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4. RESULTAT

4.2 Argument imot ei reguleringsordning for guidar i NBR

A noção de QDV não é nova. Fernández-Ballesteros (2003) sublinha a importância do conceito e o seu debate pelos primeiros filósofos. Smith (2000), e Netuveli e Blane (2008) atribuem as primeiras noções de QDV a Aristóteles (384-322 a.C.) na sua abordagem aos termos “boa vida” e “viver bem”. Contudo, a sua popularização terá ocorrido na segunda metade do século XX (Smith, 2000 e Ribeiro, 1994). Embora, inicialmente assente em questões económicas e políticas, o conceito passou a alargar-se aos discursos dos mais variados contextos sociais (Smith, 2000). Ou seja, o conceito QDV passou a integrar, para além dos indicadores mais economicistas (possuir bens, como carro, rendimentos, entre outros), os indicadores subjetivos, nomeadamente a felicidade e a satisfação com a vida e com os diversos domínios desta (Smith, 2000).

11 “A população com 65 anos ou mais de idade residente em Portugal aumentará de 2033 para 3043 milhares, entre 2012 e 2060, no cenário central.” (INE, 2014a, p. 10) A esperança média de vida à nascença aumenta entre 2010-2012 e 2060 de 76,7 anos para 84,2 anos para os homens e de 82,6 anos para 89,9 anos para as mulheres, no cenário central. Dados disponíveis em http://www.ine.pt/ngt_server/attachfileu.jsp?look_parentBoui=215593684&att_display=n&att_download =y

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As investigações sobre QDV surgiram nos finais da década de 60, apontando-se este período como sendo aquele em que ocorreu a emergência do conceito enquanto científico (Ribeiro, 1994, 2003; Fernández-Ballesteros e Ivars, 2010), ainda que os primeiros estudos publicados acerca deste tema apontem para os anos 7012 (Ribeiro, 1994). Os

esforços para medir/avaliar a QDV podem ser remetidos, em termos de origem, ao relatório da Comission on National Goals, de 1960, realizado para avaliar a QDV dos americanos, que concluiu existir uma vasta gama de indicadores sociais e ambientais que devem ser tidos em conta pela nação na avaliação de QDV (tais como a educação, preocupações pelo indivíduo crescimento económico, saúde e bem-estar e a defesa de um mundo livre) (Ribeiro, 1994, 2003 e 2004).

Hoje QDV é um conceito chave13 ao nível das ciências ambientais, sociais, médicas e

psicológicas, nas políticas públicas e nas mentes da população em geral, contudo não há um consenso sobre a definição de QDV (Ribeiro, 1994 e Fernández-Ballesteros, 1997). Definir QDV é constatar de facto a existência na literatura de diversas conceções sobre o tema (Ribeiro, 1994). A forma como este se avalia ou se consideram determinados domínios da vida em relação a outros, parece ligar-se ao contexto temporal, social ou científico em que se aplica e ao modo como cada especialista e cada pessoa o interpreta, enfatizando por isso, por exemplo, a saúde, fatores ecológicos ou económicos de acordo com as áreas de interesse ou intervenção.

Valorizando-se neste trabalho a QDV no envelhecimento, sublinha-se que o conceito de QDV se coaduna com as políticas atuais de promoção de EA, no sentido de ser um objetivo deste modelo ligado ao modo de envelhecer segundo a OMS (2002), que entende QDV como

… as individuals’ perception of their position in life in the context of the culture and value systems in which they live and in relation to their goals, expectations, standards and concerns. It is a broad ranging concept affected in a complex way by the person's physical health, psychological state, level of independence, social relationships, personal beliefs and their relationship to salient features of their environment. (OMS, 1997, p.2)

12 Ribeiro (1994), aponta para esta data identificando três estudos de diferentes autores que se debruçam sobre a QDV, publicados em: 1975 de Liu; 1976 de Cambel, Converse e Rodgers (também mencionado por Ribeiro (2003)), como um estudo intitulado The Quality of American Life; e de 1982, de Flanagan, o primeiro com objetivo de identificar componentes de QDV, o segundo visava esclarecer/identificar e assim facilitar a compreensão acerca de experiências que definissem QDV e o último, objetivou identificar domínios de QDV.

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A partir desta conceção, compreende-se o caráter multidimensional de QDV, no sentido de que este conceito se reveste de domínios físicos, psicológicos e sociais. De um modo mais detalhado, a definição avançada pela OMS aponta para aspetos mais pessoais, como a saúde, autonomia e independência e satisfação e também para aspetos ligados ao meio ambiente em que se insere, como relações sociais e pessoais. A natureza multidimensional do conceito sublinha a importância de se fazer uma ligação ao conceito de saúde e (também) à sua multidimensionalidade.

