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Os atributos fundacionais (Figura 1), são o que estão na origem da IO, veiculados pelos seus fundadores Albert e Whetten (1985), a IO é diferenciada sob três aspetos (C, D,C), que formam as organizações e a sua identidade. Esta teoria da IO nasceu a partir da compreensão do que constitui a identidade individual e a partir da contribuição de outras teorias fundamentais, apresentadas na (figura 1).

Teoria da Identidade Organizacional Principais teorias que contribuíram para a formação da IO

Dimensões

Figura 1 - Dimensões dos atributos fundacionais

Começando pelas características que serviram de suporte e base à conceção da IO, sem dúvida que estes autores conceberam um trabalho pioneiro e de grande projeção no campo

Teoria da Identidade Organizacional Albert & Whetten (1985)

Central(C) Distintiva(D) Duradoura(D)

Teoria do Desenvolvimento da Identidade - Erikson (1968)

Teoria da Identidade Social – Tajfel e Turner (1979)

dos estudos organizacionais, que perdura até hoje, como de entre os mais importantes. Advogando que as organizações possuem também uma identidade, e isso está bem claro nas referências já efetuadas nesta tese, nomeadamente, sobre os atributos já mencionados a partir das crenças partilhadas dos seus membros acerca da organização e outros que ainda vamos analisar.

Cada característica clarifica aspetos diferentes da organização, a centralidade espelha a sua essência, e corresponde às áreas core da organização, que segundo Ashforth e Mael (1996), são ancoradas na missão. Dela são parte integrante crenças, valores, normas, que compõe um sistema interno que deve ser consistente e coeso para alicerçar a organização. A centralidade mostra-se fortemente motivada e orientada para as necessidades da organização, como sejam, a necessidade de controle, a consistência dos seus atos, suas realizações, preferências e tudo o que evoca a sua intimidade mais solidamente construída.

A distintividade, que se direciona para fatores que a diferenciem de outras organizações, alvo de comparações com as suas congéneres, é tida muitas vezes como a fronteira que evoca comparações e acesas discussões e competições (Ashforth & Mael, 1996), torna-se um diferencial relacional e predominantemente comparativo, que segundo Tajfel e Turner (1986) possui uma “singularidade crítica” (p.16). A distintividade é positiva, quer para os membros quer para um grupo, de acordo com Ashforth e Mael (1989), e apoia ainda comparativamente as organizações, servindo de fronteira e autorreferencial.

Os atributos Duradouros abordam a questão da temporalidade, de onde sobressaem as características estáveis no tempo. As que podem perpetuar toda uma existência cheia de significados importantes, da organização e para a organização. Estes ao exporem a sua continuidade criam estabilidade, subsistindo na história e através das histórias da organização. Testemunham ainda, anúncios, práticas de recrutamento, fóruns, entre outros aspetos organizacionais, onde transparecem os discursos e narrativas que dão sentido à organização.

A continuidade tem sido vista como um porto seguro e cheia de significados, que tem providenciado um suporte, detentor de poder referencial dos membros e de outros

stakeholders. A continuidade atesta a consistência ao longo do tempo da organização e

testemunha o seu progresso e permanência.

Segundo, Ashforth e Mael (1996), na organização há alguma coesão que a unifica, pois acumula experiência, refinamento e inovação, o que se evidência através de manuscritos e normas elaboradas dando-lhe profundidade, o que acaba por realçar um espaço que se enraíza no ambiente em que vai fluindo ao longo do tempo. Estes autores referem que a continuidade é posta muitas vezes em causa em situações de fusão. Mas se estes atributos e

dimensões procuram dar enfase a um conceito científico, não é menos relevante o facto de se reverem através do conhecimento que refletem de um “Self” e todo um comportamento organizacional, que vinculou a IO por influência destes dois autores.

Contudo estes atributos que integram a IO, nem sempre reuniram consenso e segundo Gioia et al. (2013), a discussão permanece acesa entre duas defensoras raízes antagónicas, a que defende que a IO é estável e por isso não muda, e que defende que ela muda e está sempre a mudar, sendo dinâmica.

De facto, com alguma complexidade, novas oportunidades e desafios surgem e claramente parafraseando Dukerich et al. (2002) “A beleza, está nos olhos de quem a vê” (p. 507) referindo-se estes à identidade, identificação e imagem corporativa dos médicos, logo confere também alguma subjetividade, a toda esta análise.

Mas de acordo com Gioia et al. (2010), a identidade não é apenas definida pelos autores fundacionais, pois pesa muito nesta balança o que pensam, dizem e percecionam, tanto os que estão dentro como os que estão fora da organização, embora (Gioia et al., 2013), defenda que os estudos já atingiram alguma maturação questionando determinados aspetos de investigação e mais profundidade, nomeadamente, sobre avanço no conhecimento e inovação entre outras questões.

Mas este debate irá permanecer acerca da questão da identidade, no que diz respeito às características de esta ser “duradoura” ou se esta pode mudar ao longo do tempo fomentando a sua “continuidade”. A necessidade de mudança parece eminente, e mesmo que ligeira e impercetível, segundo Gioia et al. (2000) é apontada como mudança que ocorre a nível interno e não tida em conta, mas defendida pelo o que referem ser “um rótulo de estabilidade”. Estes investigadores defendem que há um engano, pois pensam que ela é duradoura e ao agirem como se nunca mudasse não se apercebem, e quando dão por isso a verdade já não é essa, chamam-lhe mesmo “estabilidade inquinada”. Mas apesar disso podemos equacionar, se o que não deixa percecionar a verdade sobre o que é de facto duradouro ou não, e o que é ou não percecionável?, será o descansar sobre os louros alcançados da distintividade?, mas o facto é que estes autores, nomeadamente, Gioia et al. (2013), falam sobre uma identidade com continuidade, mas não como sendo permanente (continuidade versus duradoura).

Mas mais difícil, pensamos que é discutir a “centralidade”, pois saber verdadeiramente que aspetos é que a definem está longe de consenso e por isso, Corley et al. (2006), observaram que não se saber ao certo o significado da identidade formada por estes atributos (C, D, C), pois os critérios não estão bem delimitados e delineados em profundidade, e

também referem que a distintividade não tem sido devidamente aprofundada. E ainda que a identidade exista para dar sentido ao que as organizações representam, como Gioia et al. (2013) ressalvam, a investigação devia primar por manter o seu nível conceptual, estimar a operacionalização e a medição destas dimensões, apurar limites, bem como, percecionar até onde cada uma interfere nas outras dimensões, algo que procurámos fazer.

Daqui podemos ratificar que o debate deve ser alargado às dimensões que propomos (MIO), à AMIO cujas controvérsias já debatemos e continuamos a fundamentar, sendo nosso interesse particular estudar a centralidade, pois esta como essência da organização contribui para moldar a identidade dos seus membros.