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4. Data and Results

4.2. Results of Arbitrage Values from Daily and Weekly Patterns

4.2.2. Arbitrage Value Results of Daily and Weekly Patterns

4.2.2.1. Arbitrage values by daily pattern of electricity prices

4. “Eis que! Olho céus teus, trabalho de dedos teus”, “(a) lua e (as) estrelas que

estabelecestes”.

O Sl 8,4 inicia com a partícula ki “eis que!”, um chamado de atenção, pois o assunto que introduz é importante. Seguidamente, o verbo qal ra’ah “olhar” acompanha três elementos objetos de observação/admiração do salmista: xamayim “céus”, yareah “lua” e kokab “estrelas” que vem a complementar e dar continuidade tanto ao assunto quanto às obras já mencionados no v.2.

490 Thomas L. Thompson, From the Mouth of Babes, Strength: Psalm 8 and the Book of Isaiah, em

Scandinavian Journal of the Old Testament, p.227.

491 Thomas L. Thompson, From the Mouth of Babes, Strength: Psalm 8 and the Book of Isaiah, em

A ação do salmista (Sl 8,4), mediante seu ra’ah “olhar”, não se limita a um simples “enxergar a aparência” (Js 8,20; Jz 13,20; 1Sm 16,17). No Primeiro Testamento, “ver alguma coisa” sempre tem consequências: alguém vê e se aguarda um agir coerentemente com o que vê.492 Sendo assim, a disponibilidade de “olhar” no salmista (Sl 8,4) abrange atitude para “conhecer”, “reconhecer” e “perceber de forma inteligente” as manifestações do trabalho do seu Deus que lhe são visíveis.493 (Gn

16,13; 26,28; 32,31; 37,20; Is 52,15; Ez 40,4).

Os xamayim “céus” são a primeira obra a ser enumerada pelo salmista no Sl 8,4. Deles também se fala no v.2 e 9, sendo mencionados no começo, meio e fim do poema, fato que o situa como elemento de coesão importante. Na lógica veterotestamentaria, o salmista tenta distingui-lo do espaço da “terra” (v.2.10) e do “mar” (v.9), as três partes que constituiriam o “mundo”.494

A partir do ambiente agrícola: o que provoca a menção dos xamayim “céus” na boca de um camponês? É possível que a resposta esteja relacionada, especialmente, aos fenômenos que ele executa entre os quais distingo: “água/chuva” (Dt 11,11; Jr 10,13; 14,22; 51,16; Sl 148,4; Gn 8,2) e o “rocio” (Gn 27,28; Dt 33,28). Porém, na cultura roceira não estranha que aos “céus” se lhe chame “casa do tesouro” (Dt 28,12; 32,34).

O salmista (Sl 8,4), em sintonia com Gn 1,1, reconhece os xamayim “céus” como obra criada. Mas, os/as cientistas distinguem teologicamente as raízes verbais localizadas em Gn 1,1 e Sl 8,4. Em um primeiro momento, Javé cria os xamayim “céus” pela Palavra geradora de vida. Utiliza-se o verbo bara’ “dar origem”, no sentido de que só Javé é capaz de fazê-lo.495 (Sl 115,5; 121,2; 124,8; 134,3; 146,6). No Sl 8,4, o tronco ‘axah “trabalhar”, de onde deriva o substantivo ma‘axeh “trabalho” remete ao aspecto de dar forma à obra criada.496 (Sl 95,5; Jr 12,2; 17,8; Sl 107,37).

492 Silvia Schroer e Thomas Staubli, Simbolismo do corpo na Bíblia, p.154.

493 D. Vetter, ra’ah “olhar”, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento, vol.1, p.875. 494 J. A. Soggin, xamayim “céus”, em Diccionario teológico manual del Antiguo Testamento, vol.2,

p.1211.

495 H. Riggren, ‘axah “trabalhar”, em Theological dictionary of the Old Testament, vol.11, p.391.

496 Thomas Mccomiskey, ‘axah “trabalhar”, em Dicionário internacional de teologia do Antigo

Nesse sentido, a frase: “eis que! Olho céus teus, ma‘axeh/trabalho de ’esba‘ot/dedos teus” fica melhor explícita. Segundo Silvia Schroer e Thomas Staubli, as interpretações clássicas do Sl 8,4 se embaraçaram ante a inocência antropomórfica do texto. Para os clássicos –afirmam- parecia ridículo que Javé tivesse plasmado toda a criação com o dedo.497 Embora, Silvia e Thomas, não forneçam uma alternativa à sua crítica, vejo oportuno fundamentar a proposta do TM: se em Gn1,1 os céus são criados, na altura do Sl 8,4 a narrativa mostra a obra em estado de perfeito acabamento.498 Interpreto que, no contexto vital (Sl 8), o orante não é “testemunha” do processo criacional, senão, do estado final daquilo sabiamente modelado/concluído. (Ex 8,15; 31,18; Dt 9,10).

