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5.3   PCR  assay

A investigação neste campo demonstra que a reminiscência é um conceito multifacetado, que surge através de processos variados e existem diversos tipos de reminiscência tendo em conta a sua função. Todavia, parece ainda não haver consenso no estabelecimento de uma tipologia (Wong & Watt, 1991).

Webster e Haight (1995) defendem a existência de diferentes tipos de reminiscência que apresentam, potencialmente, distintas consequências psicológicas. O recurso ao passado pode promover a manutenção da identidade, a estabilidade do self vs mudança e desenvolvimento (Coleman, 2005). Uma das categorizações possíveis contempla três tipos de reminiscências: 1) contagem de histórias, com intuito de promover a autoestima e a função social da narrativa; 2) a reminiscência como matéria de revisão de vida e 3) a defensiva, com a função de diminuir a ansiedade associada ao declínio, através da glorificação do passado e depreciação do presente. No mesmo sentido, é identificada uma tipologia composta por reminiscência informativa, revisão avaliativa de vida e reminiscência obsessiva (Wong & Watt, 1991).

Em contrapartida, são identificados quatro tipos de reminiscências, nomeadamente a Reminiscência Simples, (memórias não dirigidas e fundamentalmente automáticas); Reminiscências Narrativas (recordação de experiências passadas com a utilização da imaginação); Reminiscências Informativas (relacionadas com o ensino ou entretenimento); e Revisão de Vida (análise e avaliação no ato de recordação), estando esta tipologia centrada na utilização da reminiscência (Gibson 2004). É, igualmente, considerada uma tipologia mais alargada englobando seis tipos de processos de reminiscência, como a contagem de histórias, material para a revisão de vida, reminiscência defensiva, informativa, avaliativa e obsessiva. A reminiscência encarada segundo estes termos é encarada como parte de um processo mais amplo, adotando uma perspetiva desenvolvimental (Molinari, Cully, Kendjelic & Kunik, 2001). Wong e Watt (1991) apresentam uma das propostas mais utilizadas e investigadas no âmbito da reminiscência. Eles enfatizam o carácter multidimensional da reminiscência, definindo seis diferentes tipos, mas não os considerando todos adaptativos (Afonso, 2011). A reminiscência pode ser empregue para descobrir o significado e continuidade (integrativa), recordar experiências passadas para resolver e lidar com os problemas atuais (instrumental), fornecer uma história instrutiva (transmissível) ou uma história descritiva (narrativa), escapar ao presente e debruçar-se sobre os bons momentos passados (escapista) ou ruminar sobre eventos perturbadores não resolvidos no passado (obsessivo) (Cappeliez, Rivard & Guindon, 2007). Seguidamente serão descritos de forma mais pormenorizada.

A Reminiscência Integrativa tem como principal função obter um sentido de autovalor, coerência, reconciliação com o passado (Wong & Watt, 1991), resolução de conflitos (Webster, 2003) e aceitação do eu e dos outros (Afonso, 2011). Encontra-se associada à autocompreensão, autoestima, satisfação de vida e significado pessoal (Wong & Watt, 1991), o que facilita na atribuição de significado ao passado e envolve trabalhar sentimentos de culpa (O'Leary & Nieuwstraten, 2001). Assim, tem sido definida como um processo no qual os indivíduos tentam aceitar os acontecimentos negativos do passado e reconciliar as

discrepâncias entre o ideal e a realidade, identificar padrões de continuidade entre o passado e o presente. Este tipo de reminiscência está orientado por fatores internos, relacionando-se com o crescimento do self e conflitos emocionais (Bohlmeijer, Westerhof & Jong, 2008).

A reminiscência Instrumental, relacionada com a recuperação de estratégias adquiridas anteriormente para resolver problemas atuais, de planos anteriores e de atividades direcionadas a metas (Webster, 2003), está orientada para a ação e foca as estratégias utilizadas para lidar com as dificuldades e fracassos na vida, criando novas possibilidades de realização (Bohlmeijer, Westerhof & Jong, 2008). Como tal, atua como um amortecedor contra o stress emocional, englobando a forma como a pessoa recorda os esforços passados no confronto com situações difíceis, a fim de a ajudar a resolver uma dificuldade presente (O'Leary & Nieuwstraten, 2001). A reminiscência Instrumental contribui para a perceção subjetiva de competência, continuidade e controlo interno, implicando o uso de estratégias de coping focadas na resolução dos problemas (Wong & Watt, 1991).

