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Arkoma, Oklahoma, USA – First Deployment of a Monobore Liner Extension

3  Case Study

3.2  Relevant Case Histories

3.2.4  Arkoma, Oklahoma, USA – First Deployment of a Monobore Liner Extension

A rede urbana estruturada a partir de Mossoró vem inserindo Tibau na dinâmica urbana regional, cujo papel é definido dentro da divisão territorial do trabalho no Rio Grande do Norte, quando passa a ser o maior depositário de domicílios de uso ocasional do Estado. Em estudos acerca do tema urbanização litorânea das metrópoles nordestinas brasileiras, Dantas, Pereira e Panizza (2010) destacam Tibau, que após sua emancipação política e administrativa tornou-se o município com maior número de residências secundárias no estado do Rio Grande do Norte:

Dado peculiar é a emergência de Tibau no cenário. Desmembrado de Grossos, em 1997, dispõe de maior frequência de residências secundárias em relação aos domicílios particulares dos municípios do Estado (63,2%). Após desmembramento, Grossos perde destaque, e Tibau se beneficia da

proximidade em relação a Mossoró e ao interior da Paraíba (DANTAS; PEREIRA; PANIZZA, 2010, p. 101).

A Tabela 4 vem ilustrar a magnitude espacial das segundas residências em Tibau e o crescimento conforme os dois últimos Censos Demográficos de 2000 e 2010. Em 2010, 63,69% de seus domicílios foram recenseados pelo IBGE (2010), o que, em número absoluto,

representa 2.025 domicílios fechados na maior parte do ano (denominados de “domicílios de uso ocasional”), em contraposição aos 1.021 domicílios permanentes, constituindo-se, assim,

como território para a prática da Vilegiatura Marítima. O crescimento dos domicílios de uso ocasional em Tibau, tomando como referência os dois últimos Censos do IBGE (2000; 2010), foi de 45,26%, sendo superior aos 39,67% de domicílios de uso permanente, caracterizando o crescimento espacial do município em função da prática da Vilegiatura Marítima, o que fez tal prática assumir um papel de grande relevância na formação territorial urbana, possibilitando, assim, diversas práticas de lazer e de turismo.

Tabela 4 – Evolução dos Domicílios no Município de Tibau/RN

Ano Total de Domicílios

no Município Domicílios de Uso Ocasional Domicílios de Uso Permanente 2000 2.206 1.395 (63,19%) 731 (33,13%) 2010 3.179 2.025 (63,69%) 1.021 (32,11%)

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000 e 2010. Org.: Joane Luiza Dantas Batista.

A materialização significativa da Vilegiatura Marítima irá chegar a Tibau em 1980, quando essa prática passará a se intensificar no distrito de pescadores, atribuindo-lhe, inclusive, uma nova função: a do lazer associado ao mar e ao marítimo. São as novas práticas socioespaciais que intensificam o espalhamento de outras estruturas de assentamentos construídas no final da década de 1960. O município em foco passa a funcionar, conforme verificado em entrevistas de campo, como depositário de segundas residências, cujos ocupantes (proprietários ou não) provêm de diversos municípios do sertão potiguar, do Ceará, de Pernambuco e principalmente do município de Mossoró (Ver Mapa 4).

A formação e consolidação da rede urbana comandada por Mossoró com atividades econômicas produtivas desenvolvidas nas últimas décadas, vêm contribuindo para o crescimento do poder aquisitivo da população residente de Mossoró, como também da região que compreende o aglomerado urbano não metropolitano de Mossoró-Açu, com a dinamização de seus segmentos econômicos, gerando, assim, uma forte demanda para a prática da Vilegiatura Marítima, sendo grande emissora de vilegiaturistas para Tibau. E tal dinâmica é possibilitada pelas estradas que dão suporte às atividades econômicas regionais, possibilitando uma maior mobilidade. Tibau fortalece-se como um espaço-consequência da vida política, econômica e cultural de Mossoró, embora sua inserção seja justificada por fatores decorrentes de sua localização – o clima e a paisagem litorânea –, que lhe conferem uma particularidade, como também por sua proximidade com a capital regional, justificando, assim, sua existência. Havery (apud CORRÊA, 1989, p. 52) traz a discussão da inserção das cidades em rede urbana como a única possibilidade de existência, conforme se segue:

[...] a rede urbana é a forma espacial através da qual, no capitalismo, se dá a criação, apropriação e circulação do valor excedente. Cada cidade da região participa de algum modo e com alguma intensidade dos processos acima indicados: caso contrário terá a sua existência inviabilizada. Sua singularidade se dá em razão de sua inserção em um território submetido ao processo em questão.

As mudanças se tornam intensas no território na segunda metade do século XX devido às fortes transformações econômicas marcadas por fatos importantes que contribuíram para mudanças significativas na paisagem de Tibau na década de 1980, que tiveram seus processos iniciados na década de 1960, estimulados por financiamentos da Caixa Econômica Federal, Banco do estado do Rio Grande do Norte (BANDERN) e da Associação de Poupança e Empréstimo do Rio Grande do Norte (APERN) – os dois últimos já extintos – com os créditos e loteamentos que estão ligados ao momento político e econômico vivido pelo Brasil. O plano nacional desenvolvimentista e a implantação da indústria automobilística impulsionam a implantação e a expansão da Vilegiatura Marítima. Nesse momento ocorre também a ascensão de estratos sociais médios e urbanos, sendo tais fatores propícios para a implantação e difusão do domicílio de uso ocasional no Brasil, principalmente na faixa litorânea do Nordeste Brasileiro.

A expansão do fenômeno da Vilegiatura Marítima é verificada principalmente nas áreas sob influência das capitais do Nordeste Brasileiro, tais como Salvador, Recife, Natal e Fortaleza, como afirmam Dantas e Pereira (2010), principalmente com incentivos de

programas para facilitar a obtenção de imóveis ligados ao sistema financeiro da habitação e com os projetos Programa de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR), com intervenções infraestruturais.

A valorização social do Litoral fomentada pela sociedade urbana cria um produto a ser inserido na rede urbana regional: o espaço do lazer. Conforme Sanchez (1991), a promoção do espaço do ócio pela Sociedade virá a gerar uma valorização e um produto. Essa valorização provocará transformações no/do espaço, de modo a seus atributos (físicos, históricos e culturais) virem a passar a condicionar a produção.

A análise da valorização social da praia, criando um espaço-produto, isto é, o território

litorâneo de Tibau, passa a se constituir a partir das diferenças locacionais “encontradas” ou “especuladas” pelo capital, sendo elas sua beleza paisagística litorânea e seu clima ameno,

que lhe conferem a singularidade que irá promover sua inserção na rede urbana regional de Mossoró.

3 A VILEGIATURA MARÍTIMA E A URBANIZAÇÃO: NOVAS PRÁTICAS SOCIOESPACIAIS E MORFOLOGIAS URBANAS