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Kafé X – brukermedvirkning i praksis

Kapittel 4 | Artikkel 2

Entende-se por coordenação motora a habilidade do aluno em coordenar bem os movimentos amplos e finos do próprio corpo. Envolve o conhecimento das possibilidades em realizar ações, desempenhar funções em situações diversificadas. Por exemplo: ao correr desviar-se de obstáculos, ao escrever seguir a direção gráfica convencional (leitura e escrita começam pela esquerda). Considerando esta definição, avaliou-se a aluna 9I em 50 itens e a aluna 7G em 46, os quais constam no Apêndice E. A distinção na quantidade de itens refere- se à especificidade dos atendimentos: um voltado para cegueira legal e outro para baixa visão.

Aluna 9I

O desempenho alcançado pela aluna 9I em coordenação motora ampla e fina em abril foi satisfatório. Em 18% dos itens avaliados teve baixo desempenho, em 18%, desempenho médio e 64%, alto desempenho. Em agosto e dezembro, não se constatou baixo desempenho

em nenhum item; 14% dos itens seu desempenho foi médio e em 86%, alto. Havendo, portanto uma progressão nos resultados alcançados. Os itens não superados referem-se àqueles que necessitam de resíduo visual compatível com a resolução da atividade proposta.

Apesar da aluna utilizar o sistema Braille e necessitar de adaptações, este fato não interferiu no desenvolvimento de habilidades vinculadas à coordenação motora ampla, como: pular corda, dançar, andar de bicicleta com rodinhas, subir em árvores, correr, entre outras. Esta é uma informação que evidencia o papel da família no processo de formação básica dos filhos. Ao oferecer as condições adequadas, a família possibilitou a aluna 9I desenvolver habilidades motoras que não são comuns, em pessoas com deficiência visual. A Figura 4.14 ilustra os resultados alcançados pela aluna 9I nas três avaliações realizadas.

Desempenho motor: 9I

0 50 100

abril agosto dezembro

nú m e ro de i te ns

baixo desempenho médio desempenho alto desempenho

Figura 4.14 - Freqüência do desempenho da 9I em coordenação motora. Fonte: Apêndice E.

As dificuldades encontradas pela aluna no mês de abril foram referentes às habilidades de coordenação motora fina. Um dos aspectos que ilustra este fato refere-se ao seguimento da escrita e da leitura era realizado, inicialmente, da direita para a esquerda. A deficiência visual tornava as atividades que envolveram o uso da tesoura um desafio para 9I. No final da intervenção a aluna apresentou domínio do uso da tesoura, no entanto nem sempre conseguia delimitar com precisão o recorte de forma a preservar a figura como um todo. A aluna no início da intervenção não realizava os movimentos necessários para a higiene bucal, conseguindo no final da intervenção realizá-lo sem ajuda. Apresentou também dificuldades de respiração e articulação da musculatura oro-facial para emissão de fonemas vocais e consonantais, aspectos superados no final da pesquisa, quando passou a emitir fonemas isolados /r/, palavras monossílabas como /eu/, /oi/, /ai/, /ei/, /lua/, /pão/, /pá/, /pó/, /pé/, e palavras dissílabas: /mamãe/, /papai/, /tatá/, /pato/, /mesa/, /azul/.

coordenados para: a) brincar de pular amarelinha (alternando os pés; ora 2 ora 1); b) na lateralidade definida; c) noção de esquema corporal em relação aos espaços físicos; d) pular corda; e) subir e descer escadas; f) brincar no balanço, no escorregador, etc.

Os comentários da família a respeito da coordenação motora da aluna 9I confirmam os resultados obtidos durante a coleta de dados, segundo a mãe: "lá em casa ela varre a casa, pega roupa no varal, brinca com o R. (irmão) de subir na árvore ela sobe você precisa ver, brinca com a J. (irmã) de escolinha. Gosta de brincar de correr no quintal [...] (mãe, maio/01).

Aluna 7G

Os resultados alcançados pela aluna 7G em abril evidenciaram uma defasagem no desenvolvimento da coordenação motora fina, em específico o manuseio de material de escrita. Em 80% dos itens avaliados teve baixo desempenho, em 7% desempenho médio e em 13%, alto desempenho. Em agosto, apresentou um avanço na aprendizagem dos comportamentos estimulados durante a intervenção, alcançando: 17% dos itens seu desempenho foi baixo, 44% desempenho médio e em 39%, alto. Em dezembro, obteve em 9% dos itens avaliados baixo desempenho, em 19% desempenho médio e em 72% alto. Estes resultados evidenciaram o desempenho da aluna em atividades de coordenação motora fina, em relação à coordenação motora ampla o desempenho da aluna foi compatível com sua faixa etária. Provavelmente, o baixo desempenho da 7G em abril seja o resultado da não continuidade do trabalho escolar, uma vez que a mesma se encontrava a mais de dois anos sem atendimento em instituição de ensino, por opção da família, fato já mencionado anteriormente. A Figura 4.15 ilustra o desempenho obtido pela aluna 7G.

Desempenho motor: 7G

0 50 100

abril agosto dezembro

nú m er o d e ite ns

baixo desempenho médio desempenho alto desempenho

Figura 4.15 - Freqüência do desempenho da aluna 7G em coordenação motora ampla e fina. Fonte: Apêndice E.

Os dados evidenciam o processo de aquisição gradual dos comportamentos estimulados ao longo das fases da pesquisa. As dificuldades encontradas pela aluna ao manusear o material de escrita (lápis, pincel atômico, papel, caderno) foram superadas ao longo da intervenção. Provavelmente, as dificuldades sejam decorrentes da pouca experiência escolar da aluna e do fato da escrita e da leitura não fazerem parte do cotidiano familiar. Em relação a coordenação motora ampla, a aluna apresentou inicialmente, dificuldades em pular amarelinha alternando os pés (ora 2 pés, ora 1 pé), porém mostrava-se interessada em atividades que envolviam o corpo como um todo. A família relata que 7G em casa é bastante cuidadosa, segundo o pai: “[...] a 7G é muito cuidadosa, não cai, não tropeça. Gosta de brincar na cama, de pular de fazer cócega [...]” (pai, maio/01). A fala do pai confirma os dados obtidos mediante observação do comportamento da aluna.

Comparação entre os resultados obtidos pelas duas alunas.

Comparando os desempenhos alcançados pelas alunas em coordenação motora observa-se que elas apresentaram condições diferenciadas de desenvolvimento nesta área. Os resultados são compatíveis com as condições e experiências proporcionadas pelo ambiente familiar e escolar delas. Em ambos os casos o papel da família e da escola na estimulação do desenvolvimento por meio de atividades compatíveis e adaptadas às necessidades de cada aluna foi imprescindível. O bom desempenho da 9I, provavelmente, decorre do incentivo da família, dos irmãos mais velhos em fazer com que ela participasse das brincadeiras comuns à sua faixa etária e própria do seu contexto cultural (pular corda, subir em árvores). Este aspecto não está presente na família 7G, em decorrência de suas características internas (quantidade de filhos) e dos valores que buscam seguir junto à igreja. Neste caso, fica evidente o papel da família e das condições do ambiente como favorecedoras da aprendizagem e do desenvolvimento. Apesar das distinções sócio-culturais, em ambos os casos nota-se um progresso no desempenho das atividades propostas em sala de aula durante a coleta de dados.