As funções Transmissivas ou Interpessoais relacionam-se com a transmissão de heranças culturais e de legado pessoal que inclui referências à cultura e práticas de épocas passadas, valores e sabedoria. O facto de se contar histórias ou experiências associa-se positivamente com a adaptação do indivíduo aos seus desafios e com funções socioculturais (estabelecimento de laços socioafetivos), para além das funções psicológicas, no sentido de promoção da autoestima (Wong & Watt, 1991). Esta função tem patente uma preocupação moral (O'Leary & Nieuwstraten, 2001) e tende a beneficiar quem ouve (Afonso, 2011). Outro tipo remete para a Narrativa, que se relaciona com a representação descritiva e não interpretativa ou avaliativa do passado, tendo como função o fornecimento de informação biográfica de rotina (e.g. data e local de nascimento) ou o recontar “anedotas” passadas que possam provocar interesse na audiência (Wong & Watt, 1991), restringindo-se a relatos descritivos e factuais do passado para fornecer informação (O'Leary & Nieuwstraten, 2001).

A Reminiscência Escapista ou Defensiva caracteriza-se por uma tendência para glorificar o passado em detrimento do presente, podendo ajudar a fortalecer a autoestima face a eventuais perdas ou declínio (Wong & Watt, 1991), uma vez que o indivíduo obtém emoções positivas e atenua o stress presente (Afonso, 2011). Assim, tende a adquirir a qualidade de fantasia, podendo ser vista como benéfica pelo orador por permitir fugir a um presente mais sombrio, sendo no entanto experimentado somente por períodos temporários (O'Leary & Nieuwstraten, 2001). Todavia pode ser prejudicial quando interfere com o funcionamento atual (Afonso, 2011). Por fim, as Reminiscências Obsessivas são acompanhadas por sentimentos de culpa e desespero face ao passado e induzem a persistentes ruminações sobre eventos desagradáveis e perturbadores (O'Leary & Nieuwstraten, 2001). Esta função reflete uma falha na integração de experiências problemáticas. Em contrapartida, pode ter um papel positivo por alertar para um conflito não resolvido e motivar a sua resolução (Afonso, 2011).

As tentativas para operacionalizar as medidas das diferentes funções destacaram associações positivas e negativas dos distintos tipos de reminiscência (Coleman, 2005). Assim, os tipos de reminiscência designados por instrumental e de integração são considerados

adaptativos e fomentadores de bem-estar (Afonso, 2011), enquanto a reminiscência obsessiva o oposto, uma vez que se carateriza por recordações não controladas (Coleman, 2005).

Webster (1994) propôs uma taxonomia, baseada na análise fatorial de um questionário de 43 itens, Reminiscence Functions Scale, composta por oito fatores (Webster, 1998). Esta escala avalia as diferentes funções ou propósitos subvencionados pela reminiscência (Robitaille et al., 2010), ou seja, permite identificar a frequência com que as pessoas recordam com uma determinada função em particular (Webster, 2003).

Os fatores serão seguidamente apresentados: 1) Redução do Aborrecimentos é respeitante à utilização das memórias para preencher um vazio de estimulação ou interesse (Robitaille et al., 2010) e ocorre como forma de passar o tempo (Afonso, 2011); 2) Preparação para a Morte remete para o recurso às memórias para lidar com os pensamentos referentes ao final de vida (Robitaille et al., 2010) e contribui para um sentimento de encerramento e calma (Webster, 2003); 3) Identidade relaciona-se com o recurso à reminiscência como um mecanismo que permite o autoconhecimento ao longo do ciclo vital (Afonso, 2011), bem como procurar coerência, valor e significado para a vida (Robitaille et al., 2010).

A Resolução de Problemas (4) possibilita a utilização da reminiscência para recuperar estratégias de resolução de problemas para lidar com situações atuais; 5) Conversação refere- se à recuperação de acontecimentos do passado para manutenção de vínculos informais com as pessoas que rodeiam o individuo (Afonso, 2011), ou seja, à comunicação de memórias pessoais como forma de envolvimento social (Robitaille et al., 2010), sem intenção avaliativa ou instrutiva (Cappeliez & Robitaille, 2010).

A Manutenção de Intimidade (6) relaciona-se com a recuperação de aspetos e episódios de interação, quando se está ou não a interagir com as pessoas implicadas nesses acontecimentos, como forma de recordar amigos; 7) Ressurgimento da Amargura remete para a recuperação de episódios em que a pessoa considera ter sido tratada de forma injusta, podendo provocar e manter pensamentos e emoções negativas referentes a outras pessoas (Afonso, 2011), estando associado com a ruminação de memórias relativas a circunstâncias difíceis de vida, oportunidades perdidas ou adversidades vivenciadas (Robitaille et al., 2010); 8) no fator Ensinar/Informar a reminiscência é encarada como uma forma de transmitir aos outros conhecimentos importantes sobre a vida e sobre o próprio (Afonso, 2011), consistindo num tipo de narrativa instrucional com a finalidade de ensinar as pessoas mais jovens sobre os valores culturais (Webster, 1998, 2003).