A definição de saúde avançada em 1948, pela mesma organização, remete não apenas para a ausência de doenças ou de um estado de incapacidade mas, numa visão mais alargada, para um estado de bem-estar (i) físico, (ii) mental e (iii) social; acrescentando em 1987, uma conceptualização de saúde, enquanto um estado sustentável e completo de bem-estar, nos domínios em 1948 referidos, em suma, esta visão holística de saúde cruza-se com a de QDV, na sua complexidade, multidimensionalidade e transversalidade à vida humana (OMS, 1948 e 1987 cit in Ribeiro, 2005). Assiste-se assim a um alargamento do entendimento de saúde, que precipitou na sua avaliação a inclusão de variáveis de bem-estar para além do domínio da doença, percebendo-se no fundo que entender a saúde só seria possível com um entendimento de outras componentes da vida. A saúde passa a ser entendida essencialmente como um meio para atingir um fim e a QDV como um termo que a abarca, mas que é muito mais amplo do que esta.

A QDV alberga aspetos quer objetivos, quer subjetivos e depende ou reflete condicionantes macrossociais e sociodemográficas, bem como experiências e circunstâncias individuais, como a saúde, o bem-estar social, os valores, as perceções e o estado psicológico dos indivíduos e a interação entre estes (Lawton, 1991). Fernández-Ballesteros (1997) defende que o conceito integra as seguintes dimensões: (i) dimensão pessoal ou interna (como por e.g. fatores como a competência funcional e saúde) versus socio ambiental ou condições externas (como por e.g. como utilizar a ajuda de próteses); (ii) dimensão subjetiva (como por e.g. a satisfação com a vida) versus objetiva (fatores como os rendimentos e o ambiente físico); sendo que o conceito QDV deve integrar um conjunto de fatores ligadas às duas dimensões e não ser reduzido apenas a uma. Em 1998, Fernández-Ballesteros, acrescenta que:

… quality of life can be described, [...], as a multidimensional macro concept involving different components or conditions, whose weight or importance varies according to a series of

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personal parameters (such as age and gender) or social ones (such as socioeconomic or educational conditions). (Fernández-Ballesteros, 1998, p. 59).

O conceito QDV engloba vários domínios da vida humana, desde os ligados às necessidades básicas (como por e.g. alimentação e alojamento), às necessidades materiais e bens em geral (como ter meios de transporte) (Fernández-Ballesteros, 2003). Fernández-Ballesteros (1997) sublinha os fatores objetivos e subjetivos do conceito, valorizando a individualidade e o peso que cada um atribui a determinados aspetos da sua vida. Assim, a QDV comtempla conceitos transversais e universais, mas também aspetos particulares e individuais (Cummins, 2005).

As conceções anteriormente propostas, em nossa análise, remetem para o dinamismo do conceito de QDV, tendo em conta a sua evolução decorrente (e na corrente) da evolução histórica, económica, cultural, social, que alargou o seu entendimento considerando outras dimensões da multifacetada evolução da sociedade.

Consideramos assim que a análise de Castellón (2003) encerra o manancial de perspetivas aqui trabalhadas. O autor conceptualiza o conceito de QDV como: (i) uma qualidade ao nível das condições de vida (componente objetiva); (ii) satisfação pessoal com as condições de vida (componente subjetiva); (iii) combinando as condições de vida e a satisfação pessoal segundo os critérios do próprio indivíduo, tendo em conta os seus próprios valores e aspirações.

Remetemos ainda às definições de Ballesteros, Lawton e Cummins, que, embora possam divergir na forma como agrupam ou organizam os constituintes de QDV, convergem no sentido de olharem as componentes objetivas e subjetivas da vida e a sua interação como determinantes desta.

Ainda que considerando que a QDV é um exercício combinado entre os fatores objetivos e subjetivos, a OMS (1997) valoriza uma abordagem essencialmente subjetiva de QDV. A análise realizada permite sublinhar a importância de se ler a QDV tendo em conta esta interação mais do que olhar cada fator por si só. Não obstante a importância e associação a outros determinantes, este tema parece irremediavelmente ligado à saúde, tendo em conta, desde logo, a sua conceptualização se for ao encontro do que avança a OMS.

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A análise concretizada pode finalizar-se com palavras, embora não recentes, ainda atuais, de Fernández-Ballesteros (1998, p.57), que servem de reflexão sobre o conceito de QDV e a razão da sua complexidade, visto que QDV:

… is a complex concept that is difficult to operationalize. Nevertheless, it is possible to establish on principal characteristic: its multidimensionality. Like life it self, quality of life has multiple ingredients.

Assim sendo, apesar da discussão sobre QDV remontar a dois milénios atrás, continua- se a caminhar para a aceção de uma definição de QDV, que poderá um dia ser comum aos vários contextos sociais. Para já parece ser consensual considerá-la um conceito dinâmico, multidimensional, e que abarca dimensões objetivas e subjetivas (decorrendo deste facto a impossibilidade de se fazer uma avaliação completa da QDV de um indivíduo sem que este seja escutado diretamente).