3.3 Autonomi hos opplevde lav-risiko par - arvebærerscreening
3.3.1 Arvebærerscreening for resessive sykdommer – aktuelt i Norge?
Uma argamassa é muito influenciada pela sua trabalhabilidade que, no entanto, é uma característica de difícil avaliação/quantificação. Uma das razões é o facto de a trabalhabilidade ser influenciada por diversas variáveis internas e externas. No caso das variáveis internas tem-se: a distribuição granulométrica (forma e a granulometria dos grãos); a proporção entre ligantes e agregados; a relação água/ligante; a natureza e teor do ligante. Como fatores externos com bastante relevância contam-se as características do suporte (rugosidade, absorção, …), questões relacionadas com o clima e aspetos inerentes ao próprio aplicador.
Em argamassas cimentícias ou de cal é comum a avaliação da trabalhabilidade através dos valores obtidos no ensaio pela mesa de espalhamento (CEN 1999a). Menos comum é pelo método do penetrómetro (CEN 1998a).
Argamassas para utilização em alvenaria com blocos de terra foram utilizadas num estudo realizado por Venkatarama Reddy e Gupta (2005), apresentando valores de espalhamento de 100 mm, referindo que este é o valor que normalmente se utiliza no terreno neste tipo de argamassas. As mesmas investigadoras num outro estudo utilizaram valores de espalhamento entre 120-140 mm para caracterização de argamassas de assentamento com terra estabilizada com cimento (Venkatarama Reddy e Gupta 2008).
Toumbakari et al. (2010) definiram a percentagem de água em argamassas de terra estabilizadas com cimento para reparação, através de valores de espalhamento definidos entre 160-170 mm.
Bouabid et al. (1999) não especificam como avaliaram a trabalhabilidade para as argamassas de assentamento de terra estabilizadas por eles estudadas. Zinn (2005) no seu estudo sobre argamassas de reparação com terra estabilizada avaliou a trabalhabilidade através da observação da aderência da própria argamassa a uma colher de pedreiro. Como se verifica, a variabilidade no intervalo de valores para avaliar a trabalhabilidade de uma argamassa de terra é elevada.
A trabalhabilidade traduz a facilidade com que uma argamassa é aplicada no suporte pelo operador, devendo esta permanecer aderente e poder eventualmente ser regularizada. É um conceito um pouco ambíguo e de difícil
tradução quantitativa, pois depende da sensibilidade e habilidade do operador, podendo ainda variar com o tipo de suporte. Não obstante, segundo a RILEM (1982) e a ASTM C270-08a (2008), a trabalhabilidade é a propriedade mais importante de uma argamassa no seu estado fresco. À falta de trabalhabilidade corresponde uma argamassa de difícil manuseamento, podendo apresentar-se áspera, muito seca ou demasiado fluida, com segregação e exsudação excessiva ou falta de aderência (Gomes et al. 2012b). Este comportamento no estado fresco irá influenciar também as suas propriedades após endurecimento.
A trabalhabilidade resulta da combinação de várias propriedades. Segundo a RILEM (1982), a consistência e a plasticidade são as variáveis principais da trabalhabilidade de uma argamassa. Já a ASTM C270-08a (2008) refere, além destas, a coesão e a aderência. Estas propriedades nem sempre têm, contudo, correspondência clara e inequívoca em termos de métodos de ensaio de argamassas:
(i) A consistência, tal como definido nas normas europeias de ensaio de argamassas (CEN 1999a), é uma medida da fluidez ou do teor de humidade da argamassa, permitindo avaliar a deformabilidade da argamassa fresca quando sujeita a determinado tipo de tensão.
- Esta característica é, de facto, muito condicionada pelo teor em água (Pkla et al. 2003, Hendrickx 2009). - O Comité Europeu de Normalização (CEN) indica dois métodos de ensaio para medir a consistência das
argamassas frescas: o ensaio de espalhamento, EN 1015-3 (CEN 1999a), e o ensaio do penetrómetro, EN 1015-4 (CEN 1998a). Segundo Cascudo e Carasek (2007) as recomendações da RILEM MR 1-21 “Testing methods of mortars and rendering” também referem estes dois ensaios para determinar a consistência de uma argamassa: o ensaio onde é imposta à argamassa uma deformação através de uma vibração que lhe é induzida corresponde ao ensaio da mesa de espalhamento e o ensaio que emprega uma penetração de um corpo no interior desta corresponde ao ensaio do penetrómetro. Em termos do âmbito do ensaio, estas normas (CEN 1999a, CEN 1998a) apresentam uma diferença (cuja justificação no entanto, não é totalmente clara): enquanto o campo de aplicação do ensaio de espalhamento abrange argamassas contendo agregados normais e leves, o ensaio de penetrómetro inclui argamassas contendo agregados densos.
