2.5 Research methods
3.1.4 Article D: Visual and data stationarity of texture images . 32
A pesquisa, no início, visava à investigação de duas grandes regiões como dois blocos distintos: a região Nordeste, em que predomina o uso do imperativo associado ao
subjuntivo e a Centro-Oeste, com predomínio de uso do imperativo associado ao indicativo. Dessa forma, a estratégia era avaliar o uso do imperativo em falantes recém- chegados de cada estado do Nordeste e depois investigar falantes desses mesmos estados que estavam no Distrito Federal há mais de uma década. Uma vez decidido o tema e o foco da pesquisa, fez-se necessário decidir em que contextos de língua falada esse fenômeno seria capturado para que pudéssemos proceder a analise de fatores intrínsecos e extrínsecos à língua que interferem tanto na variação quanto na mudança no uso do imperativo.
Em um primeiro momento, foi feito contato com uma falante nativa do Maranhão e moradora do Distrito Federal há um ano. Fez-se uma gravação do tipo laboviana, ou seja, uma gravação espontânea, com o objetivo de capturar estruturas imperativas. Contudo, dois problemas foram identificados nessa etapa do trabalho. Em primeiro lugar, percebemos, após análise da gravação, que esse fenômeno não é facilmente capturado com esse tipo de procedimento e que seriam necessárias várias horas de gravação com cada falante para que se obtivessem alguns dados. Depois, percebemos a inviabilidade - em função do tempo previsto para a pesquisa - de se investigar falantes dos vários estados do Nordeste, nos dois estágios previstos, ou seja, com um ano de Distrito Federal e com mais de uma década de moradia na cidade.
Decidimos então, após algumas reuniões de avaliação com a orientadora, investigar um grupo de falantes nativos de Fortaleza. Pensou-se nessa capital por não haver, em nosso grupo de pesquisas23, nenhum trabalho acerca da variação no uso do modo imperativo no estado do Ceará. Sendo objetivo do nosso grupo de pesquisas mapear o uso desse modo verbal nas várias regiões do Brasil, nossa pesquisa poderia dar mais uma contribuição importante.
Para a formação dos corpora, propusemo-nos a investigar dois grupos: um composto por falantes nativos moradores de Fortaleza, com o objetivo de ter uma amostra de controle do uso do imperativo na capital cearense; outro composto por fortalezenses que moram no Distrito Federal há mais de uma década, com o objetivo de investigar a variação e a mudança no uso desse modo verbal, comparando assim ambientes geográficos que apresentam diferenças significativas em relação ao uso de uma ou outra forma variante, a saber, a oposição fala/fale, vem/venha, diz/diga.
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Grupo de pesquisas sociolinguísticas coordenado por Marta Scherre.
Após essa primeira etapa de reformulação, buscamos encontrar o tipo de entrevista que possibilitaria a coleta do maior número possível de estruturas imperativas. Decidiu-se pela obtenção dos dados por meio de gravações em entrevistas direcionadas, de 40 minutos em média, entre entrevistado e pesquisador. Para que o dado emergisse, foram usadas gravuras de revistas da Turma da Mônica cujas ações dos personagens pudessem motivar o uso de uma estrutura diretiva, conforme exemplificamos a seguir24.
As perguntas, a princípio, foram feitas aos entrevistados reportando-se ao provável diálogo entre os personagens (representados por seres humanos e por animais), conforme exemplificado a seguir.
(a) A Mãe da Mônica diz que já é tarde e que a filha precisa dormir. O que ela lhe pede?
(b) A Mônica gosta de escutar historinhas na hora de dormir. Qual o pedido que ela faz a sua mãe?
No transcorrer da entrevista, após uma maior descontração entre entrevistador e entrevistado, associamos as situações ilustradas nos quadrinhos a situações do cotidiano do entrevistado. Dessa forma, passamos a direcionar as perguntas a situações de interação entre o entrevistado e as pessoas de sua família ou de sua convivência. Nesses momentos, o entrevistado revelava diálogos e fatos envolvendo problemas de seu
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A ideia de trabalhar com histórias em quadrinhos surgiu durante uma conversa com a professora Daniele Grannier no Departamento de linguística da Universidade de Brasília, a quem agradecemos pela valorosa contribuição.
cotidiano, discussões, enfim, relatos de sua rotina em família, de seus contatos com o grupo de amigos e/ou de trabalho. Para estimular mais essa situação é que passamos a fazer perguntas como:
(a) Se fosse o seu filho, o que você lhe mandaria fazer nesta situação (ilustrada no quadrinho)?
(b) Se o seu filho está insistindo em algo que você considera errado, que pedido você lhe faz?
(c) Que ordem você daria a seu filho nesta situação?
(d) Imagine-se nessa situação. Que pedido você lhe faria, se o contexto envolvesse sua esposa/filha/namorada?
(e) Como você falaria para seu chefe lhe enviar uma correspondência?
Essa diferenciação no foco da pergunta - se direcionada aos fatos da ficção, considerando a interlocução entre os personagens, ou se direcionado à vida real, considerando a interlocução das pessoas ligadas ao entrevistado - foi considerada, na codificação dos dados, como um grupo de fatores. Essa variável independente - interação entre os falantes - obteve significância estatística e será analisada no capítulo 6, assim como os demais resultados estatísticos relativos aos 972 dados de estruturas imperativas que formam o corpus.
Uma outra etapa da entrevista consistiu em inquirir o falante acerca de seus hábitos culturais e sociais, de seus relacionamentos, de seu emprego, enfim, buscamos fatos que julgamos importantes para analisarmos a identidade do falante, sua adaptação ao Distrito Federal e sua relação com a terra natal. Com base nessas informações, criamos uma variável independente denominada identidade do falante que, ao final de todas as etapas da análise quantitativa, foi selecionada como a mais significativa nesse estudo da variação e da mudança do modo imperativo no português brasileiro. Como veremos, os dois aspectos básicos em jogo nesta variável são o gênero do falante e sua maior ou menor identificação com a grande Brasília.