A obtenção de um vetor de cointegração indica que, no longo prazo, a equação de equilíbrio para determinação dos preços de exportação da firma exportadora é respeitada. Pela magnitude dos coeficientes do vetor de cointegração, uma variação de 1% no custo em reais de produção, na taxa de câmbio ou na atividade econômica internacional faz com que os preços em moeda estrangeira das exportações se alterem em, respectivamente, 0,3268%, - 0,3308% e 0,9804%.
Os coeficientes associados aos custos do setor exportador e à taxa de câmbio mostram que há repasse das elevações de custos e de variações cambiais para os preços em dólares cobrados dos importadores estrangeiros. No caso de um aumento de 1% nos custos, os preços em dólares das exportações se elevam em 0,3268%, e o restante do aumento é absorvido pelo exportador como redução de markup. Com relação à taxa de câmbio, uma desvalorização cambial de 1% faz com que os preços em dólares das exportações se reduzam em 0,3308%, com o restante da variação sendo absorvida como aumento de markup. Isto significa que há um passthrough negativo de 33,08% para os preços em dólares das exportações. Pela função de resposta a um impulso na taxa de câmbio, vê-se que a queda nos preços em dólares é maior no curto prazo do que o é o longo prazo. Isto deve acontecer por causa do aumento nos custos em reais do setor exportador, que decorre da desvalorização cambial.
Quanto ao ajustamento dos preços das exportações aos desvios da relação de longo prazo, a magnitude de 0,38583 do coeficiente mostra que este processo dura três meses, aproximadamente. Ou seja, apesar de haver alguma rigidez que impede o completo e instantâneo ajustamento dos preços à condição de equilíbrio, este processo é relativamente rápido.
Através das funções de resposta ao impulso, vemos que um crescimento de 0,8299% nos custos em reais dos produtores faz com que os preços das exportações subam 1,398% depois de 15 meses e 1,525% depois de 35 meses. Já um choque de 0,943% no crescimento mundial faz com que os preços das exportações brasileiras se elevem continuamente ao longo do tempo, alcançando um crescimento de 2,289% depois de 35 meses. Ou seja, tanto um aumento de custos de produção no setor exportador quanto um maior crescimento econômico
mundial fazem com que os preços das exportações aumentem e, no longo prazo, a variação de preços tem uma magnitude maior do que a magnitude dos choques.
A decomposição da variância dos erros de previsão dos preços das exportações releva que a variável mais importante na determinação dos preços do setor exportador no longo prazo é o nível de atividade da economia internacional, que explica 65,843% do erro de previsão depois de 35 meses, seguido pelo custo, responsável por 29,042% do erro. Isto também pode explicar porque os exportadores repassam parte dos seus ganhos obtidos com uma desvalorização cambial aos consumidores externos. A importância da taxa de câmbio é maior no curto prazo do que no longo prazo, explicando 23,99% do erro de previsão depois de sete meses e apenas 3,57% depois de 35 meses. O que se pode concluir destes dados é que a determinação dos preços das exportações brasileiras está ligada, primeiramente, às condições econômicas internacionais e, secundariamente, às condições de custo do setor exportador, com a taxa de câmbio assumindo um papel pequeno neste processo.
Da mesma forma que no caso do setor exportador, há uma relação de equilíbrio para os preços em reais do setor importador. Todavia, o custo do setor importador, dado pelos preços em dólares das importações, não apareceu como variável estatisticamente significante para a determinação dos preços em reais das importações no longo prazo, mas apenas no curto prazo. Esta relação torna-se clara quando se observa a função de resposta dos preços em reais a um impulso nos preços em dólares. Os preços em reais das importações são muito sensíveis ao nível de atividade da economia brasileira, na medida em que um aumento de 1% nesta variável provoca uma elevação de 2,8122% nos preços.
Com relação à taxa de câmbio, uma desvalorização cambial de 1% faz com que os preços em reais das importações aumentem em 0,5537%. Ou seja, mesmo no longo prazo o passthrough das variações cambiais para os preços em reais das importações não é completo, correspondendo a 55,37%. Este resultado mostra que os importadores absorvem parcialmente em seus markups uma parcela de 44,63% da variação na taxa de câmbio. Assim, nem todo o aumento de custos em reais do setor importador gerado por uma desvalorização cambial é repassado aos consumidores.
Um ponto importante diz respeito à velocidade de ajustamentos dos preços em reais aos desequilíbrios da relação de longo prazo. Com um coeficiente de ajustamento de magnitude
igual a 0,03821, o processo de ajustamento dos preços em reais das importações é bastante lento, e levaria 26,17 meses para completá-lo.
Pelas funções de resposta ao impulso, percebe-se que os preços em reais das importações respondem positivamente a choques na taxa de câmbio e no crescimento doméstico, com a resposta crescendo continuamente ao longo do tempo. Um choque de magnitude 1,394% no nível de atividade da economia brasileira faz com que os preços das importações subam 2,072% depois de 15 meses e 2,351% depois de 35 meses. Quanto à uma desvalorização cambial, um choque de magnitude de 3,713% na taxa de câmbio provoca um aumento nos preços em reais das importações que alcança 2,243% depois de 15 meses e 2,45% depois de 35 meses. Finalmente, os preços em reais das importações sobem no curto prazo em resposta a um choque de 1,693% nos preços em dólares, alcançando um pico de 0,737% depois de 4 meses. No longo prazo, praticamente não há efeitos sobre os preços em reais, resultado compatível com o fato de os preços em dólares não serem estatisticamente significantes na relação de longo prazo.
A decomposição da variância dos erros de previsão dos preços em reais das importações mostra que as duas variáveis mais importantes na determinação dos preços são a taxa de câmbio e o nível de atividade doméstico, que explicam, respectivamente, 51,85% e 44,41% dos erros de previsão 35 meses depois de um choque. Ou seja, o processo de formação dos preços em reais das importações brasileiras está mais ligado às condições domésticas do que às condições internacionais. Já os choques nos preços em dólares das importações e os choques nos preços em reais das importações são muito pouco relevantes, representado apenas 2,68% e 1,06% da variância do erro de previsão de “lipa”, respectivamente, no longo prazo.