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3. Biomass resources and availability

3.1. Assessing present resources and future potential 1. Previous studies

“(…) a televisão educativa deve funcionar como um modo de criação de um eleitorado mais inteligente e iluminado tornando-se um factor de integração para a democracia”

John Reith, fundador da BBC

No ponto anterior esboçamos o modo como a televisão evoluiu ao longo do tempo e mostramos o percurso dos principais canais televisivos nacionais, o presente capítulo debruçar- se-á acerca do conceito televisão educativa.

Ao efectuar uma primeira análise bibliográfica acerca deste conceito uma das conclusões que podemos tirar, à partida, é uma enorme dificuldade na sua definição, motivada pelo facto de não existir uma definição ímpar e coerente capaz de definir da melhor forma o conceito televisão educativa. Por outro lado, não há lei em Portugal que determine o que é um programa educativo nem que obrigue e “regule a inclusão deste tipo de programação nas grelhas das emissoras” (Croitor, 2001 cit. por Carneiro, 2005).

Assim e através da análise de referências de vários autores, as próximas linhas tentarão dar uma noção, o mais aproximada possível, do que se entende por televisão educativa de modo a que os leitores possam compreender o melhor possível este conceito.

Antes de mais, interessa perceber o que é a televisão e o que é a educação. Geralmente a televisão pressupõe “entretenimento, evasão, diversão e emoção”, de forma clássica a educação associa-se “ao educativo à sala de aula, aos objectivos curriculares, concentração, racionalidade” (Carneiro, 2005). Neste âmbito, podemos ver que as principais questões decorrentes da junção entre estes dois conceitos são: de que serve manter de forma tão limitada a concepção de educativa? Será credível submeter as produtoras e estações de televisão à responsabilidade de serem agentes educativos?

Não podemos esquecer o facto, como foi referido atrás, de que as produtoras de televisão têm fechado as portas aos programas pedagógico-didácticos, sublinhando mais uma vez a imagem de televisão como entretenimento e diversão, no entanto, têm-se observado a intenção de integrar a educação numa modalidade mais expressiva e indirecta, numa versão cinematográfica e artística, mas sempre categorizando o educativo como “o género inferior”:

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“Produzir TV diferente para uso diferenciado, pedagógico, parece-nos uma proposta equivocada, embora tecnologicamente possível. Preferimos partir da TV comercial e da escola que temos, pois acreditamos que educar pressupõe uma íntima relação do ser humano com sua realidade. Só dessa relação matricial podem surgir as condições de afloramento de consciência crítica. Assegurar a coerência entre a realidade contextual e a educação exclui o artificialismo de situações pedagógicas especialmente produzidas”.

(Resende, 1989 cit. por Carneiro, 2005:184)

Vários estudos apontam que muitas vezes as crianças aprendem mais ao visualizar programas não educativos67, pois frequentemente a educação das crianças é “influenciada mais

fortemente pela programação regular das emissoras do que por programas especificamente educacionais" (Carneiro, 2008).

No fundo e como a maior parte dos autores salienta, actualmente, um programa educativo assenta num programa produzido em função de uma “intencionalidade educativa” (Carneiro, 2008). Esta, é sem dúvida uma definição que se baseia aos princípios da televisão educativa, em que esta dizia respeito a toda forma de veiculação, via TV, de programas e projectos que objectivavam o ensino de algo. Alguns autores referem mesmo que na altura “o uso popular permitiu ao termo televisão educativa compreender quase todo tipo de programa educacional de televisão, apresentado para qualquer finalidade séria ou que tente ensinar alguma coisa” (Gordon, 1967).

Em 1963, o Serviço Fixo de Televisão Educativa declarou que a finalidade primordial da televisão educativa era transmitir matéria educativa visual e sonora a determinados locais receptores, em escolas públicas e particulares, faculdades e universidades e outros centros de instrução para a educação formal dos alunos” (Burke, 1974). Esta definição, embora apresentasse várias “limitações” de alcance e de programação, assumiu-se como o embrião para o surgimento do actual conceito de televisão educativa, pois descolou as emissoras dedicadas à educação das emissoras que tinham finalidades comerciais.

Apesar de estas definições já fazerem referência ao carácter educativo da televisão, interessa salientar a definição de Leal Filho (1997), que refere que a “rádio e a televisão são

67 De acordo com um balanço de pesquisa sobre televisão e criança na América Latina, realizado por Guillermo Orozco Gómez, a

corrente que mais proliferou em estudos sobre os efeitos deste mídia centrava-se nos efeitos educacionais da programação não

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veículos da produção cultural de um povo ou de uma nação” e que, para exercerem essa tarefa não podem ser “contaminados por interferências políticas ou comerciais”.

Melgar (2009) concorda com as ideias anteriores, dando-nos a entender que a televisão tem uma posição privilegiada como meio de comunicação68 que alcança milhões de pessoas e

cumpre o importante papel de mudar estereótipos, evitar prejuízos e colaborar na plena integração das minorias sociais. Este autor vai mais longe, referindo que no meio de muitos dos telespectadores estão “pessoas com necessidades educativas especiais, pessoas discriminadas, as marginalizadas, as minorias culturais e étnicas”.

É através desta cultura produzida para massas (Silva, 2005) que a televisão educativa deve desenhar os programas com uma finalidade educativa clara, a de modo a que o planeamento técnico caminhe ao lado do didáctico, de que os conteúdos sejam definidos sob uma base educativa. A acrescentar a estas concepções temos ainda de ter em conta a ideia de que a televisão educativa deve ter “parâmetros diferentes dos utilizados na televisão dita comercial” (Melgar, 2009), e acima de tudo, que o critério de qualidade prime sobre o da audiência.

De uma forma geral podemos então dizer que a televisão educativa visa transmitir conteúdos de carácter formativo e educativo por meio da televisão. Esta, que quase sempre é utilizada como um meio de entretenimento, torna-se uma ferramenta de ensino, devido ao enorme poder da imagem e da sua consequente influência. Deste modo, a televisão educativa é um instrumento capaz de “salvar as diferenças e humanizar a convivência das pessoas” (Melgar, 2009), tornando-se um meio de melhorar a comunicação entre os cidadãos, bem como a cultura e o nível socioeconómico das pessoas. No entanto, e ao observarmos a panóplia de programas que a maioria das estações televisivas transmite, debatemo-nos certamente com uma importante questão: existirão programas verdadeiramente educativos? É sob essa questão que trata o ponto seguinte.

68 A este respeito Cardoso et al (2009:61), citando um estudo anterior (Cardoso, 2006) referem que a comunicação é um produto

que depende de três condições: “a organização económica dos media que se reporta à forma como se relacionam os diferentes

media em função em termos de transmissão e produção de conteúdos; as diferentes matrizes de media que se reportam às

nossas representações ou atitudes face aos media e às formas de classificação dos media em função das nossas necessidades e objectivos e por último, as nossas dietas mediáticas, ou práticas com os media”. De acordo com estes autores a conjugação de estas três dimensões veio produzir um modelo comunicacional que articula a comunicação interpessoal e a comunicação em massa.

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