O substantivo ma‘axeh “trabalho” (Sl 8,4) deriva da raiz ‘axah “fabricar”, “realizar”.499 No Primeiro Testamento, “fabricar” significa “usar as mãos” e, tal agir,

evidencia os pensamentos e os desejos.500 Entendo que “criar com as mãos” é exteriorizar o mundo interior materializando o imaginário do que cria. Posso sugerir que, neste sentido teológico, o Sl 8 revela o “sonho” de Deus.

O Sl 8, como outras leituras pós-exílicas utiliza o tronco‘axah “fabricar” para falar, não só da disponibilidade efetiva de um Deus que cria e modela com suas mãos os seus pensamentos/desejos, senão de um Deus que conserva constantemente aquilo que amorosamente sonhou/gerou.501 (Sl 71,19; 72,18; 78,3-4; 86,10; 98,1; 102,26-28).

O governo de suas obras (Sl 8) é a árdua tarefa do criador (Dt 32,4; Sl 44,2; 62,10; 90,16; 95,9): “Pergunta, pois, ao gado e ensinar-te-á, às aves do céu e informar- te-ão. Fala à terra, ela te dirá lições, os peixes dos mares te hão de narrar: quem não haveria de reconhecer que tudo isso é obra da mão de Deus?” (Jó 12,7-10). Nesse sentido, para Claus Westermann, o princípio trabalhista, assim como o principio de

497 Silvia Schroer e Thomas Staubli, Simbolismo do corpo na Bíblia, p.218.

498 Confira: John Hartley, ’esba‘ot “dedos”, em Dicionário internacional de teologia do Antigo

Testamento, p.1260.

499 Thomas Mccomiskey, ‘axah “trabalhar”, em Dicionário internacional de teologia do Antigo

Testamento, p.1180.

500 Silvia Schroer e Thomas Staubli, Simbolismo do corpo na Bíblia, p.209.

501 Conferir: H. Riggren, ‘axah “trabalhar”, em Theological dictionary of the Old Testament, vol.11,

preservação vem de Javé.502 Todos as criaturas viventes dependem do seu “trabalho”. E a sociedade agrícola o reconhece muito bem! (Sl 145,16; 104,28; Pr 3,19). Trabalhar, segundo os critérios veterotestamentário é bom e necessário, o problema surge quando à atividade se acrescenta planos de exploração (Lv 19,13; Dt 24,14-15; Jr 22,15). Disso falarei em Sl 8,6-7.

O Sl 8,4 nos introduz num dos traços essenciais concernentes ao ser humano (v.5). Como criatura está chamada não só a “trabalhar”, senão a “louvar”. Eis aqui, onde entra a questão sobre o corpo humano e cada um dos seus membros.503 O trabalho é benção e realização humana! Entendo que se trata de um projeto teológico/antropológico contraposto à preguiça (Sl 64,7; 77,12-13; 92,5; 143,5; Gn 2,5). O trabalho humano, nesse sentido, é continuidade da obra do criador. Mas advertindo, a respeito, o que Silvia Schroer e Thomas Staubli consideram: o trabalho sem reflexão é reprodução, pois na mão de uma pessoa se decide se um instrumento de madeira é usado para lavrar a terra ou para matar um individuo (Nm 35,16).504 Na teologia do Primeiro Testamento, se Javé abençoa ou não o trabalho das mãos vai depender da ética dos/as envolvidos/as na esfera trabalhista (Gn 3,17; 5,29; 31,42; 39,3).

Se a dimensão do Deus criador e laborioso é conferida na primeira frase do v.4: “Eis que! Olho céus teus, trabalho de dedos teus”, a segunda, a complementa ao falar dos outros dois elementos objetos do olhar do salmista: “(a) yareah /lua e (as) kokab/estrelas que estabelecestes”. O Primeiro Testamento não distingue “planetas” de “estrelas” (Is 14,12). Segundo R. E. Clements, os conhecimentos astrológicos do Antigo Israel dependem dos textos: Am 5,8; Jó 9,9; 38,31.505 Analiso assim a vinculação literária entre yareah “lua”, kokab “estrelas”, e xamayim “céus” (elemento cósmico fundamental): Sl 8,4; Is 24,23; 30,26; Sl 78,24; 81,4; Pr 7,20.

