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Arctic aerosol produces heating aloft and cooling at the surface

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“Ao entrar no recinto onde a criança brinca, deparamos com um espetáculo encantador: o tapete se transformou no mundo. O campo central é o lago, as faixas em redor se transformam em caminhos. Embaixo da mesa é uma casa. Não se pode pisar na área central para não ter os pés molhados. Pedaços de madeira e banquinhos são trens, carros e morros. Sob a mesa há uma casa completa, com sala de estar, quarto e cozinha.” (LIEVEGOED, 1994, p.50)

Durante o aprendizado do andar, do falar e do pensar, quando o bebê está em fase transitória para a criança pequena, o mundo externo participa de forma crescente do nascimento das emoções. A criança se sente feliz quando está sadia e quando o mundo ao seu redor lhe proporciona boas sensações; já quando esta adoece, ou quando o mundo lhe traz sensações não tão boas, ela fica triste e abatida.

O sentir desenvolve-se, ao contrário do pensar, de maneira semiconsciente. Na criança é possível perceber o desenvolvimento do sentir a partir do momento em que, segundo Lievegoed (1994, p.48), “essa vida dos sentimentos assume, pela primeira

vez, esse caráter de sonho semiconsciente.” Para que isso aconteça é necessário haver influências além da vida física, vindas do mundo espiritual.

Por isso a consciência do eu, despertando ao redor dos três anos, é a premissa para o despertar da vida semiconsciente dos sentimentos(…) a criança fica consciente de sua própria “existência” ao redor dos três anos, ao despertar do pensar; e revela essa vivência do próprio eu, situado externamente – e em oposição – ao mundo exterior, resistindo a este último. Ela nota que pode dizer “não!” a esse mundo e que essa negação fortalece a sensação de seu próprio ser. É o começo do chamado “período da birra”, a primeira fase negativa(…) Quando essa vivência do próprio eu se desenvolveu ao ponto de estar presente mesmo não havendo oposição ao mundo exterior, essa fase negativa volta a desaparecer, vindo pouco depois a ocorrer o desabrochar da vida emocional pela sinergia das influências “de baixo e de cima”. (LIEVEGOED, 1994, p.48)

O brinquedo tem uma importância singular no desenvolvimento emocional da criança. Ela não se relaciona com brinquedo algum nos primeiros meses de vida, o seu brinquedo é a própria mão. É nesta “brincadeira” que a criança descobre aos poucos a própria corporalidade.

A brincadeira começa bem cedo na criança. Pode-se falar em brincadeira já nos primeiros meses de vida. As mãozinhas, ao penetrar no campo visual, podem ser dirigidas e constituem o primeiro brinquedo. Um pouco mais tarde a criança descobre seus pés, que são ainda mais divertidos, pois desaparecem e precisam ser constantemente procurados. Depois são argolas de osso ou chocalho, mais tarde caixinhas e cubinhos que podem ser alinhados e empilhados. (LIEVEGOED, 1994, p.49)

O melhor meio de analisar o desenvolvimento emocional infantil é através do processo lúdico. O brinquedo e o brincar para a criança são atividades extremamente importantes, que atuam como forças motrizes para o processo do pensar.

A Antroposofia faz uma observação a respeito dos materiais utilizados nos brinquedos das crianças: o plástico não existe na natureza, portanto não ensina nada sobre ela. É um material liso e frio que não possui uma diversidade de cheiros e texturas. O plástico não estimula as fantasias da criança. Tecidos de algodão, lã, feltro, madeira, conchas, casca de árvores, sementes, pedras, raízes… esses materiais sim, estimulam tanto a fantasia quanto o desenvolvimento infantil.

A boneca possui função importante para o desenvolvimento emocional da criança e, segundo Rudolf Steiner, quanto mais simples essa boneca, quanto mais natural (em termos de seu material), mais rica esta será. Bonecas muito elaboradas (aquelas que choram, que piscam os olhos, que falam, etc.) e feitas de materiais não originários da natureza – o plástico, por exemplo – são prejudiciais à fantasia infantil. Steiner explica tal situação:

Contudo, nesta época tão orientada para o físico, sensorial, e pouco orientada para o espiritual e anímico, introduziu-se na educação infantil um terrível flagelo, totalmente desapercebido pelo fato de hoje em dia se atentar tão pouco ao espírito. Nossa mães, e até mesmo nossos pais, acham extraordinariamente necessário presentear a menina em idade lúdica com uma linda boneca, com a qual ela possa brincar. Esta ‘linda’ boneca, não obstante, é sempre horrível, por ser anti-

artística; mas é, como às vezes se conceitua, uma linda boneca, com cabelos ‘legítimos’, corretamente pintada e com olhos móveis: quando é abaixada ela os fecha, e quando é erguida nos olha. (STEINER, 1994, p.22)

Partindo do conceito de trimembração do homem, dentro de uma perspectiva Antroposófica, pode-se enxergar que o ser humano é composto de três elementos básicos:

1. a forma esférica da cabeça, o “duro”, que protege; 2. os membros, em movimento;

3. o tronco, que dá equilíbrio ao ser humano.

