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Arealstatistikk fra Statistisk sentralbyrå

3. Areal i undervisningsbygg

3.2 Arealstatistikk fra Statistisk sentralbyrå

No desenvolvimento da pesquisa me deparei, inicialmente, com a dificuldade de encontrar sujeitos que concordassem em participar da

39 Revistas dirigidas especificamente aos homossexuais, homens e/ou mulheres.

40 Para os países em desenvolvimento, como o Brasil, já há que se refira, a exemplo de Alexandre

Kalache, da OMS (Organização Mundial de Saúde), ao processo como “revolução demográfica”.

41 Pirâmide é a figura geométrica usualmente empregada para representar a distribuição da população

mesma. De inicio realizei uma observação participante na Avenida Vieira de

Carvalho, por ser ela um local tradicional de homossexuais.

Realizei esta “visita” em uma quinta feira, dia em que acontece um baile específico para os homossexuais idosos. Este baile é realizado na Boate ABC Bailão, localizada na Rua manque de Itu, proximidades da Avenida Vieira de Carvalho.

Estar na “Vieira”, mais especificamente no Bar Caneca de Prata e na

Lanchonete Nova Vieira, contribuiu para a interação com os freqüentadores,

sempre na posição de freqüentador. Em momento algum me identifiquei como pesquisador, pois isto poderia afastar as pessoas. Nestes dois espaços pude observar a presença de muitos senhores idosos. Segundo os freqüentadores da Boate ABC bailão, o baile começa por volta das 21 horas. No local é montada uma mesa com salgados. Nestes bailes de quinta-feira, os homens com idade acima de 50 anos pagam meia-entrada.

Durante as duas horas em que fiquei no local conheci um senhor para quem expliquei a proposta do meu trabalho e indaguei se ele se disponibilizaria a participar. Para minha surpresa, a receptividade foi grande e ele se mostrou disponível. Trocamos telefones e, uma semana depois, marquei a entrevista.

Depois desta primeira entrevista, retornei novamente a “campo”, ou seja, à Vieira de Carvalho. Elaborei um cartão com o meu telefone e convidando homens com idade igual ou maior de 60 anos a participar da pesquisa. Além disto, estabeleci novos contatos com a esperança de conseguir novos sujeitos. Durante estes contatos, todos se mostraram atenciosos e reconheceram a importância da pesquisa, entretanto nenhum dos indivíduos contatados entrou em contato.

Diante desta dificuldade, recorri à Internet; mais especificamente às salas de bate-papo e aos grupos. Entrei também em sites de “homens maduros”, dado que estes espaços são acessados por diferentes indivíduos, entre eles idosos. Uma vez mais, não obtive êxito. Isto porque se trata de

espaços direcionados para encontros sexual-afetivos e não para pesquisas acadêmicas.

Busquei outros meios. Fui aos grupos de militância, certo de que poderiam conhecer pessoas dispostas a me fornecerem depoimentos; por outro lado, este expediente facilitaria o contato, pois envolve pessoas que não gostam de se expor, principalmente para um estranho como eu. Também estive na Associação da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, onde não consegui nenhuma indicação. Fui então ao Fórum ONG Aids, onde recebi o nome de um senhor de 70 anos que poderia participar da entrevista. Liguei para este senhor que prontamente aceitou participar.

Precisava encontrar outros sujeitos; voltei, então, à Vieira de Carvalho. Desta vez, procurei ser mais direto com as pessoas. Minha estratégia foi ficar parado na calçada, entre o Bar Caneca de Prata e a

Lanchonete Nova Vieira. Trajado roupa esportiva e tinha em mãos um

pequeno caderno. A atitude era de observador. À medida que as pessoas passavam e que alguns grupinhos se formavam eu era abordado pelos senhores que vinham “conversar”; a pergunta chave era: “o que faz aqui jovem?” Esta era a deixa para eu poder falar do meu trabalho e convidar para participar da pesquisa.

Foi quando conheci um homem de 40 anos que gosta de “senhores”; tanto que tem um companheiro de 82 anos. Ele logo se interessou pela pesquisa e se disponibilizou a me indicar outros idosos para participar da pesquisa.

Depois de trocas de telefones e e-mails, ele entrou em contato e marcamos o primeiro encontro. Fui apresentado a um senhor e, a partir deste, os demais apareceram; sempre por intermédio dele. Apresentou-me a quatro idosos homossexuais que gentilmente me concederam o privilégio

de conhecê-los um pouco. Além destes, entrevistei também o “informante”42.

42 Por informante entenda-se, no contexto desta dissertação, o homem de 40 anos que fez a

intermediação com os outros sujeitos. A idéia de utilizar um “informante” foi dada pela banca do Exame de Qualificação.

Ao iniciar as entrevistas, falava da investigação e deixava claro o anonimato dos entrevistados; lembrava, também, da possibilidade de

desistência ao longo da entrevista.

Todas as entrevistas foram gravadas, transcritas e, finalmente, analisadas. Além das entrevistas, os sujeitos preencheram um formulário contendo informações sobre a idade, a escolaridade, o estado conjugal, a profissão, a renda pessoal/familiar, os filhos.

As entrevistas transcorreram no clima de um bate-papo; afinal, os sujeitos estavam livres para falar de sua vida e de suas experiências. Durante as conversas, fiz algumas intervenções para que retomar o foco do trabalho.

Os encontros com os entrevistados aconteceram em locais públicos (praça e clube), na residência ou no local de trabalho. Cada entrevista foi realizada em apenas um encontro; com duração média de cada uma foi de 90 minutos.

Durante as entrevistas, os sujeitos mostraram-se, de início, receosos em falar de sua intimidade; porém, no decorrer delas se sentiram a vontade para falar sobre suas vidas e seus pontos de vista sobre questões referente à sexualidade, à velhice e à família. Isto só foi possível pela relação estabelecida entre pesquisador e entrevistado. Todos fizeram questão de deixar registrada minha cordialidade e simpatia.

3. Os Sujeitos

Como cada vida é única e singular, os sujeitos foram identificados com nomes retirados da Mitologia Grega.

A. Hermes: 64 anos; Superior Completo; Profissão: Advogado; Solteiro; 01 filho adotivo.

Conheci Hermes na Vieira de Carvalho. Foi o primeiro com quem realizei a entrevista. Seu depoimento foi realizado em seu escritório. Um homem muito

atencioso e educado. Em uma sala reservada conversamos por 90 minutos. É um homem religioso; buscar manter sua vida privada de maneira discreta, principalmente no seu ambiente de trabalho. É um homem apaixonado pela vida e está em busca de uma grande paixão.