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Artikkelmatrise

In document Depresjon etter hjerneslag (sider 21-26)

Segundo CRYSTAL (1966), a comunicação oral contém diversos componentes linguísticos. Dentre esses componentes estão os aspectos segmentais e os não- segmentais da fala. Os aspectos não-segmentais se subdividem em componentes prosódicos, em paralinguísticos e em não-linguísticos.

Os aspectos paralinguísticos, de acordo com o mesmo autor, são caracterizados pela qualidade vocal e por mudanças laríngeas intencionais quando se diz algo, como por exemplo, o ato de sussurrar e uso do falsete. Já os aspectos não- linguísticos são os reflexos fisiológicos como a tosse, o espirro e ronco. Esses dois componentes da comunicação oral não são contínuos na fala, para CRYSTAL (1966).

A prosódia, para o autor supracitado, é apresentada sob o ponto de vista do conceito amplo, pois engloba a frequência, a intensidade e a duração. Além desses parâmetros, CRYSTAL (1966) relata haver subsistemas prosódicos que são o ritmo, a pausa, o acento e a entonação. Todos os parâmetros e subsistemas citados são características permanentes na fala dos indivíduos de acordo com CRYSTAL (1966).

A entonação, por sua vez, para o autor supramencionado, possui grande relevância para a expressão de atitudes do falante, visto que a variação entonativa contribui para a caracterização das mesmas. Devido sua importância para a expressão de atitudes, a entonação será tratada separadamente mais adiante.

Auditivamente, a variação da frequência fundamental do falante é percebida como a melodia da emissão, a intensidade gerada pelo esforço físico durante a fala parece ser sentida como amplitude e, por último, a duração produzida pela sequência de movimentos articulatórios é auditivamente percebida como o tempo gasto na realização de eventos da fala, para CRYSTAL (1966).

A prosódia na expressão das atitudes de dúvida e certeza em indivíduos com perda auditiva bilateral - Carla Vasconcelos A seguir demonstraremos na Fig. 1 a representação esquemática da teoria de CRYSTAL (1966) sobre a comunicação.

Figura 1: esquema representativo dos componentes linguísticos da comunicação

Fonte: Adaptado de Crystal (1966, p. 97). Atos comunicativos Vocais / Auditivos _ Segmental _ Não-segmental _ Paralinguísticos _ Não-linguísticos _ Prosódicos Gestuais / Não-verbais _ Segmentos _ Visual _ Tátil _ Olfativo _ Gustativo S ig nif ica do co m un ica tivo co m ple to F0 Intensidade Duração Subsistemas prosódicos pausa parâmetros

A prosódia na expressão das atitudes de dúvida e certeza em indivíduos com perda auditiva bilateral - Carla Vasconcelos De acordo com COUPER-KUHLEN (2000), a prosódia possui grande importância para os enunciados dos falantes, pois é capaz de transportar quase tanto significado quanto o uso das palavras.

Também para MOZZICONACCI E HERMES (1997) a prosódia desempenha um importante papel para fala, pois pode promover complementação e, até mesmo, modificação do enunciado. A fala, para tais autores, transmite algo além das palavras utilizadas, posto que os elementos que se encontram além do nível segmental exercem importante papel para compreensão adequada do que foi falado.

Segundo MORA-GALLARDO (1996) a prosódia veicula índices de aspectos mais ou menos intencionais e, ao mesmo tempo, semioticamente distintos e significativos. Nesse sentido, é a marca da identidade do falante. As formas prosódicas são os primeiros elementos de linguagem que a criança recebe adquirindo, assim, uma prosódia determinada de sua própria língua que irá preservar ao longo de toda sua vida.

A prosódia também é muito resistente à aprendizagem cultural e social, porque é aprendida como uma atividade estruturante do indivíduo. Assim, é mais próxima da natureza e do inconsciente que do racional. Este é o aspecto da competência comunicativa mais difícil de dominar quando se aprende uma segunda língua. E quanto mais distante das características segmentais, das características do padrão de socioletos, dialeto ou idioleto, mais este tipo de aprendizagem / imitação (prosódica) é difícil, de acordo com MORA-GALLARDO (1996).

A prosódia é, portanto, muito robusta (resistente e persistente) a alterações. É por isso que vamos carregá-la mesmo quando aprendemos uma segunda língua, e que ela resiste mesmo em alguns casos de afasia, LOUIS (2003). É por isso, também que guardamos/armazenamos suas características regionais que nos são próprias, como mostrado em alguns estudos como o de LECOURS & LHERMITTE (1979): "A prosódia abrange diversas ordens de fenômenos: a entonação emocional, particularidades regionais, acento tonal em algumas línguas, outras convenções suprassegmentais como a terminação melódica da interrogação sem rearranjo da

A prosódia na expressão das atitudes de dúvida e certeza em indivíduos com perda auditiva bilateral - Carla Vasconcelos ordem das palavras, dentre outros.” Se ocorrer alterações profundas na melodia da língua devido a patologias: fala-se de disprosódia ou aprosódia.

2.2 - ENTONAÇÃO

A entonação de acordo com CRYSTAL (1966) é um subsistema que faz parte da prosódia, posto que esta é conceituada pelo autor de forma ampla. Contudo, encontram-se na literatura científica autores que consideram a entonação como sinônima de prosódia, restringindo, dessa forma, a abrangência desta. São exemplos de pesquisadores que tratam prosódia e entonação como sinônimas LEHISTE (1970) e BOLINGER (1985).

KENT e READ (1992), assim como CRYSTAL (1966), consideram a prosódia como um fenômeno mais amplo que a entonação, esta é considerada para esses autores como parte da prosódia. A entonação, para tais pesquisadores, se ocupa das variações melódicas, ou seja, das variações de F0. MADUREIRA (1999) relata em seu estudo que F0 é o parâmetro acústico mais relevante da entonação.

Segundo COUPER-KUHLEN (1986) a entonação exerce influência na expressão e percepção das atitudes desempenhando, desse modo, funções comunicativas relacionadas à compreensão da mensagem a ser transmitida pelo falante. Também para ULDALL (1964), a entonação é responsável por expressar as atitudes do falante.

Diversos trabalhos evidenciam a relevância da entonação para a expressão de atitudes, conforme verificado ao se estudar AZEVEDO (2007), SILVA (2008), CELESTE (2010) e OLIVEIRA (2011), no entanto, de acordo com os mesmos autores, a entonação, apesar de sua relevância, não é o único aspecto prosódico a contribuir para a expressão das atitudes.

A prosódia na expressão das atitudes de dúvida e certeza em indivíduos com perda auditiva bilateral - Carla Vasconcelos Considerando a importância da entonação para a expressão de atitudes, optou-se por abordá-la de forma separada neste estudo seguindo a mesma linha de pesquisa utilizada por outros estudiosos do Laboratório de Fonética da Universidade Federal de Minas Gerais (LabFon - UFMG). Ressalta-se, no entanto, que estamos de acordo com a proposta de CRYSTAL (1966) de que a entonação é um subsistema da prosódia e não sinônimo desta.

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