A floresta ripária reduz a formação de bancos de sedimentos e regula a temperatura da água (DUDLEY; STOLTON, 2003). Estes fatores têm influência sobre todos os parâmetros, direta ou indiretamente.
O carreamento de sedimentos influi diretamente sobre a quantidade de sólidos dissolvidos, suspensos ou sedimentáveis presentes na água, e afeta a qualidade da água física, química e biologicamente. Sedimentos geralmente carregam matéria orgânica ou resíduos industriais, nutrientes adsorvidos e produtos químicos tóxicos (COOK, 1996). Em áreas urbanas, os esgotos clandestinos jogados na rede de drenagem também são carreados com as águas das chuvas.
TEMPERATURA (OC)
As variações de temperatura da água são parte do regime climático natural, diário e sazonal (MATHEUS et al., 1995 apud DONADIO et al., 2005) e são uma condição ambiental muito importante em diversos estudos relacionados ao monitoramento da qualidade de águas.
O aumento da temperatura provoca o aumento da velocidade das reações físicas, químicas e biológicas, reduz a solubilidade dos gases e aumenta as taxas de transferência dos mesmos, podendo gerar mau cheiro, no caso da liberação de gases com odor desagradável.
Matheus et al. (1995) citados por Donadio et al. (2005) sustentam que a maioria das espécies animais e vegetais tem exigências definidas quanto às
temperaturas máximas e mínimas toleradas, e de acordo com Madgan et al. (1997), a maior parte dos organismos possui faixas de temperatura "ótimas" para a sua reprodução.
Trabalhos de Bartran e Balance (1996) mostraram ser a amplitude térmica anual da água na superfície de lagos tropicais de apenas 2 a 3oC na superfície,
podendo ter valores ainda menores em profundidades superiores a 30m e, por isso, ser considerada diferença significativa uma amplitude térmica acima de 3oC.
Já a Resolução CONAMA 430/2011 estabelece que a variação de temperatura do corpo receptor, devido ao lançamento de efluentes, não deverá exceder a 3ºC no limite da zona de mistura, assim como a temperatura não deve ultrapassar o limite de 40oC.
Segundo Arcova et al. (1993), citados por Bueno et al. (2005), a radiação solar é a principal variável que controla a temperatura da água de pequenos rios. E segundo Swift e Messer (1971) e Sugimoto et al. (1997), citados por Donadio et al. (2005), a manutenção da vegetação ciliar é a maneira mais efetiva de prevenir o aumento da temperatura da água.
TURBIDEZ (UNT)
A turbidez tem relação direta com a presença de sólidos suspensos na água. É agravada pela erosão e aporte de sedimentos provenientes de despejos domésticos e industriais, incluindo microorganismos (VON SPERLING, 2005).
COR (UC)
De acordo com Von Sperling (2005), a cor pode estar também relacionada à presença de ferro e manganês na água, assim como de resíduos industriais e esgotos. A decomposição de matéria orgânica, associada à presença de raízes das áreas ciliares, pode ser outro fator de contribuição para a cor.
A cor aparente, diferentemente da verdadeira, inclui a parcela de turbidez presente na água (VON SPERLING, 2005), de forma que o aporte de sólidos sedimentáveis também pode afetar diretamente esta variável.
SÓLIDOS SEDIMENTÁVEIS (mL/L) e SÓLIDOS TOTAIS DISSOLVIDOS (mg/L)
Os sólidos sedimentáveis contribuem para o assoreamento dos corpos d´água, após sua decantação.
Os sólidos totais dissolvidos incluem partículas de matéria orgânica e sais e têm relação direta com a cor.
Diversos fatores influenciam a capacidade de retenção de sedimentos provenientes da drenagem urbana pela mata ciliar, incluindo frequência e intensidade de chuvas, tamanho e carga de sedimentos, tipo de inclinação, e densidade da vegetação ciliar, a qual influencia na presença ou na ausência da camada de serrapilheira, estrutura do solo e padrões de drenagem subterrânea. (OSBORNE; KOVACIC 1993 apud KLAPPROTH; JOHNSON, 2009).
A mata ciliar representa importante papel na retenção de sedimentos. Estudos de Peterjohn e Correl (1984) na bacia do Rio Rhode, Washington (EUA), em área de 10 ha de produção de milho, mostraram que 90% das cargas anuais de sedimentos em suspensão foram retidos na área de mata ciliar com 5,9 ha. De acordo com os mesmos autores, também citados por Klapproth e Johnson (2009), efeitos semelhantes de retenção de sedimentos pela mata ciliar foram observados por outros autores em ocasião chuvosa na planície costeira da Carolina do Norte (DANIELS; GILLIAM, 1985; COOPER et al. 1986) e na planície costeira interna da Geórgia (LOWRANCE et al. 1984).
Em experimento na Universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, investigadores demonstraram que as gramíneas, antes da saturação, removem cerca de 90% do sedimento, porém, após a saturação, a remoção é de apenas 5% (DILLAHA et al., 1989 apudKLAPPROTH; JOHNSON, 2009).
Conforme citado por Silva A. et al. (2011), estudos da Embrapa Pantanal mostraram incremento de até 70% na entrada de sólidos suspensos e nutrientes na parte alta do rio Taquari – localizado nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – na época chuvosa, em decorrência da erosão ocasionada pelo desmatamento.
CONDUTIVIDADE ELÉTRICA (MS/CM)
A condutividade elétrica fornece importantes informações sobre o metabolismo do ecossistema, ajudando a detectar fontes poluidoras nos sistemas aquáticos, como a presença de íons metálicos. Quando seus valores são altos, indicam grau de decomposição elevado, e o inverso (valores reduzidos) indica acentuada produção primária – sendo, portanto, uma maneira de avaliar a disponibilidade de nutrientes nos ecossistemas aquáticos (SIPAÚBA-TAVARES; 1994 apud NUNES; 2009). Em geral, condutividade elétrica superior a 100 mS/cm é característica de ambiente impactado (CETESB, 2012).
Ballester et al. (2003) identificaram, em estudos na Amazônia, aumento da condutividade elétrica associado ao aumento de fosfato, sódio, cloreto e potássio na água do rio Ji-Paraná após substituição de floresta por pastagem.
A condutividade pode também representar indícios de salinização da água. Esta é uma análise importante para a região de Maceió, onde o risco de intrusão salina da água do mar é aumentado pelas práticas comuns de rebaixamento de lençol freático para construção de obras civis, tal como descrito por Souza et. al (2009). Ressalta-se ainda o fato de que 68% da população de Maceió é abastecida por água subterrrânea (CASAL, 2012a).