- Para Rago e Cincotto (1999) existe uma relação direta entre a consistência e a viscosidade; o ensaio de escoamento (pelo cone de Marsh) permite determinar o tempo que uma argamassa leva a escoar através da abertura inferior de um cone, sendo considerado um bom indicador da viscosidade (Vieira 2008). Também Le Roy e Roussel (2005) referem que o tempo de escoamento está diretamente relacionado com a viscosidade: quanto maior é o tempo de fluxo, menor a fluidez, ou seja, maior a viscosidade. (ii) A plasticidade é a propriedade devido à qual a argamassa tende a manter a sua deformação após a
redução da tensão de deformação para o valor da tensão de cedência (RILEM 1982), sendo a tensão de cedência a tensão mínima para iniciar a deformação. Os métodos de ensaio que conferem às argamassas uma deformação através de vibração medem, simultaneamente, a consistência e a plasticidade (Cascudo e Carasek 2007); este é o caso do ensaio de consistência por espalhamento, EN 1015-3 (CEN 1999a) (Cascudo e Carasek 2007, Hendrickx 2009).
(iii) A coesão é a “força que atrai, que une entre si as partículas (…) de um corpo” (Dic. da Academia das Ciências 2001). As propriedades coesivas de uma argamassa no estado fresco são bastante importantes, uma vez que é esta propriedade que mantem aglomerados unidos (agregados e ligantes), evitando a ocorrência de segregação, efeito que depois se reflete no estado endurecido. Segundo Bombled, citado por Rago e Cincotto (1999), a coesão pode ser alterada variando a superfície específica dos sólidos e a sua quantidade na mistura; a coesão no estado endurecido designa-se por tensão de resistência e poderá ser medida pelo ensaio de tração (RILEM 1982, Rago e Cincotto 1999).
(iv) Quanto à aderência ao substrato, uma argamassa trabalhável permite uma fácil aplicação pelo operador, devendo portanto permanecer aderente ao paramento sem ocorrência de descolamento ou escorregamento. A RILEM (1982) propõe um método qualitativo para avaliar se a aderência inicial entre a argamassa no estado fresco e uma alvenaria de tijolo, bloco ou ladrilho, é ou não adequada; contudo, é no estado endurecido que esta propriedade é mais correntemente avaliada, através do ensaio de tração (CEN 2000).
A avaliação da trabalhabilidade das argamassas faz uso de procedimentos empíricos baseados em aspetos de natureza visual e tátil, tendo em conta o conhecimento e experiência dos profissionais envolvidos que efetuam a avaliação. De facto, a trabalhabilidade é comummente aferida com base na avaliação do trabalhador e não com base no comportamento físico do material. Esta situação leva muitas vezes a diferentes classificações, uma vez que diferentes profissionais podem divergir na classificação das propriedades para a mesma argamassa, com base na sua técnica de aplicação e sensibilidade. A RILEM (1982) efetuou um trabalho experimental, com 5 pedreiros de diferentes países, que consistia em avaliar a consistência de uma argamassa, sendo-lhes entregue o material no seu estado seco. Verificou-se que a avaliação em termos de consistência das argamassas divergia; contudo, a agilidade para trabalhar a argamassa era praticamente a mesma.
Em resumo, uma argamassa trabalhável apresenta: (i) uma consistência que permite uma fácil aplicação pelo operador no substrato; (ii) uma plasticidade tal que a argamassa, ao ser aplicada, permanece em contacto com o substrato sem que exista destacamento ou escorregamento devido à ação do seu peso próprio e mantem-se aderente; (iii) e uma coesão no estado fresco, mantendo agregados e ligantes unidos e no estado endurecido uma tensão de resistência adequada.
A caracterização de argamassas no estado fresco é bastante mais difícil e complexa de avaliar do que no estado endurecido; entrando no campo da reologia do material. O termo reologia foi introduzido pelo Professor da Universidade de Leigh, Eugene Bingham em 1920 (Vieira 2008). Reologia é a ciência que estuda a deformação e o escoamento da matéria, descrevendo as relações entre força, deformação e tempo. O estudo da reologia das argamassas cimentícias já se encontra num estado de desenvolvimento avançado; porém, a nível das argamassas de terra existem ainda muito pouco estudos (Azeredo et al. 2008, Silva et al. 2013).
As argamassas incluem, em proporções adequadas, diferentes materiais, nomeadamente: ligantes, agregados e água. No estado fresco, podem ser vistas como suspensões concentradas de partículas sólidas (agregados)
num líquido viscoso (no caso a pasta ligante mais água). Assumem o comportamento de um fluido pelo que se pode aplicar assim a teoria clássica do escoamento de fluidos.
Quando estamos em presença de um fluido Newtoniano, o escoamento só existe se houver uma tensão aplicada, no caso de a tensão ser igual a zero a velocidade é praticamente nula. O fluido Newtoniano exibe uma relação linear entre a velocidade e a tensão de corte, ou seja, apresenta uma viscosidade constante para uma dada temperatura e pressão. No entanto existem fluidos que apresentam comportamentos diferentes do Newtoniano.