Uma boneca elaborada a partir desses conhecimentos básicos transmite à criança a vivência do seu ser. Toda boneca que distorcer ou esconder esta tendência básica, traz confusão para a criança em relação a si própria. Claro que a trimembração da forma inclui outros aspectos, por exemplo: a cabeça em repouso tem a capacidade de pensar e entender o mundo. Os braços e as pernas com os movimentos executam o querer. O ser humano sente com o coração seus pensamentos e suas ações. Ele, no sentir, é um mediador entre o fazer e o pensar. (SCHEVEN, 1991,p. 27)

No primeiro ano de vida da criança, o ideal são os brinquedos grandes, sem perigo de serem engolidos. A diversidade de materiais é fundamental no processo de “interiorização” da criança: Argolas, chocalhos de madeira, bolas de feltro ou lã, boneca de nós feita de seda…

No segundo ano de vida, ao começar a andar, a criança deve brincar com blocos de madeira, sementes e outras coisas da natureza. Carrinhos de madeira podem ser empurrados ao engatinhar.

Aos três anos os brinquedos devem ser os mais simples possíveis para que possam estimular as fantasias das crianças. Cata-ventos, bolas, animais de madeira ou tecido, e até blocos de madeira.

Ao redor dos quatro anos, a brincadeira infantil passa por uma transformação profunda. Antes desse momento, dirigia-se ao que encontrasse casualmente em seu campo visual. Agora a criança se distancia dessas imediações. Antes o sentir estava ligado à percepção das próprias

força que se contrapõe ao mundo exterior, a qual se poderia chamar de fantasia criativa. Oposta ao ambiente externo a partir do interior da criança, essa fantasia o transforma conforme as necessidades interiores. (LIEVEGOED, 1994, p. 50)

A partir daí, até os sete anos, a criança quer poder vivenciar cada vez mais a vida real e as relações humanas.

Às vivências com os elementos se junta uma interminável série de brinquedos que permitem à criança treinar um domínio cada vez melhor de seu corpos. Treinar o trepar, balançar, andar em uma perna só, ficar de ponta cabeça, dar cambalhotas, pular dois degraus, apanhar uma bola e jogá-la novamente, pular corda, enfim, treinar movimentos cada vez mais ordenados e precisos. Todas essas são atividades com sentido que vêm ao encontro do anseio natural de movimento da criança, trazem alegria e ajudam a dominar sua corporalidade, a se encarnar. (SCHEVEN, 1991, p. 21)

Os movimentos da criança dos quatro aos sete anos vão ficando cada vez mais ordenados e estes ajudam a dominar sua corporalidade, a se encarnar. Balançar, pular numa perna só, se pendurar, cambalhotas, pular corda, etc. são atividades que auxiliam nesse processo de domínio do próprio corpo.

Todo o brincar entre o primeiro e o sétimo ano de vida tem o amplo sentido de introduzir a criança, treinando-a lentamente, nas relações de vida do seu meio ambiente. (…)ela [a criança] deve, até a idade escolar, se familiarizar intimamente através de vivências com seu meio ambiente, para que depois da troca dos dentes, com o início do período escolar, o professor tenha várias experiências como base e possa, paulatinamente, elevá-las para o consciente. (SCHEVEN, 1991, pág. 22)

Lievegoed (1994, p. 50) compreende que:

(...) não é que a criança simplesmente brinque de casinha; para ela esse espaço é realmente a casa. Ela sobrepôs sua fantasia à realidade, vendo esta última como a fantasia quer. Um mundo de jogos e de contos de fadas vem à luz a partir da própria criança; nele tudo é possível, à medida que a fantasia o julga necessário em seu planejamento. Começou o período em que a criança vê o mundo através de um vidro mágico, onde as cores e as coisas mudam conforme seu próprio arbítrio.

É interessante ressaltar uma característica deste período criativo em que se encontra a criança em uma faixa etária dos 3 aos 5 anos, aproximadamente: há uma transição instantânea do mundo fantástico para o mundo real.

A mesma cadeira que um momento antes era um bonde elétrico, ou a mesa que era uma casa, na hora da refeição voltam a ser cadeira e mesa comuns, onde se senta e se come. Imediatamente depois transformam-se novamente em bonde e casa(…) se trata da polaridade formada pela fantasia (interior-exterior) em contraposição à realidade (exterior-interior). (LIEVEGOED, 1994, p.51-52)

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