502 Claus Westermann, Fundamentos da teologia do Antigo Testamento, 2005, p.113. 503 Silvia Schroer e Thomas Staubli, Simbolismo do corpo na Bíblia, p.25.

504 Silvia Schroer e Thomas Staubli, Simbolismo do corpo na Bíblia, p.210.

A admiração antropológica do Sl 8,4 coloca-se na corrente veterotestamentária, onde xamayim “céus”, yareah “lua” e kokab “estrelas” são sinais visíveis da magnificência do criador.506 Nestes corpos celestes, sabedoria e autoridade se misturam intensamente (Sl 147,4; Is 40,26; 45,12) convertendo-se em geradores de perguntas (Sl 8,5) e louvores (Sl 136,9; 148,3; 104,19; 72,20; 89,38).

Enquanto o Sl 8,4a fala dos xamayim “céus” como ma‘axeh/trabalho dos ’esba‘ot/dedos do criador, a yareah “lua” e as kokab “estrelas” são apresentadas como seus elementos estabelecidos (Sl 8b). O verbo kun “estar firme”, “fundamentar” (Sl 8b) se encontra em estado polel perfeito. Pelo estado gramatical interpreto que, além de “criar” e dar forma ao “criado”, Javé lhe fornece consistência/solidez a suas obras.507 (Is

4,5; 51,13; Jó 8,8; Sl 24,2; 119,90; 74,6; Pr 3,19).

Enfim, o Sl 8,4 fundamenta a eficácia do xem “nome” de Javé (Sl 8,2). O salmista, reconhecendo-o, o louva. Situa-se como criatura, num conjunto “cósmico”, cujo criador transborda seus limites antropológicos (Sl 8,4-5; 1Rs 8,27; 2Cr 2,5; 6,18; Jr 23,24). Não por acaso enxerga, num primeiro momento, os céus (Sl 8,4a). Embora alguns textos o mencionem como lugar a partir do qual Javé atua (Sl 2,4; 11,4; 20,7; 89,12; 102,20; 115,3.16), no fundo, está a convicção de que “o bem mais precioso” aos olhos camponeses, (chuva apropriada sobre a terra), não é um acidente, senão uma providência (Is 42,5; 45,18; Sl 33,6; Pr 3,19; 8,27).

“Céus”, “lua” e “estrelas” no Sl 8,4, além de funcionar como magníficos elementos cósmicos que introduzem ao louvor, poderiam ser fontes de consulta não só para o cultivo, senão para a divisão em horas dos dias e em ciclo, dos anos (conforme a herança suméria).508 Toda a beleza observada é fruto do trabalho de Javé e muito útil! (Sl 72,18; 77,15). Veja que as crianças (Sl 8,3) fornecem exemplo de laboriosidade. No projeto de Javé tudo quanto existe tem uma tarefa a realizar.

506 R.E. Clements, kokab “estrelas”, em Theological dictionary of the Old Testament, vol.7, p.81.

507 Conferir: Erhard S. Gerstenberger, kun “estar firme”, em Diccionario teológico manual del Antiguo

Testamento, vol.1, p.1118.

Entre as tarefas do salmista está transmitir aquilo que o “encanta” e o “sustenta” (Sl 19,2; 78,3-4; 86,10; 98,1; 104,13; 105,5). Aliás, o “cosmos” conspira com ele para comunicar tal mensagem (Sl 8,2.3.4.10; 103,22; 145,9). Esta energia dinâmica geradora de vida alegra ao criador (Sl 104,31). Quero situar o Sl 138,8 como resumo conclusivo desse pensamento teológico: “Javé, o teu amor é para sempre, não abandones a obra das tuas mãos” (Sl 138,8).

Agora bem, perceba que da “grandeza cósmica” localizada em Sl 8,4, o salmista nos movimenta à “pequenez antropológica” em Sl 8,5. Analisemos, pois, o último versículo (v.5) da primeira estrofe (Sl 8,2-5): “Que (é o) ser humano, eis que! (para) lembrar ele”, “e (o) filho de Adam, eis que! (para) olhar ele”.