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4. Områdebeskrivelse

4.5 Artsmangfold, med rødlistede arter

Partindo da análise das bases conceituais e da trajetória política, cultural e social, buscamos, no tópico anterior, compreender a abordagem positivista instituída em âmbito governamental pela ferramenta MAPP. Como contraponto, é viável analisarmos a concepção compreensiva, referente ao paradigma construtivista de Guba e Lincoln (2011), em que se considera a relevância do poder no ato de avaliar e na concepção de que o ato de avaliação é um ato político.

Guba e Lincoln consideram que a própria ciência e as realidades são construções e rejeitam a abordagem dominante e manipulatória. Assim, a avaliação de quarta geração, descrita pelos respectivos autores, compreende um modelo que valoriza as reivindicações, as preocupações e as questões dos grupos de interesse. É ainda o critério básico e tido como parte do processo em construção. Essa concepção fortalece uma visão mais ampla e complexa de um determinado objeto, permitindo-nos verificar impactos e buscar estratégias, numa dita negociação. Essa perspectiva nos alerta para a necessidade de escapar da ideologia gerencialista, priorizar os valores plurais e repensar as bases ontológicas das interpretações avaliativas.

Nessa perspectiva construtivista, Guba e Lincoln (2011) consideram não existir uma realidade única, mas sim múltiplas realidades construídas pelos sujeitos de forma compartilhada. Destacam que o paradigma construtivista substitui a ontologia realista proveniente do paradigma convencional pela ontologia relativista, a qual considera as múltiplas construções.

Considerando a habilidade na abertura de espaços para extrair perspectivas e gerenciar o processo participativo, Guba e Lincoln (2011), em relação à participação dos envolvidos na pesquisa, destacam que:

Faz sentido considerar os interesses de todos os grupos que são colocados em riscos por qualquer avaliação. Faz sentido também proteger os interesses dos menos influentes contra a usurpação por parte dos mais influentes, como parte essencial do processo. Desse modo, a mudança de avaliação direcionada ao cliente para a avaliação direcionada ao consumidor e deste para o grupo de interesse não é tão sensível quanto alguém possa a princípio ser levado a acreditar, sem alguma percepção da história do desenvolvimento da avaliação enquanto disciplina. Essa mudança pode tornar a avaliação um

processo mais complexo e desordenado, mas não um processo essencialmente distinto (GUBA; LINCOLN, 2011, p. 86).

Os autores ressaltam a necessidade de expandir a participação e a valorização da base de grupos de interesses, fato que contribui e torna a avaliação mais consistente e aproximada do real. Solicitam ainda que se neguem os sistemas de crenças básicos para atender a perspectiva de uma avaliação construtiva. Recomendam uma metodologia interativa, hermenêutica, às vezes intuitiva e indubitavelmente aberta à participação dos interessados.

Guba e Lincoln (2011) apresentam alguns pontos de vista sobre a avaliação de quarta geração: consideram a avaliação como um processo sociopolítico; valorizam os fatores sociais, culturais e políticos; acreditam que a avaliação é um processo conjunto e colaborativo; afirmam que avaliar é também um processo de ensino e aprendizagem, contínuo, recorrente e divergente. Nesse sentido, a avaliação é vista como um processo emergente cujos resultados são imprevisíveis; um processo que cria uma nova realidade. Nessa perspectiva de avaliação de quarta geração, a responsabilização favorece a responsabilidade compartilhada dos sujeitos envolvidos.

Conforme os autores Guba e Lincoln (2011), o avaliador de quarta geração é responsável pelas seguintes ações: identificar todos os grupos de interesses que corram riscos na avaliação; extrair de cada grupo de interesse suas construções sobre o sujeito-objeto da avaliação e a variedade de reivindicações, preocupações; oferecer um contexto e uma metodologia hermenêutico-dialética por meio de diferentes construções; gerar consenso; preparar um política de negociação; coletar e fornecer as informações indicadas nas políticas de negociação; intermediar os representantes de grupos de interesses; elaborar relatório para divulgar aos grupos de interesses os consensos e qualquer resolução acerca das preocupações e inquietações dos grupos; reciclar a avaliação para lidar com as construções e reivindicações não solucionadas.

Guba e Lincoln, em relação ao processo hermenêutico-dialético, revelam que:

[...] Ele é hermenêutico porque tem caráter interpretativo e é dialético porque representa uma comparação e contraposição de pontos de vista divergentes com a finalidade de obter uma síntese mais elaborada de todos eles, no sentido hegeliano. Entretanto, o principal propósito

desse processo não é justificar uma construção oferecida por outros, mas formar uma correlação entre elas que permita um exame mútuo por parte de todos os envolvidos. A intenção desse processo é obter consenso sempre que possível; quando não for possível, esse processo no mínimo expõe e esclarece vários pontos de vistas distintos e possibilita a criação de uma agenda de negociação (GUBA; LINCOLN, 2011, p. 166).

Essa perspectiva de avaliação defendida por Guba e Lincoln (2011) depende de algumas condições para que obtenha êxito: compromisso de todos os participantes de assumir uma postura de integridade; competência mínima de comunicação entre os partícipes; disposição para compartilhar poder; disponibilidade para mudanças; disposição de todos os participantes de reconsiderar suas posturas valorativas; e disponibilidade dos integrantes em comprometer-se com o tempo e a energia para participar do processo avaliativo. Nessa postura, os temas, os conceitos, as ideias, os valores e preocupações e as questões centrais são analisados pelos investigadores com respeito à formulação inicial da construção de avaliação.

A avaliação de quarta geração, descrita e defendida por Guba e Lincoln (2011), é a junção entre o enfoque responsivo, que atrela reivindicações, preocupações e questões dos grupos de interesses como elemento organizador e orientador da metodologia construtivista. Nesta, a intenção é desenvolver o consenso crítico entre os grupos de interesses. Nesse sentido, Guba e Lincoln (2011) declaram que:

[..] A iniciativa de trazer à tona construções conjuntas, colaborativas ou compartilhadas requer e respeita as informações/contribuições de vários grupos de interesses e lhes oferece uma medida de controle sobre a natureza da atividade de avaliação. Desse modo, ela instrui e concede poder, além de atender a todas as expectativas usuais na condução de uma avaliação, principalmente de julgamento de valor. A postura ontológica relativista de construtivismo é uma garantia para que se considerem as construções êmicas dos grupos de interesses legítimas, e não meramente percepções tendenciosas (GUBA; LINCOLN, 2011, p. 205).

Essa postura reforça a intenção e a defesa de uma avaliação numa perspectiva participativa, que não segue um sistema linear, cujo instrumento principal é o humano e cuja metodologia utilizada é a interação, a qual exige socialização dos integrantes e partícipes do processo avaliativo. Portanto, os autores Guba e Lincoln (2011) concebem avaliação como uma forma de

conceder poder e autonomia, tanto pela condução do processo avaliativo em si, quanto pela disseminação e compartilhamento de informações.