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[...]a questão da própria legislação assim, quando ela reduz direitos, quando ela pega assim, na prática ela cria dificuldades pra o acesso. A procura aos benefícios porque, uma coisa é o discurso da instituição, como eu aprendi né? Agora, eu tenho o meu discurso humanista né? A própria mídia diz assim “A Previdência é de todos!” e num sei o quê né? Ai você (trecho inaudível), aí as pessoas num sabem que a Previdência [...]. É, na hora que a gente tem restrição, né? Na própria legislação, no dia-dia porque você vai ter que se capacitar mais pra defender essa inclusão que falam tanto, né? O acesso aos direitos, porque essa inclusão também faz parte do nosso trabalho, né? Fazer uma ação para o segurado porque os direitos né, direitos né? Ele tem direito tanto porque ele paga, porque ele também é cidadão e tem direito aqueles benefícios, num é nenhum favor (VESTA, informação verbal).

Após as avaliações individuais, agora realizadas pelos Orientadores Profissionais, o Orientador Profissional e o Médico Perito do quadro se reúnem para estudar cada caso, definir a elegibilidade para o programa e concluir o Formulário de Avaliação do Potencial Laborativo. Realizam também as análises conjuntas onde estão presentes todos os médicos peritos do programa, juntamente com todos os orientadores profissionais.

Percebemos que é visível a luta entre técnicos da área sócio-profissional com a área médica em situações onde os aspectos sócio-econômicos são deixados em segundo plano, prevalecendo a questão física.

Não devemos esquecer que o Assistente Social invade, em distintos graus, a privacidade dos usuários, onde esses são tratados de acordo com suas particularidades, sendo importante, nesse caso, o compromisso social do profissional com o projeto ético-político-profissional.

Em suma, a prática do Assistente Social nesse programa apresenta atividades que vão do suporte para racionalização do funcionamento da instituição, como também “funções técnicas propriamente ditas”. Devido a proximidade entre o Assistente Social e o usuário, tal profissional centraliza informações sobre a situação social de cada cliente, sendo

possível, desse modo, ações persuasivas e educativas. Isso, de certa forma, se contrapõe ao projeto ético-politico profissional, que vê o usuário, como sujeito de direitos e protagonista de sua própria história. A persuasão tem, neste contexto, por vezes, uma conotação de controle político e institucional.

Ao mesmo tempo, inúmeros limites são impostos ao exercício cotidiano do trabalho do Assistente Social, entre eles: reduzido quadro de profissionais, sem devida reposição, inclusive por razão dos assistentes sociais, que apressaram a aposentadoria diante da instabilidade da própria reforma previdenciária; redução de recursos financeiros para garantir o suporte ao acompanhamento da programação; redução de recursos orçamentários para garantir a prestação dos auxílios complementares a que fazem jus os segurados; crescimento da demanda de segurados sem qualificação profissional, com baixo nível de escolaridade e sem preparação política, acarretando desconhecimento dos seus direitos e do PRP, agravando as possibilidades de seu retorno ao meio profissional, o que por vezes inviabiliza projetos profissionais alternativos.

Dentro de tal contexto registram-se pequenas vitórias e conquistas de cidadania, mas não sem constante luta, discussão e correlação de forças com os segmentos envolvidos no processo reabilitatório dos segurados, que embora tal programa signifique simplesmente o cumprimento de direitos sociais, muito prevalece o discurso médico, que restringe tais direitos.

3.2. IMPACTOS DAS CONTRA-REFORMAS DA PREVIDÊNCIA PARA OS ASSISTENTES SOCIAIS DO INSS: uma luta incansável pela sua permanência e pelo seu espaço de atuação

Devido as Contra-Reformas na década de 1990, o Assistente Social é também afetado como trabalhador pela desregulamentação de suas funções ao nível institucional, como pela defasagem salarial e flexibilização ou extinção de seus direitos sociais com as Reformas Administrativas e Previdenciárias.

Nesta perspectiva as Assistentes Sociais fazem as seguintes afirmações quando indagadas a respeito da significação da Contra-Reforma da Previdência:

A minha opinião assim muito pessoal, eu acho que teve muito, necessidade de ter a reforma da previdência. Agora a questão é que a gente até agora, o pessoal, de ter uma reforma que atendesse aos interesses dos usuários. [...] eu coloco assim a necessidade de sempre ter uma participação, ter um debate que a população

participasse e opinasse, que ás vezes não é oportunidade, ou ás vezes é a oportunidade e as pessoas não tem na prática, ou por vários motivos, né? Não chegam lá pra ouvir... (ASTRÉIA, informação verbal)38.

[...] eu acho que foi uma perda pro trabalhador porque tem dificultado o acesso aos benefícios da previdência né?! Os critérios estão cada vez mais rigorosos, e enquanto isso, a política de trabalho também está muito restritiva. [...] Vamos dizer assim, de uma articulação política. Ela trabalha muito isoladamente. Ai a previdência, ela faz uma Reforma como se houvesse um mercado de trabalho capaz de absorver esta mão de obra. Você veja bem... O mercado de trabalho está cada vez mais exigente, existem pessoas com experiência, pessoas qualificadas e nós não temos uma política educacional voltada para esse aspecto né?! Enquanto isso também, a população, com um baixo poder aquisitivo não tem como prover isso, a sua parte. [...] Ai você vê, depois assim aos 40 anos o trabalhador já envelhecido, já com algum problema de saúde, é excluído do mercado de trabalho por conta da idade, ta entendendo? E quando busca a Previdência, os critérios são extremamente rigorosos. Quer dizer não existe assim, Políticas Públicas voltadas para a realidade da classe trabalhadora. (DEMETER, informação verbal)39.

Assim, com a reestruturação previdenciária, a partir de 1999 foi atribuída uma nova estrutura organizacional à Unidade de Referência de Reabilitação Profissional, devido ter se extinguido as especialidades dos profissionais de nível superior, permanecendo apenas os médicos peritos com a sua especialidade. Os outros profissionais de nível superior, como os Assistentes Sociais, Fisioterapeutas e Psicólogos passaram a ser chamados de Orientadores Profissionais, como já assinalamos.

Como reflexo dessa reestruturação previdenciária temos, ainda, a extinção no organograma da instituição da Divisão de Serviço Social que coordenava as ações do Assistente Social. Os Assistentes Sociais restantes no quadro da instituição passaram a exercer atividades burocráticas e foram inseridos em equipes multiprofissionais, nos programas executados pela instituição. Desta forma, todas estas modificações executadas pelo Governo Federal, rebatem também no INSS do estado do Rio Grande do Norte e nos seus respectivos programas.

E, dessa forma, os profissionais de Serviço Social, diante de tais

desafios devem encontrar espaços para superar essas barreiras,

38 Entrevista realizada em Natal, 17 maio 2007.

através da defesa dos direitos sociais, esclarecendo os usuários do