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A APRENDIZAGEM NO CONTEXTO DO USO DA ENERGIA

4.1. INTRODUÇÃO

A transferência da informação constitui um dos principais fatores para a perpetuação de fatos e idéias, bem como uma poderosa ferramenta de criação e transformação de conceitos e processos, ao longo da evolução humana. O desenvolvimento da linguagem falada e escrita possibilita a constante aprendizagem através da organização do pensamento e da capacidade de planejar ações. Mas a conexão entre a informação e a ação, num determinado contexto, está longe de ser um processo simples e imediato, pois a criação e a modificação de valores dependem das estruturas social, cultural, educacional e econômica nas quais o indivíduo está inserido.

4.2. ALGUNS ASPECTOS DO COMPORTAMENTO HUMANO

Na concepção de procedimentos que modifiquem o comportamento humano, ou estabeleçam uma nova maneira de agir, normalmente é definida uma série de parâmetros que visam conduzir as ações a um objetivo final, para posteriormente adaptar a quem se destina, nesse caso, a pessoa5. Nessas circunstâncias torna-se comum a ocorrência de insatisfações nos resultados alcançados nos vários segmentos sociais; não é raro, por exemplo, ouvir-se que um determinado sistema computacional é ótimo, quem atrapalha é o usuário. Então, para quem foi feito tal sistema? Qualquer que seja o projeto que envolva pessoas, a inserção das mesmas desde o início representa uma condição qualitativa ao que se pretende realizar.

O estudo do processo em que se dá a assimilação das informações pelo indivíduo pertence à Psicologia; todavia, os resultados obtidos são de fundamental importância a quem se encontra incumbido de desenvolver estruturas para a formação do indivíduo ou para a difusão do conhecimento, como, por exemplo, um programa de uso racional de energia. A esse respeito, Stern (1992) estabelece as várias faces da questão com relação à conservação de energia.

Estudos psicológicos mostram que informação e capital, duas das principais ferramentas políticas para a conservação de energia, são mais complexas e multidimensionais do que assumem as análises técnicas de política econômica, e que o capital não é o único motivo importante para a conservação.

Antes de discorrer sobre os aspectos do comportamento humano relevantes ao uso de energia, cabe aqui estabelecer uma diferenciação entre atitude e comportamento. A atitude é uma predisposição assimilada pelo sujeito para responder conscientemente, de maneira favorável, ou desfavorável, em relação a um objetivo ou representação simbólica. O comportamento consiste na provável maneira de agir em decorrência de uma determinada atitude (MARTINS, 2000). Por exemplo, se alguém tem um opinião desfavorável em relação a uma certa marca de automóvel (atitude), provavelmente não adquirirá tal veículo (comportamento).

Antes da formação de valores pessoais, que irão constituir a atitude, estão presentes as informações, cujas influências não são simultâneas, e a aceitação de novas idéias ou atitudes por parte dos indivíduos, ao longo do tempo, pode ser dividida em cinco categorias (ROGERS, 1966):

• a categoria dos inovadores, a qual comporta os indivíduos que estão predispostos a experimentar novas idéias; dentre os pré-requisitos de um inovador está a sua condição financeira em absorver os possíveis resultados negativos, devido a uma inovação não lucrativa, e habilidade para entender e aplicar os conhecimentos adquiridos;

• a categoria dos primeiros aceitantes é constituída de indivíduos com grande capacidade de formação de opinião, aos quais normalmente são solicitados conselhos e informações sobre uma nova idéia; a conduta de tais pessoas serve de exemplo para os outros membros de um sistema social;

• os integrantes da primeira maioria colocam em prática as novas idéias após um período decisório mais longo; com satisfação aderem às inovações, entretanto raramente conduzem um processo inovador;

• para os indivíduos que formam a última maioria, a aceitação das novas idéias pode ser caracterizada pela necessidade econômica, ou por uma pressão social crescente; os indivíduos dessa categoria tem consciência da utilidade de novos procedimentos, mas a sua aceitação depende da participação de seus pares;

• os atrasados formam a última categoria de adoção; quando finalmente adotam uma inovação, a mesma pode ter sido substituída por uma outra mais recente, ou seja, em

suas atividades é comum o sentimento de alienação em relação às mudanças ocorridas no mundo.

Na proposta de divisão em categorias de aceitantes, de acordo com estudos realizados, dentre as características pessoais avaliadas as de maior importância são: idade, posição social, educação e alfabetização, posição econômica, grau de especialização (dentro de uma dada atividade) e desenvolvimento intelectual (depende de como o intelecto individual, conforme as próprias características, é estimulado no meio social; por exemplo, através de jornais, televisão e/ou outras pessoas). De acordo com Rogers (1966), em certo número de casos empíricos já descritos em trabalhos anteriores, a distribuição dos aceitantes fica próxima da normal, conforme mostrado na Figura 4.1.

Fonte: Rogers (1966)

Figura 4.1 – Classificação dos aceitantes em relação ao tempo de aceitação das inovações Diante da necessidade de mudança de atitudes, em virtude de uma condição que traga benefícios à sociedade, é importante ter a noção de como a informação se processa e se difunde entre os membros presentes no convívio social. Nesse contexto, a informação por si só, mesmo que seja bem elaborada e com justificativas convincentes, não possui a garantia da sua eficiência quanto à capacidade de promover a alteração de valores pessoais. Esse processo depende de outros fatores, que estão relacionados com as características pessoais dos indivíduos que compõem cada comunidade.