:

“Sua mãe queria ser autónoma, sentir que sabia cuidar de mim e do meu irmão (…) como outra mãe, surda ou ouvinte, que não precisava que ninguém a acompanhasse a qualquer local (…) tinha esse direito, o direito de saber tratar deles”.

Santiago refere também que ainda se considerou na sua infância, a hipótese de perda auditiva devido ao seu atraso na fala, mas que, através do apoio da terapia da fala desenvolveu o seu vocabulário e comunicação. Foi “crescendo, aprendendo duas línguas,

a língua gestual portuguesa e a língua portuguesa, (…) sou Bilingue”. (Santiago, cit. in Barbosa, 2017, p. 104). Na perspetiva de Sousa (2012, p.402), “este grupo pertence a uma maioria ouvinte, mas também pertence a uma minoria surda, constituindo por si só uma minoria dentro de uma outra”. Desta forma, é frucal que estas crianças recebam estímulos e referências verbais/ orais, podendo desenvolver as suas interações com os outros e o meio de forma mais fluente, desenvolvendo a sua comunicação oral e reconhecendo, na pessoa ouvinte e/ou surda, um parceiro comunicativo.

Por outra perspetiva, Lane (1997, cit. in Pereira, 2008, p. 32) descreve um casal francês surdo com dois filhos ouvintes que sempre comunicaram em língua gestual com os filhos, e sempre se esforçaram para que os filhos tivessem acesso ao mundo ouvinte, contactando com a comunidade ouvinte com o intuito de estes, conhecerem os valores da sua comunidade, conscientes de que os filhos,” mais tarde, estariam destinados a integrar- se no mundo ouvinte”. Assim, Kerri Clark (2003, cit. in. Connor, 2004, p.4) salienta como importante que:

“Os pais surdos devem certificar-se de que ensinam ao filho ouvinte a forma de comunicação usada predominantemente por eles, pois é fundamental que o filho ouvinte possa comunicar seus sentimentos com os pais e não apenas servir como um intérprete para os sentimentos e decisões dos pais ”.

Neste âmbito, a criança acaba por fazer partes de dois mundos linguísticos e culturais: o Português oralizado e a LGP, o sentimento de pertença à comunidade surda e à comunidade ouvinte. No entanto, não se pode considerar que estas crianças, filhas de surdos, sejam todas Bilingues, considerando-se o exemplo de filhos de pais surdos que conseguem oralizar, ou que não tenham tido acesso à LGP.

In document MASTER THESIS (sider 50-59)