Os fluidos não-Newtonianos podem apresentar-se como independentes no tempo, ou seja, as suas propriedades reológicas são autónomas ao tempo de aplicação da tensão de corte. Neste caso podemos ter os fluidos onde é necessário estabelecer uma tensão mínima para iniciar a deformação, sendo esta designada por tensão de cedência, fator importante na reologia das argamassas.
Quando estamos em presença de tensões baixas, o fluido comporta-se como um sólido. Quando o fluido consegue vencer a tensão de cedência, e apresenta uma relação linear entre a tensão e a viscosidade, é denominado de Fluido Bingham. Regra geral, este modelo de comportamento é o mais utilizado para descrever o comportamento reológico de argamassas (Santos et al. 2005).
O ensaio de escoamento (cone de Marsh) permite determinar o tempo necessário para um determinado volume de material escoar através da abertura inferior de um cone, sendo considerado um bom indicador da viscosidade. Roussel e Le Roy (2005) referem que o tempo de escoamento depende do próprio fluido (quanto maior é o tempo de fluxo, menor a fluidez, ou seja, maior a viscosidade) mas também da geometria do cone. A utilização do cone de Marsh é um dos procedimentos mais comuns para caracterizar o escoamento de pastas, mais concretamente nas caldas de injeção. É uma forma simples para aferir o comportamento reológico muito utilizada, nomeadamente em pastas de cimento (Roussel e Le Roy 2005).
Roussel e Le Roy (2005) referem que o ensaio do cone de Marsh apresenta duas limitações. Se a viscosidade for demasiado baixa, não existe uma correlação linear entre a viscosidade e a fluidez; a fluidez deixa de ser uma medida significativa do ponto de vista reológico (atendendo a uma geometria do cone segundo a norma EN 440, com uma fluidez inferior a 12 segundos). Outra limitação é quando o fluido a testar apresenta elevada tensão de cedência - o gradiente de pressão gerado pelo peso do fluido acima do tubo de saída pode não ser suficiente para a tensão de corte superar a tensão de escoamento no bocal - e o fluxo poderá não ocorrer, tornando-se inútil o ensaio no cone de Marsh.
Ferraris et al. (2001) realizaram ensaios reológicos em pastas de cimento de forma a validar os resultados entre um reómetro versus o ensaio do cone de Marsh, e constataram que em alguns casos para um tempo de fluxo menor não houve correspondência com uma menor viscosidade. Estes mesmos investigadores referem que é arriscado confiar no ensaio do cone de Marsh para selecionar um material tendo como exigência a sua viscosidade ou mesmo para a sua classificação, tendo em conta a total falta de correlação nos ensaios realizados. Le Roy e Roussel (2005) contestam a afirmação dos últimos investigadores referindo que o estudo efetuado não teve em conta a tensão de escoamento, que é outro parâmetro que influencia o tempo de escoamento.
No campo da trabalhabilidade das argamassas poderá ainda utilizar-se o método do Squeeze-Flow (Roussel et al. 2006, Cascudo e Carasek 2007, Hendrickx 2009). Este método baseia-se na medida do esforço necessário para a compressão uniaxial de uma amostra cilíndrica do material entre duas placas paralelas, sendo tal esforço aplicado normalmente por um equipamento do tipo máquina universal de ensaios (Cascudo e Carasek 2007). Segundo os mesmos investigadores este ensaio permite a variação da tensão de corte e da intensidade das deformações, sendo, portanto, capaz de detetar pequenas alterações nas características reológicas dos materiais, de acordo com as solicitações impostas. Contudo, o único documento de referência para a caracterização reológica pelo método Squeeze-Flow, é a norma da Associação Brasileira das Normas Técnicas (ABNT/CB-18 2009).
Sabe-se à partida que a quantidade de água - teor em água - utilizada na amassadura de uma argamassa apresenta grande influência na trabalhabilidade. “O único meio evidente que um pedreiro tem à sua disposição para corrigir a trabalhabilidade de uma argamassa é alterando o seu teor em água” (RILEM 1982). É claro que a facilidade do operário trabalhar com a argamassa, é entendida como dependendo de um conjunto de fatores interrelacionados que conferem boa qualidade e produtividade na sua aplicação.
Estudos sobre a avaliação da influência do teor em água na trabalhabilidade em argamassas de terra são escassos, sendo este aspeto fundamental o primeiro a abordar no âmbito da formulação das argamassas. Sendo os estudos escassos e uma vez que é referido pela RILEM (1982) que o operador define o valor de espalhamento, consoante a sua habilidade e técnica, decidiu-se nesta tese efetuar a avaliação direta da trabalhabilidade pela aplicação das argamassas em paredes de taipa, com base em respostas obtidas por dois operadores. Foi depois avaliado em que medida os ensaios laboratoriais existentes para caracterização da argamassa fresca, podem ser utilizados para traduzir a trabalhabilidade das argamassas em estudo. O estudo focou os ensaios laboratoriais de consistência (por espalhamento e por penetrómetro) e escoamento (através do cone de Marsh).